Há “movimento” nas obras da margem esquerda…Milagre?

Eis que uma insólita escavadeira toca adiante as obras na margem esquerda. É o suficiente? (Fabrício Wolff)

Eis que uma insólita escavadeira toca adiante as obras na margem esquerda. É o suficiente? (Fabrício Wolff)

Surpreendido pela manhã com os cliques do bom judeu jornalista e incansável Fabrício Wolff mostrando o trabalho insólito de uma escavadeira nas obras quase paradas da margem esquerda. na Ponta Aguda. Deveria comemorar? Até que deveria, pois como ele mesmo me dissera, antes uma do que nenhuma. Mas, guardo minhas exaltações por um momento, afinal, já estamos há um tempinho esperando o fim desta novela mexicana.

Para o morador mais antigo ou o aficionado por história da cidade, a recuperação da margem esquerda sempre faz lembrar da construção, também à época tão esperada, da Avenida Beira-Rio (ou, para irritar alguns, Avenida Presidente Castello Branco). Iniciada em 1964 e com o primeiro trecho terminado em 1973, a via foi o alívio que moradores e comerciantes na Rua XV esperavam há anos, vítimas dos constantes desbarrancamentos na encosta da margem direita do Itajaí-Açu, sem contar a contribuição ao desafogar o trânsito nas vias centrais. O último trecho, da Ponte Victor Konder até o terreno da atual Prefeitura, foi terminado em 1978.

Os trabalhos no que seria a futura Avenida Beira-Rio, no início dos anos 70. Técnica de construção é a mesma de hoje (Antigamente em Blumenau)

Os trabalhos no que seria a futura Avenida Beira-Rio, no início dos anos 70. Técnica de construção é a mesma de hoje (Antigamente em Blumenau)

Foram, neste caso, um intervalo de 10 anos entre o início dos trabalhos e a conclusão do primeiro trecho. Em um tempo que, vale considerar, o maquinário era bem mais rudimentar e o trabalho mais artesanal, mas onde a técnica de enrocamento é a mesma sendo empregada nos dias de hoje. A velocidade da execução nas obras da margem esquerda não permitiram ainda que se completasse um tempo de execução tão longo, mas ainda assim, já é o suficiente para começar a se preocupar.

O plano é gigante, chega a lembrar as ideias dos visionários dos anos 70. Um plano de enrocamento completo da margem, somado a passeios públicos para o uso de pedestres e ciclistas. Se é uma boa ideia, só o futuro pode dizer, mas o mais importante disto tudo é, sem dúvida, a proteção da margem de deslizamentos, quase sempre constantes nas enchentes.

No entanto, esperar e acompanhar o ritmo das obras chega a ser sonolento e nulo de qualquer paciência. Os defensores do meio-ambiente seguem pregando contra a obra, acreditando que o restabelecimento da margem é natural e cobrando da Prefeitura explicações por tantas construções a beira do rio (esta última, com justa razão). Afinal, chega a assustar o outro gigante de concreto se levanta na Ponta Aguda, bem na borda do enrocamento, tornando esta uma prova de fogo para a estrutura e uma prova de coragem para quem quiser morar la.

Alegres dias na Prainha. Concerto do Projeto Aquarius na concha acústica nos anos 80. Concha, assim como o espaço, estão largados ao aguardo do termino do enroncamento da margem esquerda para revitalização (Antigamente em Blumenau)

Alegres dias na Prainha. Concerto do Projeto Aquarius na concha acústica, presente da Artex nos anos 80. A concha, assim como o espaço, estão largados ao aguardo do termino do enrocamento da margem esquerda para revitalização (Antigamente em Blumenau)

Mas, o que mais doí para o blumenauense é ver que, com o ritmo das obras, fica cada vez mais distante os dias melhores para a velha Prainha (Praça Juscelino Kubitschek). Palco de eventos e momentos memoráveis da vida da cidade-jardim, entristece ver um espaço como este largado as traças bem no coração do Centro, servido para abrigo de usuários de drogas, vândalos e toda a sorte em delinquentes. Exclui-se nesta citação, é claro, os breves momentos em que os audaciosos idealistas do coletivo Vamo Siuni? dão vida ao local, com a música, poesia e colorido sempre a mão nas ações que executam. Mas revitaliza-la por completo? Dar vida nova a ela? Apenas quando a margem esquerda estiver a ponto de receber vida ao invés de apenas pedras.

Receber a notícia de ver vida, trabalho e coisas concretas no outro lado do rio consola muito pouco para quem acompanha atentamente o passo desta importante obra. Uma é melhor do que nenhuma, mas muitas outras, seriam melhor do que quase uma. E assim, a margem esquerda continua crescendo em pedras, uma por a uma e apenas nos dias de sol e nublados…

Quem sabe, os saudosos como eu conseguirão ver em pé e viva a outra margem do Itajaí-Açu e, por conseguinte, a amada Prainha.

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