Polêmico, histórico, meloso, curioso…”Férias no Sul” disponível na internet

Ao fundo, a entrada em Ilhota e a placa "Bem Vindos ao Verde Vale do Itajaí"...Férias no Sul, de 1966, pode ser visto no YouTube pelos curiosos em história de Blumenau (Adalberto Day)

Ao fundo, a entrada em Ilhota e a placa “Bem Vindos ao Verde Vale do Itajaí”…Férias no Sul, de 1966, pode ser visto no YouTube pelos curiosos em história de Blumenau (Adalberto Day)

Blumenau era ainda uma cidade em crescimento acelerado em 1966 quando desembarcou por nossas bandas um diretor de cinema disposto a fazer daquela curiosa e simpática cidade um pano de fundo para uma história de amor, desencanto, juventude jovem guarda e romance. Trouxe com ele dois atores com potencial, muitas ideias e acabou saindo daqui com uma ligeira impressão de fez uma tragédia, mas sem saber da contribuição que deixaria para a história da cidade.

Causador de polêmicas mas um precioso recorte histórico, o filme Férias no Sul desperta toda a sorte em memórias e sentimentos a quem viu nos cinemas da cidade o melodrama estrelado por um jovem David Cardoso, ainda desconhecido do grande público. Quem não viu e ficou curioso pela trama, pode dar um pulo no YouTube e pesquisar o filme para ver, graças a iniciativa do comerciário Anthar Cesar Hartmann, que extraiu este material valioso de uma velha fita VHS, uma das últimas cópias existentes do filme.

David Cardoso era Celso, um estudante almofadinha em férias pelo sul brasileiro. Era o começo da carreira do ator de novelas e filmes nos anos 70/80 (Adalberto Day)

David Cardoso era Celso, um estudante almofadinha em férias pelo sul brasileiro. Era o começo da carreira do ator de novelas e filmes nos anos 70/80 (Adalberto Day)

Quem se lembra do filme não esquece, não apenas da história e do que viu, mas também da repercussão negativa que causou nos puritanos da época. Era uma propaganda negativa da cidade, que rotulava o blumenauense como um ser certinho, que só pensa em trabalho e cujas moças, de temperamento difícil, se atiravam a qualquer forasteiro do sudeste brasileiro. Deu de tudo, e a película foi do sucesso a infâmia em um piscar de olhos. Foi esquecida por muitos, mas sempre lembrada de uma forma ou de outra pelos contemporâneos da obra.

O sonhador mato-grossense que falara no primeiro parágrafo era o diretor Reynaldo Paes de Barros, que escreveu e lidou com uma verba diminuta para rodar a película. Na trama, Cardoso vive o estudante paulista Celso, que veio passar as férias no sul brasileiro a convite de um amigo. Aqui, ele conhece duas mulheres, à época encantadoras: A blumenauense Helga, vivida pela atriz blumenauense Dagmar Heidrich, e a paulistana Isa, interpretada pela consagrada Elisabeth Hartmann.

David Cardoso em cena com Elisabeth Hartmann. Rotulagens ao povo blumenauense, cenas complicadas, elementos para a polêmica que deixou filme obscurecido até hoje (Adalberto Day)

David Cardoso em cena com Elisabeth Hartmann. Rotulagens ao povo blumenauense, cenas complicadas, elementos para a polêmica que deixou filme obscurecido até hoje (Adalberto Day)

No entanto, grande parte do elenco era composta por atores da própria composta por atores e figurantes da própria comunidade, a exemplo da própria Dagmar. A história também se passou em outras cidades, como Caxias do Sul e Gramado, no Rio Grande do Sul, e na então minuscula praia de Balneário Camboriú, ainda longe dos tempos glamourosos de hoje em dia. Quem imagina que o fim do filme foi feliz se engana, mas, não pense o amigo que darei uma de spoiler…Mas, quem viu sabe, o final não lembra em nada qualquer filme de romance que se conhece.

Fora a cópia de Cesar Hartmann, as outras cópias do filme se encontram em posse da TV Galega e no Arquivo da FURB TV. Agora, também podem estar na casa de todos, que podem conferir novamente os lances da desventura de Celso e os cliques de uma Blumenau que existe apenas em fotos e memórias.

E mais, quem tiver mais curiosidades sobre o filme e as histórias que despertou pode encontrar mais detalhes no blog de meu grande amigo e mentor em história, Adalberto Day. As crônicas são de autoria de outra figura indelével da cidade, o jornalista, presidente da Ampe e eterno Cid Moreira de Blumenau, Carlos Braga Muller. Clique, pesquise e fique a vontade

E, com vocês, sem mais delongas, Férias no Sul:

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