Antigamente: O Mausoléu e os “dias de trovão” de 1974

O velho Mausoléu, na entrada da Rua XV, em paz repousam os restos do Dr. Blumenau e família. Ao menos em paz há 40 anos (André Bonomini)

O velho Mausoléu, na entrada da Rua XV, em paz repousam os restos do Dr. Blumenau e família. Ao menos em paz há 40 anos (André Bonomini)

Uma comunidade dividida, uma classe política e empresarial decidida, colunistas de jornal vociferando pelo sim e pelo não. São apenas alguns flashes de um dos momentos mais históricos, mas também, mais folclóricos de Blumenau. Em 1974, a cidade se unia a tantas outras de origem germânica para a celebração do sesquicentenário da imigração alemã. Era o tempo propício para que o corpo do pai da terra, Dr. Hermann Blumenau, voltasse, junto dos familiares, para a cidade que fundou. Mas, será que o povo queria isto?

Para compreensão, Dr. Blumenau deixou a cidade quatro anos após a instalação do município, em 1880 (extra-oficialmente, postergada por conta da enchente no mesmo ano). Vivia desde 1884 em Braunschweig, Alemanha, junto da mulher Bertha e dos três filhos, até falecer em outubro de 1899, aos 79 anos de idade. Ele foi sepultado na mesma Braunschweig, onde lá se encontrava.

O cortejo dos restos do fundador e família pelo Itajaí-Açu, em 1974. Um dia de chuva que marcava o fim de uma batalha ideológica e verbal (Antigamente em Blumenau)

O cortejo dos restos do fundador e família pelo Itajaí-Açu, em 1974. Um dia de chuva que marcava o fim de uma batalha ideológica e verbal (Antigamente em Blumenau)

O desejo de trazer de lá os restos mortais da família já era algo que permeava a mente de historiadores e políticos blumenauenses há tempos, sempre acompanhado de debates calorosos sobre a necessidade desta vinda. Eis que chega 1974, ano do sesquicentenário da imigração alemã no Brasil. Eram exatos 90 anos que o fundador partira do município. Era hora de voltar, o que bateram o pé e decidiram os maçons (Dr. Blumenau era maçonico), os lions, historiadores e classe política, juntando na roda o então prefeito Félix Theiss.

No entanto, querer trazer era fácil, mas enfrentar os dilemas da população provaria ser o obstáculo mais difícil na empreitada. Os debates entre os blumenauenes aumentava a medida que os dias passavam e que o Mausoléu era erguido. Nos jornais, o principal meio de transmissão de argumentos dos contrários a construção do espaço e a vinda do fundador. Falava-se em obras de maior necessidade, como pavimentação, melhorias no trânsito, rede de abastecimento de água, entre outros.

Ainda fresco nos anos 70, o Mausoléu virava ponto turístico depois de debates ferozes entre favoráveis e contrários a construção (Antigamente em Blumenau)

Ainda fresco nos anos 70, o Mausoléu virava ponto turístico depois de debates ferozes entre favoráveis e contrários a construção (Antigamente em Blumenau)

Nas colunas de jornal, textos vociferavam contra, como o dos desconhecidos José Bocaiúva e Túlio Maraschino, ambos pseudônimos. O então Serviço de Imprensa da Prefeitura (SIP) tentava contra-atacar com os argumentos favoráveis, mesmo que muitas vezes abusava no ufanismo e deixava escorregar as alianças e preferencias.

De batalha em batalha, nos jornais e debates, a intenção da obra continuava seguindo o curso traçado até a conclusão das instalações do Mausoléu, que aguardaram até o dia 2 de setembro daquele turbulento 1974. Chovia muito, mas nada que impedisse a volta do fundador e família a cidade, primeiro numa pequena balsa pelo Itajaí-Açu, para depois seguir em cortejo pela Rua XV até o destino final, onde encontra-se até hoje, 40 anos depois. Um pequeno filme, de Werner Tonjes, mostra um pouco daquele momento. Veja:

Hoje, o inocente blumenauense que passa, que não viveu aqueles dias, pode não imaginar. Mas as bases de um debate cidadão sobre os problemas da cidade começavam por intenção do tímido Mausoléu lá instalado.

Dr. Blumenau e família repousam calidamente na beira do ribeirão Garcia, a sombra da cidade que corre o dia no trabalho constante, em paz desde 18…1974. Quem quiser os visitar, o Mausoléu é aberto a visitação de segunda a domingo, inclusive feriados, das 10h às 16h, também sediando interessantes exposições.

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