Ônibus: Paralisação pela “mais que a metade” em Blumenau

No terminal Garcia, nenhum ônibus. Gloria parada prejudicou todo o distrito, sem coletivos pela manhã (André Bonomini)

No terminal Garcia, nenhum ônibus. Gloria parada prejudicou todo o distrito, sem coletivos pela manhã (André Bonomini)

Outra madrugada, outro dia de trabalho…outra paralisação. De tempos para cá, a parada repentina do serviço de transporte coletivo em Blumenau tem se tornado quase que parte de nossa história cotidiana. Nesta manhã de quinta-feira (9/07), a história recente resolveu se repetir, e os coletivos tão necessários outra vez pararam, para desespero dos trabalhadores pegos de rasteira novamente.

Rasteira pela metade, pode-se assim. Ou melhor, rasteira pela mais que a metade. A paralisação desta vez teve como foco apenas os funcionários da tradicional Empresa Nossa Senhora da Gloria, a maior do sistema integrado, responsável por 65% das linhas da cidade, entre elas a de maior deslocamento de passageiros, o Troncal 10 (Garcia-Aterro, via Rua São Paulo). O Garcia foi, sem dúvida, o mais afetado com a paralisação, pois 100% das linhas feitas no distrito são de responsabilidade da Glória. Durante o dia, carros da Rodovel e Verde Vale cumpriram alguns destes horários como forma de aliviar os transtornos do dia.

O motivo? Cerca de 120 funcionários da empresa que não haviam recebido o pagamento na data de ontem, como o acordado. Ainda na tarde de quarta-feira (8/07), uma breve parada já deu o primeiro sinal, talvez o prelúdio do que estava por vir pela madrugada, como acabou acontecendo. No entanto, o que foi mais uma paralisação coordenada pelo Sindetranscol tornou-se, mais uma vez, um ato prejudicial, especialmente a opinião pública, cada vez mais contrária as ações arbitrárias dos sindicalistas.

Sem a Gloria, Rodovel e Verde Vale tiveram de se desdobrar em duas para atender no que dava os transportes para o sul de Blumenau (André Bonomini)

Sem a Gloria, Rodovel (foto) e Verde Vale tiveram de se desdobrar em duas para atender no que dava os transportes para o sul de Blumenau (André Bonomini)

Fique-se claro que nenhuma luta trabalhista dos motoristas, cobradores e outros funcionários do transporte coletivo é ilegítima, haja visto a necessidade de se valorizar com mérito o trabalho destes profissionais. Infelizmente, a nota negativa segue sendo a arbitrariedade em promover paralisações sem aviso prévio nem a manutenção da porcentagem mínima da frota circulando. Chega a ser criminoso transferir o ônus destas paralisações ao povo, que outra vez é vitima deste desleixo.

Mas, desta vez, a balança da culpa parece estar igual tanto para os sindicalistas (pela parada repentina) quanto para a própria Glória, que, talvez, terá muito a explicar a Prefeitura depois deste deslize. Fundada em 1962 pelo idealismo da família Sackl, a tradicional viação blumenauense não vive bons dias de situação financeira, tendo mudado em 2013 o controle acionário, ate hoje motivo de mistério para muitos.

Nesta mesma quinta, o MP emitiu notificação a Prefeitura pedindo que sejam apuradas possíveis irregularidades dentro da Gloria, especialmente na mudança do controle acionário em 2013, alegando que o município pode desconhecer quem são as novas empresas que tocam o negócio. Lembro-me de conversar com amigos do transporte coletivo nos tempos de faculdade, e das dúvidas colocadas sobre os novos donos e até mesmo sobre a aquisição dos coletivos da Viação Leblon, de Mauá (SP), hoje em utilização pela Glória.

Gloria, uma gigante do transporte coletivo que tem muito a explicar, além do sindicato (Jaime Batista)

Gloria, uma gigante do transporte coletivo que tem muito a explicar, além do sindicato (Jaime Batista)

E as indagações do MP não param, outra delas diz respeito aos depósitos de contribuições ao INSS e ao FGTS não feitos pela empresa, além de não ser repassado ao próprio Sindetranscol informações referentes aos valores descontados das mensalidades e a contribuição sindical. São várias pendências em evidência e há sim, caso algo irregular constatado, a possibilidade do contrato da velha Gloria com o SIGA ser rompido, o que seria catastrófico para o funcionamento do sistema em Blumenau.

Sendo apenas hipóteses à serem vistas, a verdade é que algo precisa ser corrigido, e urgentemente, nos subterrâneos do transporte coletivo, especialmente no funcionamento da boa e velha Gloria. É preciso se prezar pelo bom trabalho sempre, evitando todo e qualquer deslize que, em últimos casos, para habitualmente na mão do passageiro desatento. Espera-se agora uma resposta direta dos órgãos competentes da Prefeitura, pela verificação pura e simples da situação antes de uma possível catástrofe maior…

Enquanto isso, seguem-se novamente os ônibus as ruas…ou até a próxima paralisação, que assim não seja!

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