A imprudência em duas pernas

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Atropelamento no corredor da Rua 2 de Setembro. Motivo? Pedestre arriscou atravessar fora da faixa. Culpabilidade dos atropelamentos não se residem apenas nos motoristas. Os pedestres ainda procuram o risco de perto em nome de uma “pseudo-rapidez” ou pressa (Gilmar de Souza / RBS)

Pedestre desavisado, confiando no taco, atravessa fora da faixa e acaba atropelado.

A rima foi proposital, mas é exatamente o que acontece em muitos casos no transito das grandes cidades. Hoje, não foi diferente. um pedestre arriscou atravessar no sinal amarelo e acabou atropelado por um coletivo no corredor exclusivo dos ônibus na Rua 2 de Setembro na manhã desta última segunda (27/07). Novidade?

Entre tantos casos, é mais um que recheia as estatísticas, que em muitas vezes acaba pesando no lado dos motoristas, ora culpados, ora inocentes. Acontece que a responsabilidade de se atravessar na via fora de faixa e de semáforo sempre vai recair no lado do pedestre, que sabe bem do risco que corre ou o que o ignora em nome de uma pressa ou praticidade ilusória.

Em vezes, quando assessor da FURB, observava a ousadia dos apressados de sempre furando a barreira de bambu levantada pela prefeitura no canteiro central da Rua Antônio da Veiga. Especialmente estudantes faziam a travessia proibida, e um atropelamento no local não acontece há tempos, mesmo com o histórico recheado da via.

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Rua Antônio da Veiga vista da tão subutilizada passarela da FURB. Cerca de bambu não segura o impeto dos apressadinhos. No passado, a via já foi palco de atropelamentos mais graves (André Bonomini)

A passarela, logo adiante, parece inútil e não faltam reclamações. Alguns falam da distância (desculpa de preguiçosos), outros reclamam do forte cheiro de urina no lado próximo ao Obs (justo, afinal há quem saia da balada a noite e urine naquele local), e há quem reclame da rampa de acesso, longa e íngreme (outra desculpa de preguiçosos, a exceção dos deficientes físicos, que realmente tem dificuldades na subida). A estrutura está para ser reparada, com nova pintura e revisão na estrutura, mas ainda sofre com a falta de consciência de quem deveria a usar no dia a dia.

Não muito distante, na região central da cidade, a esquina da Rua XV com a Floriano Peixoto tem todos os dias a repetição do caos na travessia. Mesmo com o semáforo para auxiliar tem que teime insistir no caminho, tomando merecidas buzinadas dos motoristas que convergem por ali. Acidentes graves no local não são rotina, mas apenas uma prova do que a pressa, ou a rapidez e folga, podem fazer.

Em outro local, Rua 7 de Setembro, esquina com Presidente Kennedy, no Hospital de Olhos, é onde também reside a grande parte das imprudências na travessia fora das faixas. Ponto preferido para os que burlam o túnel, até pelos assaltos que tornaram o local perigoso.

Arthur Moser

Rua 7. em frente o Shopping. Outro ponto de imprudencia, muitas vezes cometida por conta da insegurança em atravessar pelo túnel (Artur Moser)

 

Ausência de faixas mais próximas ou, ate mesmo, uma passarela para o local, fazem com que os pedestres arrisquem a travessia, especialmente na brecha entre os semáforos da Rua 7 e da Namy Deeke. Atropelamento ali grave não se há notícia, mas buzinadas revoltadas são frequentes.

Típico, infelizmente, como outros tantos pontos de Blumenau e do país. Mas então, como frear a imprudência do pedestre apressado?

Recentemente, o canal por assinatura National Geografic (carinhosamente chamado de NatGeo) exibiu o interessante programa Repense Sua Rotina, que propunha usar a ciência para resolver os benditos desvios de conduta das pessoas no dia a dia. Atravessar sem esperar o sinal abrir foi uma delas, e a solução foi a mais curiosa, porém, eficiente que se pode imaginar.

O maior vilão de se seguir a lei sempre é a pressa, então o jeito é matar a pressa com algo que distrai e faça o tempo passar. Em um cruzamento, foi instalado em cada lado da rua uma tela sensível ao toque com um jogo virtual de cabo-de-guerra. O adversário? O pedestre que aguarda a travessia do outro lado da rua. Bingo! O jogo fazia o tempo passar, e ainda arrancava agradáveis sorrisos.

Se ia funcionar no Brasil? Ajudaria até, mas pouco, confiando ainda na pressa e folga enraizada do brasileiro, somando ao estado que ficaria o aparelho depois de algum tempo. Mas, enquanto uma revolução não vem, as campanhas educativas ainda fazem o papel de tentar, ao menos, educar e chocar quem pensa em burlar as regras. Zerar a imprudência é um sonho distante e muitas mortes e feridos ainda vão passar pelos hospitais depois de um atropelamento.

Ao amigo, fica o conselho. Pare, olhe e pense…sua pressa pode custar muito mais do que tempo perdido.

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