Hiroshima/Nagasaki: 70 anos

 

70 anos: Japoneses param, reverenciam, homenageiam...lembram (Sapo.pt)

70 anos: Japoneses param, reverenciam, homenageiam…lembram (Sapo.pt)

Para um japonês, rememorar o passado é muito mais do que conhecer, mas exercer o respeito as memórias e a história, mesmo tão dolorosa que seja. Ontem não foi diferente. O dia 6 de agosto foi um destes dias, e com significado maior para a simpática e pujante Hiroshima, que há 70 anos era o primeiro dos dois alvos das bombas atômicas lançadas pelos americanos, que literalmente selaram o fim da Segunda Guerra Mundial.

Enquanto, na Europa, a Alemanha de Hitler tombava, enfim, em combate, no Pacífico o conflito continuava tenso e aberto. Os americanos se viam numa sinuca de bico diante do combalido e persistente exercito japonês comandado pelo general Hideki Tojo, seguindo as regras a risca de não se render de nenhuma maneira. Nos obscuros cantos dos desertos americanos, em Los Alamos, nascia a resposta final, que ninguém sabia nem fazia ideia.

A tripulação e a maquina. Soldados da Força Aérea e o B-29, com o carinhoso apelido de "Enola Gay" entraram para a história, mesmo que obscuramente (Wikipedia)

A tripulação e a maquina. Soldados da Força Aérea e o B-29, com o carinhoso apelido de “Enola Gay” entraram para a história, mesmo que obscuramente (Wikipedia)

A bomba atômica acabou, infelizmente, sendo a última forma de pressão, e para alguns loucos defensores, a mais eficaz para o fim da guerra. Era por volta das 8h15 da manhã de 6 de agosto de 1945, quando pairava sobre o sul da ilha japonesa o bombardeiro B-29 iconicamente batizado de Enola Gay. Dentro dele, a carga bélica mais destrutiva até o lançamento da Bomba H, em 1957, a Little Boy, que depois estaria no solo, detonada, varrendo praticamente toda a Hiroshima do mapa em questão de minutos.

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A devastação de Hiroshima. A cidade sumiu, os mortos eram contados as centenas de milhares (USAF/Wikipedia)

Mortes contavam-se aos milhares, excluindo-se os outros tantos nipônicos com sequelas da explosão, como ferimentos graves e o câncer. O sofrimento não acabava ali. Apenas três dias depois, outro B-29, o Bockscar, pairava outra cidade japonesa, Nagasaki. Dentro dele, outra bomba atômica, a Fat Man, que cairia na madrugada daquele dia, às 3h49. Outro ferimento irremediável.

Em setembro, depois de muito ponderar, o imperador Hirorito resolveu pela rendição, assinada pelo ministro de relações exteriores e pelo secretário-geral do gabinete a bordo do USS Missouri, sob o olhar atento do general Douglas MacArthur. A guerra acabou, ao preço de centenas de milhares de inocentes.

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O general Douglas MacArthur observa a assinatura da rendição japonesa a bordo do USS Missouri. Era o fim da guerra, pago com a morte pela bomba atômica (Wikipédia)

Assim, japoneses de todas as partes da pequena ilha param as atividades em reverencia ao passado. As dores e feridas que não cessaram por completo e que ainda seguem como um fantasma para o mundo da atualidade, sempre a beira de um conflito que possa terminar muito pior do que Hiroshima e Nagasaki.

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