Denuncia: Estão desmantelando a TV Cultura!

(Reprodução)

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O título é este mesmo, enfático, direto e com exclamação. E a denuncia não podia ter escolhido data melhor para vir a tona do que no dia da televisão, celebrado no último dia 11. Apresentadores e ex-apresentadores da TV Cultura de São Paulo vieram a público para denunciar o desmonte e terceirização da grade de programação que a emissora vem sofrendo nos últimos anos.

Demissões em massa e encerramento de programas, sendo alguns clássicos, são apenas algumas das situações contestadas em um vídeo publicado no YouTube. A gravação, de apenas um minuto, dá destaque a programas da tradicional TV do bonequinho que foram limados nos últimos tempos. Entre eles os clássicos Grandes Momentos do Esporte, EntrelinhasBem Brasil e, mais recentemente, o Viola, Minha Viola, como exemplos mais latentes.

Veja o vídeo:

Para brecar esta ação, foi criada uma campanha virtual denominada #EuQueroaCulturaViva, tendo a frente nomes de peso que já passaram e estão na emissora, capitaneados pelo ex-apresentador da casa, Luciano Amaral. Além do vídeo, uma petição online está circulando, trazendo no texto de introdução outras denuncias.

Entre elas, o recente corte do sinal da emissora das parabólicas, excluindo 30 milhões de pessoas do acesso ao canal, afirma. O documento está endereçado aos dois nomes mais importantes a frente da TV, que é de concessão governamental paulista: O governador Geraldo Alckmin e o diretor-presidente da estação, Marcos Mendonça.

Morte de Inezita Barroso, no início do ano, levou ao fim do "Viola, Minha Viola". Uma grande perda para a difusão da verdadeira música sertaneja nacional (José Patrício / G1)

Morte de Inezita Barroso, no início do ano, levou ao fim do “Viola, Minha Viola”. Uma grande perda para a difusão da verdadeira música sertaneja nacional (José Patrício / G1)

A denuncia é um verdadeiro choque para os defensores da difusão de conhecimento e de uma programação de qualidade na televisão nacional. A TV Cultura surgiu em 1960, ainda sob a chancela dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, o mesmo conglomerado dono da TV Tupi. No fim da década, em 1969, a emissora foi vendida à Fundação Padre Anchieta, mantedora da Cultura até hoje, e centrou a programação nos moldes educativos, num bom exemplo de TV pública e inovadora e a materialização de um antigo sonho: O de difundir conhecimento pela televisão.

Com o passar do tempo, a emissora saiu das cercanias paulistas e ganhou o Brasil, tornando-se conhecida do Oiapoque ao Chui com programas clássicos e marcantes em vários seguimentos, como os infantis Cocoricó e Castelo Ra-Tim-Bum, os jornalísticos Roda Viva, Vox Populi e Metropolis, e os de entretenimento/musicais como Viola Minha Viola, Som Pop e Quem Sabe, Sabe. A forma de misturar TV e conteúdo de qualidade foi reconhecida com prêmios e destaques. Entre eles o de segunda melhor TV do mundo em qualidade de programação, segundo pesquisa do Instituto Populus em janeiro de 2015.

Veja os resultados da pesquisa

No entanto, relegada a infeliz coadjuvante diante das TVs comerciais e vitima de uma reestruturação administrativa desastrosa, as denuncias do desmantelamento da Cultura parecem cada vez mais comprovadoras de uma má fase que parece não ter fim. Em nota, a emissora responde as denuncias, dizendo que não há desmonte ou terceirização, se coloca disponível ao diálogo e até chega a afirmar que mudanças estão sendo feitas para manter a programação de qualidade reconhecida no mundo.

Castelo Ra-Tim-Bum, um dos grandes clássicos da linha infantil da Cultura, reconhecido pela qualidade e sempre lembrado por muitos (Arquivo / TV Cultura)

Castelo Ra-Tim-Bum, um dos grandes clássicos da linha infantil da Cultura, reconhecido pela qualidade e sempre lembrado por muitos (Arquivo / TV Cultura)

Que a nota da emissora esteja dizendo a verdade, pois seria um crime hediondo para a comunicação que a TV Cultura fosse desmantelada como um navio sem utilidade. A emissora tem tarimba, tem nome na praça e uma importância incalculável para um trabalho que foi sonho dos primeiros idealizadores da TV no país: A programação educativa e a difusão de cultura, pensamento critico e conhecimento ao público. Isto sem falar que estaria sendo encerrada a história de um bem publico. Ou seja, meu, seu, de todos, até muito mais do brasileiro do que apenas do paulistano.

A BOINA declara-se parceira desta causa, pois defende-se piamente este modelo de transmissão de um Brasil que não conhecemos e de pensamento que nem sempre temos. Fica-se agora a agoniante espera de novidades, de uma luz de verdade no futuro do bonequinho mais querido do dial brasileiro.

Eu também quero a Cultura viva!

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