Justin Wilson: Outra perda nas pistas em 2015

Justin Wilson, 1978-2015 (Motorsport)

Justin Wilson, 1978-2015 (Motorsport)

De novo? Como isto?

Voltamos nós, amantes da velocidade, a lamentar mais uma perda no automobilismo internacional. Desta vez foi a de Justin Wilson (37) depois de um dia em coma, lutando pela vida em um hospital na cidade de Long Pond, Estados Unidos. Ele não havia mais acordado desde que parte da carenagem do carro do americano Sage Karam o acertou durante as 500 Milhas de Pocono. É outra morte na Indy, a de número 96, mas igualmente dolorida como a de Jules Bianchi, rendido pelo trauma sofrido em Suzuka em outubro de 2014 na F1, e falecido em julho último.

E, novamente, volto a falar uma frase que dissera justamente no passamento do francês da Marussia no mês passado: “Eu imaginava que, com tantos avanços no automobilismo, não morriam mais pilotos”. Outra vez, me enganei, e desta vez foi na Indy. A categoria já tinha tomado um baque monumental em 2011, quando o queridinho do grid Dan Wheldon, também inglês, morreu tragicamente em um legítimo big one no oval de Las Vegas. Foi este golpe que fez a Indy mudar a forma de fazer o carro. Novas carenagens, proteções para rodas, menos velocidade, mais segurança.

Wilson e o carro da Andretti, durante os treinos em Pocono. A morte viria pelo ar, numa peça de carenagem solta do carro de Sage Karam (IndyCar)

Wilson e o carro da Andretti, durante os treinos em Pocono. A morte viria pelo ar, numa peça de carenagem solta do carro de Sage Karam (IndyCar)

Segurança esta colocada a prova durante os treinos para as 500 Milhas de Indianápolis, onde tantos voaram em acidentes perigosíssimos. No entanto, eis que um golpe no elmo do piloto – o capacete – foi outra vez a tônita da história. E agora, Justin faz parte das estatísticas negativas do automobilismo, especialmente o americano, onde mortos se contam aos montes, mas cada um com um peso de herói, num misto de poesia e sentimentalismo esportivo, marca do esporte a motor na Terra do Tio Sam.

Justin nunca teve vida fácil no automobilismo. A exceção das categorias de base da F1, onde venceu, foi campeão e mostrou talento. A Minardi o chamou em 2003 para dividir o carro com Jos Verstappen, veterano holandês que já tinha dividido equipe até com Michael Schumacher na Benetton, em 1994. Wilson era alto, o mais alto da história da F1, dava para jogador de vôlei, mas era um teimoso e queria mostrar serviço. Depois de alguns GPs, estava na Jaguar, no lugar do jungle boy amazonense Antônio Pizzonia. Fez apenas um ponto em oito corridas e sumiu da F1.

Justin na Jaguar, em 2003. Tempos difíceis com carros péssimos na F1 (AP)

Justin na Jaguar, em 2003. Tempos difíceis com carros péssimos na F1 (AP)

Foi para os EUA atrás do sucesso, se dividindo entre a ChampCar (CART) e corridas de endurance. Em 2010 pousou na Indy e conseguiu alguns êxitos. Vitórias, pódios e pole. Mas, sempre vivendo tempos difíceis, era um piloto quebra-galho da Andretti e corria no esforço, ate o dia fatal, o último domingo.

Com a morte de Justin, alguns dos mais temerosos por novas mortes do mesmo esquema já falam na ideia de cobrir o cockpit. Não é tão simples como se pensa. Num monoposto, uma cobertura desta forma não pode garantir a segurança apenas, mas permitir visibilidade em sol e chuva e evitar reflexos, especialmente em corridas noturnas. Se é este o caminho, mesmo que todos os últimos e esparsos casos tenham sido fatalidades puras, será um estudo constante para tanto. Não será do dia para a noite que os elmos estarão cobertos.

Por hora, infelizmente é necessário tirar a fita preta guardada desde a morte de Bianchi e recoloca-la por alguns dias no canto dos carros e garagens de equipes. Outro piloto está entre os grandes do céu, e só resta recordar do insistente Justin Wilson, que não se rendeu e que só queria, assim como Bianchi, um lugar ao sol.

IndyCar2

God bless you, Justin (1978-2015)

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