Você sabia? Novas placas veiculares serão obrigatórias em 2017

Apresentação do novo modelo de placa para os países do Mercosul. No Brasil passa a ser obrigatória apenas em 2017 (Divulgação)

Apresentação do novo modelo de placa para os países do Mercosul. No Brasil passa a ser obrigatória apenas em 2017 (Divulgação)

Você ainda deve se recordar, nos meados dos anos 90, quando o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) obrigou a troca das clássicas placas amarelas do veículos nacionais pelo modelo atual cinza. Pois bem, está vindo ai uma nova troca de placas no Brasil, bem como em todos os países integrantes do Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela). O novo modelo, semelhante as placas europeias, será implantado em veículos novos, transferidos de município ou com troca de categoria, a partir de 2016.

Apenas a partir de 1º de janeiro de 2017 que o novo modelo será obrigatório em
todo o território naconal. Anteriormente, a troca estava prevista para se tornar
obrigatória já no próximo ano, mas problemas com os requisitos necessários
estabelecidos pelo Mercosul e a adequação das empresas de fabricação de
placas atrasou a medida. O Uruguai já está fazendo a substituição pelo novo
modelo. Iniciou o processo em março deste ano.

O modelo para cada país do Mercosul. O Uruguai foi o primeiro a começar a mudança em março deste ano (Mercosul / Divulgação)

O modelo para cada país do Mercosul. O Uruguai foi o primeiro a começar a mudança em março deste ano (Mercosul / Divulgação)

Além de dar uniformidade aos países do bloco, o novo modelo pretende ampliar
a possibilidade de combinações, de pouco mais de 175 milhões do modelo
atual para mais de 450 milhões no novo formato.

Veja mais detalhes sobre a nova placa:

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1 – Ao invés do padrão de três letras e quatro números, sempre nesta ordem, o
novo modelo terá quatro letras e três números, que necessariamente não
estarão agrupados, estando embaralhados na combinação.

2 – A cor , no novo modelo, será branca no fundo em todos os tipos. O que vai
designar o tipo de veículo desta vez serão as cores das fontes (letras e
números) da placa. Sendo preto para carros de passeio, vermelho para veículos
comerciais, de auto-escola e de aluguel, azul para carros oficiais, verde para
veículos em teste ou experiência, dourado para veículos diplomáticos e prateado
para carros de coleção.

3 – Falando em carros de coleção, com o novo modelo desaparecerá a clássica
placa preta. A Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA), no entanto, estuda uma espécie de placa especial em formato quadrado para ajudar a designar os automóveis clássicos.

Placa preta: Novo modelo provoca o fim deste tipo de identificação de carros clássicos. FBVA pensa em uma pequena placa opcional para os proprietários de antigos (Ola Serra Gaúcha)

Placa preta: Novo modelo provoca o fim deste tipo de identificação de carros clássicos. FBVA pensa em uma pequena placa opcional para os proprietários de antigos (Ola Serra Gaúcha)

4 – No alto da placa, em vez da sigla do estado e do nome da cidade, estará o
nome do país de origem. A cidade e o estado foram deslocados para a lateral
direita, cada um com os respectivos brasões.

5 – O tamanho é o mesmo das placas atuais (40 cm de comprimeiro X 13 cm de
largura)

Modelo para motos, segue o mesmo esquema de embaralhamento de letras e números. Na esquerda, a faixa holográfica (G1)

Modelo para motos, segue o mesmo esquema de embaralhamento de letras e números. Na esquerda, a faixa holográfica (G1)

6 – Ao longo da placas, marcas d’agua com o nome do país e do Mercosul
estarão impressas, visando dificultar falsificações. No caso do Brasil, ainda
será acrescentada na lateral esquerda uma faixa holográfica com um código
bidimensional, contendo a identificação do fabricante, data de fabricação e o
número de série da placa, também buscando evitar falsificação da placa.

7 – O preço de troca será mantido, segundo o Denatran. Por hora, para carros já
emplacados, a troca será opcional. Será obrigatória a partir de 2016 para carros
novos, transferidos de município ou que trocaram categoria. A partir de 1º de
janeiro de 2017, todos os veículos da frota nacional devem ter o novo modelo.

Histórico das trocas de placa 

O Conde Francesco Matarazzo. Poderoso industriário ítalo-paulista e primeiro a ter um carro emplacado no Brasil (Memória IRFM)

O Conde Francesco Matarazzo. Poderoso industriário ítalo-paulista e primeiro a ter um carro emplacado no Brasil (Memória IRFM)

A mudança será, históricamente, a quinta da história no Brasil. O primeiro
modelo foi estabelecido em 1901, vigorando até 1941. O prime

iro veículo
emplacado no país (placa P-1) foi o carro do conde Francesco Matarazzo, á
epoca presidente-fundador de um dos mais poderosos conglomerados
industriais daqueles tempos: As Industrias Reunidas Francesco Matarazzo
(IRFM), que faliu em 1983. À época, a regulação de trânsito ainda era de
responsabilidade municipal, tendo cada cidade que expedir as placas, sendo
todas iguais em todo o país.

O segundo modelo entrou em vigor em 1941, perdurando até 1969. Consistia em
uma sequencia numérica, sem letras. A partir deste modelo, as cores do fundo
da placa determinariam a função do veículo, sendo de passeio laranjas (depois
amarelas), de aluguel e de frota vermelhas e oficiais sendo brancas. A
combinação de números era feita três vezes, sempre de dois em dois, variando
apenas quanto ao número de veículos do município.

Sistema de 1941 a 1969. Número em vez de letras e a descrição do tipo de veículo pela cor da placa pela primeira vez (Reprodução)

Sistema de 1941 a 1969. Número em vez de letras e a descrição do tipo de veículo pela cor da placa pela primeira vez (Reprodução)

São Paulo chegou a ter um sistema próprio, onde, além dos números, a
sequência era precedida por duas letras correspondentes a microrregião onde a
placa foi expedida. As motocicletas tinham a placa ovalada apenas com a sigla
do estado. As placas azul/verde, para veículos em teste, foi adotada a partir
deste modelo.

A partir de 1969, entrou em vigou o esquema de duas letras e quatro números,
que perduraria até 1990 (chegando a ir até 1999 em alguns estados). Cada
estado tinha uma sequencia de letras, que podiam se repetir em todos os
estados. Os prefixos da numeração tinham vinculação com os municípios,
obrigando a troca da placa toda vez que o veículo era vendido para alguém que
morasse em outro município.

A famosa "placa amarela" no segundo modelo, de 1969 até 1990. Sistema antigo não se adaptou a informatização do sistema no início da década de 90. (Mercado Livre)

A famosa “placa amarela” no segundo modelo, de 1969 até 1990. Sistema antigo não se adaptou a informatização do sistema no início da década de 90. (Mercado Livre)

Problemas na adaptação do velho sistema aos processos computadorizados e
falta de combinações disponíveis em alguns estados obrigou, em 1990, a
adoção do padrão atual na cor cinza para carros de passeio (não sendo
modificado nas outras cores).

A troca para o novo modelo durou literalmente a década de 90 inteira. Como o novo sistema permitiu o cadastramento em escala nacional, não seria mais necessário trocar a placa inteira no caso de venda para terceiro de outro município ou estado. Apenas bastava trocar a tarjeta superior com o nome da cidade e a sigla do estado.

O atual modelo teve apenas duas leves alterações nestes 25 anos de vigência.
Em 2008, carros novos receberiam placas com as fontes em caracteres
Mandatory, bem maiores e mais determinantes. Em 2012, os carros novos
passariam a receber a placa feita com chapa reflexiva, para melhor leitura à
noite.

O modelo mais atual do padrão vigente desde 1990. Fonte estilo "Mandatory" e chapa reflexiva (Reprodução)

O modelo mais atual do padrão vigente desde 1990. Fonte estilo “Mandatory” e chapa reflexiva (Reprodução)

Expectativas e problemas

O novo modelo para o Mercosul pretende dar um basta no problema crônico da clonagem e falsificação, tão recorrentes desde há muito tempo no Brasil. No entanto, mesmo já fazendo planos futuros, o Denatran não soube informar ainda a questão do rodízio ou do licenciamento de veículos onde o último número da placa sempre fora usado como referência. Já que a sequência poderá terminar com uma letra em vez de um número. Típico do planejamento de mudanças no país e que precisará ser visto o quanto antes.

Deve-se esperar, também, que com o novo modelo fique mais fácil para aplicar multas e punições em carros de países do bloco que cometam infrações em outro país. Algo muito corriqueiro em Santa Catarina, onde motoristas argentinos são o primeiro nome em número de infrações no trânsito no estado. E sendo cada vez mais difícil a aplicação das sanções da lei no Brasil. Muitas vezes por diferenciações nas leis de emplacamento nos vários países.

Fica-se ao aguardo das trocas oficiais de placa no Brasil, a quinta da história. E o bom amigo que guarde essa notícia nos favoritos do seu computador. Não deixe para a última hora em 2016.

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