Titanic II: Ícone dos mares está voltando (será?)

Titanic II: Renascendo para voltar a rota que nunca terminou. Viagem inaugural prevista para 2018 (Blue Star Line)

Titanic II: Renascendo para voltar a rota que nunca terminou. Viagem inaugural prevista para 2018 (Blue Star Line)

Sepultado há mais de 100 anos nas águas gélidas do Atlântico Norte, um dos
maiores ícones da navegação comercial mundial está ressurgindo dos livros de
história e dos filmes para a realidade. A reconstrução do Titanic (agora batizado
de Titanic II) não é insanidade de uma mente louca, ela está mexendo com a
cabeça de mais de 50 mil pessoas que já aguardam na fila de espera a chance de
participar da viagem inaugural, prevista para 2018.

O anuncio e início das construções foi justo no ano de 2012, centenário da
tragédia, e é a materialização do sonho do bilionário australiano da mineração Clive Palmer. Para administrar a construção e o uso do futuro navio, o empresário criou a empresa Blue Star Line (clara referencia a White Star Line, antiga armadora proprietária do Titanic original) e confiou a CSC Jinling Shipyard, na China, a construção do que deve ser a réplica mais perfeita do navio original.

O dono da brincadeira: Bilionário australiano do ramo da mineração Clive Palmer. (ABC)

O dono da brincadeira: Bilionário australiano do ramo da mineração Clive Palmer. (ABC)

A réplica tem a proposta de ser, apenas, a mais fiel da original, já que não se pode
pensar em refazer até os mesmos erros de construção que causaram as mais de
1.500 mortes na madrugada de 15 de abril de 1912, quando um iceberg colocou o
navio a pique. A nova embarcação será um pouco mais larga que a original (45m),
para dar mais estabilidade, os botes salva-vidas serão modernos e em quantidade
suficiente (18) para atender os 2.435 passageiros e 900 tripulantes a bordo em
caso de emergência.

Veja como será o Titanic II, interior, salas de controle e exterior

Mas, de resto, o Titanic II promete ser uma verdadeira viagem ao tempo sobre o
mar. Um serviço luxuoso nas três classes do navio, com detalhes fielmente
reconstruídos do interior do original, prometem uma experiência única a bordo.
Sala de banho turco, piscina e um Café Parisiense, como no primeiro Titanic, são
algumas das atrações.

Já a sala de transmissão telegráfica (Sala Marconi) e a sala do leme do navio
serão replicadas a exatidão mas só servirão para visitas, já que o navio contará
com uma central de comando de última geração, tendo os melhores sistemas de
navegação, localização e segurança de acordo com as legislações marítimas.

A Sala Marconi,dos telégrafos e aparelhos de comunicação, era avançada em 1912 . A atual será apenas uma réplica para visitação. Barco contará com os mais modernos sistemas de navegação (Blue Star Line)

A Sala Marconi,dos telégrafos e aparelhos de comunicação, era avançada em 1912 . A atual será apenas uma réplica para visitação. Barco contará com os mais modernos sistemas de navegação e segurança…e botes para atender a todos os passageiros e tripulação (Blue Star Line)

Se concluído, o Titanic II pode estar criando uma nova tendência para as viagens
transatlânticas: A de ressuscitar, em versões mais modernas, navios clássicos para
passeios especiais repletos de luxo e história. Não seria surpresa se víssemos
algum dos irmãos do Titanic (Britannic e Olympic), ou outros como o Andrea
Doria ou o Queen Elisabeth I de volta a ativa em réplicas, proporcionando uma
experiência única aos passageiros e até aos tripulantes.

A viagem inaugural, que deverá repetir o mesmo trajeto da primeira (De
Southampton, Inglaterra, até Nova York, EUA), deverá até ser tema de um
documentário, que mostrará detalhes desde a construção do navio até a partida e
chegada no destino que a embarcação jamais completou em 1912.

Não é do filme, é a reprodução em computador do que será o salão da primeira classe. Fiel ao máximo com o original (Blue Star Line)

Não é do filme, é a reprodução em computador do que será o salão da primeira classe. Fiel ao máximo com o original (Blue Star Line)

Será que vai mesmo?

No entanto, há quem aposte que a construção não seja concluída, e há motivos
fortes para isto. O site da Blue Star Line (armadora do próprio Palmer criada para
administrar a construção do navio) não é atualizado desde maio de 2014 e a
viagem inaugural já esteve prevista para 2016, e foi remanejada para 2018 sem
motivos ainda claramente esclarecidos.

Pagina inicial da Blue Star Line, sem atualizações desde 2013 (Reprodução)

Homepage da Blue Star Line, sem atualizações desde 2013 (Reprodução)

Não seria a primeira vez que a reconstrução do Titanic falharia, em 2000, o
milionário sul-africano Sarel Gous chegou a anunciar que iria refazer o navio com
base nos desenhos originais de 1912, a um orçamento de £500 milhões (R$ 2,8
bilhões). No entanto, o projeto foi abandonado em 2006 por falta de apoio e pelos
altos custos. A empreitada de Clive Palmer não teve valores divulgados, mas
estima-se um valor parecido, US$ 500 milhões (R$ 1,8 bilhão).

Aos que amam história e navegação, fica a expectativa se a construção do Titanic
II está mesmo sendo conduzida e se será concluída. Será um grande marco,
cenário de novos filmes, histórias e experiências de quem quiser voltar a 1912 sem
se preocupar mais com os icebergs no caminho.

Histórico

Ao contrário do que se pensa, a origem do Titanic é irlandesa, mais precisamente
norte-irlandesa. O barco surgiu das ideias do arquiteto naval Thomas Andrews, do
projetista Alexander Carlisle e do construtor naval WIlliam Pirrie. O barco foi levantado nos estaleiros da Harland and Wolff, em Belfast, e lançado ao mar em 1911. O nome sugeria algo titânico, poderoso, e não era para menos. Era o maior navio
de passageiros daqueles idos.

Olympic e Titanic (dir), no único encontro dos dois "irmãos" de White Star Line, em Belfast (Reprodução)

Olympic e Titanic (dir), no único encontro dos dois “irmãos” de White Star Line, em Belfast (Reprodução)

O Titanic era a estrela mais brilhante da frota da White Star Line, que contava
ainda com os também consagrados Olympic e Britannic, irmãos do Titanic, e
tinha como rivais na corrida por passageiros e pelo luxo o Lusitania e o Mauretania,
da Cunard Line. A viagem inaugural partiu de Southampton em 10 de abril de 1912,
tendo a frente dos comandos o capitão Edward J. Smith. O trajeto até Nova York
previa ainda escalas em Cherbourg, na França, e em Queenstown, atual cidade de
Cobh, na Irlanda (Eire).

Titanic deixa o porto de Southampton, em 10 de abril de 1912. Ele nunca mais voltaria a ver terra firme (Reprodução)

Titanic deixa o porto de Southampton, em 10 de abril de 1912. Ele nunca mais voltaria a ver terra firme (Reprodução)

No entanto, por volta da meia-noite de 14 de abril de 1912, já próximo as águas
americanas, o navio colide violentamente com um iceberg, que literalmente rasga
o frágil casco do navio a estibordo (direita). Não faltou avisos para que o navio
tomasse outra rota, a fim de evitar os icebergs, todos ignorados. Apesar das
tentativas para evitar o pânico, o drama entre os passageiros começou a
aumentar. Haviam botes para apenas 36% das pessoas a bordo e a organização
dos passageiros nos botes era caótica.

Dos 2.223 passageiros a bordo, 1.517 morreram e 706 foram resgatados horas depois
do naufrágio pelo Carpathia, um dos únicos navios que retornaram para a busca de
sobreviventes. Os restos do navio jazeram intocáveis até 1985, quando o Dr.
Robert Ballard descobriu o transatlântico nas profundezas do Atlantico Norte. No
entanto, por conta de tantas expedições na busca de relíquias e objetos, o Titanic
está sofrendo uma deterioração acelerada da estrutura e poderá, dentro de alguns
anos, literalmente desaparecer.

A icônica cena na proa do navio de Jack (Leonardo DiCaprio) e Rose (Kate Winslet) no filme de 1997; Além da película de James Cameron, outras nove reproduções rememoraram ou usaram o Titanic como tema (Paramount Pictures / Twentieth Century Fox)

A icônica cena na proa do navio de Jack (Leonardo DiCaprio) e Rose (Kate Winslet) no filme de 1997; Além da película de James Cameron, outras nove reproduções rememoraram ou usaram o Titanic como tema (Paramount Pictures / Twentieth Century Fox)

Além do consagrador filme de James Cameron, de 1997, o Titanic foi retratado, anteriormente, em outras nove produções cinematográficas, entre filmes e série de TV, também permanecendo na cultura popular como simbolo de uma das maiores tragédias marítimas da história.

No entanto, em número de mortos, o Titanic não é a maior catástrofe dos mares com um navio de passageiros. O titulo cabe ao MV Wilhelm Gustloff, navio alemão dos tempos de Adolf Hitler, torpedado durante uma missão de resgate e posto a pique em 30 de janeiro de 1945. Superlotado (10.582 passageiros que fugiam do exercito soviético), mais de 8.000 morreram, apenas 964 foram resgatados.

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