O Brasil e a Independência: Refletindo sobre o 7 de Setembro

"A Independência do Brasil", quadro de Pedro Américo de 1888. O grito do Ipiranga foi assim tão belo quanto a pintura diz? (Reprodução / Pedro Américo)

“A Independência do Brasil”, quadro de Pedro Américo de 1888. O grito do Ipiranga foi assim tão belo quanto a pintura diz? (Reprodução / Pedro Américo)

Foi com um brado heroico diante do Riacho do Ipiranga e cercado da escolta que
o acompanhava que Dom Pedro I proclamou a plenos pulmões a independência
do ainda pequeno, combalido e desconhecido Brasil. Intimado pelo pai a voltar e
se subordinar as cortes portuguesas, o então príncipe-regente soltou da garganta o
independência ou morte!, batendo o pé diante das ordens de Lisboa e separando,
ao menos pela voz, o Brasil de Portugal.

Bonito até seria se a história em verdade se residisse no que teria reproduzido
Pedro Américo em 1888, na pintura famosa daquele momento reproduzida a fidelidade em um puro filme nacionalista de 1972, com Tarcísio Meira na pele de Dom Pedro I. Mas, em matéria de historia passada, o império fez os seus rodeios. Há controvérsias gritantes sobre a verdadeira existência deste momento na história nacional. Até mesmo o Dia do Fico, 9 de janeiro, não passou simplesmente de uma inscrição de jornal fantástica enaltecendo o feito de Dom Pedro de querer soltar a mão do pai, Dom João VI, e viver a vida soberanamente.

Napoleão Bonaparte e a "mão no estomago". O que este estadista francês tem a ver com a Independência? Muita coisa, a começar pela fuga da família real portuguesa para o Brasil, que passou de reles colônia a metrópole (Reprodução)

Napoleão Bonaparte e a “mão no estomago”. O que este estadista francês tem a ver com a Independência? Muita coisa, a começar pela fuga da família real portuguesa para o Brasil, que passou de reles colônia a metrópole (Reprodução)

É verdade que o processo para independência foi lento, lentíssimo. Começou,
tecnicamente, em 1808, quando a família real portuguesa aportou na então colônia
fugindo da França de Napoleão Bonaparte, em constante batalha de expansão
pela Europa. As cortes luso-brasileiras não podiam estar mais felizes, a ainda
inexpressiva colônia aos olhos do mundo virou metrópole e os nobres se viram
ainda mais nobres. Talvez por isso doeu tanto voltar a condição de subjugado e o
que se faz a entender que a independência partiu justo da elite, e não exatamente de uma vontade popular coletiva.

Entrementes, o preço da independência foi dolorido, violento. Exatamente falando,
£2 milhões , cerca de R$ 11,6 milhões em valores atuais. Era a nossa primeira divida externa que contraiamos diretamente da Grã-Bretanha, que ajudou no pagamento da brincadeira. O recém-nascido país combalido ficou ainda mais combalido e fragilizado, sofrendo com rebeliões e resistências lusas dentro do próprio território e tendo que lutar contra a instabilidade política, o que levou Dom Pedro I a abdicar em 1831, em favor do filho, para assumir o trono em Portugal.

Retratação da Batalha do Riachuelo, durante a Guerra do Paraguai, por Victor Meirelles. Maior conflito da América Latina guarda muitas controvérsias (Reprodução)

Retratação da Batalha do Riachuelo, durante a Guerra do Paraguai, por Victor Meirelles. Maior conflito da América Latina guarda muitas controvérsias (Reprodução)

Ninguém falou que nossa história foi um mar de rosas, assim como a de muitos países do mundo também não o é. Vários momentos da história brasileira foram pela mão
da elite de cada época, que mexia e remexia as leis e costumes a seu gosto. Ate
mesmo a Guerra do Paraguai é um bom exemplo. Quem esteve nas frentes de
batalha do conflito eram escravos e empregados mais pobres, que muitas vezes
não sabiam o que estavam defendendo. De imprecisões em imprecisões o Brasil
foi sendo feito, entre erros e acertos, para ser mais claro.

Passados 193 anos do dito Grito do Ipiranga, ainda paramos e nos perguntamos
qual o significado real do 7 de Setembro? Festejamos, de certa forma, o fato de
sermos independentes, de pensarmos com nossas próprias cabeças e de termos
sob nossos pés o solo de uma nação soberana que, apesar dos pesares, tem
vultos notáveis da história, momentos decisivos para nossa constituição como
sociedade e fatos marcantes que nos ajudaram a se afirmar diante do mundo,
mesmo com os tantos tropeços que demos.

Dragões da Independência, a mais antiga divisão do Exercito, rasga a avenida nas celebrações em Brasilia. Tirando a falta de coragem de Dilma, desfile na capital federal foi como o costume (EBC)

Dragões da Independência, a mais antiga divisão do Exercito, rasga a avenida nas celebrações em Brasilia. Tirando a falta de coragem de Dilma, desfile na capital federal foi como o costume (EBC)

Para os mais anarquistas e revoltados, a nação está se construindo só agora, o que é um
exagero dos grandes. O Brasil se constrói SIM desde 1822, não é de hoje e não é
pela mão de uns e outros. A história de vários países não é perfeita, também tem
em seus vultos históricos ditas controvérsias jamais descobertas. Ou você acreditava
que George Washington, Abraham Lincoln, Fidel Castro, Che Guevara ou tantos
que um lado e o outro idolatram fossem seres perfeitos e que trabalharam estritamente para o bem popular? Sonho da carochinha, no mínimo.

Dom Pedro I, Dom Pedro II, José Bonifácio, Tiradentes, Duque de Caxias, Princesa
Isabel, Marechal Deodoro, até mesmo Getúlio Vargas tiveram parte significativa na
construção do Brasil dos primeiros anos e séculos de vida. Somam-se, é claro, as
imperfeições de vidas desregradas, erros governamentais e de conduta, tudo o que
se possa imaginar. Mas se temos uma nação que luta por si só para ser melhor e
sem medo de faze-lo, grande parte é devida a estes e tantos outros vultos
históricos e pessoas que pensaram diferente e pediram o bem do Brasil. Mesmo que certos atos não mereçam nosso respeito, é verdade.

Soldados do Batalhão da Guarda Presidencial observam o subir da bandeira na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Símbolos nacionais são muito mais que adornos de futebol (EBC)

Soldados do Batalhão da Guarda Presidencial observam o subir da bandeira na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Símbolos nacionais são muito mais que adornos de futebol (EBC)

Fora o aparente medo e desespero de nossa presidente, cercada por muros
metálicos na tentativa de evitar críticas (justas, por sinal), o brasileiro não se
acovardou e foi as ruas nos tantos desfiles de 7 de Setembro que forraram as
cidades Brasil afora. Há muitos que ainda são ingênuos, não conhecem a história
da própria nação, como se constituiu, nasceu e cresceu até hoje, mas que
estiveram balançando bandeirinhas e celebrando a independência, talvez como meros torcedores da seleção brasileira. Conhecer a história da nação é importante para a construção das futuras consciências e pensamentos para o futuro, com base nos aprendizados do passado de como fazer e não fazer.

Por fim, basta dizer que o ser patriota é só a primeira parte para se lutar por um
Brasil melhor. A bandeira nacional, os hinos, não são apenas adornos de jogos de
futebol, mas símbolos de uma nação que quer ser melhor e construir nova história
com reverencia e reflexão ao passado, sem repetir erros. Festejar o Dia da
Independência não é nenhuma exaltação ao errado, se é que você pensa assim.
Celebrar o 7 de Setembro é participar de um grande regojizo nacional, onde se
celebra nossa pátria, nossa casa, e exige-se com fervor que o futuro seja bem
diferente. Muito diferente do que se vê dia a dia nas emissoras de TV.

Bandeirinhas na mão do brasileiro durante os desfiles. Em tempos tão nebulosos, é possível ser patriota e lutar por um futuro melhor? (Reprodução)

Bandeirinhas na mão do brasileiro durante os desfiles. Em tempos tão nebulosos, é possível ser patriota e lutar por um futuro melhor? (Reprodução)

Sendo assim, apesar de todos os pesares e imprecisões históricas…o Brasil merece SIM o nosso amor. E viva o Brasil! A nossa pátria!

…e, aos anarquistas e comunistas extremos, um recado: A bandeira sempre será Verde, Amarela, Azul e Branca.

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