Aqueles bons tempos dos Bailes do Chopp

A 48ª edição do tradicional Baile do Chopp é neste sábado, no CSRCT Garcia-Jordão. A tradição continua firme e forte (Divulgação/CSRCT Garcia-Jordão)

A 48ª edição do tradicional Baile do Chopp é neste sábado (19/09), no CSRCT Garcia-Jordão. A tradição continua firme e forte (Divulgação/CSRCT Garcia-Jordão)

Neste sábado (19/09), o tradicionalíssimo Clube de Caça-e-Tiro Garcia-Jordão revive pela 48ª vez na história uma tradição que, por si só, pode ser considerada a raiz biológica do que hoje é a Oktoberfest. Dança, música, sorrisos abundantes e, claro, a boa e velha loira gelada tipica a acompanhar as mãos dos apreciadores. É mais uma edição do sempre popular Baile do Chopp.

Em outras épocas, eram nos caça-e-tiro e demais salões de baile da cidade que residia a espinha dorsal da música, da culinária e da alegria características da germanidade do blumenauense. Independente de ser descendente ou não de alemães, não tinha quem não se embalava por um grande baile nas noites de fim de semana. Bailes e Festivais do Chopp, as típicas Noites de Kerb que levavam jovens e velhos aos embalos das bandas pelas altas horas da madrugada.

Tempos deliciosos. Hoje os velhos, muitos que já estão bailando nos salões do céu, passam a muitos jovens adoradores desta tradição os passos de dança que praticavam a exaustão nas tantas noites animadas. Os jovens de outrora, hoje velhinhos alegres, não perdem um baile. Seja uma reunião nas segundas-feiras, seja as grandes festividades nos salões de Blumenau e região, o bater o ponto é sagrado.

A famosa Erinho e sua Orquestra. Uma das tantas bandas que animavam os alegres bailes e noites de kerb de Blumenau e região (Osny Cipó)

A famosa Erinho e sua Orquestra. Uma das tantas bandas que animavam os alegres bailes e noites de kerb de Blumenau e região (Osny Cipó)

Eram nestes bailes de outrora que a vida social, muitas vezes, acontecia. Naqueles tempos, o convite para os associados trazia até descrição de como deveria ser o traje (esporte, social ou, em alguns casos, black-tie). A vedete mesmo era saber que banda estaria no palco na grande noite. Erinho e sua Orquestra, Os Futuristas, Os Schiavini, Os Montanari, os nomes se multiplicavam aos borbotões, todos eles igualmente bons no que faziam: Em vez de apenas tocar músicas, produziam clássicos.

O caneco comemorativo do primeiro Baile do Chopp do Garcia-Jordão, em 1968 (André Bonomini)

O caneco comemorativo do primeiro Baile do Chopp do Garcia-Jordão, em 1968 (André Bonomini)

No baile, amigos do bairro inteiro se reencontravam e compartilhavam um gordo copo de chopp para contar dos causos da semana ou, até, falar daquela paquera que ficou no passado ou de histórias no tempo da infância. Geralmente, a banda começava com uma marcha alegre, o tradicional limpa-banco, que fazia mais da metade do salão se embalar. O ritimo seguia um equilibrio, passeava pelas marchas, rancheiras, valsas, o xote, a havaneira e tudo que vinha a telha.

O momento mais pitoresco, no entanto, era a hora da Polonese (Polonaise). No começo das danças do baile, instigados por um casal puxa-fila, outros casais (ou apenas pares) iam se enfileirando no salão em forma de um grande circulo, embalados por alguma canção da banda. Logo, os poucos casais viravam uma grande roda e varios movimentos eram feitos em conjunto. A dança encerrava com o inicio de uma outra música, geralmente uma valsa, que coloria o salão com ritimo, integração e alegria.

Confira um exemplo de Polonese:

No ano novo, a coisa era ainda mais especial. Longe ainda das grandes comemorações como a anual na Beira-Rio, os salões abriam as portas para o baile de fim de ano, reunindo praticamente um bairro inteiro. Próximo da meia-noite, a banda executava a plenos pulmões a clássica valsa da despedida, fazendo todos os presentes irem a pista para a última dança do ano. Zero hora em ponto, as luzes do salão se apagavam, para se acender momentos depois em um grande regojizo pela chegada do novo ano. Tradição, infelizmente, em extinção, especialmente com a debanda de muitos para as praias no tempo de natal.

As canções e tradições gaúchas tomaram conta dos caça-e-tiro nos meados dos anos 80 até hoje, sem tirar o brilho do que ainda eram os bailes nos salões. Apenas adicionando ao colorido alemão o tradicionalismo dos pampas em música e costumes, e herdando de presente a tradição da polonese, já vinda a galope nos bailes no Rio Grande do Sul (consequência da também colonização alemã do estado gaúcho). Neste mesmo tempo, a simpática Blumenau dava o passo mais audacioso com a criação da Oktoberfest, em 1984, o que seria, trocando em miúdos, uma espécie de grande festival do chopp com grife.

A cultura gaúcha literalmente invadiu as pistas dos Caça-e-Tiro nos meados dos anos 80, sendo hoje grande presença em diversos bailes. Nada que tire o brilho. Ao contrario, agrega em alegria e integração do germânico com o gaúcho (Produções Videonews)

A cultura gaúcha literalmente invadiu as pistas dos Caça-e-Tiro nos meados dos anos 80, sendo hoje grande presença em diversos bailes. Nada que tire o brilho. Ao contrario, agrega em alegria e integração do germânico com o gaúcho (Produções Videonews)

Talvez alguma coisa de raiz profunda tenha se perdido nestes 31 anos da festa mais alemã das Américas na cidade. Os caça-e-tiro viraram uma tradição mais Cult, em que a participação dos jovens tem se tornado cada vez mais decisiva para a manutenção deste costume. A cada baile que surge, há-se a oportunidade de voltar ao passado, quando os que hoje são pais, tios e avós tinham da festa a maior diversão do mês e onde a vida acontecia da forma mais alegre e musical.

O espaço em homenagem aos Caça-e-Tiro na Oktoberfest. Bailes do Chopp guardam em si a genética responsável pela tradição na maior festa alemã das Américas desde a criação, em 1984 (Oktoberfest)

O espaço em homenagem aos Caça-e-Tiro na Oktoberfest. Bailes do Chopp guardam em si a genética responsável pela tradição na maior festa alemã das Américas desde a criação, em 1984 (Oktoberfest)

Em outubro, a Oktoberfest volta a nossa cidade, mas que a sombra que ela fizer não seja negra diante da tradição e da importância dos caça-e-tiro e dos bailes que mês a mês alegram recantos escondidos e cálidos da loura Blumenau. É nos Clubes de Caça-e-Tiro, nestas típicas noites de Kerb, que reside a espinha dorsal e origem típica daquela que hoje é o cartão de visitas da cidade-jardim.

E para os interessados, o 48º Baile do Chopp do CSRCT Garcia-Jordão inicia às 23h, com a animação da Banda Primavera. Serão quatro tipos de chopp disponívels ao público (Pilsen, Weiss, Lager e Vinho) e o ingresso inclui, além da bebida, o caneco oficial da festa (tradicional a cada baile), refrigerante e água. Mais informações com o próprio caça-e-tiro, no (47) 3336-5479, ou (47) 9905-1031.

A sede do CSRCT Garcia-Jordão. O segundo mais antigo da cidade (André Bonomini)

A sede do CSRCT Garcia-Jordão, na Rua Santa Maria, Progresso. O segundo mais antigo da cidade (André Bonomini)

Serviço:

O que: 48º Baile do Chopp
Quando: 19/09 (sábado)
Onde: Clube de Caça-e-Tiro Garcia-Jordão
Horário: A partir das 23h
Animação: Banda Primavera
Ingressos: Associados (Masculino: R$ 30 / Feminino: R$ 20) e não-sócios (Masculino: R$ 50 / Feminino: R$ 30)
Informações: (47) 3336-5479 / 9905-1031

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