Gramming & Marbles: Na MotoGP, Rossi peleia mas Lorenzo é o campeão de 2015

Jorge Lorenzo levanta o pendão espanhol diante dos patrícios de Honda, Marquez e Pedrosa. Enfim, o campeão de 2015 (Getty Images)

Jorge Lorenzo levanta o pendão espanhol diante dos patrícios de Honda, Marquez e Pedrosa. Enfim, o campeão de 2015 (Getty Images)

(Por: Douglas Sardo)

A sensacional temporada da MotoGP de 2015 terminou com o GP da Comunidade Valenciana consagrando o terceiro título de Jorge Lorenzo. Não há discussão quanto aos méritos ao espanhol pela conquista. Em termos de velocidade pura, Lorenzo dominou Valentino Rossi em praticamente toda temporada, apesar de curiosamente ter passado praticamente o ano inteiro atrás do companheiro de Yamaha na classificação.

Graças ao começo de ano complicado e a um Rossi inspiradíssimo, que capitalizou quase sempre o máximo de pontos possíveis (O Doutor fez 15 pódios em 18 corridas) numa campanha fantástica de um piloto de 36 anos enfrentando uma nova geração.

Porém, é óbvio que a polêmica batalha entre Marc Márquez (que estava fora da luta pelo título) e Rossi na Malásia e a subsequente punição que colocou o italiano da Yamaha para largar em último na corrida decisiva, serão lembrados como fatores tão importantes quanto a performance dos pilotos.

Bem, então vamos contar sobre este fim de semana fantástico em Valência:

A classificação

Era sabido que os pilotos da Honda, Marc Márquez e Dani Pedrosa teriam um papel decisivo, pois se Lorenzo vencesse, Rossi precisaria no mínimo de um 2º lugar, algo praticamente impossível devido a sua posição de largada. As únicas motos que poderiam rivalizar com Lorenzo seriam as Honda, que tanto atrapalharam Rossi na Malásia.

Rossi andou até mais do que a Yamaha permitia nos treinos para tentar uma boa posição, acabou caindo e, mesmo que não fosse punido, largaria apenas em 12º (Reprodução)

Rossi andou até mais do que a Yamaha permitia nos treinos para tentar uma boa posição, acabou caindo e, mesmo que não fosse punido, largaria apenas em 12º (Reprodução)

Caso houvesse uma dobradinha da Honda, e Lorenzo chegasse em terceiro, bastaria a Rossi um sexto lugar para ser campeão por um ponto. Portanto, desde o princípio, o Doutor dependia do desempenho das motos japonesas.

No treino classificatório, Lorenzo conseguiu uma volta brilhante,o suficiente para a pole, quase meio segundo mais rápido que Márquez. Tentando melhorar seu tempo, Rossi acabou sofrendo uma queda e, mesmo se não houvesse a punição, só largaria em 12º lugar.

A (linda) corrida

Minutos antes da corrida começar, a tensão nos pilotos era evidente , especialmente Lorenzo, que buscaria o titulo em casa (falamos de Espanha, claro). Na largada, Rossi foi sensacional, pulando de 26º e último, para a 16ª colocação, se livrando de uma vez só de várias motos mais lentas. Na frente, Lorenzo manteve a ponta, e logo tratou de abrir uma distância segura para Márquez.

Largada em Valência, Lorenzo puxa o grupo, ao olhar atento, no fundo do grid, do rival Rossi (nº 46, lado direito, última moto) (Getty Images)

Largada em Valência, Lorenzo puxa o grupo, ao olhar atento, no fundo do grid, do rival Rossi (nº 46, lado direito, última moto) (Getty Images)

Nas voltas seguintes, e em praticamente toda a prova, o que se viu foi um Rossi extremamente agressivo, quase alucinado atrás de posições. Após duas voltas e inúmeras ultrapassagens, algumas arriscadas, o Doutor já estava em 11º, uma recuperação fantástica que não parou por ali. Foi uma coleção de pilotos que o fizeram escalar até a quarta posição e sonhar em perseguir Pedrosa para um tudo ou nada entre nos três primeiros. Isto a 18 voltas do final.

Rossi estava a mais de 11s de distância de Dani quando se instalou no quarto posto. Num primeiro instante, a atenção ficou na medição da distância, mas logo se viu que Rossi não tinha rendimento para alcançar um terceiro lugar. Ele trocou décimos de segundo com Pedrosa, porém a vantagem aos poucos aumentava. Restava ao Doutor torcer por uma dobradinha da Honda, ou um imprevisto de Lorenzo. Márquez se aproximava, mas perdia tempo na parte mista do circuito.

A prova do Doutor foi fabulosa, com uma série de ultrapassagens, numa alucinante corrida de recuperação. Mas não deu para o italiano e a Yamaha 46 (Scott Jones)

A prova do Doutor foi fabulosa, com uma série de ultrapassagens, numa alucinante corrida de recuperação. Mas não deu para o italiano e a Yamaha 46 (Scott Jones)

Na segunda metade da prova, Pedrosa partiu a caça do companheiro de equipe decidido. Cada volta que passava aumentava a agonia dos torcedores de Rossi, que viam o título mais distante. Com 2 voltas para o final, Lorenzo quase espalha em uma curva, mas não o suficiente para o Marc o suplantar.

Sem mais ameaças, Marquez terminou em um comportado segundo lugar, com Pedrosa em um discreto terceiro posto (principalmente levando em conta que ele é o maior vencedor dessa pista). Rossi chegou em 4º, 19 segundos atrás de Lorenzo.

Marc Marquez e Dani Pedrosa sempre juntos. Dupla da Honda mal ameaçou Lorenzo durante a prova (MotoGP)

Marc Marquez e Dani Pedrosa sempre juntos. Dupla da Honda mal ameaçou Lorenzo durante a prova (MotoGP)

Após a corrida, Lorenzo era só emoção, vibrando muito com um título que veio depois de uma caminhada difícil pelas 18 etapas do ano. Rossi, foi extremamente aplaudido depois da prova, pelo campeonato sensacional que fez, pela luta numa corrida fantástica, e pela correta atitude depois da derrota. E Marc Marquez não escapou de vaias. Este sim, para muitos, o grande derrotado do ano.

FORMULA COMIC Especial (Douglas Sardo): Lorenzo campeão, Marquez estende o tapete… Simples!

Um celebra, o outro ajuda com o tapete. Simples assim...(Douglas Sardo)

Um celebra, o outro ajuda com o tapete. Simples assim…(Douglas Sardo)

Reminiscencias

Após a poeira baixar, não resta duvidas que essa é uma daquelas corridas que nunca vai terminar. O debate vai se estender por anos, sobre o papel de Marc Márquez interferindo diretamente na disputa na Malásia. Sobre a postura passiva no GP final, sem esboçar nenhum ataque a Lorenzo. Também vai se discutir a punição a Rossi, se ela foi justa, ou uma patriotada da DORNA. De certa forma, a Moto GP viveu seu “Suzuka 1989” nessas últimas semanas.

Lorenzo leva a bandeira espanhola na volta da vitória. Alegria dos patrícios que viram um grande espetáculo e um título "ficando em casa" (Twitter)

Lorenzo leva a bandeira espanhola na volta da vitória. Alegria dos patrícios que viram um grande espetáculo e um título “ficando em casa” (Twitter)

De qualquer forma, Lorenzo foi um campeão com méritos, assim como seria Rossi. E fica a certeza de que a próxima temporada da Moto GP promete demais, com rivalidades aumentando ainda mais temporada a temporada.

Alias, o G&M aproveita para anunciar que em 2016 estaremos também acompanhando a temporada da MotoGP, trazendo detalhes das provas, o campeonato e, se a cabeça ajudar, um pouco da história e das lendas do mais veloz esporte em duas rodas do mundo. Ate la!

Deixe uma resposta