Paris, 13/11/2015

Ferido é carregado por policiais franceses na saída do Bataclan. Uma noite de horror fez Paris voltar ao medo, e o mundo se assustar (Christian Hartmann / Reuters)

Ferido é carregado por policiais franceses na saída do Bataclan. Uma noite de horror fez Paris voltar ao medo, e o mundo se assustar (Christian Hartmann / Reuters)

Novamente, o medo acometeu tragicamente a cidade-luz. Numa sexta-feira 13, a capital da França voltou a conviver com o medo e a inquietação diante dos atentados terroristas. Seis pontos de Paris, 153 mortos, o mundo está em choque outra vez, e outra vez os franceses convivem com a sombra de loucos, inconsequentes que justificam atos horrorosos com religião e ode ao totalitarismo.

Era apenas uma noite simples e bela como toda a outra que a cidade-luz proporciona ao mundo e aos moradores que vagam pelas ruas atrás de belos panoramas e histórias românticas.

Tem quem quis ver a bola rolar, coisa que o francês aprendeu a gostar e o faz como
ninguém, ainda mais se tratando num reencontro contra a Alemanha, com uma vingança engasgada desde a Copa de 2014.

Outros contemplaram a beleza de uma praça, outros foram a cafés e outros mais
preferiram as letras estridentes e notas vibrantes do Rock numa modesta casa de shows do Centro.

Era para ser noite simples e bela, como deveria seguir o script que Paris segue
rotineiramente… mas não. Bastou tiros e explosões para a cálida paz das flores e árvores se transformar num triste e revoltante espetáculo de barbárie. Informações se batiam e se contradiziam, os contadores de vitimas aumentavam alarmantemente e as histórias horripilantes se multiplicavam.

Stade de France, onde a seleção nacional jogava amistoso contra a Alemanha. Bombas, três mortos e o torcedor, acuado, procura refúgio no campo. Nem o esporte escapou (Michel Euler / AP)

Stade de France, onde a seleção nacional jogava amistoso contra a Alemanha. Bombas, três mortos e o torcedor, acuado, procura refúgio no campo. Nem o esporte escapou (Michel Euler / AP)

Não estava por dentro, totalmente, do assunto. Admito ao amigo leitor. Vi os primeiros flashes ainda fora do lar. Ao chegar em casa e ler os primeiros relatos, senti correr uma espécie de temor, de incerteza perante a humanidade. Para onde estamos indo? O que querem, o que estão fazendo e qual o sentido deste terror?

No Stade de France, palco passado da maior gloria do futebol francês, duas bombas, três mortos. Bombas disparadas dos corpos de loucos suicidas. A torcida, acuada, correu ao palco verde pedindo refugio e saiu do campo sob escolta, mas não se apequenando. Na boca, o canto da Marselhesa, o hino francês, como um recado ao quem tentasse algo contra eles.

Tiros em cafés, na Praça da República e, de repente, o pior. Terroristas invadem a casa Bataclan, onde um show de Rock animava o público. Gritavam palavras de ordem, disparos eram feitos indiscriminadamente. Uma sessão de horror a olhos apavorados de jovens, velhos, sem saber se passariam pela porta com vida ou dentro de um saco plástico negro.

Hollande: "França será implacável e determinada na caça aos terroristas". Espirito do presidente francês assemelha-se ao que viveu Charles de Gaulle na Segunda Guerra (AFP/BBC)

Hollande: “França será implacável e determinada na caça aos terroristas”. Espirito do presidente francês assemelha-se ao que viveu Charles de Gaulle na Segunda Guerra (AFP/BBC)

As ações foram imediatas pelo Exercito e pelas forças da ordem, salvando vidas e executando os criminosos. Mas o medo ainda é uma constante, o que acontecerá nas próximas horas, mesmo com o toque de recolher?

François Hollande, diante de uma nova tragédia, foi duro e determinado no que pronunciou a França e ao mundo. Desde o atentado ao mercado judeu e ao Charlie Hebdo, o dirigente francês tem lembrado, nas declarações, a postura determinada e briosa que tivera o general Charles De Gaulle durante a Segunda Guerra. Está cerrando os dentes, numa calma nervosa e de quem está pronto ao combate, tal como de Gaulle. E que me desculpem se exagero na comparação.

François declarou estado de emergência na cidade-luz, bloqueou as fronteiras francesas, a polícia e o exercito estão nas ruas em busca de uma resposta, e que ficamos na torcida que ela venha e logo. É mais um conflito que Paris assiste, de tantos que já viu na história.

Soldados franceses nas ruas próximas a casa Bataclan. França inicia uma caçada sem precedentes atrás de terroristas foragidos, em meio ao estado de emergência declarado por Hollande. Mas, o que foi que falhou para se evitar o ataque? (AFP / Getty Images)

Soldados franceses nas ruas próximas a casa Bataclan. França inicia uma caçada sem precedentes atrás de terroristas foragidos, em meio ao estado de emergência declarado por Hollande. Mas, o que foi que falhou para se evitar o ataque? (AFP / Getty Images)

A tensão, inevitavelmente e novamente, está estabelecida em Paris. Espera-se angustiosamente uma resposta imediata contra qualquer possível ato que ainda possa acontecer, já que paira no ar ainda a ameaça de outros terroristas a solta no país. Mesmo com toda a resposta imediata, fica uma dúvida na cabeça. Onde foi que errou a França para evitar uma repetição do que se viu no Charlie Hebdo e no mercado judeu? O que pode fazer a França para coibir e, Deus querendo, erradicar o terror em seu território?

Tempo é algo que os franceses não podem perder desde já, um país inteiro está recolhido, mas não vencido. Está assustado, mas não conformado. É o jeito do
francês de lidar com situações horrendas, e que já veio moldado desde a revolução
em 1789, quando a nação levantou-se pedindo liberdade. Não é novidade, e neste mundo tão louco e perigoso que vivemos, as vezes nos faz pensar que não será a primeira vez que nos assustaremos, choraremos e nos revoltaremos com a loucura e insanidade dos masoquistas do terror.

Curiosamente, acompanhando toda esta tensão corrente, mais uma vez, nas veias de Paris, estava procurando uma das frases marcantes de Charles de Gaulle logo após a libertação da França e de Paris em 1944. O velho general era a personificação da busca pela liberdade e pela paz diante do cenário terrível que via na terra que lhe era sua, e que até hoje seu nome simboliza algo forte, talvez até comprado na responsabilidade por Hollande.

Cristo Redentor nas cores da bandeira da França (Reprodução / Twitter)

Cristo Redentor nas cores da bandeira da França (Reprodução / Twitter)

Paris, Paris ultrajada, Paris dominada, Paris martirizada, mas, tomada Deus e os bons homens, que volte a ser uma Paris libertada, do medo, do terror e da loucura insana dos malucos.

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