Gramming & Marbles: Rosberg vence a terceira seguida e “fecha o caixão” de 2015 em Abu Dhabi

A alegre mocinha da Mercedes, a presença mais bela em Abu Dhabi neste fim de semana (Getty Images)

A alegre mocinha da Mercedes, a presença mais bela em Abu Dhabi neste último fim de semana de F1 em 2015. (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Fim de festa… Digo, de marasmo

Então, amigos. Finalmente a temporada 2015 está morta! Declarado o óbito ontem, com o terceiro triunfo seguido de Nico Rosberg nesta fase final do ano, os fãs da categoria puderam, talvez, respirar fundo pelo fim de um campeonato que não deixa uma única ponta de saudade. Acordar de madrugada, de manhã cedo, manter-se acordado a tarde de domingo, momentos que outrora foram de tranquilidade e certeza de emoção, e hoje são quase como tortura diante do que vimos este ano.

Mas, quanto ao resumo do que foi esta sucessão de marasmos, deixemos isto para o balancete final, na próxima semana. Vamos nos ater a corrida, que até foi legalzinha, para não dizer outra coisa melhor, ou pior…

Mais uma vez, a bela moça da Mercedes no pódio. Quem souber o nome dela, estamos as ordens (Moy / XPB Images)

Mais uma vez, a bela moça da Mercedes no pódio. Quem souber o nome dela, estamos as ordens (Moy / XPB Images)

A foto do pódio ai em cima talvez foi o único belo momento da prova. Não pelos pilotos celebrando ou porque tudo foi uma festa linda em Abu Dhabi, mas pela grata e bela presença da mocinha da Mercedes, que foi ao pódio receber o caneco em nome da equipe. Nós do G&M estamos atrás de dados desta jovem, como nome, idade, se está solteira ou não… Essas coisas. Então, quem quiser ajudar, estamos ai!

Bem, de volta a prova, foi aquele fim de festa burocrático de sempre, regado a champanhe das cabines dos ricaços e aos fleumismos dos engenheiros nos rádios. Para os Emirados Árabes Unidos, foi um clima de festa nacional, já que a pequena e riquíssima nação árabe celebrava os 44 anos de unificação e independência, conseguida da Grã-Bretanha em 1971. Só para eles a festa, pois para quem assistiu o cerrar da temporada, foi como pedir clemência para que 2016 seja infinitamente melhor que este ano. Com alguma emoção que faça da noite das arábias algo verdadeiramente emocionante.

Então, chega de lero-lero, que as lamúrias vamos deixar para o balancete. Hora de
falar dos detalhes do fim de semana.

E, só mais um chorinho pra terminar (hehehe) nossa amiga gostou do champanhe. Ao menos, algo bonito para encerrar a temporada, depois de um ano chato, repleto de marasmos, sonolências e movimentos previsíveis  (Moy / XPB Images)

E, só mais um chorinho pra terminar (hehehe) nossa amiga parece que gostou do champanhe. Ao menos, algo bonito para encerrar a temporada, depois de um ano chato, repleto de marasmos, sonolências e movimentos previsíveis (Moy / XPB Images)


Nico: Acredite, este moço está me alta

RNico termina em alta 2015, mesmo depois de demorar tanto para reagir (Moy / XPB Images)

Nico termina em alta 2015, mesmo depois de demorar tanto para reagir na tabela. (Moy / XPB Images)

Quem diria que o cidadão que passou o ano inteiro como sombra do companheiro
campeoníssimo da temporada resolveu arregaçar as mangas e mostrar serviço nos
últimos três GPs, se colocando como favorito ao título em 2016? As últimas três
provas do campeonato foram todas de Nico Rosberg. O alemão parece ter
reencontrado o caminho da boa pilotagem, talvez até a melhor fase dele na carreira
da F1. Terminou o ano com vitória, dando banho de estratégia em Lewis Hamilton e
gritando algo como olha ai, eu estou vivo, espere o ano que vem!

Com toda esta boa fase, levanta-se a questão sempre pertinente: Tá, mas por que
Nico só reagiu agora, com o campeonato decidido? Tem quem possa dizer que
Hamilton poderia estar cansado da temporada e, depois de confirmado o tri, ter
dado uma relaxada. Mas discordo, visto o discurso indignado do inglês diante dos
erros de estratégia de pits e pneus, que voltaram a repetir-se em Abu Dhabi. E se isso é ceninha de Lewis, ele deve estar interpretando muito bem. Fora isso, Nico achou o rumo e isso assusta o britânico, ele não deve estar sozinho em 2016.

Apesar de ainda precisar remar tanto, Rosberg termina sorrindo, Hamilton, peitando o time, que lhe entregou estratégias equivocadas (Getty Images)

Apesar de ainda precisar remar muito para provar que é um real candidato ao título, Rosberg termina o ano sorrindo e de bem com as vitórias. Hamilton, fechou 2015 peitando o time, que lhe entregou estratégias equivocadas, mesmo depois de um ano perfeito como o grande campeão (Getty Images)

Para completar, tem quem diga que uma série de problemas familiares afetou a
Nico durante o ano, e aquele papo de deixar os problemas de família fora dos
portões da empresa, coisa que nunca funciona, deve ter o acometido. Resolvidas
as pendências, Rosberg pode colocar os conselhos do pai, Keke, em prática e
fazer-se notar, mesmo que sendo tarde.

O que será dele em 2016? Só o futuro dirá…


A apequenização da Williams

Bottas atropela Button ao sair do pit. Williams mantém a tradição de péssimos serviços de box (TV)

Bottas atropela Button ao sair do pit. Williams mantém a tradição de péssimos serviços de box (TV)

Antes mesmo de eu e Douglas fazermos o balancete, uma unanimidade deve ser
dita de véspera: A Williams, que tinha tudo para ser a segunda força e ameaça da
Mercedes em 2015, se apequenou nos erros e equívocos. Em Yas Marina, a situação foi ainda mais gritante, para não dizer apenas ridícula. A começar pelo erro no pit de Valtteri Bottas, que custou-lhe um bico novo e a corrida inteira, e a demora no pit de Felipe Massa, fora ainda os problemas crônicos do carro, que pecava em performance.

Apesar de ter voltado a condição de equipe de respeito, o time de Grove ainda tem que reaprender a ser um time de ponta, como fora há alguns anos atrás. Foi uma sucessão de problemas com o carro, salvando-se poucos felizes momentos, como o GP da Inglaterra, onde chegou até a brigar pela ponta. A queda de rendimento dos carros de Sir. Frank foi somada a um certo conservadorismo exacerbado, não permitindo voos mais altos dos pilotos em pista e, como já é de tradição, falhando grotescamente em paradas nos boxes.

Massa largou em oitavo e chegou em...oitavo. Mesmo com belas ultrapassagens, esteve limitado pelo equipamento da Williams (Getty Images)

Massa largou em oitavo e chegou em…oitavo. Mesmo com belas ultrapassagens, esteve limitado pelo equipamento da Williams (Getty Images)

Se a Williams quer realmente voltar a postulante ao título, terá de fazer por merecer este crédito refazendo-se dos cacos que foram esta temporada, onde tinha-se tudo e acabou sem nada, apenas com um apagado oitavo posto de Massa, a mesma posição de largada do brasileiro.


Um asturiano rebelde

Ninguém tem sangue de barata, especialmente quando se é bicampeão mundial e está numa carroça movida por uma uma pipoqueira, numa equipe comandada por um chefe de ideias atrasadas e que vive no passado glorioso como se ele ainda existisse. Esta é a situação do asturiano Fernando Alonso na McLaren, que novamente voltou a tomar fisgadas de Ron Dennis, respondendo a altura não só para o patrão britânico, como para toda a categoria, e com justa razão.

Tudo começou com o velho Ron dizendo que Alonso poderia viver um ano sabático, naquela historia de se você não está satisfeito, não corre ano que vem. Todas as portas estão fechadas para você já. Alonso foi duro na queda e bateu de frente, respondendo com veemência que estará sim no grid de 2016, aproveitando para alfinetar e nos dar uma dica sobre como receber um recado do velho britânico. Quando Ron diz algo assim, você precisa esclarecer o que ele quis dizer. Não sei qual é a intenção dele, ou o que ele quis dizer, mas é claro que todos nós queremos melhorar, disse.

Alonso fora da pista depois do incidente com Maldonado na largada. Asturiano ouviu de tudo, e respondeu com acidez, como mandava o roteiro de fim do melancólico ano da McLaren (Batchelor / XPB Images)

Alonso fora da pista depois do incidente com Maldonado na largada. Asturiano ouviu de tudo, e respondeu com acidez, como mandava o roteiro de fim do melancólico ano da McLaren (Batchelor / XPB Images)

Fora isso, a prova foi uma tragédia para o espanhol. Tomou toque de Felipe Nasr na largada, levou Pastor Maldonado de arrasto no mesmo incidente (Pastor inocente em uma batida é milagre) e ainda saiu com mais uma punição para a coleção de tantas que o team de Woking tomou este ano, desta vez com uma passagem nos boxes durante a prova.

Mas, sempre rápido no gatilho, a F1 acabou ouvindo o que não queria depois de outro gancho dado ao bicampeão. Nós culpamos o som do carro por trazer cada vez menos espectadores para a pista, mas eu acho que a FIA deve olhar para categorias como a MotoGP ou o WEC (World Endurance Challenge) e ver como eles são bem sucedidos e consistentes com as penas (…) Eles precisam criar mais sentido com o que estão fazendo, porque eu não vejo isso em outras categorias. Eles se divertem muito mais do que nós. Eles (os criadores de regras) precisam olhar para muitas coisas, alfinetou.

Noves fora… Graças a Deus, o ano acabou para a McLaren. Graças a Deus!


Lotus diz adeus a Grosjean… e ao próprio nome

Grosjean ataca as zebras. Última corrida do francês na Lotus... E última da Lotus como Lotus. Em 2016, a Renault assume o comando (Charniaux / XPB Images)

Grosjean ataca as zebras. Última corrida do francês na Lotus… E última da Lotus como “Lotus”. Em 2016, a Renault assume o comando total do team (Charniaux / XPB Images)

A corrida teve duas despedidas embutidas no pacote de viagens da endividada Lotus. Da equipe, despediu-se o louco francês Romain Grosjean, que em 2016 defenderá as cores da estreante Haas, a cada dia demonstrando que não será uma Manor no grid. No seu lugar, entra o filho do Dr. Jonathan Palmer, Joylon, que terá em mãos um carro renomeado como Renault.

Isto mesmo, também foi a última corrida da Lotus com o icônico nome do lendário time de Colin Chapman. No próximo ano, a mutação constante da antiga Toleman vai voltar a se chamar Renault, e a marca francesa já começou os trabalhos para a próxima temporada, antes mesmo de oficializar tudo.

A pressa francesa, como sempre…


MIUDAS

Para começar as "miudas", a turma que encerrou 2015 (Getty Images)

Para começar as miúdas, a turma que encerrou 2015 (Getty Images)

– De bom dos brasileiros? Praticamente nada, como sempre tem sido. Massa terminou em oitavo, mesma posição no grid. Nasr penou com o Sauber caquético e completou em 15º, longe dos pontos e, para completar, atrás do companheiro, o safety-car man Marcus Ericsson.

– A transmissão da Globo? Desta vez deixamos como está. Não fedeu, nem cheirou. Apenas a sempre inutilidade de Mariana Becker, inconveniente como sempre nas entradas no ar.

Riccardo e Kvyat tinham bom carro para as condições da pista. Ambos fizeram prova apagada e, agora, aguardam decisão sobre o futuro do motor para o time austríaco (trf1.net)

Na Red Bull, Riccardo e Kvyat tinham bom carro para as condições da pista. Ambos fizeram prova apagada e, agora, aguardam decisão sobre o futuro do motor para o time austríaco (trf1.net)

– A Red Bull tinha uma pista favorável para um bom resultado. No entanto, faltou motor e estabilidade para os touros paraguaios fazerem bem mais em Yas Marina. Quando Daniil Kvyat e Daniel Riccardo apareciam na tela, ou ultrapassavam ou estavam sendo ultrapassados. A equipe deve anunciar uma solução para o fornecimento de motores nos próximos dias, e ao que tudo indica, será um Renault preparado por alguém. Bem provável.

– Nos lados do time satélite, a Toro Rosso, Max Verstappen voltou a mostrar por que a F1 precisa de um piloto como ele. Ofensivo, sem papas na língua, peitou Jenson Button e protagonizou uma belíssima briga e ultrapassagem, maculada por mais uma punição esdruxula da comissão de prova (cinco segundos por cortar caminho no escape). Podem falar o que quiser, a ofensividade de Verstapinho é o que há, e o que mais falta numa geração de maricas controlados por engenheiros e computadores na categoria.

3846060_1200px-1024x684

Verstappen foi demais em Yas Marina, mostrando que a garra e agressividade é o que mais faz falta na F1 moderna. No entanto, bela manobra contra Jenson Button foi maculada com outra punição esdruxula da FIA (trf1.net)

Sergio Checo Perez fez baita treino e largou em quarto. Terminou a frente de Nico
Hulkenberg e fechou o ano muito bem, em uma posição de respeito dentro da Force India, a quinta força do grid. Baita ano para o mexicano que correu em casa, subiu ao pódio e, praticamente, anulou o companheiro de equipe e vencedor de Le Mans neste ano. Bravo, Checo!

Checo Perez foi constante e feliz. Terminou mais uma vez a frente de Hulkenberg e fechou o ano muito bem na Force India (Moy / XPB Images)

Checo Perez foi constante e feliz. Terminou mais uma vez a frente de Hulkenberg e fechou o ano muito bem na Force India (Moy / XPB Images)

Raikkonen feliz com o terceiro posto, sem mais... (Getty Images)

Raikkonen e a expressão indefectível de “feliz” com o terceiro posto na prova. Sem mais… (Getty Images)

– A Ferrari seguiu o roteiro padrão da categoria em Yas Marina. Kimi Raikkonen largou em terceiro e fechou o ano em terceiro, depois de se engalfinhar com Bottas em algumas corridas e andar apagado na fase final de temporada. Mas foi do companheiro de equipe o grande destaque da corrida…


MENINO DE MUZAMBINHO: Sebastian Vettel (Ferrari)

Joinha para Vettel! Nosso último Menino de Muzambinho de 2015. Peitou a Mercedes, incorporou o estilo Ferrari de ser e tem um 2016 promissor (trf1.net)

Joinha para Vettel! Nosso último Menino de Muzambinho de 2015. Bastiãozinho mostrou a estrela de tetracampeão a temporada inteira. Peitou a Mercedes, incorporou o estilo Ferrari de ser e tem um 2016 promissor (trf1.net)

Se fosse ficar apenas no erro de calculo grotesco do grid, Bastiãozinho não estaria com este galardão em mãos. Mas pelo que fez na pista ontem, mereceu plenamente receber o último prêmio do ano em nosso mimoso espaço. O alemão da Ferrari foi o único a peitar as Mercedes com constância neste ano, e o único a vence-las em 2015. Quase foi vice, mas faltou sangue rosso para a macchina de Maranello conseguir voos maiores.

Fora o fato de levar a Ferrari a ser a segunda força, recuperando-se de anos desastrosos e carros patéticos, Vettel mostrou estrela em Yas Marina. Largou no fundão do grid, passou Deus e o mundo, acertou nos pits e, mesmo sofrendo com um erro em um deles, recuperou-se bem para conquistar um ótimo quarto lugar. Podia ter sido terceiro, mas como diria Morais Sarmento em um dos Viola Minha Viola que apresentou quando vivo na TV Cultura, se melhorar, capaz de o chamarem de convencido.

Vettel ladeia Bottas nos primeiros giros. Alemão largou muito mal por erro próprio nos treinos, mas mostrou estrela e paciência, ultrapassou muito e carimbou um ótimo quarto lugar, que poderia até ter sido terceiro (trf1.net)

Vettel ladeia Bottas nos primeiros giros. Alemão largou muito mal por erro próprio nos treinos, mas mostrou estrela e paciência, ultrapassou muito e carimbou um ótimo quarto lugar, que poderia até ter sido terceiro (trf1.net)

Que deixe assim, Vettel mostrou que tetracampeão, mesmo longe dos grandes
louros, ainda tem estrela.


FORMULA COMIC (Douglas Sardo):


RETRO: O último voo de Graham Hill

Remador, pai de família, gênio. O primeiro e único Graham Hill nos deixava em 1975, há 40 anos (Reprodução)

Remador, pai de família, gênio. O primeiro e único Graham Hill nos deixava em 1975, há 40 anos (Reprodução)

Ex-competidor em provas de remo, exemplar pai de família e um gênio do volante em todos os tempos. Quem acompanha as histórias da F1 desde os primórdios jamais pode falar da categoria sem contar um dos nomes mais icônicos dos grids em todos os tempos, e que nos deixava tragicamente em um sábado, 29 de novembro de 1975. Este era Graham Hill, de capacete azul marcante e bigode indefectível que carimbou definitivamente a Inglaterra no circo para nunca mais sair.

Domando o BRM na saida da curva da Gari (atual Loews), em Mônaco. O primeiro titulo viria com este carro, em 1962, fora as cinco vitórias no principado (Reprodução)

Domando o BRM na saída da curva da Gari (atual Loews), em Mônaco. O primeiro titulo viria com este carro, em 1962, fora as cinco vitórias no principado (Reprodução)

Nascido em 1929, Hill começou a pilotar em corridas quando tinha 24 anos, estreando na F1 em 1958, na ainda pequena Lotus. Em 1960, trocaria o verde de Colin Champan pelo negro-laranja dos carros V12 da BRM, onde conquistaria o primeiro dos dois títulos da carreira, em 1962. Seria bi em 1968, tendo sangue frio e determinação para conduzir uma abatida Lotus, a mesma equipe pela qual estreara dez anos antes e que passava pelo baque de ter perdido a maior estrela, Jim Clark, em um acidente numa prova de F2. em Hockenheim, Alemanha.

Graham Hill foi um expoente do esporte a motor. Não tem tantos títulos que o tornassem maior que Juan Manuel Fangio, mas é até hoje o único a conseguir o que os outros grandes pilotos de várias gerações nunca conseguiram: A chamada tríplice coroa do automobilismo.

Posando como vencedor das 500 milhas de Indianápolis, em 1966, junto da Lola T90. Abaixo, o Matra que o coroou como o único triplo soberano do automobilismo; Vitória em Le Mans, 1972 (Reprodução / Reprodução)

Posando como vencedor das 500 milhas de Indianápolis, em 1966, junto da Lola T90. Abaixo, o Matra que o coroou como o único triplo soberano do automobilismo; Vitória em Le Mans, 1972 (Reprodução / Reprodução)

lemans-1972

Não bastasse as cinco vitórias em Mônaco (1963, 1964, 1965, 1968 e 1969), que lhe renderam o titulo de primeiro Mr. Monaco, Graham ainda ousou e foi aos EUA a bordo de um Lola T90, para conquistar as 500 Milhas de Indianápolis, em 1966, repetindo o feito do então futuro companheiro de Lotus e compatriota Jim Clark, que o havia conseguido em 1965. Seis anos depois, estaria em dupla com o francês Henri Pescarolo num Matra, para selar as glorias da carreira e a conquista definitiva da coroa com a vitória nas 24h de Le Mans de 1972.

Hill com o Shadow da equipe própria, em 1973. Depois de maus anos na Brabham, resolveu arriscar-se como chefe do próprio nariz, mas colecionou fracassos e sumiu nos paddocks da F1 (reprodução)

Hill com o Shadow da equipe própria, em 1973. Depois de maus anos na Brabham, resolveu arriscar-se como chefe do próprio nariz, mas colecionou fracassos e sumiu nos paddocks da F1 (reprodução)

Em 1973, largou o contrato que tinha como piloto da Brabham (desde 1971) para se aventurar como chefe do próprio nariz, em uma equipe que levava seu nome. Com as icônicas cores branca e vermelha dos cigarros Embassy, Hill começava a empreitada, primeiro com chassis Shadow, depois passando para os Lola T370/T371, em 1974. Mas os sinais de velhice eram evidentes e os fracassos da equipe o fizeram perder o crédito de bom piloto na Inglaterra e virar personagem discreto nos paddocks da F1.

Hill ao lado do jovem Tony Brise, em 1975. Um jovem talento que morreu junto com o lendário inglês (Reprodução)

Hill ao lado do jovem Tony Brise, em 1975. Um jovem talento britânico que morreu junto com o lendário inglês. Quem sabe o que Brise tinha nas mangas para 1976… (Reprodução)

Se retiraria das pistas pela primeira vez em 1974, no GP dos EUA, aos 44 anos de idade. No entanto, com o gravíssimo acidente do piloto do team, o alemão Rolf Stommelen, no GP da Espanha de 1975, se viu no volante do carro em Mônaco, na última vez dentro do sinuoso circuito do principado. Não se classificou para a prova, mas abriu caminho para uma promessa britânica, o jovem Tony Brise assumiria o bólido 23 na Bélgica e prometia muito para o futuro. Como despedida oficial, Hill daria mais uma canja, na pista de Silverstone, em 1975, corrida esta que marcou também a ultima vitória de Emerson Fittipaldi na F1.

Um último aceno. A despedida "oficial" de Hill em Silverstone, 1975 (Reprodução)

Um último aceno. A despedida “oficial” de Hill em Silverstone, 1975 (Reprodução)

O tempo, infelizmente, ceifou Hill antes da hora. Ele e o jovem Tony Brise, junto do
projetista do time e alguns mecânicos estavam no Piper Aztec que decolara da
França, onde o time fazia testes em Paul Ricard com o novo carro para 1976, rumo a Londres. Envolto em neblina e procurando uma pista de pouso, o avião voava baixo e acabou colidindo com árvores e caindo, envolvendo-se numa bola de chamas. Hill só foi
reconhecido entre os corpos carbonizados pela arcada dentária. Era o fim de uma vida intensa no automobilismo, precisamente às 18h30 daquele 29 de novembro.

O pequeno Damon, ao lado do pai. Filho seguiria a linhagem da velocidade e, mesmo diante das dificuldades da família, chegou a categoria máxima e bisou o título em 1996 (Reprodução)

O pequeno Damon, ao lado do pai. Filho seguiria a linhagem da velocidade e, mesmo diante das dificuldades da família, chegou a categoria máxima e bisou o título em 1996 (Reprodução)

Órfão de pai e com uma família sem dinheiro e indo a luta, o jovem Damon tinha 15anos e queria ser piloto. Entrou na F1 passando dos 30 anos,carregando o mesmocapacete icônico e correndo por um time britânico – no caso, a Williams. A genética nunca morreu, tanto que Damon Hill é, até hoje, o único filho de piloto campeão a
repetir o feito do pai, em 1996. Um orgulho que Graham nunca viu, mas deve ter testemunhado em uma prece.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s