Gramming & Marbles: O Balancete Geral da F1 2015 (Sem saudades!)

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A foto da turma de 2015 da F1. Temporada sem emoções, previsível e que premiou, por mérito, o melhor carro do grid, mas não necessariamente o melhor piloto. O ano se vai e vai tarde (Reprodução)

(André Bonomini e Douglas Sardo)

Aspecto Geral: 2015 terminou, e já vai tarde

Enfim! Bom, nem tão enfim pois a F1 já não está mais entre nós este ano desde novembro. Mas, enfim, a temporada está morta, sepultada e jazendo em solo infértil. Este exagero em difamações não é nada abusado, como o amigo leitor possa estar pensando preliminarmente. A temporada de 2015 entrou para a infame galeria dos anos monótonos e esquecíveis da categoria. Um ano onde o extra-pista chamou mais a atenção do que as provas e ultrapassagens.

Em uma categoria onde o regulamento é mantido com o crivo das montadoras (sem contar o interesse dos garagistas, esquecido por vezes), com uma FIA conivente com os fatos e um Bernie Ecclestone sem ações imediatas, a F1 neste ano teve o que já se esperavam desde os testes de pré-temporada, em fevereiro/março: Corridas previsíveis, chatas, sem ultrapassagens importantes e quase nulos momentos decisivos. Salvando-se, claro, as raríssimas exceções.

O ano terminou urgindo por mudanças drásticas e urgentes, e até o próprio Bernie esqueceu a postura democrática – erroneamente tomada diante do canibalismo das montadoras – e já disparou criticas e pedidos de mudanças. Não é para menos, enquanto equipes como Williams, Red Bull e Force India simplesmente faziam número e pediam alterações, Mercedes e Ferrari seguraram a faca e o queijo na mão, mandaram e desmandaram e, quanto a isso, ninguém pode agir diferente. As montadoras mandaram com veemência, sem permitir evoluções e, por isso, acabaram tão a frente.

Deve-se louvar Lewis Hamilton pelo tricampeonato? Claro que sim, se nenhuma dúvida. No entanto, é difícil considera-lo, exatamente, como o melhor piloto da temporada, especialmente quando se fala que ele teve o melhor carro do grid em mãos. Lembra até, vagamente, outros anos monótonos como 1992, 1996, 2002, 2013 e a temporada passada, vencida também pelo inglês. Nem sempre o melhor foi o que sagrou-se campeão. Até porque é muito fácil apontar o dedo para quem tem o melhor equipamento em mãos em uma temporada tão previsível.

Bem, mesmo ressentidos nós pelo péssimo ano de 2015 para a F1, vamos a avaliação dos pilotos e equipes, terminando com as premiações.

1 – Mercedes:

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O melhor carro do grid por mais um ano. Uma previsão que já se cantava desde os testes da pré-temporada e que deu a lógica. Trabalho de excelência com o medo constante de uma briga entre os pilotos. Esta foi a Mercedes em 2015 (Reprodução)

Nem precisa palavras alongadas. Os alemães estavam em outra categoria, com um carro que repetiu ipsis litteris o ano anterior. Muitos não quiseram acreditar em outro domínio das flechas prateadas no início dos testes, mas ele veio e ainda maior.

Deve-se a mão firme de Toto Wolff (e um certo medinho de sua parte em um conflito dos pilotos) e a bela pilotagem de Hamilton e Rosberg também grande parte dos méritos desta temporada.

44 – Lewis Hamilton: Não vamos negar, foi o campeão mundial pela terceira vez com méritos, sobrando para todos. Mas, não ressaltamos que foi, exatamente, o melhor do ano. Faltou agressividade em muitos momentos, e em outros, como na Hungria, sobrou afobação e erros infantis, coisas do passado de estreante. Sabe-se lá o que vai aprontar em 2016.

MELBOURNE, AUSTRALIA - MARCH 15: Lewis Hamilton of Great Britain and Mercedes GP celebrates on the podium after winning the Australian Formula One Grand Prix at Albert Park on March 15, 2015 in Melbourne, Australia. (Photo by Dan Istitene/Getty Images)

Hamilton esteve na crista da onda. Tirou proveito do bom desempenho do Mercedes, anulou Rosberg e foi o campeão merecido. Mas ainda mostra sinais da velha afobação e descontrole quando anda atrás (Dan Istitene/Getty Images)

6 – Nico Rosberg: Tinha os meios para bater de frente com o companheiro inglês e bisar o titulo, mas errou demasiadamente durante todo o ano, talvez até sendo impedido de buscar brigar mais intensamente por conta do medinho de Toto Wolff. No entanto, mesmo perdendo o título gritantemente e tomando bordoadas de todo lado, Rosberguinho foi muito superior nas três provas finais do ano sem a pressão da briga por Hamilton. Estaria ele renovado e se tornando ameaça para 2016?

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Anulado por Hamilton, Rosberg teve até chance de brigar pelo título, mas se perdeu nos erros e falta de combatividade. No fim da temporada venceu três seguidas, com ótima pilotagem, o que lhe coloca como favorito em 2016 (Reprodução)


2 – Ferrari:

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Sob a batuta sábia e apaixonada de Maurizio Arrivabene e com um bom projeto, Ferrari apagou os fantasmas de 2014 e virou a segunda força do grid. Foi a única a vencer a Mercedes na temporada (Reprodução)

Depois de um 2014 brochante, complicado e as voltas com um carro pífio, a temporada deste ano foi de reconstrução e uma recuperação completa para os fidalgos de Maranello. O carro de 2015 nem de longe lembrou a carroça vermelha da temporada anterior, e isto foi bem refletido em resultados.

Foi a única equipe que fez frente com a Mercedes, mesmo com uma diferença ainda astronômica de performance. O comando e a paixão tifosa nas veias de Maurizio Arrivabene merece destaque, pois teve grande influência nas decisões da equipe nas provas.

5 – Sebastian Vettel: Refeito dos destroços da decepcionante temporada de 2014 na Red Bull, Bastiãozinho incorporou o espírito de tifosi e foi a forra em 2015, sendo o único a vencer além das Mercedes neste ano. Terminou num louvável terceiro lugar, sendo por alguns momentos vice-líder do campeonato, o que vale como um campeão do povo. Mas nem isso o livra das criticas, especialmente pelos apagões bisonhos que teve em algumas corridas, como no México.

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“Das tifosi”: Vettel trocou o azul da Red Bull pelo vermelho Ferrari e, definitivamente, incorporou o espírito de Silvio Ferri e outros torcedores do time de Maranello. Venceu três na temporada e, por um momento, colocou uma das Mercedes atrás de si. Mas teve apagões (Erole Colombo / Ferrari / Reprodução)

7 – Kimi Raikkonen: No passado, a Ferrari já teve um Operário Padrão na pista, como foi Jody Schecker em 1980, displicentemente colocado como um trabalhador do team. Neste ano, o Iceman fez relembrar o sul-africano, simplesmente se colocando como um mero coadjuvante de Vettel na pista. Teve poucos momentos de brilho, como no pódio no Barhein, mas cometeu vários erros, especialmente os dois incidentes com o compatriota Valtteri Bottas. Decepção total.

Kimi Raikkonen (FIN) Ferrari. 03.02.2015. Formula One Testing, Day Three, Jerez, Spain. - www.xpbimages.com, EMail: requests@xpbimages.com - copy of publication required for printed pictures. Every used picture is fee-liable. © Copyright: Batchelor / XPB Images

Para quem é campeão mundial (2007) e tem grandes atuações no currículo, Raikkonen atuou apagadamente em 2015, funcionando como um “Operário Padrão”. No fim, ainda salva-se a bela atuação que lhe valeu pódio no Barhein (Batchelor / XPB Images)


3 – Williams-Mercedes:

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Por tendencia, o time de Grove seria a segunda força da temporada. Mas problemas no projeto, erros grotescos nos pits e falta de atitude na pista minaram a confiança da Williams diante das adversárias (Reprodução)

A fórmula era digna de uma segunda força pronta para desafiar a Mercedes: Carro bom, motor Mercedes idêntico ao time de fábrica, bons pilotos e a tradição de um nome-patrimônio da categoria. No entanto, o que prometia muito acabou virando decepção total.

Perdida em conservadorismos em pista e erros de pit-stop, a Williams caiu deprodução significativamente em 2015 (salvando-se o GP da Inglaterra), sendo subjugada pela Ferrari e quase tomando pau da Red Bull, com carro inferior. Para o próximo ano, Claire Williams e seus comandados tem que ousar e sair da zona de conforto se não querem voltar ao tenebroso passado das vacas magras.

19 – Felipe Massa: Até o GP da Itália, o brasileiro fez a melhor temporada desde a saída da Ferrari, estando entre os ponteiros e conquistando pódios com mérito (sendo que a vitória ainda é um sonho distante). No entanto, foi passar a prova em Monza e o barco desandou de vez. Massa teve problemas com o carro e com a equipe e acabou distante até mesmo do próprio companheiro. Seria o peso da idade na categoria?

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Massa fez a melhor temporada desde a saída da Ferrari. No entanto, decaiu depois da Itália e foi superado por Bottas nas contas do campeonato. Seria sinais de cansaço depois de tanto tempo de F1? Salva-se a bela atuação na Inglaterra (Reprodução)

77 – Valtteri Bottas: Outro que fez bonito até Monza, duelando bem e mostrando
consistência e constância nos resultados, superando até Massa na classificação final. No entanto, talvez teria sido até bem melhor se não fosse as patacoadas da Williams, no constante exercício do desaprendizado de como ser um time de ponta. Isto sem contar os trancos que deu e tomou de Raikkonen na pista, promovendo uma certa rixa entre os dois nórdicos.

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Bottas prova que é rápido a cada dia, e neste ano não foi diferente, subindo em alguns pódios e andando a frente de Massa. Mas depois da Itália também decaiu de produção, sem contar os incidentes com Raikkonen (Reprodução)


4 – Red Bull-Renault:

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Uma temporada de retrocesso. Apesar do bom carro desenhado pelo “mago” Adian Newey, a Red Bull sofreu com a apatia do motor Renault. No entanto, salvou alguns bons resultados nas mãos dos promissores Riccardo e Kvyat (Reprodução)

Parece que a excelência de outros anos evaporou-se da terra do touro vermelho. Uma das grandes sensações do começo da década, a Red Bull viveu uma temporada de retrocesso, com um equipamento que tinha tudo para ser competitivo, mas que ficou refém do apático Renault V6, que só podia fazer frente em pistas mais sinuosas e travadas.

Os atritos entre os austríacos e a marca francesa foram a grande emoção da equipe na temporada, o que fez Christian Horner correr atrás de um novo motor. No final, para 2016, o velho Renault virou TAG, numa espécie de revival no tempo que a preparadora fez da McLaren um time de ponta. Sera que conseguirá com o outrora touro paraguaio?

3 – Daniel Riccardo: O australiano é apontado como um futuro campeão mundial, e isso ninguém duvida, pelo talento latente e rapidez na pista. No entanto, em 2015, Riccardo teve de assistir a sequentes vitórias do companheiro Daniil Kvyat no duelo interno. Alguns ganhou, mas com a mão da equipe por trás. Apesar de tudo, mostrou brilho em alguns momentos, como do futuro campeão que certamente será.

Red Bull Racing driver Daniel Ricciardo of Australia prepares to go out on track during the first practice session, on day 2 of the F1 Australian Grand Prix, at Albert Park race track in Melbourne, Friday, Mar.13, 2015. (AAP Image/Joe Castro) NO ARCHIVING

Sempre tachado de “futuro campeão”, Riccardo não teve um ano fácil e viu o companheiro russo terminar a frente. No entanto, salvou alguns bons momentos e chegou a liderar em Austin (AAP Image / Joe Castro)

26 – Daniil Kvyat: Definitivamente, a Rússia colocou-se como ponto assinalado no mapa da F1, e muito mais pelo talento do jovem russo. Duvidou-se muito dele no início do ano, talvez por achar que o time principal fosse carro demais, mas mesmo com os problemas de motor, Kvyat mostrou talento de sobra, conquistou um pódio e foi uma grata surpresa diante de um cenário tão conturbado. Talvez, para breve, não seria nada chocante uma vitória russa na categoria pelas mãos dele.

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Havia quem dissesse (até eu disse) que a Red Bull era carro demais para Kvyat. Mas ledo engano, o russo fez bonito e andou na frente de Riccardo várias vezes. De quebra, sai com um pódio no bolso, conquistado na Hungria, e boas perspectivas para 2016 (Reprodução)


5 – Toro Rosso-Renault:

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A Toro Rosso continua cumprindo o papel de equipe-satélite da Red Bull, tendo este ano o feito com extremo louvor. Com dois promissores e rápidos pilotos ao volante, só deveu mesmo um motor mais possante. Fora isso, foi um show (Reprodução)

Como toda boa equipe-satélite (não conheço outro caso), esperava-se que o time de Faenza ficasse obedientemente atrás, sempre na posição de coadjuvante e celeiro. Se ficou atrás, foi porque faltou carro, e se faz papel de celeiro, em 2015 não poderia ter feito da melhor forma.

Depois da passagem de Vettel em 2008, o ano da Toro Rosso foi o melhor de todos, especialmente pela dupla de pilotos que teve e que continuará no team em 2016. A grande mudança será a volta dos engenhos da Ferrari, de concepção anterior, a esquadra. Se isto significará melhora de performance, só o futuro dirá.

33 – Max Verstappen: Cansei de repetir aqui no G&M a frase ele é o piloto que a F1 precisa hoje. Em um ano, Verstapinho fez muito mais do que o pai fez nos tantos anos de piloto que foi. Abusado, ousado, arrojado, protagonizou algumas das mais belas ultrapassagens da temporada e até bateu de frente com ordem de equipe. Realmente, Max é a surpresa do ano, e sem questionamentos e pontos na carteira dos conservadores e enfadonhos cartolas da FIA que nos contrariem.

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Ta aí o “ome”! Em um ano, superou o próprio pai, agitou o grid e fez a F1 olhar com respeito para este jovem precoce mas talentoso. Eis Max Verstappen, que mostrou em 2016 o cartão de visitas (Motorsport)

55 – Carlos Sainz Jr.: No primeiro ano, o herdeiro do grande papa dos ralis não fez feio. Andou bem, foi combativo e mostrou serviço ao team que o abrigou. Talvez, só não foi melhor notado em 2015 pelo maiúsculo desempenho de Verstappen no certame, o que pode ter o ofuscado no primeiro ano de F1. No mais, Sainz Jr. é nome para ficar de olho, talvez um dia como sucessor do já envelhecido, mas persistente Alonso.

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O herdeiro de uma lenda do rally se dá bem com asfalto. Apesar de ofuscado pelo ímpar desempenho de Verstappen, Sainz Jr. fez bonito. Pontuou bem, andou bem e cumpriu o roteiro já limitado do time de Faenza. Pode evoluir (Reprodução)


6 – Force India-Mercedes:

Nico Hulkenberg (GER) Sahara Force India F1 VJM08. Formula One Testing, Day 2, Friday 27th February 2015. Barcelona, Spain.

Antes da prova de abertura, em Melbourne, já contávamos com a ausência da Force India do grid. Mas, apesar de imersa nos problemas de pré-temporada, o time de Vijay Mallya fez um belo ano, surpreendendo em alguns momentos. A Aston Martin está na mira das intenções dos indianos (Reprodução)

No início do ano, tinha quem jurava que os indianos comandados por Vijay Mallya nem alinhariam no grid. Problemas financeiros e com a justiça indiana estavam levando o promissor time para a cova antes mesmo da bandeira de largada.

Mas, com um ressurgimento constante, eis que a Force India mostrou valentia diante das dificuldades e fez uma das melhores temporadas da ainda breve história na F1.
Conquistou pódio, ameaçou equipes mais fortes e terminou com a esperança de ver o nome atrelado a tradição da inglesa Aston Martin. Para quem já estava dada como morta, foi uma ressurreição de luxo.

27 – Nico Hulkenberg: O alemão ainda deve uma atuação digna da que lhe colocou na pole do GP do Brasil de 2010, e isto já faz tempo. Este ano, Hulk entrou na pista na metade do ano como um ser subvalorizado, ainda mais depois de conquistar as 24 horas de Le Mans. No entanto, depois de se esperar uma mudança de postura, voltou a errar e bater muito. Acabou na sombra do companheiro e precisa correr muito para reaver o tempo perdido.

Nico Hulkenberg (GER) Sahara Force India F1. 13.03.2015. Formula 1 World Championship, Rd 1, Australian Grand Prix, Albert Park, Melbourne, Australia, Practice Day. - www.xpbimages.com, EMail: requests@xpbimages.com - copy of publication required for printed pictures. Every used picture is fee-liable. © Copyright: Moy / XPB Images

Hulk sorri nos boxes, mas o ano foi decepcionante. Teve o cartaz de vencedor em Le Mans, o que já é comprovante da capacidade de fazer bonito no volante. Mas bateu, foi inconstante e, muitas vezes, viu o companheiro Perez de binóculo (Moy / XPB Images / Motorsport)

11 – Sergio Perez: Depois de se queimar na decadente McLaren e passar anos sufocantes com o anêmico Sauber, Checo Perez foi de mala e cuia para a Force India em 2014, donde se esperava ficar a sombra de Hulkenberg. No entanto, quem pensou que ele estaria acabado na F1 enganou-se. O mexicano foi a estrela do time, conquistando um pódio e liderando o team indiano a uma boa temporada. Espera-se bem mais dele em 2016, pois este ano foi o de calar a boca de muita gente.

Albert Park, Melbourne, Australia. Thursday 12 March 2015. Sergio Perez, Force India. World Copyright: Alastair Staley/LAT Photographic. ref: Digital Image _79P9309

Todos disseram, quando Perez deixou a McLaren, que o mexicano estava sepultado. Mas Checo ignorou toda e qualquer critica e mostrou que tem bala na agulha. Andou forte, conquistou um pódio na Rússia e ainda assistiu a volta do GP da terra-mãe. Muito está reservado para o menino mexicano pela frente (Alastair Staley / LAT Photographic)


7 – Lotus-Mercedes:

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Entra ano, sai ano, e a Toleman nunca morre. A Lotus, esta sendo uma continuação da velha equipe britânica fundada em 1981, teve um ano complicado e triste para quem esperava mais pelo motor Mercedes que tinha. Acabou de volta as mãos da Renault, que espera volta a ponta em 2016 (Antoine Camblor)

Então, 11 anos depois da primeira despedida, eis que o tradicional nome do team de Colin Chapman disputou outra vez a última temporada da vida. Comprada pela Renault, a Lotus fez meramente um campeonato de despedida, ofuscada pelos problemas financeiros que a sufocam desde 2013 e pela inconstância de carro e pilotos, ainda sem dizer que muito se esperava com a adoção do Mercedes como motor.

Alias, vale dizer que esta Lotus não deve ser confundida com o lendário time de mr. Chapman, é apenas mais uma das mutações da Toleman, que voltará a ostentar as cores da Régie Nationale em 2016, talvez com melhor sorte.

8 – Romain Grosjean: Diante de problemas com o carro e de finanças, o francês soube respirar fundo e focar-se nas corridas e em cumpri-las bem. Fez a melhor temporada desde que entrou como sucessor de Nelsinho Piquet, na Bélgica em 2009. Subiu ao pódio numa linda corrida na Bélgica e apareceu várias vezes nos pontos. Continuará perseguindo o sucesso em 2016, mas desta vez no vermelho da americana (e ansiosamente aguardada) equipe Haas.

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Grosjean vibra no pódio na Bélgica. Foi a melhor temporada do francês desde a estreia desastrosa no mesmo autódromo, em 2009. Tem potencial e está, aos poucos, mostrando que tem brilho próprio. Defenderá a ansiosamente aguardada Haas, em 2016 (Reprodução)

13 – Pastor Maldonado: Para um piloto que apenas se mantém graças aos bolívares da PDVSA, vem de um país em constante convulsão diante de uma ditadura e que virou anedota nos grid, Maldonado fez um ano até calmo para os parâmetros de pilotagem que tem. Se envolveu em enroscos, abandonou um sem-numero de vezes e acabou bem distante do companheiro. Está queimado na F1 mas, ainda assim, vai estar dividindo os espaços da Renault em 2016 com Joylon Palmer. No entanto, não me surpreenderia que o filho do Dr. Jonathan Palmer o supere, nem um pouco.

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Depois de algum tempo, nem todo o dinheiro do petróleo serve para encobrir a certa falta de talento, mesmo tendo uma vitória no currículo. Maldonado teve mais baixos do que altos em 2015 e acabou como anedota folclórica do grid, como já vem sendo. (Reprodução)


8 – Sauber-Ferrari:

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Era preciso recuperar a auto-estima depois de um ano zerado nos pontos. Foi o que a Sauber fez e conseguiu. Com muito pé no chão e restrições no orçamento, o carro do team não evoluiu durante o ano mas permitiu alguns pontos, a maioria com Felipe Nasr (Reprodução)

Depois de um ano nulo e vergonhoso para Peter Sauber, 2015 foi tempo de passar
a borracha nos equívocos e, mesmo com uma grana extremamente curta, fazer uma temporada pé no chão, marcando pontos e completando corridas. Foi este o roteiro e assim foi cumprido, mesmo que o carro tenha estacionado no tempo e pouco evoluído em 2015.

No inicio do ano, ainda teve de enfrentar uma crise jurídica contra o insignificante holandês Giedo Van Der Garde, mas fora isso, Monisha Kaltenborn salvou-se dos erros e o ano terminou até bem para o team suíço, que em 2015 chegou a marca de 400 GPs disputados desde 1993.

9 – Marcus Ericsson: Comparando o ano de estreia do sueco com este (ingressou na F1 em 2014 pela medíocre e finada Caterham), Ericsson foi até bem, pontuando e superando em alguns GPs o companheiro, infinitamente melhor, na reta final do campeonato. No entanto, ainda está longe de ser uma esperança para um país que ainda sente a falta de Ronnie Peterson. É limitado na pilotagem e, para complicar, ganhou o título infame de Safety-car man, por ocasionar por mais vezes a entrada do carro de segurança na pista durante a temporada.

Marcus Ericsson (SWE) Sauber F1 Team. 12.03.2015. Formula 1 World Championship, Rd 1, Australian Grand Prix, Albert Park, Melbourne, Australia, Preparation Day. - www.xpbimages.com, EMail: requests@xpbimages.com - copy of publication required for printed pictures. Every used picture is fee-liable. © Copyright: Moy / XPB Images

Apesar da pose, Ericsson ainda sofre pelas limitações que tem no estilo de pilotagem. Começou o ano apagado mas melhorou um pouco na parte final. Foi o responsável por várias entradas do carro-madrinha na pista e ainda está longe de ser um certo sucessor de Peterson (Moy / XPB Images)

12 – Felipe Nasr: Para o primeiro ano na categoria, Felipe dois seguiu bem o roteiro do estreante, e até bem demais na primeira prova. Foi o melhor estreante do Brasil na F1 em todos os tempos, com um bom quinto lugar na Austrália. No entanto, os problemas da equipe e a inexperiência pesaram um pouco na balança, especialmente na metade final do ano, onde foi até batido por Ericsson. Mas acabou bem a frente do companheiro em técnica, esperando-se apenas que continue evoluindo e sempre com pés no chão. Diferente do ufanismo de certo globais que vimos dia a dia.

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Para um estreante, pode-se dizer que o ano de Felipe Nasr foi, sim, muito bom. Muito embora a falta de evolução do Sauber o tenha prejudicado um pouco. No fim, seguirá evoluindo no time suíço, mas antes dos ufanismo, vamos um passo por vez nesta estrada (Reprodução)


9 – McLaren-Honda:

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Prometida Coca-Cola, foi entregue uma Fanta vencida. Depois de tamanhas propagandas, o ano da McLaren foi totalmente o oposto das esperanças. Carro ruim, motor feito pipoqueira, foi um calvário para o team de Woking, o pior da história. Suplicio para a dupla de campeões Button e Alonso (Reprodução)

Decepção, decepção, decepção em cima de decepção. Sobram adjetivos pejorativos ao time de Woking na primeira (e ridícula) temporada da parceria retomada com os japoneses da Honda. As promessas no início do ano eram de uma equipe de ponta, brigando a pau com a Mercedes e resgatando a tradição dos tempos de Senna, mas, da pintura brochante do carro a “pipoqueira” projetada pelos nipônicos, o ano foi uma tragédia anunciada e reanunciada corrida a corrida.

Refém do equipamento, o team teve o pior ano da história, salvando míseros pontos e virando piada. Se o ambiente melhorar 10% em 2016 deverá ser considerada uma vitória.

14 – Fernando Alonso: Perseguindo o sonhado tricampeonato mundial, Don Alonso das Astúrias parece ter se surpreendido com a inferioridade gritante do McLaren de GP a GP que passava. No início do ano, teceu um discurso positivista de que o carro estaria a ponto de bala em algum momento da temporada. Discurso este que evaporou nas provas finais, transformado em revolta via rádio, atritos com Ron Dennis e até numa divertida galhofa no GP do Brasil, talvez o melhor momento do time de Woking na temporada.

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Alonso sorri para Ron Dennis, mas acabou o ano com alguns atritos com o velho patrão. Asturiano sonha incansável com o tricampeonato, mas o ano na McLaren, apesar dos discursos positivos, acabou com revolta e até um clima de humor, em Interlagos (Reprodução)

22 – Jenson Button: Depois de anos combativos, sendo um dos pilotos mais brigadores do grid, Button surpreendeu a quem nele apostava ao ver a postura de peão de obra que acabou assumindo dentro das cercanias de tio Dennis e tio Eric Boullier. Andou grande parte do tempo atrás de Alonso e foi o que mais sofreu os baques do problemático carro. No fim, não se revoltou, fez o que podia e participou da galhofa com o companheiro asturiano no Brasil. Que 2016 seja melhor para o velho Jenson.

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Ele ameaçou parar, mas vai um ano mais atrás da gloria. Apesar do sorriso, Jenson Button teve todos os motivos para chorar em 2015. Andou atrás de Alonso e foi o típico peão de fábrica dos ingleses e japoneses, no difícil ano da McLaren (Reprodução)


10 – Manor-Ferrari:

Will Stevens (GBR) Manor Marussia F1 Team. 03.07.2015. Formula 1 World Championship, Rd 9, British Grand Prix, Silverstone, England, Practice Day.

Estar correndo e largando já é motivo de vitória para a Manor em 2015. Equipe da “segunda divisão” da F1 começou o ano quase morta, mas foi ressuscitada e recolocada no grid. Se vai progredir algo em 2016? Ninguém sabe. (Reprodução)

Só o simples fato de estar competindo em todas as provas do ano e de ficar ausente na Austrália (problemas no computador dos carros a impediram de ir a pista) já é uma vitória maiúscula a esforçada e diminuta equipe britânica. Depois de sair das mãos da Marussia, a Manor seguiu com a realidade de ser um time de outra categoria bem diferente da F1, ainda tendo em mãos o carro da temporada anterior, revisado para o novo regulamento.

Ganhou patrocínios para garantir a sobrevivência, mas ainda teve de passar pelo duro revés da morte do único que por ela pontuou, o francês Jules Bianchi, na primeira metade do ano. Fora isso, o futuro não é dos mais promissores.

28 – Will Stevens: Insignificante. O inglês só não escapou, junto de Merhi e Rossi, de ser cerra-fila dos grids por conta de, muitas vezes, times de ponta largarem em último por conta de punições ou raras deficiências técnicas. No mais, foi um retardatário eficiente, mas fica por ai mesmo, sem perspectiva de melhoras.

Will Stevens (GBR) Marussia F1 Team Test Driver. 02.10.2014. Formula 1 World Championship, Rd 15, Japanese Grand Prix, Suzuka, Japan, Preparation Day.

Para quem não conhecia, este é o tal Will Stevens. Longe de ser um talento a ser observado ainda. Foi um eficiente retardatário e o que mais correu com o Manor neste ano (Reprodução)

98 – Roberto Merhi: Ainda mais insignificante do que Stevens, praticamente desaparecido nos grids e nas corridas da temporada, servindo também como um retardatário eficiente. Em outra categoria talvez se dê bem, mas na F1…

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E você não conhecia Roberto Merhi? Olha ele ai. Escapou de ser cerra-grid por conta das punições que muitos tomavam por trocar de motor e outras tantas. Se voltará a F1? Só Deus sabe (Reprodução)

53 – Alexander Rossi: Fazia tempo que um americano não estava correndo na F1, tampouco correndo em casa, como foi em Austin. Mas Rossi ainda é uma incógnita, estreou no fim da temporada no lugar de Merhi, em troca de alguns tostões para o orçamento da Manor. Mas ainda está a ver nas avaliações.

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Rossi ainda é uma lacuna a ser preenchida na F1. Pouco ainda se sabe sobre seu potencial para o futuro. No entanto, é bom ter de volta um americano no grid, mesmo que no pior carro (Reprodução)


GALARDÕES DE 2015:

Menino de Muzambinho do ano: Max Verstappen (Toro Rosso)

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Que dúvida que seria ele? Arrojado, arriscador, contestador da equipe e um rebelde que teve que gritar para se fazer ouvido. Max Verstappen tem futuro na F1 e provou isso. Reza-se para que a FIA não cometa o pecado de suspende-lo por pontos, que nada mais são do que esdruxulas punições (Reprodução)

Voltamos a repetir, ele é o cara que a F1 necessita há muito tempo. Arrojado e aguerrido, abusado na hora de decidir a ultrapassagem e rápido. Fez muito mais que o pai, Jos Verstappen, em apenas uma temporada e não tem pinta de showman apenas, mas de um promissor talento da terra das tulipas.

É ficar de olho e esperar coisas ainda melhores. E esperar também que a FIA não cometa a bobagem de tira-lo do grid por pontos, seria um ferimento grave na carreira promissora. Macular uma carreira por um livro esdruxulo de regras e normativas seria sepultar a emoção das corridas de vez. Coisa que Verstappen pode muito bem trazer a tona outra vez.


 

Trofeu Dave Walker (decepção da temporada): motor Honda

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Não se deixe levar pela aparência. Apesar de bonito, aos olhos da McLaren, é uma legítima pipoqueira. A Honda decepcionou demais depois do alarde da volta ao time de Woking em 2015. Precisa de muito mais do que paciência para voltar a ser de ponta. (Reprodução)

Raikkonen foi candidato por ser peão de fábrica, mas se safou por algumas boas atuações…

Rosberg foi candidato pela subjugação à Hamilton e os erros, mas escapou pelas atuações do fim de ano que lhe dão sangue novo…

Agora, a Honda  não escapou de nada, foi a merecedora sem questionamentos do galardão mais infame do ano. Do tamanho da propaganda feita, os japoneses erraram a mão e entregaram a McLaren uma verdadeira pipoqueira que, entre erros e acertos, mais pipocou pelas pistas do que trouxe resultados mais dignos.

Melhorou muito pouco, mas melhorou, é verdade. No entanto, falta um universo para voltar ao patamar competitivo de outrora. Enquanto isso, sobraram pipoqueiras (e punições por troca de motor) para Alonso e Button em 2015.


 

Trofeu Nelson Piquet (melhor ultrapassagem): Max Verstappen X Jenson Button (Abu Dhabi)

Esta mereceu, embora a FIA, na ânsia de punir atos que atentem a emoção das corridas, deu um carimbo punitivo ao holandês pela manobra. Insistindo muito mesmo diante de um carro inferior, Max foi a forra e lutou bravamente com o velho Button, faltando até pista para continuar a contenda. Ultrapassagem digna de quem mais brigou por posições (e mais fez ultrapassagens bonitas e arrjadas na temporada).

Vale a pena ver a manobra:


Melhor corrida do ano: GP dos EUA

Valeu por todo o ano a prova, a começar por toda a confusão gerada pela chuva de véspera. Quando a tormenta se foi, os corajosos americanos que foram ao Circuito das Américas, em Austin (Texas), não se decepcionaram e viram belas disputas, imprevisibilidade, decisão do titulo nos últimos instantes e alguns acidentes.

Disputou duramente com o GP da Hungria, mas teve seus diferenciais. Uma bela prova que merece vídeo:


Pior corrida do ano: GP do Brasil

A F1 (e o automobilismo em geral) vivem um momento delicado e decadente no Brasil, terra de três campeões mundiais e lendas da categoria. O reflexo desse momento foi, justamente, o GP caseiro. Apesar do bom público, uma prova sonolenta, enfadonha e sem momentos de emoção. Coisa rara dentro das cercanias de Interlagos.

Ademais, não merece vídeo. A não ser que você queira dormir…

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Robserg e Hamilton dividem a entrada o S do Senna na largada em Interlagos. Eis ai o único momento de emoção da prova brasileira, que até já foi posta em xeque para 2016 por conta da pífia audiencia. Um momento complicado (Reprodução)


FORMULA COMIC (Douglas Sardo): Curte aí se você acha que o pessoal da Williams devia ficar treinando pit-stop nessas férias…

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Na escolinha do Tio Frank, pit-stop é matéria de exame final para os guris da Williams. Se vão passar? Só na prova de segunda época, em 2016 (Douglas Sardo)

Bem, por hora é isto. O G&M, para os amigos apreciadores, não vai sumir durante as férias da F1. Esperamos vocês em breve com história, curiosidades e notícias da categoria mais veloz, glamourosa e emocionante (este último, em dúvida) do mundo.

Feliz Natal aos velozes amigos e até logo!

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