Mais andanças pelas praças: João Mosimann (Centro)

O majestoso chafariz da Praça Prof. João Mosimann. Desligado e largado no meio do espaço que, hoje, parece bem mais uma simples passagem para pedestres (André Bonomini)

O majestoso chafariz da Praça Prof. João Mosimann. Desligado e largado no meio do espaço que, hoje, parece bem mais uma simples passagem para pedestres (André Bonomini)

Ultimamente em Blumenau, vivemos uma espécie de multiplicação das praças pela cidade. Algumas mais elaboradas, outras onde um ou dois bancos e um jardim já formavam um pequeno espaço que, sem mais nem menos, levava o rótulo de praça. Foram inúmeras criadas pela administração municipal anterior e pela atual que dão a impressão de que de espaços públicos estamos seguramente bem servidos. Mentira nenhuma é esta afirmação, mas é o suficiente? E mais, são tantas pela cidade, entre novas e antigas, mas são cuidadas como devem ser?

Estive meio que a passeio pela última semana em alguns pontos de Blumenau, em parte observando detalhes que muitas vezes passam incólumes pela nossa vista apressada com os afazeres cotidianos. Parando para almoçar no tradicionalíssimo Tunga (de ótima comida, por sinal), tive a chance de observar melhor um pequeno espaço da Rua XV que poucos conhecem e sabem que ali há uma praça. Trata-se da Praça Prof. João Mosimann, encravada entre o restaurante e o Castelinho Havan (Castelinho da Moellmann, para os íntimos), no coração da Wurststrasse.

Castelinho da Moellmann (atual Castelo Havan) no natal de 1978. A frente, nota-se a pequena passagem que havia entre a XV e a Beira-Rio, transformada em praça em 1981 (Antigamente em Blumenau)

Castelinho da Moellmann (atual Castelo Havan) no natal de 1978. A frente, nota-se a pequena passagem que havia entre a XV e a Beira-Rio, transformada em praça em 1981 (Antigamente em Blumenau)

O espaço, inaugurado em 4 de junho de 1981 na gestão de Renato Vianna, tem uma curiosa história passada. Era por ali o acesso a Ponte Adolpho Konder (ponte da Ponta Aguda) nos tempos que a XV ainda era margeada pela mata ciliar do Itajaí-Açu. Com a conclusão da primeira parte da Avenida Castello Branco (a Beira-Rio), em 1973, a passagem perdeu um pouco o sentido que tinha, embora ainda servindo como ligação da XV com a recém-inaugurada via. Diante dela, seria erguido em 1978 o Castelinho, que abrigaria a Moellmann Comercial S.A., perfeição do arquiteto Heinrich Herwig e idealizado pelo empresário Udo Schadrack.

Placa de fundação da praça. Faltam informações sobre quem foi João Mosimann nos arquivos virtuais da prefeitura. Mas, tudo em ordem. Abaixo, o chafariz seco, em parte por conta dos abusos em tempos da Oktoberfest (André Bonomini)

Placa de fundação da praça. Faltam informações sobre quem foi João Mosimann nos arquivos virtuais da prefeitura. Mas, tudo em ordem. Abaixo, o chafariz seco, em parte por conta dos abusos em tempos da Oktoberfest (André Bonomini)

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Mas os anos passaram, e a Praça João Mosimann passou de ponto de parada a uma simples passagem de pedestres, largada a um certo abandono. Bem no meio do espaço, o belo chafariz, de autor desconhecido segundo a placa de fundação, já está há tempos desligado. Utilizado nos primeiros anos de Oktoberfest como banheira (ou banheiro) pelos arruaceiros que marcavam ponto no Tunga e no antigo Bude, o monumento sempre era alvo de vandalismos e depredações. Passou a ter as águas retiradas e o mecanismo desligado durante a festa, mas por muito tempo está esquecido e seco.

Outro detalhe deste vandalismo é a falta de alguma placa ou marco em um espaço da praça, curiosamente vazio. talvez arrancado em alguma noite de festa descontrolada há muito tempo. Não se tem notícia do que poderia ter servido aquele marco vazio dentro da praça. Bancos ainda estão bem cuidados e os jardins, apesar de servirem de poleiro para muita gente nos desfiles, está inteiro. Apenas a nota dissonante é o espalhar das mesas dos frequentadores do Tunga pela praça, dando a entender que meio espaço é de propriedade do restaurante.

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Suporte de alguma placa que lá esteve afixada na praça. Vazio e sem notícia do que foi. Suspeita-se que era de alguma lembrança dos 150 anos. Mas apenas isso… (André Bonomini)

Fala-se em abertura de novos espaços de convivência públicos pela cidade, citando de leve apenas os projetos do Parque das Itoupavas e o Parcão, no espaço do Parque da Foz do Ribeirão Garcia, este último com incontáveis notícias sobre e nenhuma ação prática para a obra fluir. E enquanto pipocam projetos e ideias, pequenos espaços como este de Blumenau seguem nas mãos de vândalos e, por muitas vezes, mal cuidados, seja por uma certa falta de capricho dos profissionais da URB, seja também pela ação do público, que vandaliza, depreda e mal utiliza estes locais.

Pede-se desculpas, ao menos, a alma do professor João Maria Mosimann, que pedia um espaço mais digno para ser lembrado. Por hora, apesar de bela, a pequena praça diante do castelinho é simplesmente uma passagem, enquanto durar o esquecimento.

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