Gramming & Marbles: (5X5) Os mais belos F1 de sempre

G&M Listas F1 Belos

(André Bonomini e Douglas Sardo)

Mais de 600 carros na história, cada um tem uma particularidade indelével, do mais feio ao mais belo, do mais importante ao menos relevante, do de ponta ao de fundo de grid. A F1 tem tantos momentos e elementos que muitas vezes fica difícil eleger os mais importantes. Costuma-se, em muitas vezes, fazer listas com resultados, em momentos, previsíveis. E somam-se os debates, o que é a melhor coisa.

Nesta aventura, o G&M resolveu também entrar em outra seara. É hora de democratizar o debate e não ser, simplesmente, um duo de jornalistas que tem seus status e posa com certa arrogância. Muito além das corridas, as histórias e discussões sobre elementos da categoria sempre permeiam os fãs. E é nesta que vamos, convidando a todos para também se assustarem, debaterem e compartilharem desta paixão de quatro rodas.

Neste primeiro especial (até para matar a saudade da F1, que volta apenas em março, na Austrália) uma primeira lista básica. Os 10 mais belos bólidos que a categoria já produziu, segundo nossa opinião. Eu e Douglas elegemos cinco de cada lado e juntamos neste especial. Cada um também tem seus preferidos e quem quiser, deixe a lista com os cinco mais (ou 10, por que não?) nos comentários. Aqui a democracia reina!

Sem mais, vamos aos 10 mais belos carros de todos os tempos.


Por Douglas Sardo:

5 – Williams-Renault FW14 (1991)

Mansell em Hockenheim 1992, com as cores fantásticas da foto do mago Paul-Henri Cahier, The Cahier Archives

Mansell em Hockenheim, 1992, com as cores fantásticas da foto do mago Paul-Henri Cahier (The Cahier Archives)

Projeto: Patrick Head e Adrian Newey
Motor: Renault RS3 V10
Temporada: 1991 e 1992 (B)
Pilotos: Nigel Mansell e Riccardo Patrese
Resultados: 1 título mundial de pilotos e construtores (1992), 17 vitórias, 38 pódios, 21 poles, 19 voltas mais rápidas, 289 pontos.

O carro de outro planeta. Não há muito o que falar sobre o potencial desse carro incrível desenvolvido pela Williams para a temporada de 1991, e que teve continuidade com sua versão B rumo ao título dominante de Mansell em 1992. Fiquemos então com o aspecto da beleza, que é o que importa aqui. Esse carro juntava praticamente tudo que havia de mais belo no início dos anos 90, uma frente graciosa, com linhas muito bonitas.

Olhando por cima, ainda se vê um pouco do famoso formato coke bottle que foi marca registrada daquele começo de década. Vale destacar também a pintura, muito bonita com o clássico layout Camel azul, amarelo e branco. Tudo isso ganhava um brilho especial no carro de Mansell, que ostentava um belo Red Five no bico do carro.

O bólido só não me agradava muito no início de 1991, quando a pintura era um pouco diferente, com a região da carenagem do motor toda branca. No mais, um carro simplesmente lindo.


4 – Ferrari 126CK (1981)

A velocidade de Villeneuve e a beleza da 126CK em sua vitória em Mônaco 1981 (Paul-Henri Carhier, The Cahier Archives)

A velocidade de Villeneuve e a elegância da 126CK em sua vitória em Mônaco, 1981 (Paul-Henri Carhier, The Cahier Archives)

Projeto: Mauro Forghieri e Harvey Postlethwaite
Motor: Ferrari 021 V6 (modelo de 1981)
Temporada: 1981
Pilotos: Gilles Villeneuve e Didier Pironi
Resultados: 15 corridas, 2 vitórias, 3 pódios, 1 pole, 2 voltas mais rápidas, 34 pontos.

O grande Cadillac Vermelho (the big red Cadillac). Assim descrito pelo fantástico Gilles Villeneuve, o Ferrari 126CK marcou a entrada da Ferrari na era turbo da F1. Legítimo representante da geração dos carros-asa, o 126CK combinava a beleza dos carros daqueles tempos com o Rosso da Ferrari. Detalhe para os números dos dois lados da frente do carro, um charme.

Não bastasse isso, esse carro foi o bólido que Villeneuve usou para pintar algumas de suas obras-primas, como as vitórias sensacionais em Jarama e Mônaco, além do maravilhoso pódio na chuvosa Montreal, com o bico do carro atrapalhando sua vista. Simplesmente épico.

No ano seguinte, a Ferrari colocou na pista o bom modelo 126C2, quase campeão de pilotos em 1982. Mas aí o carro ficou um tanto quanto desproporcional para o gosto deste que vos escreve, portanto ficamos apenas com o modelo de 1981.


3 – Lotus-Renault 98T (1986)

Senna exibe a beleza do 98T no habitat natural: As ruas de Mônaco (Reprodução / Sutton)

Senna exibe a beleza do 98T no habitat natural: As ruas de Mônaco (Reprodução / Sutton)

Projeto: Gérard Ducarouge e Martin Ogilvie
Motor: Renault V6 turbo
Temporada: 1986
Pilotos: Ayrton Senna e Johnny Dumfries
Resultados: 2 vitórias, 8 pódios, 8 poles, 58 pontos.

Após a temporada de 1983 ser marcada por carros feios devido ao banimento do carro-asa, e 1984 ser maculada no aspecto beleza pelas malditas orelhas nas asas traseiras dos carros, 1985 marca uma retomada no aspecto físico da F1. Entre os destaques, a Lotus 97T guiada pelo talentoso Elio de Angelis, e pelo genial, mas ainda promissor, Ayrton Senna. E em 1986 o carro ficou ainda melhor.

O Lotus 98T é sem dúvida uma das mais belas máquinas a acelerar nas pistas da categoria em todos os tempos. Com a pintura clássica da John Player Special, o carro parecia um casamento perfeito com as cores do capacete de Senna, que especialmente por causa do Preto e dourado da Lotus ostentava uma amarelo limão, ideia do saudoso e lendário artista brasileiro dos cascos Sid Mosca.

Mesmo numa época de mais liberdade para os projetistas, o Lotus 98T se destacava com sua forma graciosa e ao mesmo tempo robusta, delineada pelo dourado da JPS.


2 – Williams-Ford FW07 (1979)

Alan Jones no fantástico GP da Holanda de 1980 (The Cahier Archives)

Alan Jones no fantástico GP da Holanda de 1980 (The Cahier Archives)

Projeto: Patrick Head e Neil Oatley
Motor: Ford-Cosworth DFV V8
Temporadas: 1979 a 1982
Pilotos: Alan Jones (1979-1981), Clay Regazzoni (1979), Carlos Reutemann (1980-1981, Desiré Wilson (1980), Kevin Cogan (1980), Rupert Keegan (1980), Emílio de Villota (1980), Mario Andretti (1982)
Resultados (contando todas as versões, FW07, FW07B, FW07C): 1 título de pilotos (1980), 2 títulos de construtores (1980 e 1981), 15 vitórias, 42 pódios, 8 poles, 16 voltas mais rápidas, 300 pontos.

The Saudia-Leyland cars. Era assim que o lendário narrador e torcedor fanático dos britânicos Murray Walker se referia a essa maravilha da era dos carros-asa. O FW07 foi desenvolvido pela equipe de Frank Williams e Patrick Head visando copiar o sucesso do Lotus 79. Com design muito semelhante ao da Lotus vencedora de 1978, o carro era visto por muitos como mais um dos clones do carro preto-e-dourado que surgiram em 1979.

Para alguns observadores, inclusive o especialista em aerodinâmica da Lotus, porém, o carro era mais do que uma cópia do Lotus 79. Tratava-se de um bólido simples, leve e com linhas limpas e claro, extremamente graciosas. Complementado pela pintura verde e branca da empresa árabe de aviação Saudia e o dístico da antiga montadora britânica British Leyland.

O carro foi um divisor de águas para a Williams, garantindo sua primeira vitória justamente em casa, em Silverstone. No ano seguinte viria o primeiro título, com o carro já na sua versão “B”.


1 – Lotus-Ford 79 (1978)

Andretti em Zandvoort 1978 - A velocidade de Andretti e a mágica de Bernard Cahier (The Cahier Archives)

Andretti em Zandvoort 1978 – A velocidade de Andretti e a mágica fotográfica de Bernard Cahier (The Cahier Archives)

Projeto: Peter Wright, Colin Chapman, Geoff Aldridge, Martin Ogilvie e Tony Rudd
Motor: Ford-Cosworth DFV V8
Temporadas: 1978 e 1979
Pilotos: Mario Andretti, Ronnie Peterson, Jean-Pierre Jarier, Carlos Reutemann, Héctor Rebaque (particular)
Resultados: Campeão mundial de pilotos e construtores (1978), 7 vitórias, 15 pódios, 10 poles, 5 voltas mais rápidas, 112 pontos.

O Lotus 79, ou Black Beauty, ou ainda JPS Mk.IV é quase uma unanimidade quando o assunto é beleza nos carros de F1. Suas linhas graciosas combinadas com o clássico e maravilhoso layout John Player Special logo conquistou vários admiradores entre os fãs das corridas. Outro charme do carro é a pintura de metade da Union Jack no bico e nas laterais do carro.

Não bastasse toda essa beleza, o carro tinha seu aspecto revolucionário. O Lotus 79 avançou ainda mais no terreno da aerodinâmica que já vinha sendo desbravado por seu antecessor, o Lotus 78. Um verdadeiro carro-asa. Destaque também para a versão de 1979 do carro, com a também bela pintura Martini com o tradicional British Racing Green.


Por André Bonomini:

5 – Tyrrell-Honda 020 (1991)

Modena e o Tyrrell 020 no Canadá. O elegante branco-e-preto nas linhas de Migeot garantiu uma boa verba de patrocínio e o quinto posto nesta lista (Reprodução)

Modena e o Tyrrell 020 no Canadá. O elegante branco-e-preto nas linhas de Migeot garantiu uma boa verba de patrocínio e o quinto posto nesta lista (Reprodução)

Projeto: Harvey Postlethwaite, Jean-Claude Migeot e George Ryton
Motores: Honda RA101E V10 (1991) / Ilmor 2175A V10 (1992) / Yamaha OX10A V10 (1993)
Temporadas: 1991, 1992 e 1993
Pilotos: Stefano Modena (1991), Satoru Nakajima (1991), Andrea de Cesaris (1992-1993), Olivier Grouillard (1992), Ukio Katayama (1993)
Melhor Resultado: 2º lugar (EUA e Canada, 1991)

Em 1991 a Tyrrell gozava de um certo prestigio conseguido na temporada anterior depois da surpreendente temporada de Jean Alesi. No entanto, sem o menino de ouro de Avignon no monoposto para 1991, a equipe de Tio Ken apostou numa revisão do design do carro de 1990, que trazia como destaque o bico elevado projetado por Migeot e que marcou o inicio de uma revolução nos designs de aerofólio dianteiro na F1.

Junto do pacote, além dos pneus Pirelli, estava o promissor Honda V10 que, mesmo de concepção antiga (usado pela McLaren em 1990), prometia muito nas mãos do jovem Stefano Modena e do veterano Satoru Nakajima. A elegância das cores preta e branca combinadas ao design de Migeot garantiu não apenas um lugar nesta lista, mas também uma boa cota de patrocínio dos eletrodomésticos Braun, patrocinador-master do team.

A temporada de 1991 foi o ápice do carro, que conquistou dois segundos lugares, ambos nas mãos de Modena. O modelo ainda teve continuidade nos modelos B (1992) e C (1993), mas o desgaste do projeto e a constante falta de dinheiro de Ken Tyrrell não permitiram voos maiores. O 020 foi substituído no GP da Inglaterra de 1993 pelo 021, um desastre de monoamortecedor traseiro. Mas a elegância do 020 foi a marca maior e, por esta, está aqui no quinto posto de minha lista.


4 – Lotus-Ford 107 (1992)

lotus_107__australia_1992__by_f1_history-d5q6a3z

A Lotus de Johnny Herbert repousando nos boxes de Imola, em 1992. O verde britânico clássico voltada, combinado de amarelo e preto, e dava ao Lotus 107 beleza e patrocinadores de peso (Reprodução)

Projeto: Chris Murphy
Motor: Ford HBD5 e HBD6 V8 (1992-1993) / Mugen-Honda MF-351HC V10 (1994)
Temporadas: 1992 a 1994
Pilotos: Mika Hakkinen (1992) Johnny Herbert (1992 a 1994) Alessandro Zanardi (1993-1994) Pedro Lamy (1994), Philippe Adams (1994), Éric Bernard (1994) Mika Salo (1994)
Melhor Resultado: 4º Lugar (França e Hungria, 1992 / Brasil, Europa e Inglaterra, 1993)

Quem diria que, algum dia, a Lotus voltaria a usar o clássico British Racing Green? Naquele difícil 1992, foi a primeira grande novidade do time de Colin Chapman para tentar apagar de vez o que foram as trágicas temporadas de 1990 e 1991, onde a equipe viveu os piores momentos da história. A partir de San Marino, o team apresentou o elegante 107, carro que ressuscitaria em parte um pouco da esperança em ver a Lotus voltar a andar na frente, contando ainda com o talento do jovem Mika Hakkinen, que desde 1991 compartilhava agruras do team com Johnny Herbert.

O time de Norfolk não pintava o bólido de verde desde 1979, no velho Lotus 79 e o malfadado Lotus 80. Em 1992, a cor verde, combinada com o amarelo e preto, além da beleza, trouxeram polpudas verbas, sobretudo da Castrol e da Komatsu, que acompanhariam o time até o derradeiro fim. Com o bólido naquela temporada, foram dois quartos lugares, ambos conquistados por Mika Hakkinen, o que dava a entender que o velho team estava regressando aos bons dias.

Mera ilusão, estendido nas versões B e C, o 107 perdeu a beleza e a competitividade. Ainda bisou mais três quartos lugares com Herbert em 1993, mas as dividas crescentes sufocaram qualquer tentativa de crescimento. Em 1994, como cobaia da Mugen e cedendo o cockpit a um sem-numero de pay drivers, a Lotus encerrava a vitoriosa trajetória na F1 de forma melancólica. Justo com o outrora elegante 107.


3 – Fittipaldi-Ford F6/F6A (1979)

1979fittipaldif6fordeme

Linhas revolucionárias mas um completo fracasso. O Fittipaldi F6, com Emerson (acima), e a tentativa de revisão do desenho do carro pelo Studio Fly, o modelo A (abaixo). Bonito, mas ordinário (Reprodução)

1979_fittipaldi_f6a_ford_emerson_fittipaldi_hol01

Projeto: Ralph Bellamy (F6) Giacomo Caliri e Luigi Marmiroli (F6A)
Motor: Ford-Cosworth DFV V8
Temporada: 1979
Pilotos: Emerson Fittipaldi, Alex Dias Ribeiro
Melhor Resultado: 7º lugar (EUA-Leste)

Tem quem irá me chamar de louco, e poderá me chamar a vontade. Mas mesmo sendo o filho bastardo da Copersucar-Fittipaldi, estes dois carros guardam uma beleza singular, em parte pela tentativa de reproduzir o efeito asa que fez da Lotus o time a ser batido em 1978. O mais carro monoposto produzido pela equipe de Wilsinho e Emerson foi também, apesar de belo, o maior fracasso do team, não conquistando um misero ponto em 1979.

Apresentado com pompa, ninguém poderia imaginar que o projetista Ralph Bellamy entregara aos brasileiros uma bomba. Por ser feito com material mais leve, o chassi torcia demais nas curvas e o carro era, literalmente, inguiável. Na configuração original, com linhas afiladas e design inovador, Emerson correu apenas uma única vez, terminando em 13º lugar na Africa do Sul.

Na tentativa de reaver o estrago na pintura, os Fittipaldi entregaram a encrenca aos amigos Giacomo Caliri e Luigi Marmiroli, do Studio Fly italiano, os mesmos que redesenharam o Fittipaldi F5 e o transformaram no bom F5A. O novo carro, batizado de F6A, era mais convencional e, ainda assim, belo, ganhando modificações nas laterais, no aerofólio traseiro e um bico de espessura maior do que o antecessor, mais ainda assim uma bela combinação de linhas.

No entanto, o problema do chassi era crônico e não tinha mais remédio. Mesmo assim, Emerson quase pontuou com o bólido. Seu melhor resultado foi um sétimo lugar em Watkins Glen, mas o único ponto da equipe em 1979, acredite, foi feito ainda com o F5A, na Argentina.

É como diz o ditado… Bonitnho, mas ordinário.


2 – Brabham-Ford BT44 (1975)

Pace desfila pela Piscina de Mônaco com o BT44. Um dos icônicos carros da F1 nos anos 70 (Reprodução)

Pace desfila pela Piscina de Mônaco com o BT44. Um dos icônicos carros da F1 nos anos 70 (Reprodução)

Projeto: Gordon Murray
Motor: Ford-Cosworth DFV V8
Temporadas: 1974, 1975 e 1976
Pilotos: Carlos Reutemann (1974 e 1975) Richard Robarts (1974) Rikky Von Opel (1974), John Watson (1974) José Carlos Pace (1974 e 1975) / Loris Kessel, Damien McGee, Patrick Neve e Lella Lombardi (todos estes particulares em 1976)
Vitórias: 5 (Africa do Sul, Austria e EUA-Oeste / 1974 e Brasil e Alemanha / 1975)

Junto do McLaren M23 e dos Ferrari da série 312T, o Brabham BT44 é um dos mais icônicos carros da F1 dos anos 70. Projetado pelo super Gordon Murray, o bólido foi o responsável por colocar definitivamente o time do velho Jack Black Jack Brabham de volta aos trilhos do sucesso. E começou fazendo este trabalho muito bem. Logo na primeira corrida de 1974 poderia ter ganho se Carlos Reutemann não tivesse ficado com problemas na última volta. Mas seria do argentino o maior número de vitórias do monoposto, quatro, contra uma de José Carlos Pace, no Brasil em 1975.

Alias, foi em 1975 que o BT44 ganhou a também icônica pintura da Martini, com as famosas listras em tons de azul com o vermelho ao meio. Era uma bela maquina de desenho e tinha competitividade, mas se exigida ao máximo acabava por deteriorar os pneus antes da hora. Moco foi vitima deste mal muitas vezes, colecionando abandonos em 1975, mas foi o que melhor desenvolveu o carro, provando a fama de acertador que tinha mostrado na pequena Surtees.

O modelo durou, na verdade, três anos. Em 1976 o BT44 ainda podia ser visto com pilotos como Loris Kessel, Damien McGee, Patrick Neve e Lella Lombardi nas intentonas da pequena RAM, de John Macdonald, sem contar outro sem-número de pequenos times privados que o utilizaram. Apesar da elegancia, o desenho desgastou em 1976 e o BT44 já era parte da história, frente ao moderno, mas ainda complicado, BT45 de motor Alfa Romeo, lançado pela Brabham naquela temporada.


1 – Williams-Renault FW15 (1993)

Prost com a "nave" FW15 na Alemanha. A máxima evolução tecnológica da F1 que ficou na história, também, pela sua beleza (Reprodução)

Prost com a “nave” FW15 na Alemanha. A máxima evolução tecnológica da F1 que ficou na história, também, pela sua beleza (Reprodução)

Projeto: Adrian Newey e Patrick Head
Motor: Renault RS5 V10
Temporada: 1993
Pilotos: Alain Prost, Damon Hill
Vitórias: 10 (campeã de pilotos e construtores)

Não é por ser um carro campeão que faz desta peça máxima da tecnologia da F1 ocupar o posto maior desta minha parte da lista dos mais belos. Entre 1991 e 1994, a Williams superou-se na beleza dos bólidos que produzia, onde muito além das linhas aerodinâmicas, trazia no fundo a elegância de desenho típica dos britânicos, sem falar no clássico tricolor azul-amarelo-branco que acompanhava a equipe desde 1985. Adrian Newey, o eterno mago da aerodinâmica, acertou já de princípio ao colocar na pista o FW14, em 1991, e a evolução máxima não poderia ser diferente, especialmente por ter no volante um verdadeiro campeão: Alain Prost.

Foi o digno contendor de Ayrton Senna naquela que pode ser dita a temporada mais bem disputada pelo brasileiro na carreira. É claro, o McLaren não chegava aos pés da engenharia que rondava o carro de Grove, mas Senna soube descontar algumas no braço e vencer na raça os computadores. E não eram poucos, além de belo, o FW15 foi o máximo que a tecnologia da F1 produziu.

Com a suspensão ativa, controle de tração, freios ABS, cambio semi-automático beirando a perfeição e a força do Renault V10, foi até fácil garantir o título, mesmo que Prost o garantiu com duas provas de antecipação apenas. Se não fosse a proibição da FIA, o modelo ainda teria no pacote o moderníssimo cambio CVT (transmissão continuamente variável, trocaria marchas sozinho), o que seria a forma mais perfeita de pilotagem possível com a eletrônica.

No entanto, com o banir dos recursos high-tech ao fim de 1993, o FW15 virou peça de história, bem como as evoluções B e C que teve durante o ano.

Deixe uma resposta