Marcha Radetzky: O ano começou pra valer!

É, amigo, confesso que fui meio descabeçado e não deixei a todos uma mensagem de Ano Novo neste caridoso espaço. No entanto, para mim, uma marca de que o ano realmente começou reside-se na Áustria, e resolvi compartilha-la com vocês, nesta manha de segunda, a primeira de trabalho (se é que muita gente começa a trabalhar mesmo esta semana) de 2016: A Marcha Radetzky, tocada vigorosamente pela Filarmônica de Viena no tradicional Concerto de Ano Novo.

A Áustria respira a música, sobretudo a clássica, e mais sobretudo ainda as valsas, operetas e composições imortais de Johann Strauss e Johann Strauss II. Tais composições e outras tantas austríacas que marcam a capital – Viena – e o mundo são reproduzidas a perfeição pela Orquestra Filarmônica da cidade, uma das melhores do mundo (não tenha dúvida!) a cada início de ano desde 1939, numa grande audição na sala grande do Musikverein, o grande ponto das execuções clássicas do município.

O Musikverein em Viena. Sede da Filarmônica e palco do Concerto de Ano Novo desde a primeira apresentação, em 1939 (Reprodução)

O Musikverein em Viena. Sede da Filarmônica e palco do Concerto de Ano Novo desde a primeira apresentação, em 1939 (Reprodução)

Depois de tantos clássicos do clássico, a Marcha Radetzky fecha os trabalhos, sempre com agitação, alegria e palmas no ritmo da música, comandadas pelo maestro da Filarmônica convidado com sorrisos e odes a música e ao ano que começa. A canção data de 1848 e era executada como uma marcha de honra ao marechal-de-campo da então Áustria-Hungria, Joseph Radetzky von Radetz, comandante da repressão sobre as revoltas liberais. De canção militar, a marcha virou canção obrigatória a cada inicio de ano vienense, bem diferente do significado passado que tinha.

Marechal-de-campo Joseph Radetzky von Radetz. Horado com a marcha nos tempos de líder da repressão aos liberais na então Áustria-Hungria (Reprodução)

Marechal-de-campo Joseph Radetzky von Radetz. Horado com a marcha nos tempos de líder da repressão aos liberais na então Áustria-Hungria (Reprodução)

O concerto é muito concorrido, seja para espectadores, seja até para as emissoras de TV no mundo que sonham acordadas em transmitir o evento. A TV Cultura, em parceria com a União Européia de Radiodifusão (UER-EBU), é a única que o transmite para o Brasil, em VT, coisa que fez neste último sábado (02/01), ainda sem horário de reprise. É também o único trabalho entre uma emissora brasileira e a Eurovisão.

Nomes da regência como Herbert Von Karajan, Claudio Abbado, Zubin Mehta, Riccardo Muti e Daniel Barenboim já tiveram a primazia de conduzir o grupo. Em 2016, outro grande nome, o do letão Mariss Jansons, foi o responsável, como mostra no vídeo acima. É a terceira vez que o maestro conduz os trabalhos, ele já esteve em cena em 2006 e 2012.

De presente para os amigos, além da execução no concerto de 2016 acima, mais três versões especiais desta marcha fabulosa. A primeira, executada de maneira magistral pela Orquestra Sinfônica Nacional da China, o maior grupo musical cultural do mundo, em 2007, sob condução do maestro Chen Xie Yang. A segunda, claro do super maestro e xará, André Rieu, no concerto em Maastricht, Holanda. E a terceira, num show de percussão de Andrea Vadrucci, o Vadrum do YouTube. Talvez o melhor baterista independente do mundo.

Feliz Ano Novo!

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