Navegantes: Histórias, metamorfoses e futuro

Um fim de semana de verão naquela que considero minha segunda cidade natal: Navegantes vai evoluindo, mesmo limitada pela 470. Porto e movimentação no aeroporto não são os únicos fatores, a busca por um recanto tranquilo no verão também ajuda (André Bonomini)

Um fim de semana de verão naquela que considero minha segunda cidade natal: Navegantes vai evoluindo, mesmo limitada pela 470 por terra. Porto e movimentação no aeroporto não são os únicos fatores, a busca por um recanto tranquilo no verão também ajuda (André Bonomini)

Neste ultimo fim de semana, estive junto de meus pais em um bom retiro na que eu considero desde criança minha segunda cidade natal: A simpática Navegantes, no litoral do Vale do Itajaí. Encravada entre a potente Itajaí e a pequena Penhalar do Beto Carreiro, este município fundado em 26 de agosto de 1962 de um desmembramento do território itajaiense era para muitos do Alto e Médio Vale o refúgio perfeito nos quentes verões do passado.

Conheci Navegantes ainda pequena, mas não tão pequena quanto fora. Deserta na bela Beira-Mar (Av. Cirino Adolfo Cabral) que a cerca, a cidade crescia lentamente impulsionada pelo ainda engatinhante turismo e pelas primeiras proezas do à época Aeroporto Regional, que atraia voos de várias partes do Brasil. De resto, ainda a cálida paz no veraneio, uma exceção entre os grandes balneários catarinenses, como Camboriú e Itapema.

Outro grande prédio de apartamentos levanta-se na beira-mar. Seriam reflexos de um futuro que Navegantes está desenhando? (André Bonomini)

Outro grande prédio de apartamentos levanta-se na beira-mar. Seriam reflexos de um futuro que Navegantes está desenhando? (André Bonomini)

Navegantes tem características singulares. Ainda se conserva como um calmo retiro para veranistas que pretendem fugir da loucura dos grandes balneários sem perder a vantagem de passar o verão com uma praia. Apesar de já ter sido muito criticada pela sujeira, a balneabilidade do mar na região tem melhorado. Este ano, apenas dois pontos estão impróprios e os serviços de abastecimento da Casan ao menos tem funcionado com mais eficiência neste pedaço de terra.

No entanto, a cada temporada que se passa, o que me assusta é que Navegantes vem saindo do status de cidade pequena e adquirindo cada dia mais uma imagem de município progressista, movido tanto pelo aeroporto (agora internacional) quanto pelo porto que faz frente com Itajaí e tem até lucrado mais do que a cidade vizinha. Esta riqueza está sendo refletida muito bem diante da beira do mar, no sempre crescente levantamento de residenciais.

Aos poucos, os grandes apartamentos (ainda não tão grandes) vão tomando conta dos terrenos da beira-mar e das transversais. Num contraste, dá de ser ver ainda um território a ser explorado. no futuro que se desenha a Navegantes ano a ano (André Bonomini)

Aos poucos, os grandes apartamentos (ainda não tão grandes) vão tomando conta dos terrenos da beira-mar e das transversais. Num contraste (abaixo), dá de ser ver ainda um território a ser explorado. no futuro que se desenha a Navegantes ano a ano (André Bonomini)

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Para quem viveu num tempo em que os prédios maiores não passavam de três andares ou eram hotéis com cinco andares, Navegantes muda muito rápido. É um balneário inexplorado, esperando ainda o olhar das construtoras, dos empresários do entretenimento e dos turistas a caça de novos espaços para descanso e lazer no verão. A paz ainda reina, mesmo eu não sabendo até quando pois a cada momento que visito a cidade sinto que o futuro vem chegando rápido até demais.

Costumava pensar que toda a cidade com porto duplica o crescimento em alguns porcento, mesmo que ele não venha a ser tão rentável em algum momento. O espaço está em atividade desde outubro de 2007, sob administração da Terminais Portuários de Navegantes (Portonave), e movimenta grandes volumes de importações e exportações de várias partes do mundo, promovendo ao mesmo tempo vagas para trabalho a quem precisa. E vale dizer mais, o porto navegantino chegou a ser uma das 10 melhores empresas para se trabalhar no país, sendo o único terminal portuário. Isto segundo o ranking Great Place to Work de 2014.

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Dois dos principais motores de desenvolvimento em Navegantes: O Aeroporto, uma das grandes marcas da cidade; e o Porto (abaixo), que é uma das 10 melhores empresas para se trabalhar no Brasil em 2014, o único porto daquela lista (Aeroporto: Kleber Portugal dos Santos / Reprodução)

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Outro grande fator que movimenta a roda econômica de Navegantes é talvez a maior marca do município. O Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder, apesar de ainda um tanto pequeno, é uma força motriz que leva o Vale a vários pontos do país e do mundo. Inaugurado em 1970 e internacionalizado em 2004, o espaço ainda carece de ampliações no terminal de passageiros, mas é um trampolim para o Vale que depende apenas de Navegantes para negociar, estudar e explorar o país e o mundo. Isto dada a carência de outro aeroporto que muito nos faz falta, como o Quero-Quero em Blumenau mas isso é assunto para outro momento.

Felizmente por hora, toda esta pujança aparentemente demonstrada pela cidade na busca desenfreada pelo crescimento ainda não lhe tirou a paz característica. E o que é melhor, traz consigo outros melhoramentos importantes para melhor receber o turista hoje e no futuro. Um deles está sendo implantado agora mesmo na famosa Beira-Mar, trata-se da renovação do calçadão e da ciclovia que estão dando outra cara ao ponto de encontro da cidade. Ainda falta muito para que tudo esteja pronto, mas as obras caminham-se em bom ritmo e nota-se já a diferença entre o velho e morto pavimento de pedras e a rustica e praieira estrutura em pinus que está sendo montada.

Se Navegantes lentamente apaga o passado de calmo balneário para transformar-se em uma cidade costeira de referencia em mapa, que isto seja sempre constante para o bem de quem lá vive. Mas que nunca deixe-se perder nas quadras, ruas e na areia do mar o charme de recanto trigueiro, tranquilo e clássico, como eram os balneários badalados no passado veranista de nosso Vale.

Um comentário sobre “Navegantes: Histórias, metamorfoses e futuro

  1. Boa André, mais uma bela postagem falando sobre Navegantes. Me da muitas saudades de minha infância por volta de 1968 quando frequentava toda praia, cantinho por cantinho desde o rio Itajaí Açú, farol até o final em Gravatá onde tinha muitos amigos a praia conhecida como do Sapo. Todo mundo se conhecia principalmente os de Blumenau que exploraram suas terras. Sapo porque as pessoas ao se avistarem diziam “Opa” “Opa”. Uma festa só.
    Leiam um pouco sobre essa história clicando em:
    http://goo.gl/yCekuU
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau

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