Outro adeus a Pernambucanas

A Pernambucanas na Rua XV, em frente a Catedral. Reorganização da empresa foi a justificativa dada pelo fechamento da filial no Vale (Luís C. Kriewall Filho)

A Pernambucanas na Rua XV, em frente a Catedral. Reorganização da empresa foi a justificativa dada pelo fechamento da filial no Vale (Luís C. Kriewall Filho)

O consumidor de Blumenau, especialmente aqueles com algum pingo de saudosismo, recebeu nesta semana uma notícia um tanto triste vinda do setor comercial da cidade. Depois de nove anos, em um retorno muito celebrado à época, as tradicionais Casas Pernambucanas fecharam a unidade blumenauense, localizada na Rua XV, diante da torre da Catedral São Paulo Apóstolo, antigo prédio das Lojas Prosdócimo, Shopping Center Central e anteriormente ocupado pelas Casas Bahia.

Na porta da loja, um breve comunicado anunciava que nenhum dos clientes seria afetado pela medida e que tem disponível um canal telefônico (0800-724-9200) para consultas e outros assuntos de pós-venda e administrativos. Segundo informações do bom colega Francisco Fresard – o Pancho, do Jornal de Santa Catarina – A Pernambucanas opera em mais de 230 cidades de sete estados, sendo 310 lojas no total, 10 em Santa Catarina (Duas em Joinville e uma em Caçador, Chapecó, Concórdia, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, São José e Videira). Ainda segundo Pancho, a empresa limitou-se apenas a dizer que o fechamento da unidade blumenauense dá-se por conta da restruturação da organização.

O fundador das Casas Pernambucanas, o sueco-pernambucano Herman Theodor Lundgren (Reprodução)

O fundador das Casas Pernambucanas, o sueco-pernambucano Herman Theodor Lundgren (Reprodução)

Não é a primeira vez que a Pernambucanas deixa Blumenau. Por anos, a tradicional loja amarela e azul esteve na cidade, num período que durou de 1915 a 1990. Originalmente, a empresa foi fundada em 25 de setembro de 1908 pelo sueco radicado em Recife (PE), Herman Theodor Lundgren, a partir de uma pequena unidade têxtil que comprara antes de falecer. O empreendimento passou então as mãos de um dos filhos, Arthur, que iniciou a expansão da rede pelo Brasil, pioneira em vários setores como o emprego feminino no varejo, automação comercial e o carne de pagamento, o famoso crediário.

A fama das Pernambucanas era tamanha que a inauguração numa cidade qualquer era motivo de grande festa, até com presença de prefeito e autoridades. Curiosamente, apesar de ter o nome que remete ao estado onde morava Herman Lundgren, a rede não possui lojas em Pernambuco. Já o azul e amarelo da marca traz a lembrança da Suécia, terra natal de Herman, nascido na bela Norrköpingfilho de um pequeno industrial daquela cidade.

Foi com pioneirismo e ousadias que a Pernambucanas se tornou a referencia na venda de tecidos, linha cama-mesa-banho e inverno (lãs, flanelas e cobertores), em uma época que muitas de nossas roupas nasciam nas mãos dos alfaiates. Nos anos 70, a rede entrou também no segmento de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, com muito sucesso.

Alias, foi por causa da estação mais fria do ano que marca ficou imortalizada com um dos mais marcantes jingles, gravado em 1967 e lembrado de Blumenau a qualquer rincão do Brasil. Quem balbuciava a citação Quem bate? está sujeito a ouvir isto:

Por volta de 1915, a Pernambucanas chegava a Blumenau (filial Esmeralda, como era costume das Pernambucanas naqueles idos de batizar as filiais), estabelecendo-se na Rua XV ao lado da então Casa do Americano, mudando-se alguns anos depois para a esquina entre a XV e a Rua Floriano Peixoto. Nos anos 70 o prédio foi totalmente reformado com feições em enxaimel, no tempo dos descontos de impostos para este tipo de prática nas fachadas.

Anuncio da "Loja Pernambucana" no Der Urwaldsbote, em 1915 (Reprodução / Antigamente em Blumenau)

Anuncio da “Loja Pernambucana” no Der Urwaldsbote, em 1915 (Reprodução / Antigamente em Blumenau)

Em Blumenau, a Pernambucanas instalou-se pela primeira vez também na Rua XV, próximo a esquina com a Floriano Peixoto, em 1966. Acima, a fachada da loja e abaixo os momentos difíceis nas enchentes (Reprodução / Arquivo Histórico)

Em Blumenau, a Pernambucanas (filial Esmeralda) instalou-se pela primeira vez também na Rua XV, próximo a esquina com a Floriano Peixoto, em 1930. Acima, a fachada da loja e abaixo os momentos difíceis nas enchentes (Reprodução / Arquivo Histórico / Antigamente em Blumenau)

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A Pernambucanas era um dos grandes pontos de compra de tecidos na cidade, recordada até hoje pelos mais antigos. No entanto, as sequentes enchentes (a região onde ficava a loja é uma das mais baixas da XV) e a crise econômica na década de 80 fizeram com que a loja se retirasse da cidade por volta de 1990. Foram longos 17 anos de ausência da cidade até o retorno em julho de 2007, no prédio da antiga Lojas Prosdócimo.

A nova filial, inaugurada nos anos 70 e dentro das feições em enxaimel. Parte do incentivo da prefeitura para desconto de impostos a quem seguisse este tipo de construção. Unidade fechou em 1990, vitimada pelas enchentes e a crise econômica. Após, abrigou uma filial da Lojas Colombo, um 1,99 e, hoje, sedia a farmácia da Usirede na cidade (Reprodução / Mercado Livre)

A nova filial, inaugurada nos anos 70 e dentro das feições em enxaimel. Parte do incentivo da prefeitura para desconto de impostos a quem seguisse este tipo de construção. Unidade fechou em 1990, vitimada pelas enchentes e a crise econômica. Após, abrigou uma filial da Lojas Colombo, um 1,99 e, hoje, sedia a farmácia da Usirede na cidade (Reprodução / Mercado Livre / Postal de 1982)

Infelizmente, a Pernambucanas acaba por novamente deixar a cidade depois de oito anos de atuação, gerando diversos empregos e sendo uma feliz opção de compra a cidade. Mesmo de despedida, o registo da Pernambucanas na cidade é rico e merece ser lembrado como parte de nossa história comercial.

4 comentários sobre “Outro adeus a Pernambucanas

  1. André,
    Bela postagem. Uma pena a Famosa Lojas Pernambucanas, mais uma vez abandona nossa cidade. Os tempos de antes foram bons e o da segunda vez talvez nem tanto. Mas o que importa que durante esses dois períodos muito colaborou com o nosso comércio da rua XV de Novembro em Blumenau.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

  2. O que gera o fechamento de uma filial de uma organização tao antiga e consolidada, e’ unicamente a má administração. Nada foi percebido para se alavancar as vendas. O recurso da propaganda foi ignorado. Sofrem com o fechamento, os funcionarios e a população de Blumenau. Estão precisando, nas Pernambucanas, de administradores competentes.

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