Outra despedida: Malwee encerra as atividades em Blumenau

Depois da saída da Pernambucanas de Blumenau, é a vez da Malwee. Unidade de Blumenau, responsável por apenas 3% da produção, foi fechada nesta quinta-feira (21/01) (Reprodução / Farol Blumenau)

Depois da saída da Pernambucanas de Blumenau, é a vez da Malwee. Unidade de Blumenau, responsável por apenas 3% da produção, foi fechada nesta quinta-feira (21/01) (Reprodução / Farol Blumenau)

O ano de 2016 não começou nada bem para algumas das grandes empresas nacionais, seja no varejo ou na indústria. Em Blumenau, estes sintomas da economia em ruínas e dos apertos e reorganizações parecem estar sendo sentidos de forma mais marcante, com a despedida de empreitadas recentes ou empresas/lojas tradicionais. Nesta quinta-feira, a cidade viveu outro momento igual. Depois do baque do fim das atividades da Pernambucanas na cidade na última semana, agora foi a vez da tradicional Malwee fechar a filial blumenauense, deixando sem trabalho cerca de 300 colaboradores.

Segundo a empresa – uma das mais conhecidas no cenário têxtil nacional – a produção em Blumenau era de cerca de 3% dos manufaturados comercializados, volume este que será absorvido pelas demais unidades do grupo. Adequações ao mercado altamente competitivo também foi justifica para o fechamento da unidade.

Ainda segundo a nota oficial, a companhia mantém-se sólida e que a medida não impacta o fornecimento de produtos aos clientes. A empresa também lamenta o impacto que as demissões na vida dos colaboradores e direcionou uma equipe para orientações de recolocação no mercado e esclarecimento de dúvidas.

O fundador, Wolfgang Weege. Do pequeno comércio de carnes e queijos dos pais para uma das maiores e mais conhecidas empresas têxteis do país, reconhecida também pelas ações pioneiras em prol do meio-ambiente (Reprodução)

O fundador, Wolfgang Weege. Do pequeno comércio de carnes e queijos dos pais para uma das maiores e mais conhecidas empresas têxteis do país, reconhecida também pelas ações pioneiras em prol do meio-ambiente (Reprodução)

A Malwee é fruto do do tino empreendedor da tradicional família Weege, de Jaraguá do Sul. Em 1948, o pequeno comércio de queijos e carnes do casal Wilhelm e Bertha Weege passou a sociedade anônima, tendo a direção do filho, Wolfgang Weege. Tendo negócios no ramo alimentício e no comércio varejista, Wolfgang resolveu explorar um clássico e cada vez mais forte mercado em Santa Catarina: O da indústria têxtil. Foi assim que em 4 de julho de 1968, com apenas quatro parceiros, era fundada a Malwee, nome formado pela combinação das palavras Malharia e do sobrenome do fundador, Weege.

No ritmo constante de crescimento, a Malwee começou a ampliar não apenas o parque fabril, mas também a abrir unidades de produção em outras cidades. Blumenau foi a terceira do estado, instalada em 1982, sete anos após o início das atividades da unidade de Pomerode, em 1975, e no mesmo ano da abertura do magnífico Parque Malwee, um dos símbolos da preservação ambiental pregada pela empresa há muito tempo, e com louvor.

As atividades da Malwee em Blumenau iniciaram em 1982, concentrando-se na confecção. Anexo, ficava a Armalwee - Associação Recreativa Malwee - muito conhecida pelo bom restaurante (Reprodução / Grupo Malwee)

As atividades da Malwee em Blumenau iniciaram em 1982, concentrando-se na confecção. Anexo, ficava a Armalwee – Associação Recreativa Malwee – muito conhecida pelo bom restaurante (Reprodução / Grupo Malwee)

Em Blumenau, a Malwee concentrada as atividades de confecção dos produtos, além de ter bem junto das instalações a Associação Recreativa (Armalwee), conhecida pelo bom restaurante. A unidade localizava-se na Rua Itajaí, 5707 a alguns metros da divisa com Gaspar e do início da Rodovia Jorge Lacerda. Apesar de um regime de produção pequeno (3%, segundo a nota oficial), a presença da Malwee na cidade era um dos orgulhos de nossa indústria têxtil, marcando a vida de muitos que por lá passaram.

Posição do Sintrafite e demais fechamentos

E falando nos colaboradores, o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Blumenau (Sintrafite), em nota, mostrou-se surpreso e criticou a decisão da Malwee, alegando que não foram repassadas em nenhum momento informação sobre as demissões.

Foram 300 trabalhadores que não tiveram opção de uma negociação, apenas um comunicado, nenhum aviso prévio conforme estabelecido em nossa convenção coletiva. Agora serão famílias inteiras afetadas (..) Os representantes da Malwee são os responsáveis pela crise na empresa, não é culpa dos trabalhadores, afirma o Sintrafite em nota publicada pelo Jornal de Santa Catarina na Coluna do Pancho (Pedro Machado, interino). O Sindicato também afirmou que vai acompanhar o processo indenizatório e já convocou uma reunião com os trabalhadores na sede do sindicato na próxima terça-feira (26/01), às 14h.

Fábrica de Ibirama da Hering. Assim como a Malwee, a empresa dos dois peixinhos também teve de fechar unidades por conta do atual momento do mercado. Além da unidade da cidade dos belos panoramas neste mês, a de Rodeio também teve as atividades encerradas em setembro do ano passado (Reprodução)

Fábrica de Ibirama da Hering. Assim como a Malwee, a marca dos dois peixinhos também teve de fechar unidades por conta do atual momento do mercado. Além da unidade da cidade dos belos panoramas, fechada neste mês, a de Rodeio também teve as atividades encerradas em setembro do ano passado (Reprodução)

É apenas mais uma triste despedida de uma tradicional organização de nossa cidade. Na última semana, a Pernambucanas também deixou Blumenau, justificando o fechamento da loja na Rua XV como parte da reestruturação da organização. Em se falando na área têxtil em geral, a Hering também fechou unidades de produção, como aconteceu com as fábricas de Rodeio, em setembro de 2015, e a de Ibirama, neste mês.

Leia a nota oficial sobre o fechamento da Malwee Blumenau:

(Fonte: Bruna Nicolao / Exit Comunicação Estratégica)

Em virtude da situação econômica brasileira e uma adequação ao mercado altamente competitivo, o Grupo Malwee anuncia oficialmente o encerramento das atividades da Unidade de Blumenau.

Todos os esforços da companhia relacionados à redução de custo operacional nesta Unidade em especial, como enxugamento da estrutura, unificação dos turnos, entre outras iniciativas, não foram suficientes para manter sua operação.

Cerca de 300 profissionais foram desligados e a demanda de produção desta fábrica, que representa 3% da produção total do Grupo, será absorvida estrategicamente pelas demais unidades do Grupo.

O Grupo Malwee lamenta o impacto desta decisão na vida dos colaboradores da unidade. Ressalta que assim como tem acontecido ao longo destes quase 50 anos de história, honrará com todos os seus compromissos financeiros e legais para com todos os seus colaboradores.

No intuito de oferecer suporte profissional, a empresa direcionou uma equipe para dar orientação de recolocação de mercado e que ficará à disposição destes colaboradores.

A companhia se mantém sólida e informa ainda que esta decisão não impacta no fornecimento de seus produtos aos seus clientes. É uma medida de redução de custo operacional, diante de um mercado tradicionalmente competitivo e de um cenário político econômico instável, aos quais precisa estar atenta para garantir sua perpetuidade.

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