Fim da linha para o SIGA

É o fim! A manhã de sábado foi histórica para o transporte coletivo. Depois de tantos problemas, o Consórcio SIGA teve o contrato rompido com a Prefeitura. A partir de domingo (se não já neste sábado) não haverá mais ônibus em Blumenau por, segundo a expectativa do prefeito, seis dias (Reprodução)

Eis o fim! A manhã de sábado foi histórica para o transporte coletivo. Depois de tantos problemas, o Consórcio SIGA teve o contrato rompido com a Prefeitura. A partir de domingo (se não já neste sábado) não haverá mais ônibus em Blumenau por, segundo a expectativa do prefeito, seis dias (Reprodução)

Acabou.

Depois de meses de paralisações, indecisões, incertezas, trocas de farpas, afirmações fantasiosas e promessas vagas, eis que num sábado ensolarado o já caducante Consórcio SIGA tem desligados pelo prefeito Napoleão Bernardes os aparelhos que o mantinham vivo na eterna UTI que se arrastava. Junto dos secretários e vereadores da base aliada, tendo como testemunhas a grande imprensa,  Napoleão decretou oficialmente nesta manhã (23/01) no salão nobre da prefeitura o fim do contrato com o consórcio, algo que ledamente já era esperado por alguns (e por mim, no íntimo do pensamento) diante das dificuldades.

O descumprimento do contrato foi a justificativa maior usada pelo prefeito para a tomada desta decisão, talvez a mais importante do transporte coletivo em alguns anos da história do sistema integrado. Com a decisão, a cidade não terá ônibus circulando a partir da meia-noite deste domingo (24/01), isto até a contratação emergencial de uma empresa para a condução dos trabalhos. Serão sete dias (prazo esperado por Napoleão para a vinda da nova empresa) de um novo sacrifício, que espera-se que valha (e muito) a pena.

Napoleão, junto dos secretários e parlamentares da base, faz o anuncio do rompimento no salão nobre. Descumprimento do contrato foi a justificativa maior (Marcelo Martins / PMB)

Napoleão, junto dos secretários e parlamentares da base, faz o anuncio do rompimento no salão nobre. Descumprimento do contrato foi a justificativa maior (Marcelo Martins / PMB)

Rotulada como histórica – e não deixa de ser, talvez, a mais enérgica da história da prefeitura nos últimos tempos – a decisão de romper o contrato também declarou como inidôneas as três permissionárias do antigo Consórcio – Além da Nossa Senhora da Gloria, as empresas Rodovel e Verde Vale. O chamamento ao transporte alternativo será retomado e deverá ser ele também um dos que procurará amenizar o suplício de uma semana sem coletivos. Isto se tudo correr certo e a ignorância dos vândalos não retomar a carga.

Foi um acerto demorado, passou e bem da hora que uma atitude enérgica fosse tomada. A falta de estrutura e condições operacionais era visível até para quem nada entendia de toda esta esquemática que envolve o transporte coletivo. Estabelecido em 2007, o SIGA alternou poucos momentos de lucidez e muitos momentos de insensatez. Aumentos seguidos da tarifa sem controle, nenhum retorno prático ao contribuinte e a deterioração do aparelho do transporte coletivo – como os terminais – foram algumas das marcas negativas que se seguiram, isto excluindo as tantas paralisações que aconteceram, com motivos variando de salário a segurança de passageiros e funcionários.

Foi num fim de semana - um domingo,- que a intervenção era despachada. Era o primeiro golpe direto da prefeitura em busca de entender as deficiências do consórcio, que operava na cidade desde 2007 (Jaime Batista)

Foi num fim de semana – um domingo,- que a intervenção era despachada. Era o primeiro golpe direto da prefeitura em busca de entender as deficiências do consórcio, que operava na cidade desde 2007 (Jaime Batista)

Em 2015, a situação calamitosa pareceu chegar ao cume máximo do suportável. As paralisações se repetiam mês a mês, sempre sendo abafadas com meras soluções paliativas e nada de definitivo. Em outubro, a prefeitura entrou de vez na briga e decretou a intervenção no Consórcio e na maior de todas as componentes do mecanismo – a tradicional Glória – buscando entender os problemas. Depois de um mês, o relato sobre o período estava feito, seguiram-se as paralisações, cruzando até a quadra natalina, até a decisão deste sábado.

Para o bom blumenauense, será um momento de um grande sacrifício, mas nada que não seja novidade estar mais um período sem ônibus. Somadas as paralisações de 2015, facilmente se ultrapassa muito mais de uma semana. A esperança maior agora é que o trabalho da prefeitura seja intenso atrás de uma nova empresa, sem nenhum ressentimento ou indignação do lado dos que até hoje trataram o transporte como um qualquer coisa diário. É a oportunidade de uma verdadeira virada de página, algo que recoloque a cidade como referencia no setor e faça verdadeiramente o transporte coletivo acontecer e funcionar de fato.

Quanto ao SIGA, depois de um trajeto sinuoso, chegou o fim da linha, o ponto final. Aos envolvidos, resta o desembarque, e a cidade, resta acompanhar e pedir com direito dias melhores nos bancos dos coletivos.

Um comentário sobre “Fim da linha para o SIGA

  1. André,
    SIGA adiante e que se investigue os responsáveis por este descaso, e até tenho nomes importantes que toda sociedade sabe “Tapete Negro que Aja”.
    SIGA adiante pois a fila continua. E esperamos que nunca mais apareça nesta cidade gente dessa natureza.
    Acorda Blumenau, a situação é caótica assim como em todo Brasil, por[em somos um povo de brio de luta e não podemos ficar passivos. Chega de ficar calado! Que apareça alguém com aquilo “R” para resolver esta e outras situações alarmantes em nossa cidade. Tinhamos um prefeito anterior que mandava em tudo (ditador) agora temos um que é mandado por todos.
    Acorda Blumenau.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em, Blumenau.

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