Gramming & Marbles: Mais sete novidades para a F1 em 2016

(Reprodução)

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Então, amigos do G&M, parece que o ano resolveu começar de vez num estalo. Fora as modinhas esdruxulas de lançamento de layouts com carros antigos e os vídeos fúteis com os roncos da temporada (Que ainda lembram aspiradores de pó), a F1 vem se descortinando para 2016, tentando esquecer o que foi de ruim a fraca temporada passada. Novas máquinas, algumas apenas repaginadas e a sempre velha promessa de emoção. Isto é, se a Mercedes deixar.

Os primeiros testes da pré-temporada estão próximos. Iniciarão em Barcelona, e será lá que veremos de uma forma mais direta se veremos o mesmo repeteco de prateados a frente ou se 2016 será uma nova página na F1. A Williams revisou o projeto do ano passado, procurando trazer o time de volta a ponta. A Ferrari não cogita perder o título deste ano por nada, a McLaren vai a pista buscado apagar 2015 da história enquanto a Haas terá de aprender ainda o que é correr na F1, mas não o quer fazer como um mero time pequeno. Já a Red Bull não tem carro novo ainda, assim como a Sauber, mas já mostrou as cores de guerra que vem para tentar reaver-se dos problemas do último ano.

Sem mais se alongar, vamos as novidades de 2016, que começam a pipocar mais e mais. E esperamos nós que algo de bom venha a partir de Melbourne… Esperamos!

Red Bull – Tudo fosco para 2016

Eis a pintura que adornará o RB12, novo bólido da Red Bull que ainda será lançado. Volta ao azul e tudo fosco, tendo a TAG-Heuer como a mão por trás do engenho recauchutado da Renault (Reprodução)

Eis a pintura que adornará o RB12, novo bólido da Red Bull que ainda será lançado. Volta ao azul e tudo fosco, tendo a TAG-Heuer como a mão por trás do engenho recauchutado da Renault (Reprodução)

Realmente, roxear as coisas em 2015 não foi de muita sorte para os touros austríacos (que, pela qualidade do carro, no ano passado, foram carinhosamente chamados pelo G&M de touros paraguaios). A missão da turma de Christian Horner é muito mais desafiadora do que fora nos anos em que dominava a F1, e que levaram Sebastian Vettel a um fabuloso tetracampeonato na flor da idade. Trata-se de reaver-se do fiasco das últimas duas temporadas, onde o propulsor Renault escangalhou as ideias do mago Adrian Newey e proporcionou anos bem abaixo do normal.

Tendo novamente os Daniel a bordo dos bólidos – Daniel Riccardo e Daniil Kvyat – a Red Bull apresentou na última quarta-feira (17/02) o layout deste ano, ainda impresso no carro antigo. Trata-se de uma volta ao azul, sendo desta vez pintado em fosco sob a lataria que será, mais tarde, a do RB12. A pintura em si nada quer dizer, embora ainda o fosco não ficou aquilo tudo, o que mais se espera é saber como será o desempenho do recauchutado Renault de 2015, batizado com a marca tradicional da TAG-Heuer, nova patrocinadora da equipe e que volta a estampar um motor depois de 28 anos, quando dava aquele tapa nos propulsores Porsche da McLaren.

Riccardo, Kvyat e a trupe da Red Bull. É hora de se recuperar em 2016 (Reprodução)

Riccardo, Kvyat e a trupe da Red Bull. É hora de se recuperar em 2016 (Reprodução)

Como será o novo carro, isso ainda demorará algum tempinho para sair, no entanto a expectativa é de que a nova configuração do motor possa sanar os problemas crônicos de desempenho e, de alguma forma, dar condições de Riccardo e Kvyat mostrarem o potencial que tem, já apontados como futuros campeões na categoria. Resta aguardar.

Williams – Novo com cara de velho e aperfeiçoamentos

Eis o novo brinquedo da Williams, o FW38. Qualquer semelhança com o FW37 é mera propositalidade, mas que para por ai (Reprodução)

Eis o novo brinquedo da Williams, o FW38. Qualquer semelhança com o FW37 é mera propositalidade, mas que para por ai (Reprodução)

O fim de ano do time de Grove foi uma tortura turca GP após GP. Perdendo o embalo no grid, a Williams viu a posição de terceira força ser ameaçada perigosamente por Red Bull e Force India, com máquinas mais consistentes do que o bólido inglês. Alias, foram os pequenos problemas de engenharia e aerodinâmica que foram atacados diretamente por Rob Smedley na revisão do modelo que nasce como FW38, prometendo reaver o tempo perdido em 2015.

A apresentação foi na manhã da última sexta-feira (19/02) e, esteticamente, o FW38 não surpreendeu nada, é uma cópia a carbono do FW37, mas que promete trazer aperfeiçoamentos importantes para apagar o pífio desempenho diante das forças da temporada em 2015. No comando, a promessa finlandesa Valtteri Bottas, que deve contar a afobação que o levou a incidentes infantis com o compatriota Kimi Raikkonen no ano anterior, tendo ao lado o brasileiro Felipe Massa.

Mudanças estéticas não são o forte. A esperança é que os aprimoramentos reconduzam a Williams a ponta (Reprodução)

Mudanças estéticas não são o forte. A esperança é que os aprimoramentos reconduzam a Williams a ponta (Reprodução)

Para o tupiniquim da equipe, a temporada pode representar a última tentativa concreta de buscar um título que escapou das mãos em 2008. Para isso, terá de enfrentar os rivais em pista, o novo carro e o próprio envelhecimento, já que se vai algum tempo que Massa já está na categoria. É um dos mais experientes do grid e voltar a perder tempo como foi em 2015 pode ser o fim da linha para o brasileiro.

Ferrari – Toque de nostalgia para a guerra contra a Mercedes

Com um toque de nostalgia, Ferrari ressuscita a faixa branca na tampa do motor para a guerra contra a Mercedes (Reprodução)

Com um toque de nostalgia, Ferrari ressuscita a faixa branca na tampa do motor para a guerra contra a Mercedes (Reprodução)

Se há uma coisa que Sergio Marchionne e Maurizio Arrivabene não toleram mais é ver a Mercedes de binóculos mais uma vez na F1. Para a casa de Maranello, 2016 é o limite que a equipe se impôs para ficar no jejum de títulos e a guerra contra as flechas de prata está apenas começando. O novo SF16-H, apresentado também na última sexta (19/02) promete ser o ponto de virada da equipe rossa, que traz ainda um toque nostálgico com a volta da famosa faixa branca na altura do santantônio e da tomada de ar.

Este adorno foi marcante para a equipe nos anos vitoriosos entre 1975 e 1978, mas também marcou o time na difícil temporada de 1993, quando Gerhard Berger e Jean Alesi tinham a dificílima tarefa de refazer a equipe das cinzas de 1992. É claro que as lembranças intencionalmente embutidas com a faixa branca são dos bons tempos de Niki Lauda, campeão duas vezes das três da carreira com o bólido de Maranello, em 1975 e 1977.

Vettel e Raikkonen, cinco títulos ao lado do promissor SF16-H (Reprodução)

Vettel e Raikkonen, cinco títulos ao lado do promissor SF16-H. Perder o título em 2016 está fora de cogitação para Marchionne e Arrivabene (Reprodução)

É com este espírito nostálgico que Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen – cinco títulos no cockpit – prometem vir a pista. Será um ano onde a Ferrari partirá com a faca nos dentes para voltar definitivamente a ser a melhor do grid, pois a condição de segunda força já é dela, roubada com méritos diante dos olhos dos rivais de Grove, a Williams.

Mercedes – Mexidinhas em time que está ganhando

Pequenas alterações na campeoníssima Mercedes para o W07 Hybrid (Reprodução)

Pequenas alterações na campeoníssima Mercedes para o W07 Hybrid (Reprodução)

Uma entortadinha ali, uma polidinha aqui, um aperto ali e pronto! A turma das flechas de prata tem o W07 Hybrid em mãos para continuar um domínio que, queiram os deuses da velocidade, não seja tão massante em 2016. Foi neste domingo de sol que a Mercedes colocou para fora da garagem o novo carro, com o qual Lewis Hamilton tentará seguir dominando, enquanto Nico Rosberg mostrará de vez que não é um zero a esquerda, como mostrou no fim de 2015.

As mudanças quase não são visíveis, tanto no carro quanto na pintura, que segue no duo prata-verde, tendo apenas tons ainda mais escuros na asa traseira. Fora isso, a expectativa dos comandados de Toto Wolff é que se mantenha a boa fase do time que, até o momento, tem deixado a F1 mais monótona com a demonstração de excelência e força a cada corrida. O motor também é novo, sendo a mesma versão para todas as demais equipes que recebem o engenho (Williams, Force India e, agora, a Manor).

Hamilton e Rosberg terão objetivos distintos em 2016, mas o pensamento é de continuar o domínio, coisa que nenhum fã da F1 quer para este ano (Reprodução)

Hamilton e Rosberg terão objetivos distintos em 2016, mas o pensamento é de continuar o domínio, coisa que nenhum fã da F1 quer para este ano (Reprodução)

Para os fãs da F1, a torcida – mesmo que cruel – é que alguma coisa freie a Mercedes no ímpeto de fazer de 2016 mais um ano prateado. Certeza sobre isso só teremos em Barcelona, quando a nova carruagem prateada pisar na pista para mostrar o tem a nos oferecer nos grids da temporada.

McLaren – O convencional para esquecer o passado

Sem ousadias nem discursos ufanisticos. O MP4-39 apenas quer apagar 2015 da memória da McLaren (Reprodução)

Sem ousadias nem discursos ufanisticos. O MP4-39 apenas quer apagar 2015 da memória da McLaren (Reprodução)

A ordem em Woking é apenas uma: Esquecer 2015. Nada de promessas ousadas como as da temporada passada, nada de ufanismos e nem de faláceas exageradas. A McLaren apresentou na manhã de domingo o novo carro, o MP4-31, que terá a tarefa quase ingrata de apagar o terror da temporada passada, onde a equipe foi de nome de ponta a número do fim de pelotão em questão de segundos, sendo grande parte graças ao projeto equivocado e a inconsistência da pipoqueira japonesa da Honda.

É um recomeço, e como todo recomeço, tudo soa mais difícil. Mas a McLaren já passou por fases nem tão piores de osbcuridade, sempre se saindo bem diante destes momentos. A tarefa de Fernando Alonso e Jenson Button – três títulos no cockpit – é de voltar a ter os nomes grafados entre os melhores das corridas sem que, para isso, os abandonos ajudem os bólidos de Woking a chegar mais a frente. No carro, nenhuma mudança radical, a não ser um novo bico, parecido com os de Williams e Ferrari. O preto e vermelho seguem sendo as cores oficiais, e bem vistas por conta da quase ausencia de patrocínios.

Expectativa é de que a Honda tenha se refeito dos erros de 2015, com um motor mais forte e resistente (Reprodução)

Expectativa é de que a Honda tenha se refeito dos erros de 2015, com um motor mais forte e resistente (Reprodução)

Se a McLaren acertou na configuração do carro, veremos apenas na pista de Barcelona, na primeira sessão de testes da pré-temporada. A expectativa também é que os engenhos da Honda passaram de pipoqueiras a verdadeiros motores, capazes de surpreender e trazer a turma de Ron Dennis e Éric Boullier de volta a posição que lhe é digna: A ponta.

Haas – A novata com planos de gente grande

Eis, enfim, o VF16, o primeiro carro da história visionária da Haas, que não quer pensar pequeno (Reprodução)

Eis, enfim, o VF16, o primeiro carro da história visionária da Haas, que não quer pensar pequeno na temporada de estreia (Reprodução)

Você acha que uma equipe que entra no certame tem que pensar pequeno no primeiro ano? Para Gene Haas não é bem assim, o time que lhe pertence entra na categoria pensando alto e rugindo forte, tudo isso para delimitar o espaço para si desde cedo. A Haas apresentou também na manhã deste domingo (21/02) o bólido que fará o debut do team na categoria. Trata-se do VF16, equipado com motor Ferrari e adornado elegantemente numa combinação de prata, preto e vermelho.

Com tradição nos grids da Nascar e em outras categorias pelos EUA e mundo afora, a Haas vem para a F1 sonhando grande, e durante todo o ano de 2015 deu mostras de que o planejamento para a temporada vindoura não era pequeno. Pelo contrário, o pensamento primeiro é de fazer bonito, pontuar no primeiro ano e mostrar que tem capacidade de andar no meio do pelotão. Tem como aliadas neste processo a batuta do chefe de equipe, Guenther Steiner e, mais importante, a Ferrari, que dá as mãos aos americanos e lhe fornecerá motores de primeira linha.

Haas na pista. Equipe traz de volta a F1 o sonho americano de ser grande entre os europeus (Reprodução)

Haas na pista em Barcelona. Equipe traz de volta a F1 o sonho americano de ser grande entre os europeus (Reprodução)

Nos cockpits, uma dupla de quase estreantes. Romain Grosjean largou o seio francês da agora Renault (antes Lotus) para buscar o brilho próprio, a chance de se reinventar e provar por A+B que tem talento sim para vencer e dar voos mais altos. Já o colega de casa, o mexicano Esteban Gutierrez, volta a F1 depois de um ano de hiato. Ele esteve na Sauber em 2014, no difícil ano do time suíço com um carro pífio, sem conseguir nem mesmo pontuar. Para Gutierrez, será um recomeço e a chance de mostrar algum potencial.

Sauber – Tudo azul como 2015, e a busca pela evolução

A Sauber fez 2015 no azul, e fica no azul em 2016 buscando o caminho da evolução (Reprodução)

A Sauber fez 2015 no azul, e fica no azul em 2016 buscando o caminho da evolução (Reprodução)

Ainda esperando o C35, que só sai dos fornos suíços em março, a Sauber já se antecipou e lançou – na modinha de Renault e Red Bull – a pintura do novo carro, que segue ipsis litteris o layout de 2015. A equipe de Peter Sauber teve um ano interessante na temporada passada, que só não foi melhor pela falta de evolução do carro antigo e pela inexperiência de Marcus Ericsson, pela primeira vez num carro de verdade, e de Felipe Nasr, que fazia a estréia na categoria, indo até muito bem.

Para Barcelona, uma versão atualizada do C34 vai a pista, talvez com algumas bossas do carro que virá, tornado o velho bólido uma espécie de laboratório para o irmão novo previsto para o dia 1º do próximo mês. O que sempre falta – e parece ainda estar faltando – a Sauber sempre foi o dinheiro, o que inibe qualquer sonho mais alto para a equipe. Em 2015, o problema monetário poderia ter tirado o time do grid, somado-se ainda o escandalo com Giedo Van Der Garde, contratado junto de Ericsson e Nasr. Neste inicio de temporada, no entanto, tudo parece em paz, o que permite Peter e Monisha Kaltenlborn, a chefe de equipe, trabalharem em paz.

Peter Sauber e Monisha Kaltenborn. A dupla que apenas quer trabalhar em paz em 2016 (Reprodução)

Peter Sauber e Monisha Kaltenborn. A dupla que apenas quer trabalhar em paz em 2016 (Reprodução)

Resta a Sauber apenas aguardar para saber se os rumos do time estão no caminho certo, pelo menos para se manter como a boa equipe média que sempre foi nestes mais de 20 anos.

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