Transporte Público: 12 sugestões de A BOINA para um futuro sistema (de fato) eficiente

Um "Piracicabana" cruza a Beira-Rio. Problemas nas primeiras semanas da operação emergencial tornam a espera pela nova e definitiva empresa uma grande ansiedade. Mas afinal, o que a nova empresa deve ter? A BOINA apontou 12 sugestões e traz para os amigos a visão de um sistema, de fato, eficiente Claus Jensen / O Blumenauense)

Um Piracicabana cruza a Beira-Rio. Problemas nas primeiras semanas da operação emergencial tornam a espera pela nova e definitiva empresa uma grande ansiedade. Mas afinal, o que a nova empresa deve ter? A BOINA apontou 12 sugestões e traz para os amigos a visão de um sistema, de fato, eficiente (Claus Jensen / O Blumenauense)

Dia a dia… Ônibus antigos e desgastados, superlotações, problemas de horários, dificuldades de trabalho dos motoristas e cobradores, ânimos exaltados, aproveitadores, mal-educados e até críticos em busca de algo mais. Tem acontecido de tudo e mais um pouco nestas primeiras semanas do sistema emergencial de transporte coletivo em Blumenau.

As dificuldades, embora compreensíveis, tem feito ferver a mente dos usurários do transporte público a cada parada dos Piracicabana nos pontos de ônibus pela cidade, o que faz a espera pela licitação e a vinda da nova empresa (ou continuidade da mesma em outra estrutura)  se tornar angustiosa para a população. As sugestões sobre o que a vencedora do futuro processo deve implantar no novo sistema já começaram a pipocar e, como de praxe, não devem ser ignoradas pelo poder público, já que é de quem sente o problema a maior mão na roda nestes momentos.

Pensando nestas tantas coisas que a lista da licitação deve ter, A BOINA revê as impressões feitas na primeira semana de transporte emergencial e deixa para os amigos as sugestões sobre como deveria ser e o que deveria ter no futuro novo modelo de transporte coletivo da cidade. Algumas replicam o que já esteve publicado no Jornal de Santa Catarina na última semana, com alguns detalhes e uma pitada de racionalidade.

Vamos lá:

1 – Frota 100% nova e maior

Nos últimos anos, a renovação da frota por parte do antigo Consórcio SIGA era quase à conta-gotas, foram poucos os veículos que foram integrados ao pelotão, especialmente no período de vigência do consórcio. A última grande leva de renovação foi em 2014, quando 83 coletivos da Viação Leblon, de Mauá (SP) foram adquiridos pela Gloria, sendo 11 deles articulados que vieram em boa hora por conta do envelhecimento dos minhocões usados até aquele momento, usados há mais de 15 anos.

Alguns dos 83 coletivos adquiridos pela Gloria da antiga Viação Leblon, de Mauá SP, em 2014. A ultima "grande revolução" em matéria de renovação de frota Jaime Batista)

Alguns dos 83 coletivos adquiridos pela Gloria da antiga Viação Leblon, de Mauá (SP), em 2014. A ultima grande revolução em matéria de renovação de frota. Em partes, pois se tratavam de veículos seinovos (Jaime Batista)

Já se fala antes mesmo da abertura da licitação de que a nova frota deve ser 100% nova, o que não é impossível da nova empresa conseguir e é mais do que merecido para Blumenau. No entanto, apenas veículos zero quilômetro e impecáveis não adiantam. É necessário ampliar a frota, o padrão de funcionamento normal do sistema pensando a frente, em novos horários e linhas, alternativas que aliviem as lotações e promovam mais conforto.

2 – Revisão, readequação, novos horários e linhas

Uma das queixas recorrentes do usuário, antes, durante e depois do SIGA, é a falta de ônibus, ou melhor, de horários em determinados momentos do dia, sobretudo nos finais de semana. Vale salientar que falar em horário de ônibus passa também pela contratação de novos profissionais para o trabalho, o que não é fácil mas pode muito bem ser feito para garantir uma tabela de horários renovada e inteligente.

Para o bom funcionamento do sistema é preciso replanejar horários, estar munido de alternativas para evitar longas esperas e lotações (Larissa Neumann / RBS)

Para o bom funcionamento do sistema é preciso replanejar horários, estar munido de alternativas para evitar longas esperas e lotações (Larissa Neumann / RBS)

Brechas de 15 e 20 minutos, nos dias atuais, chegam a ser quase intoleráveis, embora que motoristas e cobradores também tem direito a um breve descanso entre uma viagem e outra, o que é (ou deveria ser) compreensível. No entanto, readequar horários é necessário para se acabar com atrasos (ou ameniza-los) e hiatos longos entre uma viagem e outra, o que diminui também as lotações excessivas.

Apesar de tudo, não bastam apenas novos horários. Novos trajetos devem ser prioridade no quesito itinerários da nova empresa. Pensar novas rotas, atingir novas comunidades e adotar caminhos que mais apresentam necessidade não pode ser responsabilidade apenas do Seterb, mas das mentes pensantes que terão os coletivos a mão.

3 – Troncal 10, o eterno problema

Em se falando de linhas, não há como ignorar a mais preocupante de todo o esquema: O famoso Troncal 10 (Garcia-Aterro, Via Rua São Paulo). A linha é a que mais transporta pessoas dentre todas do sistema, a que mais transporta em apenas um único trecho e a mais longa, passando por pontos vitais da vida blumenauense, como a Avenida Beira-Rio, a Rua Martin Luther, a Rua São Paulo e a Rua 7 de Setembro. Com tamanha importância não há duvida de que destrinchar o Troncal 10 é o maior desafio, especialmente por ser a mais lotada do sistema.

Olhando por uma visão mais analítica do transporte, outras opções fazem – pelo menos em parte – o mesmo trajeto do 10, o que não significa que o usuário saiba destas alternativas. Uma opção de saída seria o estudo de alternativas que façam quase o mesmo trajeto e que possam servir efetivamente de opção ao Garcia-Aterro, o que já contribuiria para amenizar as cheias quase constantes deste itinerário a qualquer horário do dia.

Em todos os tempos, o Troncal 10 sempre foi uma encrenca a ser resolvida. Desde os clássicos - e pequenos - padron de três portas, aos articulados, como o abaixo, da última leva vinda da Viação Leblon Reprodução \ Claus Jensen / O Blumenauense

Em todos os tempos, o Troncal 10 sempre foi uma encrenca a ser resolvida. Desde os clássicos – e pequenos – padron de três portas, aos articulados, como o abaixo, da última leva vinda da Viação Leblon (Reprodução | Claus Jensen / O Blumenauense

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Outro problema é na volta para casa, onde a lotação, sobretudo na chegada ao Terminal Fonte, é enorme. No finado SIGA e no sistema atual, alguns carros fazem o trajeto coringa Garcia-Fonte-Garcia na intenção de aliviar a carga do Troncal 10 cada viagem por volta das 18h. O trecho é um dos mais complicados da linha, onde mais pessoas embarcam, seja rumo a Fonte ou a Beira-Rio.

Uma ideia seria manter este pequeno itinerário constantemente e, juntamente, ressuscitando de forma definitiva o antigo Expresso (Troncal 13), que seguia até a prefeitura e somente iniciando as paradas após o Terminal Fonte. São formas simples que podem ajudar – e muito – a tornar a clássica viagem do 10 um pouco mais confortável, sobretudo nas horas de pico, no início da manhã e no fim das aulas noturnas.

4 – O biarticulado

Quase um trem sobre rodas. O biarticulado pode ser uma solução para as lotações, sobretudo no Troncal 10. Modelo semelhante ao de Curitiba circulou em Blumenau, no curioso "Blu Balada Segura", uma espécie de "teste" indireto do veículo na cidade Reprodução)

Quase um trem sobre rodas. O biarticulado pode ser uma solução para as lotações, sobretudo no Troncal 10. Modelo semelhante ao de Curitiba circulou em Blumenau, no curioso “Blu Balada Segura”, uma espécie de “teste” indireto do veículo na cidade (Reprodução)

Parece insanidade para uma cidade como a nossa, mas não é nenhuma maluquice sem justificativa. Grandes cidades já possuem no sistema de transporte a opção do ônibus biarticulado – em miúdos, um minhocão com duas minhocas, para os leigos – um tipo de veículo apropriado para linhas de grande circulação de pessoas, como o caso do Troncal 10 acima citado.

Não se sabe ao certo se o Seterb ou alguma das empresas do antigo SIGA já testaram o veículo em algum momento. No entanto, de uma maneira indireta, Blumenau teve trilhando pelas suas ruas um coletivo deste modelo sem nem mesmo saber. Há algum tempo atras, um negócio de nome Blu Balada Segura circulava pela cidade. Tratava-se de uma balada montada num antigo biarticulado de Curitiba equipado com todos os quitutes de uma balada comum e que prometia uma festa completa durante um passeio pela cidade.

O tal biarticulado do Blu Balada Segura Jaime Batista)

O tal biarticulado do Blu Balada Segura (Jaime Batista)

Nunca mais soube-se do destino do ônibus, mas apesar de uma ideia um tanto ousada, refletir sobre o uso do biarticulado não seria das piores. Experimentar é preciso, mesmo que o projeto não decole. Se der certo, será uma boa adição a linhas superlotadas nos horários de pico.

5 – Ventilação e wi-fi

Pensar em novos veículos e linhas também é colocar na mesa uma das questões que mais tocam o passageiro a qualquer época: O conforto. Falam-se em itens supérfluos e geringonças que ainda não tem espaço no atual momento citadino, mas pensando com os pés no chão, promover conforto numa viagem, independente do trajeto a ser feito, não é luxuria mas uma forma de atrair, na palavra de Francisco Fressard (Pancho), os que não usam o sistema, mas gostariam de usa-lo.

Carros 3115 foto) e 3116, da Verde Vale, já foram equipados com ar-condicionado. Manutenção difícil, mau cheiro e custo minaram a ideia César Mattos / Vale SP Bus)

Carros 3115 e 3116 (foto), ambos da Verde Vale, já foram equipados com ar-condicionado. Manutenção difícil, mau cheiro e custo minaram a ideia (César Mattos / Vale SP Bus)

Ar-condicionado é quase uma unanimidade quando se toca neste assunto, mas antes de defender plenamente a ideia é preciso ponderar que o aparelho pode se tornar muito mais do que, simplesmente, um alívio de ar gelado. Não que deva ser totalmente descartado da lista de itens, mas pode significar mais um encargo na manutenção dos coletivos, dependendo da durabilidade do aparelho.

Além do mais, é difícil deduzir se a eficácia do uso seria completa, uma vez que você pode deixar mas o colega ao seu lado pode não deixar as janelas fechadas, o que comprometeria a eficiência do equipamento. Um sistema eficiente de ventilação, em linhas gerais, já garantiria um alívio preliminar, muito embora (volto a repetir) não deve-se descartar por completo o ar-condicionado, apenas pensar-se em uma maneira mais barata e eficaz de combater o calor alucinógeno do Vale.

Intermunicipais da Verde Vale são equipados com wi-fi. Uma boa ideia para o transporte urbano (Reprodução / Pancho)

Intermunicipais da Verde Vale são equipados com wi-fi. Uma boa ideia para o transporte urbano (Reprodução / Pancho)

Falando em conforto também, a conectividade deve fazer parte sumariamente dos novos coletivos. Não se deve descartar a ideia de wi-fi nos ônibus do novo sistema, boas cortesias são sempre lembradas e muito bem-vindas em tempos de créditos caros.

6 – Novos terminais e recondicionamento dos antigos

As alternativas de conforto e agilidade também passam pelo maior elemento de composição do sistema: Os terminais urbanos, ou como eram chamados em 1995, os terminais da integração. Atualmente, Blumenau conta com seis terminais urbanos – Garcia, Fonte, Aterro, Velha, Fortaleza e Proeb – sendo que há muito não passam por modificações profundas ou reparos profundos.

Terminal Proeb, o último terminal inaugurado no sistema, em 2003 (Reprodução)

Terminal Proeb, o último terminal inaugurado no sistema, em 2003 (Reprodução)

Pequenos consertos e melhorias foram feitos, alguns a base de greve no tempo do consórcio (caso dos vigias, da segunda bilheteria e da iluminação), mas não o suficiente. Repaginar os terminais é uma forma de também dar conforto e segurança aos usuários, de faze-los sentir-se acolhidos na breve passagem durante a troca de ônibus ou na espera dos amigos.

Além disso, há uma velha história desde o início dos planos do sistema da construção de dois outros terminais na cidade – Água Verde e Itoupavas. Novos terminais abrem margem para novas linhas e maior alcance dos ônibus a regiões mais isoladas e afastadas da cidade, bem como o desafogue de outros terminais, como o Aterro, que hoje comporta várias linhas dentro do seu leito.

7 – Mais (e melhores) pontos de pré-embarque 

Apesar da estrutura equivocada em forma de caixa de ovo no tempo do consórcio, os terminais de pré-embarque foram até boas ideias que devem ser reprisadas e repensadas no novo modelo do sistema. As estruturas foram implantadas em 2011 com o objetivo de poupar tempo no embarque de passageiros nas paradas mais críticas do serviço: A Avenida Beira-Rio e a Rua 7 de Setembro. Ao todo, são quatro estações (Catedral e Floriano Peixoto, na 7, e Dr. Blumenau e Carlos Gomes, na Beira-Rio).

Terminal de pré-embarque da Av. Beira-Rio Estação Carlos Gomes). Ideia é boa, mas precisa de aperfeiçoamentos e de não se concentrar apenas em um único ponto Informe Blumenau)

Terminal de pré-embarque da Av. Beira-Rio (Estação Carlos Gomes). Ideia é boa, mas precisa de aperfeiçoamentos e de não se concentrar apenas em uma única região, como o Centro (Reprodução / Informe Blumenau)

A ideia, de todo, não era ruim, uma vez que o crônico problema da demora dos ônibus nos pontos destas vias era um complicador adicional as dificuldades do transporte coletivo, isto sem contar a dificuldade de embarque já que os ônibus abriam as portas independente da posição que estavam, se na frente ou atrás de outros coletivos.

No entanto, a ideia merece uma repaginada, uma estação maior com maior número de recursos para os usuários, como recargas do cartão-bilhete no local e, sonhando meio alto, um serviço de bomboniere, com venda de guloseimas e refrescos, embora sonhadora, é uma ideia a se pensar. No entanto, o mais importante é o dinamismo do esquema, já que a entrada e a saída dos ônibus nem sempre contam com a colaboração dos passageiros (como veremos adiante). Refletir sobre uma forma de melhorar este procedimento de embarque-desembarque também é preciso.

Além disso, a ideia de pré-embarque não pode ser restrita ao Centro da cidade. Localidades em diferentes bairros da cidade também sofrem com este problema de demora no embarque. Um ponto é a Rua Amazonas, onde a lotação em pelo menos três dos pontos da via compromete o tempo de deslocamento do Garcia-Aterro, especialmente rumo ao Aterro. É um bom conceito mas que precisa de ajustes para dar mais certo.

8 – Relacionamento interpessoal para os motoristas

Inserir nos profissionais do transporte a cultura da boa educação não é um investimento furado. Pode se refletir a médio-longo prazo com a boa aceitação do novo sistema Jaime Batista)

Inserir nos profissionais do transporte a cultura da boa educação não é um investimento furado. Pode se refletir a médio-longo prazo com a boa aceitação do novo sistema (Jaime Batista)

Num serviço que lida diretamente com o publico, saber portar-se diante do usuário é mais do que essencial para, não apenas atrair passageiros, mas também fazer subir os pontos do sistema no quesito atendimento. Nunca foi o forte da classe de motoristas e cobradores (ao menos, de maioria, salvando boas exceções) ser educado e cortes com quem lhe procura, embora que muitos passageiros não ajudam por conta da falta de educação que não vem de casa.

Não que, necessariamente, seria prioridade para a futura permissionária promover entre os profissionais cursos de relacionamento interpessoal, os preparando melhor para os eventuais encontros com passageiros em dúvida no dia-a-dia.  Organizar esta ação deve ser vista como um plano com resultados a médio-longo prazo, onde o retorno seria satisfação dos passageiros ao não serem recepcionados a paus e pedras pelos profissionais, já fadigados do difícil dia no trânsito.

9 – Condições e salario bom e em dia

Mas não se pode cobrar dos motoristas e cobradores a educação sagrada, a maior queixa que vem quando recordados das empresas antigas era o descaso com a estrutura e o pagamento dos salários, vales-alimentação, férias e 13º, o que foi o maior causador das paralisações mensais de 2015. O Sindetranscol já tem estado bem de olho nas condições que a Piracicabana tem dado aos recém-contratados profissionais, não descartando paralisação se algo não estiver de acordo.

Não se pode brincar com os direitos dos trabalhadores do sistema. Uma lição que a nova empresa deve trazer no bojo desde o inicio. O sindicato está atento a tudo, e greves não são mais hipóteses Reprodução)

Não se pode brincar com os direitos dos trabalhadores do sistema. Uma lição que a nova empresa deve trazer no bojo desde o inicio. O sindicato está atento a tudo, e greves não são mais hipóteses (Reprodução)

A nova empresa, ao chegar, deve bem saber que descuidar-se dos direitos dos trabalhadores, bem como da condição de trabalho oferecida, pode significar muito mais do que encrenca com o sindicato, mas também um prejuízo imenso na própria imagem com uma greve. O público anda desconfiado, preocupado, e regressar aos traumas do SIGA seria permanecer num trauma criado e cultivado desde 2007.

10 – Revisão da Tarifa

E quanto tudo isso vai custar? Há usuários que falam a plenos pulmões todos os dias que não se importam em pagar R$ 3,65 se o novo sistema tiver qualidade e agilidade. No entanto, Blumenau tem uma das tarifas mais caras do estado e não seria nada mal uma revisão nos custos, procurando a melhor forma de corta-los sem prejudicar o andamento dos trabalhos e nem a qualidade no serviço.

Saber regular custos sem prejudicar a qualidade. Esta é a fórmula para uma tarifa justa e acessível (Jaime Batista)

Saber regular custos sem prejudicar a qualidade. Esta é a fórmula para uma tarifa justa e acessível (Jaime Batista)

O mal que levou a Glória – e, consequentemente, o SIGA – a queda foi justamente a falta de opções para uma melhor revisão dos custos. As argumentações de aumento de preços da tarifa foram embora ao mesmo tempo que foram revelados pelo Jornal de Santa Catarina que a tradicional empresa da família Sackl não procurava postos de combustíveis e fornecedores de peças mais em conta do que os que a viação estava vinculada.

Saber bem onde comprar e regular esta planilha é a certeza de que é possível rever o preço da passagem, a maior reclamação dos estudantes na atualidade. A questão do passe livre geral (excluindo-se o passe livre nos casos específicos do sistema) é, simplesmente, um sonho impossível na atual conjuntura do país, além de motivo para muitos vândalos descreditarem protestos pela redução da tarifa país afora.

11 – Consórcio nunca mais!

Certeza mesmo só uma para a nova concessão: Blumenau não pode voltar a cair no complicado molde de consórcio. A experiencia vivida no SIGA já é mais do que lição para o Seterb e para a Prefeitura de que este método, se não bem administrado, pode causar um colapso como foi o do velho modelo, cujo final foi forçadamente necessário depois de tantos problemas.

Interdição do SIGA, em novembro de 2015. Modelo de consórcio deixou traumas imensos em trabalhadores e funcionários (Jaime Batista)

Intervenção da Prefeitura no SIGA, em novembro de 2015. Modelo de consórcio deixou traumas imensos em trabalhadores e funcionários (Jaime Batista)

É claro que não é toda a experiência de consórcio que não funciona. Na verdade, antes mesmo do SIGA, havia um molde de distribuição do retorno das passagens que já era um tanto distorcido, mas justo comparando-se os tamanhos de Glória, Rodovel e Verde Vale. Com o consórcio, as distorções tornaram-se problemas maiores, combinadas a falta de gerência firme do sistema no novo molde e o resultado, logo no primeiro ano de vigência, foi a primeira greve do trasporte coletivo.

A gestão por uma única empresa é a melhor saída, já que administrar o transporte em Blumenau não é dificuldade para uma organização sólida, especialmente que sabe que, considerando o tamanho da cidade-jardim, movimentar linhas e ônibus não é tão complicado e desafiador quanto uma metrópole, como Florianópolis ou São Paulo.

Quanto a Rodovel e Verde Vale… A resposta fica com a consciência de cada um.

12 – Educação e colaboração do passageiro

Por último, o mais difícil item desta lista e o que mais faz diferença no dia-a-dia do transporte coletivo. E não há como discordar disto, os usuários do transporte coletivo (em sua grande maioria) não podem cobrar melhorias se deles não parte um quesito simples, mas que faz diferença mesmo nas horas complicadas do pico: A educação.

Respeito não parte apenas dos profissionais, mas de cada um que usa o sistema com consciência e sabendo respeitar e agir educadamente com o próximo. Algo muito distante de ser realizado no Brasil de hoje (Jaime Batista)

Respeito não parte apenas dos profissionais, mas de cada um que usa o sistema com consciência e sabendo respeitar e agir educadamente com o próximo. Algo muito distante de ser realizado no Brasil de hoje, mesmo em momentos tensos e complicados como os vividos hoje em Blumenau (Jaime Batista)

Não é raro encontrar no entrar e sair nos ônibus os atropelos de pessoas apressadas, não esperando a vez de entrar no ônibus, fora a permanência teimosa próxima a porta, a negativa em ceder lugares a pessoas preferenciais (salvo algumas exceções) e a educação e respeito com os profissionais, mesmo que estes não a devolvam para você. Parece irrelevante, mas é um item que deve ser levado em consideração por cada um, independente da educação que traz da própria casa.

Infelizmente, observando a realidade fora do turbilhão, mesmo que todos estes itens acima melhorem, a educação e respeito ainda serão processos demorados e quase impossíveis de serem criados em cada um dos que entram e saem dos coletivos dia e noite.

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