Fabrício Wolff em A BOINA: Ser politicamente correto é um saco!

Prefácio de inauguração

(André Bonomini)

Para quem não conhece (ou não ligou o nome a pessoa)... Eis Fabrício Wolff (Arquivo Pessoal)

Para quem não conhece (ou não ligou o nome a pessoa)… Eis Fabrício Wolff (Arquivo Pessoal)

Amigos queridos e simpáticas amigas de A BOINA! Peço que se levantem para fazer a recepção merecida a este cidadão. Um verdadeiro veterano de guerra do jornalismo blumenauense (e, por que não, catarinense) está se achegando em nosso “mimoso espaço” e, por isto, nada mais justa do que uma recepção calorosa. Professor, jornalista dos grandes – daqueles com nomes perolizados na história das crônicas em nossa cidade – produtor de eventos, advogado, exímio curtidor das boas coisas da vida e um filósofo do cotidiano. Apresento a todos a presença magnânima (exagerando nos adjetivos mesmo) do super Fabrício Wolff!

Certo, certo, brincadeiras a parte, rasgações de seda idem, A BOINA começou 2016 com uma série de novidades e seguirá agora com um grande projeto em mente: Tornar o espaço também uma sala de reunião dos trabalhos dos jornalistas de Blumenau e, quem sabe, de outros rincões do estado e do país. Será a chance dos colegas de texto, microfone e imagem soltarem as mentes, abrirem o repertório de palavras ao máximo, serem jornalistas puramente, enfim, relaxar…escrevendo. E nesta ciranda não podia começar da melhor forma do que com esta parceria com o grande professor Fabrício, que estreia no blog com o melhor… do próprio blog – por sinal, muito bom e provocador – o Penso, Logo Insisto.

Não vale aqui detalhar palmo a palmo como eu e Wolff se esbarramos pela vida. Afinal, eu ainda era um moleque indolente quando o jovem Fabrício – ainda sem a barba de filósofo que ostenta atualmente – ancorava as últimas do TVL Notícias. Nos encontramos nas veredas do IBES, em 2011, quando iniciara minha graduação. Desde então, a amizade e a parceria só prosperaram até chegar neste bom momento, quando dois trabalhos se encontram para levar aos amigos e amigas um pouco de reflexão, liberdade de pensar e uma leitura de qualidade, com opinião, crítica e uma dose de malícia.

Naqueles bons tempos da graduação. Esta é do quinto semestre, durante o ICOM de 2013. Fabrício é o quarto (Dir-esq), de verde. Este jornalista é o último, na mesma direção. Cercado de grandes colegas, lendas do jornalismo como Alexandre Gonçalves e Carlos Tonet, e de bons colegas como Tamara Caroline, Franciele Back, Bruna Ramos, Stephanie Gertler... Saudades destes dias (Arquivo / André Bonomini)

Naqueles bons tempos da graduação… Esta é do quinto semestre de Jornalismo, durante o ICOM de 2013. Fabrício é o quarto (Dir-esq), de verde. Este jornalista é o último, na mesma direção. Cercado de grandes colegas, lendas do jornalismo como Alexandre Gonçalves e Carlos Tonet, e de bons colegas como Tamara Caroline (Radio Clube), Franciele Back (Secom), Aires Ramos e a querida filha e jornalista Bruna Ramos, Stephanie Gertler, acompanhados na ocasião do publicitário Onor Filomeno (ao centro)… Saudades destes dias (Arquivo / André Bonomini)

Wolff é um daqueles bons jornalistas dos tempos dourados que guarda história incríveis, dos primeiros idos na profissão, passando pela RBS e as greves do fim dos anos 80 e tantos bons momentos. Hoje, mesmo em lugares distintos, acabamos por dividir o mesmo lugar de trabalho, mas sempre trocando “graças” e papos “cabeça” como nos tempos da relação professor-aluno. Agora, A BOINA abre as portas para o bom Fabrício e suas reflexões sobre o cotidiano louco que vivemos, e será toda semana (se a correria dos dias permitir, claro) que o teremos aqui, para o deleite dos bons apreciadores de leituras inteligentes.

Sem mais delongas, cá está a primeira contribuição de Fabrício Wolff em A BOINA! Uma visão sobre essa história de politicamente correto que tanto nos polui a mente dia a dia…

Seja bem-vindo, professor! A bola está contigo agora!


Ser politicamente correto é um saco

(Fabrício Wolff)

(Reprodução)

(Reprodução)

Você já notou como neste novo mundo politicamente correto todo mundo policia todo mundo e você mesmo se policia o tempo inteiro?

Pois é. Desde que inventaram o termo politicamente correto, ser dedo-duro, inquisidor, discriminador do pensamento alheio externizado passou a ser uma virtude.

Agora não pode mais nada. Dou um exemplo: Antes uma pessoa com problema físico era chamado aleijado. Aleijadinho, diga-se de passagem, era o apelido (e nada indique que fosse pejorativo) de um dos maiores artistas plásticos brasileiros. Mas aleijado foi considerado um nome feio, uma ofensa às pessoas com defeito físico. Arrumaram, então, o codinome deficiente físico. Aí, tempos depois, resolveram que deficiente é uma palavra pejorativa. Pura bobagem. Deficiência é uma deficiência e nada mais. Se uma pessoa tem algum problema que lhe impeça algumas atividades, ela é deficiente. E ponto.

Aí os deficientes intelectuais (desculpem-me se fui politicamente incorreto), em mais um arroubo de pseudo-intelectualidade, resolveram que este termo também não era bonitinho. Inventaram o portador de necessidades especiais. Fala sério! Isso não diz nada. Não me diz, por exemplo, no que posso colaborar com aquele que tem a deficiência em alguma coisa. Se estou na frente de alguém com deficiência auditiva e tento me comunicar falando, alguém me diz: Ele é surdo ou ele tem deficiência auditiva, conseguiria eu mudar a forma de me comunicar. Mas se alguém me diz ele é portador de necessidade especial, esse alguém me disse o quê? Nada.

(Reprodução)

(Reprodução)

Então, hoje em dia, não se pode mais dizer as coisas que são o que realmente são e muito menos brincar com assuntos gerais, que os pseudo-intelectuais dedos-duro da ditadura do pensamento e da fala já apontam o dedo em riste considerando as pessoas racistas, homofóbicas ou gays, machistas ou feministas, anti-semitas ou anti-hitleristas, crentes ou anti-cristãs, insensíveis e o escambau a quatro.

Sinceramente, esses dedos-duro são uns chatos. E hipócritas. Eles ou pensam igual e gostariam de dizer aquilo que os acusados por eles dizem, ou eles simplesmente não conseguem sentir liberdade nem no que pensam. Acham que tudo aquilo que é dito de forma natural e descomprometida, livre, leve e solta, é uma ofensa a alguém, é um achincalhe público, é um desrespeito a outrem. Nada disso. Eles, os politicamente corretos do pensamento e da fala, é que são uns hipócritas. Porque suas atitudes policialescas da (argh!) moral e dos bons costumes (que coisa antiga!) é que são politicamente incorretas.

Realmente deve ser muito triste ser politicamente correto. Um verdadeiro pé-no-saco. Pessoas chatas ao extremo – e Cazuza já dizia: Não há perdão para o chato.

Viva a liberdade da fala e do pensamento.

Danem-se!

Um comentário sobre “Fabrício Wolff em A BOINA: Ser politicamente correto é um saco!

  1. Politicamente correto é uma merda mesmo! Até pouco tempo atrás a gente podia chegar na obra e reclamar do “serviço de preto”, mandar a mulher calar a boca e ir pro lugar dela (fogão), nos divertir com aquele colega de classe desdentado e pobre, e por aí vai… estava tudo em seu lugar. Mas hoje tá nisso, aqueles que sempre levaram pau agora ficam aí mendigando nosso sacrosanto respeito… tão pensando que são o que, cambada?! Parece mesmo que o sonho acabou, né?

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