Oscar 2016: DiCaprio, Morricone, mexicanos e Spotlight. Os destaques da noite

Apesar de morna, uma cerimônia cheia de surpresas, polêmicas e momentos de justiça e emoção. Eis o que foi destaque no Oscar 2016 (Reprodução)

Apesar de morna, uma cerimônia cheia de surpresas, polêmicas e momentos de justiça e emoção. Eis o que foi destaque no Oscar 2016 (Reprodução)

(Laly Siegel)

Na estrelada noite do último domingo (28/02), o mundo acompanhou os melhores do cinema na 88ª premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ou popularmente conhecida desde a primeira cerimônia, em 1927,  como o Oscar. E neste ano teve de tudo e mais um pouco para prender os cinéfilos até tarde da noite na frente da TV. Polêmica, consagrações merecidas e favoritos tombando. Tipico de uma noite de reunião de astros e de bolões entre os amantes da sétima arte.

E logo no começo dos trabalhos, o apresentador Chris Rock falou sobre a polemica que rolou no ultimo mês sobre a premiação ser racista e não dar chances aos negros. Chris fez como de costume suas piadas de stand up e, por fim, concluiu que os negros querem mais oportunidades de papeis importantes no cinema. O assunto foi tocado a noite inteira em memes e piadas, o que pode gerar muitos comentários bons e ruins durante toda esta semana.

As premiações tiveram seus altos e baixos, muitos agraciados com a estatueta geraram felicidade para os internautas porém algumas apostas do público não foram alcançadas.

Vamos aos destaques da noite:

Chris Rock, humorista e apresentador deste ano. Logo no começo da apresentação, revendo a polêmica da falta de negros nas indicações de 2016 (Reprodução)

Chris Rock, humorista e apresentador deste ano. Logo no começo dos trabalhos, Rock reviu a polêmica da falta de atores e demais profissionais do cinema negros nas indicações de 2016 (Reprodução)


No melhor filme, nada do óbvio ululante

Spotlight – Segredos revelados foi a surpresa (ou não) da noite ao levar para casa a estatueta de melhor filme. O longa conta a história dos jornalistas do The Boston Globe que descobriram o enorme escândalo de abuso infantil envolvendo a Igreja Católica e como eles se infiltraram para provar o caso para o mundo.

O elenco principal de Spotlight - Segredos Revelados, o Melhor Filme de 2016 (Reprodução)

O elenco principal de Spotlight – Segredos Revelados, o Melhor Filme de 2016 (Reprodução)


Enfim, Leonardo! – Os destaques entre os atores

Acredite se ainda não acreditou. É Leonardo DiCaprio com uma estatueta do Oscar. Depois de cinco indicações, o ator enfim recebeu o prêmio pela atuação em O Regresso (Chris Pizzello/Invision/AP)

Acredite se você ainda não acreditou. É Leonardo DiCaprio com uma estatueta do Oscar. Depois de cinco indicações, o ator enfim recebeu o prêmio pela atuação em O Regresso (Chris Pizzello/Invision/AP)

Como já esperado, Leonardo DiCaprio levou o premio de melhor ator por O Regresso, que conta a história de um comerciante de peles deixado para trás por seu grupo para morrer e volta atrás de vingança. Para muitos, estava mais do que na hora já que o consagrado Jack Dawson (Titanic) tentava pela sexta vez levar a estatueta para casa.

Antes disso, foram quatro indicações como melhor ator (Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador /1994, O Aviador / 2005, Diamante e Sangue / 2007 e O Lobo de Wall Street / 2014) e uma como produtor (O Lobo de Wall Street / 2014). Como diz o bom sábio, perdemos a piada, mas foi deveras merecido depois de tantas batidas na trave.

Brie Larson levou a estatueta de melhor atriz por seu papel de uma jovem que foi sequestrada e vive seis anos em cativeiro com seu filho em O Quarto de Jack. Ela desbancou favoritas da noite e uma das gratas surpresas do Oscar deste ano.

Entre os coadjuvantes, a estatueta de melhor atriz  ficou com Alicia Vikander que interpreta a esposa fiel do primeiro homem a fazer cirurgia de mudança de sexo em A Garota Dinamarquesa.  Porém, uma das polemicas da noite foi o prêmio de melhor ator coadjuvante recebido por Mark Rylance, ator famoso por fazer teatro com sua atuação excelente em Ponte dos Espiões, surpresa para todos porque as apostas estavam em cima de Sylvester Stallone por Creed.

Stallone em Creed. Vetereano ator perdeu estatueta entre os indicados a Melhor Ator Coadjuvante (Reprodução / Warner / MGM)

Stallone em Creed. Veterano ator perdeu estatueta entre os indicados a Melhor Ator Coadjuvante (Reprodução / Warner / MGM)


Acumuladores de estatuetas

Apesar de Spotlight levar o premio de melhor filme o grande vencedor da noite,  com seis estatuetas, foi Mad Max – Estrada da Fúria entre eles: Mixagem de Som, Edição de Som, Melhor Edição, Maquiagem e Cabelo, Design de Produção e Figurino.

As destruições magnânimas em Mad Max. Produção engoliu a maior parte das premiações nas categorias técnicas do Oscar deste ano (Reprodução)

As destruições impressionantes em Mad Max – Estrada da Fúria. Produção engoliu a maior parte das premiações nas categorias técnicas do Oscar deste ano (Reprodução)

Mad Max fez a limpa nas categorias técnicas, exceto por duas delas: Melhores efeitos especiais que foi para Ex Machina – filme de ficção cientifica que fala sobre inteligência artificial – e Melhor Fotografia com o já veterano do prêmio, o mexicano Emmanuel Lubezki, por O Regresso. Ele é o primeiro na categoria a vencer três vezes seguidas. Ele já havia sido premiado por Gravidade, em 2014, e por Birdman, em 2015.

Emmanuel Lubezki, a terceira estatueta para a coleção que começou em 2014 (Photo by Jordan Strauss/Invision/AP)

Emmanuel Lubezki, a terceira estatueta para a coleção que começou em 2014. Desta vez, foi graças ao trabalho em O Regresso (Photo by Jordan Strauss/Invision/AP)


Estatueta de consolação

O prêmio de Melhor Roteiro Adaptado foi a única conquista do filme A Grande Aposta, que era favoritinho de muitos para ganhar o premio de melhor filme, o longa conta sobre a crise imobiliária que os EUA sofreu em 2008. O Melhor Roteiro Original ficou, advinhem, com o melhor filme da noite: Spotlight.


Animações: Brasil perde (outra vez) e Chile leva nos curtas

Divertidamente, da Pixar, desbancou o brasielro O Menino e o Mundo para faturar como Melhor Animação (Reprodução)

Divertidamente, da Pixar, desbancou o brasileiro O Menino e o Mundo para faturar como Melhor Animação (Reprodução)

Na Melhor Animação, a estatueta ficou com Divertidamente do estúdio Pixar, o que deixou os brasileiros um tanto chateados, mas felizes com a indicação da animação O Menino e o Mundo, que encantou o público com sua pureza e simplicidade nos traços.

Já o Chile teve mais sorte, levando para Santiago o prêmio de melhor curta de animação com História de um Urso.


Polemizando outra vez…

O prêmio de Melhor Diretor foi para Alejandro G. Inarritu por O Regresso, mas as torcidas estavam George Miller por Mad Max.

Nem sempre os queridinhos da torcida vencem.


Música – A sagração de Morricone

Mesmo com a forte concorrência de Lady Gaga. com a música Til it Happens to You do documentário Hunting Ground,  o vencedor do prêmio de Melhor Canção Original foi Sam Smith, por Writing’s on the Wall do filme 007 Contra Spectre.

Sorridente, enfim uma estatueta para Ênnio Morricone. O compositor italiano venceu pela trilha de Os Oito Odiados (Reprodução)

Sorridente e merecidamente reconhecido. Enfim uma estatueta para Ênnio Morricone. O compositor italiano venceu pela trilha sonora de Os Oito Odiados (Reprodução)

No entanto, talvez o momento mais emocionante de toda a noite (até mais do que o prêmio de Melhor Ator) foi o momento que o italiano Ênnio Morricone foi consagrado com o prêmio de Melhor Trilha Sonora com a trilha do filme Os Oito odiados, Aos 87 anos, Ênnio subiu ao palco com calma e alguma ajuda para agradecer um prêmio há muito tempo merecido e aguardado.

Considerado o mestre das trilhas sonoras de faroeste (especialmente, os bang-bang à italiana ou, como eram chamados, os spaghetti western), ele foi convidado especialmente por Quetin Tarantino para compor a trilha. A ele, Morricone dirigiu grande parte dos agradecimentos pelo sonhado prêmio.


Reminiscencias

Entre os indicados para Melhor Longa Estrangeiro ,vários concorrentes fortes com temas bem pesados disputaram a estatueta a faca, porém o prêmio foi para o leste europeu, com a produção húngara Filho de Saul.

No Melhor documentário de Curta-Metragem, o prêmio ficou com A Girl in the River: The Price of Forgiveness, que mostra a triste realidade do Paquistão, onde mais de mil mulheres são mortas por ano.

O prêmio de Melhor Curta Metragem foi para Stutterer e o de Melhor Documentário ficou com Amy, filme que conta a trajetória da já falecida cantora Amy Winehouse.

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