Fabrício Wolff em A BOINA: De Hollywood à realidade do planeta

(Fabrício Wolff)

Repercute nas redes sociais o discurso de Leonardo di Caprio no Oscar, quando recebeu o prêmio de melhor ator do ano passado pelo filme O Regresso. Em sua fala, ele exorta os homens a cuidarem melhor do planeta. Até aí tudo bem. Podemos mesmo ter problemas antes da próxima era glacial, como, por exemplo, a escassez de água potável.

E cuidar do lugar onde se vive é algo que deveria ser normal, usual, costumeiro – e não uma preocupação. Afinal, cuidamos de nossa casa, não é mesmo? Fazemos um esforço para mantê-la limpa e medianamente arrumada. Porém este discurso fácil de que o homem é o culpado pelo aquecimento global, do qual muitos se utilizam para defender o meio ambiente, é fraco diante da problemática e, principalmente, da ciência.

(Reprodução)

Estamos em uma era interglacial faz aproximadamente 10 mil anos. Logo, pelo histórico do planeta, é bastante natural que estejamos enfrentando intempéries da natureza (Reprodução)

Primeiro é preciso entender que o planeta nunca dependeu do homem. Ele tinha vida própria milhões de anos antes da chegada do homo sapiens. Nós, seres humanos evoluídos, é que acreditamos que o planeta está aqui por nossa causa. Nós, em nossa imensa capacidade de olhar para o próprio umbigo e vontade de dominar tudo o que nos cerca, é que cremos que o planeta existe para que nele vivamos. Nós, com nosso natural instinto de sobrevivência, é que queremos que o planeta continue afável, habitável, normal, enquanto historicamente não é assim que ele se comporta. Em nosso egoísmo demasiadamente humano, queremos que o planeta permaneça estável (para nosso benefício), ainda que isto seja contra sua própria natureza.

Segundo cientistas da geologia, eras glaciais e interglaciais se revezam desde que o planeta é planeta. Enquanto as primeiras transformam a terra em gelo em imensa maioria da superfície terrestre, período que costuma durar cerca de 80 mil anos, as eras interglaciais, onde a vida prolifera, duram míseros 10 a 15 mil anos. Estamos em uma era interglacial faz aproximadamente 10 mil anos. Logo, pelo histórico do planeta, é bastante natural que estejamos enfrentando intempéries da natureza.

Em direção a mais uma era glacial, teremos que passar naturalmente pelo aquecimento global, degelo, inundações e congelamento. Segundo os mesmos estudiosos, o homem pouco influencia neste processo. Com a emissão de gases produzidos pelos nossos automóveis, indústrias etc, adiantaremos cerca de 200 a 300 anos a chegada da próxima era glacial.

A "nova era glacial" em O Dia Depois de Amanhã (Reprodução)

A “nova era glacial” em O Dia Depois de Amanhã (2004) (Reprodução)

Os estudos de cientistas da geologia nos mostram claramente que o aquecimento global e todos os efeitos que isto traz ao planeta acontecem desde que a Terra existe. A diferença é que em eras anteriores, apenas uma vez o homo sapiens – que apareceu cerca de 150 mil anos atrás – estava presente e, ainda assim, sem avanço intelectual suficiente e muito menos científico para pensar nisso.

Outro filme hollywoodiano (O Dia Depois de Amanhã) praticamente conta esta história, porém com a pressa de reduzir em duas horas, o que no filme seriam semanas, um acontecimento que na natureza demora centenas de anos para se desenrolar. Já sentimos, sim, o início da mudança de era. O aumento da média da temperatura (aquecimento) e todos os seus efeitos, as inundações cada vez mais frequentes, o degelo das geleiras dos pólos, furacões e o aumento dos casos de todas as intempéries que conhecemos, são indicativos de que algo está ocorrendo.

O que é preciso refletir é que se sem a presença do ser humano isto já acontecia desde sempre no planeta, seremos mesmo nós os culpados desta história? Ou seremos culpados exatamente por querer dominar o planeta e influenciar em sua natural história?

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