Gaspar, 82: A vizinha de “niver”

Simpática e acolhedora, Gaspar é passagem quase obrigatória para quem vem do litoral a Blumenau. É a querida cidade, cujo aniversário comemora-se hoje, que A BOINA abraça de forma especial Reprodução)

Simpática e acolhedora, Gaspar é passagem quase obrigatória para quem vem do litoral a Blumenau. É a querida cidade, cujo aniversário comemora-se hoje, que A BOINA abraça de forma especial (Reprodução)

Foi em 1934, depois de tanto bater pé atrás da independência política, que o coronel Aristiliano Ramos decretou a emancipação política de uma das vizinhas mais simpáticas de Blumenau. Hoje, 18 de março, a pequena notável Gaspar está soprando velas pela 82ª vez na história, e para marcar a data uma série de atrações, como desfiles, eventos e inaugurações estão previstos (e que devem acontecer pois o dia de hoje está com céu limpo e firme).

Mas muito longe dos desfiles, Gaspar tem algo a celebrar. É uma cidade que, além da simpatia, esconde uma população ordeira e feliz, que trabalha, se diverte e busca um país melhor como qualquer um dos mais de cinco mil municípios brasileiros nestes dias turbulentos de março. No entanto, por hoje, uma breve pausa (se é que você entende o sentido desta pausa) para celebrar a cidade, cuja história merece ser reverenciada.

A freguesia de São Pedro Apóstolo de Gaspar, no século XIX. De terras de índios cruelmente retirados delas) para uma próspera colônia de alemães e italianos Reprodução / EEB Fernando Dagnoni)

A freguesia de São Pedro Apóstolo de Gaspar, ainda nos domínios de Blumenau, no século XIX. De terras de índios cruelmente retirados delas) para uma próspera colônia de alemães e italianos (Reprodução / EEB Fernando Dagnoni)

Assim como Blumenau e outros cantinhos do Vale, Gaspar era uma terra de índios xoclengues e caingangues, infelizmente vitimas dos cruéis extermínios gratuitos dos bugreiros entre os séculos XVII e XIX. Advindo deste passado negro naquelas terras, os colonos aos poucos começavam a chegar e povoar as terras. Italianos eram a maioria no começo, mesmo que a dificuldade nas terras eram evidentes.

Anos mais tarde, acolheu os alemães e outros povos germânicos que por aquelas terras buscavam guarida dos problemas que enfrentavam na Europa. Estabelecida como freguesia de São Pedro Apóstolo de Gaspar, a região já esteve na mão de São Francisco do Sul e Itajaí, até em 1880, juntamente com a então freguesia de São Paulo Apóstolo de Blumenau, formar um município. A emancipação de Blumenau e Gaspar (como municípios no mesmo solo) ainda esperou mais três anos para se oficializar, por conta da devastadora enchente daquele ano, a maior em volume na história, com 17,10m.

O ex-senador gaúcho Gaspar da Silveira Martins Reprodução / Wikipedia)

O ex-senador gaúcho Gaspar da Silveira Martins Reprodução / Wikipedia)

Por 54 anos, o agora distrito de Gaspar (que tinha este nome em homenagem ao ex-senador e federalista gaúcho Gaspar da Silveira Martins) foi parte do território blumenauense como um distrito, assim como várias cidades do entorno do Vale. Porém, as dificuldades de se manter um território tão extenso eram evidentes. Os serviços prestados a comunidade gasparense eram precários e rareavam, bem como a relação entre os moradores e a administração do distrito-matriz. A saída para tanto era apenas uma: A emancipação, reivindicada insistentemente pela comunidade do então distrito.

A luta pela separação de Blumenau foi longa, mas teve um bom fim. Em 1930, iniciou-se o processo de desmembramento do território blumenauense, o que no final geraria 31 novos municípios. Gaspar surgiu na segunda chamada deste processo, em 18 de março de 1934, em decreto assinado pelo então interventor (governador) do estado, Cel. Aristiliano Ramos, tendo como primeiro prefeito o senhor Leopoldo Schramm. No mesmo decreto, também nasciam outras nove cidades, como Ibirama, Indaial, Ascurra e Apiúna.

Gaspar seguiria seu rumo independente agora, rumo que segue até hoje ao lado da vizinha e outrora distrito-matriz. Apesar de parecer menor, Gaspar tem um território muito maior do que o de Blumenau, e nele ainda reside um potencial a ser explorado. Mas isso não é um freio para o desenvolvimento da cidade, nada disso. O município mantém ainda a mesma marca de progresso e trabalho que o norteou desde os distantes tempos de colônia.

A majestosa Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo. Uma das mais belas do estado e ponto de referencia de Gaspar e de quem pela cidade passa Reprodução)

A majestosa Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo. Uma das mais belas do estado e ponto de referencia de Gaspar e de quem pela cidade passa (Reprodução)

Fora as brincadeiras e provocações saudáveis, Gaspar é uma cidade especial, tão bela como tantas outras do Vale e localizada no centro de tantas outras deste pedaço de Europa do estado. Não é a toa que é chamada de coração do Vale, e hoje, nossos parabéns vão a ela, a melhor vizinha que alguém pode ter (desculpe-me os outros municípios vizinhos, mas sabem como é paparicar).

De A BOINA e dos amigos, nossos parabéns a sempre simpática cidade de Gaspar (bem como os leitores gasparenses deste blog)!

E esperamos bolo!

Um comentário sobre “Gaspar, 82: A vizinha de “niver”

  1. André, bela postagem sobre nossa vizinha e irmã de sangue Gaspar.
    Parabéns a todos gasparenses pela passagem de mais um ano de sua emancipação de Blumenau. Uma cidade que outrora era apenas uma passagem, atualmente uma município em pelo desenvolvimento socioeconômico de nossa região. Com todo respeito “Aos quebra tigelas” meu carinho, minha mãe é nascida em Gaspar. Sei muito bem a história o porquê deste apelido. Mas essa são outras histórias que contamos por aqui em Blumenau.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

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