Gramming & Marbles: Em Melbourne, Rosberg vence em dia de Grosjean e panca de Alonso

Rosberg festeja a quarta seguida na F1. Estratégia bem pensada levou o alemão da Mercedes ao alto do pódio mesmo depois da péssima largada na Austrália (Getty Images)

Rosberg festeja a quarta seguida na F1. Estratégia bem pensada levou o alemão da Mercedes ao alto do pódio mesmo depois da péssima largada na Austrália (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Emoção inesperada e classificação sonolenta

Então, depois de uma angustiante espera (só que não), a F1 regressou aos nossos típicos domingos brasileiros com a temporada 2016. Nem o mais otimista poderia esperar uma corrida tão boa como a que se viu nas curvas do belo Albert Park, embora o final acabou sendo o óbvio ululante. Bom, ao menos metade disto, pois assim como no fim de 2015, Nico Rosberg deu as cartas e volta para casa com o troféu de vencedor e os 25 pontos da vitória, largando na frente na busca do tão desejado título.

A primeira corrida, é claro, não serve como parâmetro para desenhar como será a temporada. E quando falamos em corrida, cita-se até os treinos. Afinal, em Melbourne, a FIA e a categoria viveram a maior saia justa dos últimos anos com o pífio sistema de classificação (que só Lito Cavalcanti gostou). Montado num esquema batizado de dança das cadeiras, o modelo literalmente colocou a emoção de lado, bem ao contrário do que se esperava. Prova disso foi a última parte, quando não havia nenhuma empolgação pela briga da pole. Lewis Hamilton já estava na terceira lata de Foster’s, dando autógrafos como pole enquanto o treino ainda comia solto.

A tradicional foto da turma da primeira corrida. Com destaque a dupla da Haas, ao amarelão da Renault e a dupla-champagne da McLaren (Getty Images)

A tradicional foto da turma da primeira corrida. Com destaque a dupla da Haas, ao amarelão da Renault e a dupla-champagne da McLaren (Getty Images)

A FIA voltou atrás, parece ter ouvido os ecoares das críticas e xingamentos gratuitos de pilotos e fãs. Para o GP do Bahrein, volta o modelo anterior de três tomadas distintas sem a eliminação a cada 90 segundos. Se esse modelo funcionaria em algum momento nunca saberemos. Pergunta só uma… Será que ele funcionaria em Spa, na Bélgica, onde uma volta dá quase dois minutos?

Antes de falar da prova, fica uma sugestão do G&M para um modelo de classificação: Meia hora apenas de treino, seis jogos de pneus distintos com composto especial de classificação (como era no fim dos anos 80), pressão do turbo liberada e só. Menos é mais, a ideia é não complicar e emocionar.

Mas, enquanto a FIA não ouve blogueiros de meia-pataca, ficamos com o formato antigo. Melhor isso do que aquilo…


Na primeira contenda, vitória prateada

Vettel e Raikkonen pulam a frente das Mercedes na largada. Falta de tração seria compensada depois com uma estratégia certeira (Getty Images)

Vettel e Raikkonen pulam a frente das Mercedes na largada. Falta de tração seria compensada depois com uma estratégia certeira (Getty Images)

Quem esperava que a Mercedes faria um road trip por Albert Park, como em 2015,
enganou-se. Logo na largada, o telespectador surpreendeu-se com a força das Ferraris de Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen, em uma surpreendente largada. É claro que Hamilton e Rosberg bobearam, tracionaram mal e tomaram passagem de muita gente, com o inglês completando a primeira volta apenas em sexto, atrás do endiabrado Max Verstappen, a qual falaremos mais adiante.

Vettel provou que a Ferrari anda bem em ritmo de corrida. No entanto, pecados na estratégia e no trem de corrida minaram a chance do alemão de vencer em Melbourne (Getty Images)

Vettel provou que a Ferrari anda bem em ritmo de corrida. No entanto, pecados na estratégia e no trem de corrida minaram a chance do alemão de vencer em Melbourne (Getty Images)

O pecado de Raikkonen: Motor estourado numa boa corrida que fazia (Getty Images)

O pecado de Raikkonen: Motor estourado numa boa corrida que fazia (Getty Images)

Parecia que a esquadra de Maranello tinha tudo sob controle. No entanto, o revés da corrida com o acidente de Fernando Alonso escancarou a fragilidade estratégica da turma de Maurizio Arrivabene, que prova que nenhuma das boas lições de Ross Brawn ficaram com os italianos. Raikkonen ainda teve a penúria do motor estourado, o que lhe tirou uma boa chance de começar bem o ano, já Vettel foi pego no contrapé em uma estratégia melhor de Rosberg e no erro de parada da equipe, completando com a cereja no bolo um erro de si próprio nas últimas voltas ao tentar confrontar-se com Hamilton. No final, um pódio com sabor amargo para o alemão.

Para Hamilton, uma atuação um tanto discreta e truncada. Segundo lugar deve-se muito mais a estratégia do time (Getty Images)

Para Hamilton, uma atuação um tanto discreta e truncada. Segundo lugar deve-se muito mais a estratégia do time do que a ele próprio (Getty Images)

Mas se você pensa que o inglês merece muitos aplausos, está enganado. Hamilton sofreu com as Toro Rosso a sua frente no começo da prova e só chegou em segundo beneficiado beneficiado por uma boa estratégia e fazendo apenas duas ultrapassagens (Felipe Massa e Daniel Riccardo), tudo isso apoiado pela durabilidade dos pneus médios, que calçou ainda antes da bandeira vermelha. O inglês pode não se assustar agora, mas é bom que se preocupe com Nico, que teve uma performance muito superior, aproveitando as estratégias e dosando bem a
prova.

Assim, fica a pergunta…Será que o barbie alemão vai faturar em 2016? Dizem que quem
vence em Melbourne fazendo dobradinha é o campeão. A estatística funciona desde 1996, vale conferir…

Tchauzinho de Nico. Será que a escrita que vem desde 1996 será gentil com o alemão? (Getty Images)

Tchauzinho de Nico. Será que a escrita que vem desde 1996 será gentil com o alemão? (Getty Images)


Toro Rosso: A grata surpresa 

A pré-temporada mostrada que a equipe-satélite da Red Bull tinha potencial, embora estando sem a pintura de guerra, parecia discreta na pista de Barcelona. Mas quem assistiu a prova australiana não pode negar: O team está muito bem, obrigado, conseguindo andar bem na frente das cobras e incomodando muito. Uma parte graças ao bom carro, combinado ao motor Ferrari, ótima escolha em substituição ao anêmico Renault V6. A outra, claro, é de crédito dos pilotos, que começaram o ano mostrando o mesmo que em 2015: Potencial.

Sainz Jr. fez bonito. Medido e contido, correu bem e brigou bem. Pena apenas ter chego em 10º (Getty Images)

Sainz Jr. fez bonito. Medido e contido, correu bem e brigou bem. Pena apenas ter chego em 10º (Getty Images)

No entanto, desta vez, as palmas vão (merecidamente) para Carlos Sainz Jr.. O filho do ex-piloto do WRC Carlos Sainz parece ter incorporado a missão que tem para este ano: Provar que tem tanto ou mais potencial do que o companheiro Max Verstappen. Ao contrário do teammate, Sainz Jr. foi medido mas sem perder a ofensividade, fazendo belas ultrapassagens.

Já o caçula de Jos até começou bem a prova, segurando o touro prateado de Hamilton a unha e mostrando que tem culhões para andar a frente mais uma vez. No entanto, depois de ter a corrida (que valia quase um pódio) prejudicada nas paradas, Verstapinho perdeu um pouco o controle, excedendo-se e até envolvendo-se num toque infantil com o próprio companheiro de equipe, rodando.

Verstappen até segurou a unha a poderosa Mercedes de Hamilton, mas erro de equipe e dele próprio minaram qualquer chance numa corrida que valia pódio (Getty Images)

Verstappen até segurou a unha a poderosa Mercedes de Hamilton, mas erro de equipe e dele próprio minaram qualquer chance numa corrida que valia pódio (Getty Images)

O 10º lugar ainda foi muito para ele, mas vale falar que o ano vai ser ruidosamente brigado na Toro Rosso, quem for mais rápido pode estar de malas feitas para o time principal, e Max já disse que quer resolver a vida este ano. Vale observar.


Acidente: Alonso ganha nova certidão de nascimento

O susto da prova, sem dúvida, foi para a panca das boas que Fernando Alonso sofreu no segundo esse da pista, quando calculou mal a manobra de ultrapassagem sobre a Haas de Esteban Gutierrez. No toque, a McLaren do espanhol alçou voo, deu três capotadas impulsionada pela caixa de brita até parar desmantelada no muro. Após o choque, apenas a sensação de alivio e a corriqueira procura por explicações.

O que restou do carro de Alonso depois da panca. Segurança da F1 foi novamente posta a prova e o asturiano saiu ileso e um tanto assustado (Getty Images)

O que restou do carro de Alonso depois da panca. Segurança da F1 foi novamente posta a prova e o asturiano saiu ileso e um tanto assustado (Getty Images)

Elegantemente e ao contrário de imprensa e fãs, Alonso tomou para si a culpa,
admitindo ter calculado errado a manobra de passagem. Há quem também viu o
painel de instrumentos de Gutierrez ter apagado antes do contato. Seja como for, o
asturiano escapou bem e ainda saiu feliz com o desempenho interessante do carro
de Woking, bem melhor do que a pipoqueira de 2015.


MENINO DE MUZAMBINHO: Romain Grosjean

Ele merece! Ele e o time. Trabalho contido e dentro das possibilidades de Grosjean levaram a Haas aos primeiros pontos já na primeira prova (Getty Images)

Ele merece! Ele e o time. Trabalho contido e dentro das possibilidades de Grosjean levaram a Haas aos primeiros pontos já na primeira prova (Getty Images)

Quem ler isto aqui pode nos chamar de loucos, mas sem dúvida o francês mereceu
pela íntegra performance na pista, o que propiciou a estreante Haas os primeiros pontos da história. Não foi uma atuação digna de um campeão do mundo (até porque Romain ainda tem muito arroz com feijão para comer para chegar lá), mas serviu para trazer uma sensação de rumo certo para os comandados de Gene Haas e Guenther Steiner no desenvolver do carro.

Talvez, se o formato de classificação fosse melhor, Grosjean e até Gutierrez teriam largado em melhor posição no grid, mas o francês provou que tem estrela para
conduzir um projeto novo e tão bem organizado na raiz. Se a Haas tem potencial para grandes coisas no futuro, ainda não sabemos. Mas que começou bem, isso ninguém pode negar.

No trenzinho de Romain aparecia de tudo... de Williams a Force India e Toro Rosso. Todas seguras por ele (Getty Images)

No trenzinho de Romain aparecia de tudo… de Williams a Force India e Toro Rosso. Todas seguras por ele (Getty Images)


Rapidinhas:

– Quanto a transmissão: Na Globo, fez-se furor pela volta do Sinal Verde, programa
apresentado pelo próprio Reginaldo Leme antes das provas nos anos 80 e 90. É uma boa ideia, agrada o retorno, mas a primeira edição foi muito curta. Durante a corrida, Regi não foi nada bem, apático e um tanto displicente com algumas informações, superou Galvão Bueno e Luciano Burti nas falhas. Seria sinal de preguiça?

– Já na reprise da Sportv, um show de erros gritantes e forçação de barra, a começar pelo treino classificatório, onde Sergio Maurício e Lito Cavalcanti ufanizavam o novo (pífio e velho) formato e buscavam emoção. Na retransmissão da corrida, outra vez a chateação e o erro gritante de Lito e Sérgio, ao chamarem erroneamente o chefe
da equipe Haas de Carl Haas. O nome é Gene Haas e, apesar do nome igual ao do ex-chefe da Haas de 1986 e da Newmann-Haas da F-Indy, não são parentes. Fora os erros de história de Max Wilson, a imitação de Forest Gump da trupe.

Riccardo fez boa prova e chegou em quarto, provando o potencial do chassi da Red Bull. Resta vez o quanto o motor Renault repaginado como TAG-Heuer vai resistir neste ano (Getty Images)

Riccardo fez boa prova e chegou em quarto, provando o potencial do chassi da Red Bull. Resta vez o quanto o motor Renault repaginado como TAG-Heuer vai resistir neste ano (Getty Images)

– A Red Bull, mesmo com o motor Renault tapeado pela TAG-Heuer e ainda com desempenho duvidoso, teve bom desempenho nas mãos de Riccardo, que levou o touro paraguaio ao quarto lugar. Daniil Kvyat não teve um fim de semana fácil e nem largou. Resta saber se este motor recauchutado é melhor que o Renault autêntico e se realmente a TAG mexeu nele. Cenas para os próximos capítulos…

Williams discreta e sem evolução. Tão discreta quanto o layout da Martini. Massa ainda foi bem, mas a turma de Grove não avançou e ainda não aprendeu a ser time de ponta como era com o seu FW Ctrl+C – Ctrl+V. Valtteri Bottas mal apareceu na prova depois de largar mal.

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Massa foi discreto a prova inteira, e mesmo assim levou um bom quinto, mesma posição de largada. A Williams não mostrou evolução alguma, correndo o risco de perder até o posto de terceira força (Getty Images)

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Joylon Palmer por pouco não pontuou, sendo osso para muita gente que tentava passar por ele. Apesar do potencial da dupla, carro da Renault precisa de muito trabalho e desenvolvimento diante de tantos problemas, especialmente de motor (Getty Images)

– Apesar das boas performances de Joylon Palmer e Kevin Magnussen, a Renault Jordan tem tudo para viver de arrasto neste ano, com um carro de motor fraco e muito instável. Se arrancar alguns pontinhos será um milagre, e se imprimir a icônica marca da Benson & Hedges no carro, ai só falta chamar o velho Eddie Jordan pro time…

– Foi interessante o desempenho de Pascal Wehrlein na Manor, apesar de ter chegado em último (como de costume). Já para Ryo Haryanto… de algum lugar da Venezuela, Maldonado faz um joinha!

Werhlein foi bem com a Manor, mesmo chegando em último. Enquanto isso, Haryanto penava e parava antes do fim (Getty Images)

Wehrlein foi bem com a Manor, mesmo chegando em último. Enquanto isso, Haryanto penava e parava antes do fim (Getty Images)

O próximo encontro da F1 será daqui a duas semanas, nas mil e uma noites de Sakhir, no Bahrein, no dia 3 de abril.

Que a emoção continue!

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