Fabrício Wolff em A BOINA: O julgamento e o coração

(Fabrício Wolff)

(Reprodução)

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Às vezes tenho a impressão de que o mundo é formado por juízes. Todos se sentem no direito de julgar os outros. Parece natural, algo intrínseco ao ser humano. Mas não é, ou não deveria ser. Ninguém deveria se achar no direito de julgar os outros. Isso naturalmente demanda imaginar-se em uma posição superior, ver-se melhor do que os outros. E, sinceramente, isso não existe. Todos são melhores em algumas coisas e piores em outras. Ninguém é realmente superior a ninguém.

O problema é que as pessoas o fazem. Nos momentos mais normais, quando estão conversando sobre determinada situação que envolve outras pessoas, lá vem o julgamento. Isso é certo, isso é errado. Não seria mais correto pensar isso não serve para mim, eu não agiria assim… mas a vida da outra pessoa não é a minha vida. Ela deve ter suas razões, que eu desconheço? Agir assim, pensar assim, no entanto, requer um grande esforço, auto-domínio e reconhecimento de que não se é melhor do que ninguém, não se é o ‘julgador’ dos outros, nem do mundo.

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O julgamento (pré-julgamento, na maioria das vezes, porque não se conhece com profundidade aquilo que se está julgando, não se conhece de verdade as razões íntimas das pessoas de agirem assim ou assado), no entanto, revela outros dois problemas: a maldade e a hipocrisia. Quando se julga alguém, ou se faz com uma dose de maldade também inerente ao ser humano (porém ao ser humano menos elevado espiritualmente, com menor auto-conhecimento) ou se faz com uma inegável dose de hipocrisia. Ditados populares e até mesmo dizeres bíblicos rechaçam esta situação, como o atire a primeira pedra aquele que nunca pecou/errou. É muito fácil criticar os outros, pré-julgar, quando não se olha para o próprio rabo. A hipocrisia permite isso.

Assim, damos continuidade a um mundo de julgadores maldosos e/ou hipócritas. Um mundo naturalmente pior do que aquele que poderíamos ter se tivéssemos a consciência de que estamos – todos nós – muito longe da perfeição. Isso não nos faz piores (não sei até mesmo para que tentar chegar a ela). Mas com toda certeza não nos faz tão melhores do que alguém a ponto de julgar suas ações – porque, antes disso, estamos julgando suas razões ou seus sentimentos. E isso – por mais que a grande maioria, quase todos tentem – não temos a mínima condição de fazer.

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