Gramming & Marbles: Rosberg arranha ego de Hamilton e fatura no deserto do Barhein

Ele é o cara que manda em 2016. Nico Rosberg fatura a segunda seguida do ano, a quinta seguida desde 2015 e arranha o ego de Lewis Hamilton, que desta vez só chegou em terceiro (Getty Images)

Ele é o cara que manda em 2016. Nico Rosberg fatura a segunda seguida do ano, a quinta seguida desde 2015 e arranha o ego de Lewis Hamilton, que desta vez só chegou em terceiro (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Corrida empolgante, treino broxante

Que prova! Fazia algum tempo que a F1 não empolgava tanto num fim de semana. E bota tempo nisso! A última vez que pulamos tanto do sofá foi no GP dos EUA no ano passado, e olha que não tinha sido aquilo tudo. No Barhein, deu pra sorrir com cada manobra e alternativa dos pilotos na pista, o que tornou a prova agradável e emocionante, cheia de ultrapassagens e incertezas do início ao fim. Quem almoçou diante da TV não pode reclamar de indigestão por falta de emoções.

No entanto, totalmente em contra-mão da prova, o treino classificatório provou, novamente, ser patético e entediante. Alguma alma boa tenta explicar qual era a da FIA e da própria F1 em colocar nas pistas novamente um modelo de treino que não traz beneficio algum ao atual momento complicado da categoria. Peca em alternativas, mina as chances de times menores e não traz empolgação aos pilotos na briga por posições.

Onde Bernie Ecclestone e Jean Todt estão com a cabeça? Acreditar que a F1 ainda é o máximo do esporte a motor parece ser fantasia diante de tantas teimosias em modelos superados e mal concebidos. A categoria precisa ainda rever muita coisa além do modelo pífio de classificação. E não espere protagonistas vindo do grid ou algo assim, não há pilotos que queiram efetivamente brigar por coisa melhor. A não ser que os fãs e a audiência das TVs comecem a fazer piscar a tal luz vermelha que esperamos que acenda há tempo diante dos olhos de quem ainda imagina ver emoção de verdade na pista.

Mas vamos a corrida, que ela que mais importa por hoje!

Rosberg mina o ego de Hamilton

Na largada, Rosberg chispa enquanto Hamilton se enrola com o furão Bottas. Alemão não tomou conhecimento e sumiu na frente (Getty Images)

Na largada, Rosberg chispa enquanto Hamilton se enrola com o furão Bottas. Alemão não tomou conhecimento e sumiu na frente (Getty Images)

Se é uma coisa que não se nega é que Nico Rosberg está com outra mentalidade, pelo menos neste início de temporada. Chegando a quinta vitória seguida (contando as três do final de 2015), o alemão prova que está afim mesmo de ser campeão e, para isso, tem contado com os lapsos de Lewis Hamilton, que parece mais concentrado em holofotes e festas, pelo menos por hora.

O inglês foi, novamente, patético na largada, completando ainda a péssima partida com a carambola em que se meteu com Valtteri Bottas na primeira curva. Recuperou-se, é verdade, mas a estratégia equivocada da Mercedes em o manter com pneus médios em um momento da prova minou qualquer chance de Lewis buscar coisa melhor, mesmo voando em pista. No fim, quem soube bem usar a estratégia foi mais feliz, e Rosberg volta pra casa com a liderança do campeonato mais do que consolidada e uma boa lembrancinha vinda das arábias.

No pódio, o frio Raikkonen, o serviçal da Mercedes sorridente; Rosberg manda-chuva e o arranhado Hamilton, talvez pensando na festa pós-GP (Getty Images)

No pódio, o frio Raikkonen, o serviçal da Mercedes sorridente; Rosberg manda-chuva e o arranhado Hamilton, talvez pensando na festa pós-GP (Getty Images)

Antes que seja tarde, Hamilton precisa reaver-se da postura que tem tomado. Tirar os cifrôes e holofotes da cara é um começo antes que sua postura de bom piloto seja ofuscada pelo egocentrismo e vaidade. Rosberg está mais do que bem na pista e parece não estar afim de dar chances ao companheiro de time neste ano.

Azar de Vettel e a boa de Kimi

Raikkonen foi o "cara" da Ferrari na corrida, com um bom segundo posto. Já Vettel viu o engenho ir pelos ares ainda na volta de apresentação (Beto Issa)

Raikkonen foi o “cara” da Ferrari na corrida, com um bom segundo posto. Já Vettel viu o engenho ir pelos ares ainda na volta de apresentação (Beto Issa)

Infelizmente, a Ferrari não viveu um fim de semana dos melhores. Mesmo largando bem e com chance de aprontar para cima da Mercedes, a principal força de Maranello Sebastian Vettel – nem viu as luzes de largada, acometido por um problema no motor ainda na volta de apresentação. Uma pena, pois poderia muito bem ter mostrado-se pronto para a batalha contra as flechas prateadas depois do terceiro lugar em Melbourne.

Melhor para Kimi Raikkonen. Envelhecido, um pouco cansado e ainda mantendo o ar frio do velho Iceman, o finlandês parecia não fazer muita coisa de bom depois de perder várias posições. No entanto, andou rápido e apareceu bem na prova, terminando num ótimo segundo lugar e descontando para Rosberg nas voltas finais. Kimi está vivo e alerta, e ainda mais, a frente de Vettel no campeonato.

Não há o que contestar. Mesmo faltando alguma coisinha, a casa de Maranello está muito mais perto da Mercedes neste ano, e a vitória é questão de tempo (e de acertar a estratégia de pit, que ainda precisa de ajustes).

Williams se apequena e não ousa nas estratégias

Massa ainda de supermacios no início da prova. Mesmo chegando a andar em segundo, brasileiro foi vitima da estratégia conservadora e pequena de Grove (Beto Issa)

Massa ainda de supermacios no início da prova. Mesmo chegando a andar em segundo, brasileiro foi vitima da estratégia conservadora e pequena de Grove, apostando nos médios que não deram certo em Sakhir (Beto Issa)

Era uma chance de ouro para, pelo menos Felipe Massa, aproveitar a oportunidade da carambola causada pelo companheiro Bottas na largada e conquistar um resultado surpreendente. O brasileiro chegou a estar em segundo mas sofreu muito na prova, vitima do acerto do Williams e de uma estratégia equivocadamente aplicada de durar na pista com pneu médio, o que provava-se notadamente que não dava certo com ninguém. O oitavo lugar, atrás até da posição de largada (sétimo) nem serve como prêmio de consolação.

Chega a ser revoltante a forma como o time de Grove se apequena e não ousa nas estratégias, sabendo plenamente que elas não dão certo ao longo da prova. O brasileiro teve problemas de estabilidade na pista e era sistematicamente ultrapassado. Quando ultrapassava, foi diante de Stoffel Vandoorne, estreando pela McLaren (a qual falaremos adiante), onde o motor Mercedes do carro rendia infinitamente mais. Fora isso, uma série de ultrapassagens sofridas e um resultado que poderia ser melhor (ou pior).

Há muito tempo, a Williams deve uma coisa bem melhor aos pilotos e a si própria. Sem vencer desde 2012 (na cagada de Pastor Maldonado na Espanha), o team do velho tio Frank Williams – um puro racer, diferente da filha, Claire – e contando com um equipamento bem melhor do que os dos tempos de vacas magras, a equipe não mostra reação e aparenta acomodamento diante de outras equipes que, mesmo menos equipadas, a fustigam em busca do posto de terceira força. Do jeito que está, não me admiro que perca esta posição já suadamente conquistada.

Vandoorne – Esse belga vai dar o que falar

Segurando Kvyat durante a prova, Stoffel Vandoorne mostrou personalidade mesmo com o fraco McLaren. O 10º lugar e o ponto foram o prêmio pelo bom trabalho na estreia (Beto Issa)

Segurando Kvyat durante a prova, Stoffel Vandoorne mostrou personalidade mesmo com o fraco McLaren. O 10º lugar e o ponto foram o prêmio pelo bom trabalho na estreia (Beto Issa)

Grata mesmo foi a surpresa vinda da McLaren. Substituindo Fernando Alonso, que está com as costelas de molho depois da panca em Melbourne, o jovem belga Stoffel Vandoorne mostrou estrela mesmo com uma máquina que ainda carece de muito trabalho. Largando a frente do experiente companheiro Jenson Button, Vandoorne chegou a estar perto dos seis primeiros nas paradas de pit e brigou de igual pra igual com bólidos mais fortes, mas acabou em 10º lugar mesmo, somando um bom pontinho na estreia.

A turma de Woking sente falta de Alonso na pista, e não é mentira. Mas não pode reclamar do piloto de teste que tem. Além de tudo, Stoffel fez o que nenhum belga fazia na F1 desde 1992: Pontuar. Quando o compatriota Thierry Boutsen arrancou um quinto posto na Austrália, a bordo da Ligier, Vandoorne ainda era um neném engatinhando pela sala de casa. Hoje, a Bélgica, terra também do incrível Jacky Ickx, não pode reclamar de falta de representantes nas pistas. Vandoorne ainda vai dar o que falar na F1.

Jornalismo e automobilismo: Patacoadas, exibicionismo e erros crassos

Eis Jean-Pierre Jarier "voando" com o complicado Ligier-Ford na última temporada do "Jumper" na F1, em 1983. E Lito Cavalcanti, na mania crassa de errar, confundindo isso com um Prost F1 ou tirando o pé-de-chumbo da aposentadoria em 1997. Coisas da displicencia e exibicionismo dos jornalistas do esporte a motor no Brasil (Reprodução)

Eis Jean-Pierre Jarier voando em Mônaco com o complicado Ligier-Ford na última temporada do Jumper na F1, em 1983. E Lito Cavalcanti, na mania crassa de errar, confundindo isso com um Prost F1 ou tirando o pé-de-chumbo francês da aposentadoria em 1997. Coisas da displicência e exibicionismo dos jornalistas do esporte a motor no Brasil (Reprodução)

E, apenas para rir evitando chorar. O fim de semana mostrou que está complicado aguentar alguns dos profissionais da notícia que há muito tempo nos trazem os lances do automobilismo. Durante o treino, o dinossauro Lito Cavalcanti, da Sportv (leia-se Globo), disparou a pérola mais dolorida do fim de semana de corrida, afirmando que Jean-Pierre Jarier, o eterno Jumper, fez uma corrida fantástica correndo… pela Prost! Isto que o francês já havia se aposentado em 1983, numa passagem complicada pela Ligier, nascedouro do time de Le Profresseur Alain Prost.

Fora os erros crassos, os jornalistas do automobilismo parecem estar procurando mostrar que sabem sem reconhecer derrapadas e abusando do exibicionismo. A fase de nosso automobilismo, mesmo produzindo alguns nomes dos bons (como isso, ninguém sabe), não ajuda muito, é verdade, mas ter experiência não o torna imune a erros, especialmente derrapadas como esta. E para completar, o trato aos fâs é quase inexistente, quase como ele não existisse ou fosse um completo ignorante.

Não citaremos nomes, a exceção desta vez do Lito e sua derrapada homérica, mas ainda tornaremos a falar sobre o assunto. Enquanto isso, eu e Douglas seguimos com o G&M, acertando e errando (mas corrigindo e agradecendo se preciso) nas viagens por F1, Indy e MotoGP. Ao menos, aqui o conteúdo é de graça, sincero e não perdoa patacoadas.

Mas, vamos respirar fundo e vamos aos 10 mais.

Os 10 mais – Corrida

1 – Nico Rosberg (Mercedes)
2 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
3 – Lewis Hamilton (Mercedes)
4 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
5 – Romain Grosjean (Haas-Ferrari)
6 – Max Verstappen (Toro Rosso-Ferrari)
7 – Daniil Kvyat (Red Bull-TAG)
8 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
9 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
10 – Stoffel Vandoorne (McLaren-Honda)
14 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

De Barbie a Nico. O filhote de Keke manda no campeonato e constrói vantagem para Hamilton (Getty Images)

De Barbie a Nico. O filhote de Keke manda no campeonato e constrói vantagem para Hamilton (Getty Images)

Os 6 mais (Campeonato)

1 – Nico Rosberg (25)
2 – Lewis Hamilton (18)
3 – Sebastian Vettel (15)
4 – Daniel Riccardo (12)
5 – Felipe Massa (10)
6 – Romain Grosjean (8)
15 – Felipe Nasr (0)

MENINO DE MUZAMBINHO: Romain Grosjean

Outra vez, o galardão máximo do G&M nas mãos do suiço-francês. Grosjean mostra amadurescimento e personalidade para conduzir a novata Haas e o bom carro entre os seis primeiros, ainda melhor que a Austrália (Beto Issa)

Outra vez, o galardão máximo do G&M nas mãos do suíço-francês. Grosjean mostra amadurecimento e personalidade para conduzir a novata Haas e o bom carro entre os seis primeiros, num desempenho ainda melhor que na Austrália (Beto Issa)

É por aclamação e, pela primeira vez, um contemplado pelo galardão do G&M duas vezes seguidas! Nem Max Verstappen conseguiu tal proeza. Outra vez, a Haas merceu as palmas por um trabalho primoroso que nem lembra ser de uma equipe estreante. E tudo isso graças a habilidade de um talento que tem tudo pra ser grande no futuro. A mão de Romain Grosjean levou os americanos a mais uma prova na zona de pontos, desta vez com um quinto lugar fabuloso.

O francês foi para uma estratégia ousada. Na maioria das paradas, a equipe ia na contra-mão das grandes e arriscava na borracha supermacia. Grosjean voava na pista, suplantando quem vinha pela frente. Williams e Red Bull passaram pelos retrovisores do bólido prata-preto-vermelho, que só não foi mais além pois a última parada complicou a vida de Romain. Nada que tirasse o brilho da corrida do team, que nem lembra, como disse, um time estreante.

O que mais a Haas pode aprontar? Ninguém sabe ainda, mas com um cidadão como Grosjean a frente, maduro e renovado na categoria, é provável que muita coisa boa ainda vai vir.

RAPIDINHAS:

As Red Bull mostrando a tal força do chassi combinado pelo bom trabalho da TAG-Heuer no motor. Riccardo foi o quatro e Kvyat o sétimo mesmo depois de largar do fundo (Beto Issa)

As Red Bull mostrando a tal força do chassi combinado pelo bom trabalho da TAG-Heuer no motor. Riccardo foi o quatro e Kvyat o sétimo mesmo depois de largar do fundo (Beto Issa)

– Outra vez, a Red Bull fez bem o dever de casa e arrancou outro bom resultado com um carro que ainda é uma incógnita. Daniel Riccardo fez bonito mesmo terminando na mesma posição de largada. Daniil Kvyat surpreendeu com o sétimo lugar mesmo largando do fundão do grid. O engenho Renault recauchutado pela TAG-Heuer mostra que é forte e pode sustentar-se bem na frente, mas não ousar nas brigas.

– Não foi dia de Toro Rosso. Max Verstappen passou a prova apagado, fazendo apenas um bom sexto lugar. Carlos Sainz Jr. teve problemas desde a largada, quando se envolveu em um toque e não completou.

Na sofrencia, Sauber pode acabar nas mãos da Alfa Romeo, como parte da volta da marca a F1. Enquanto isso, Ericsson corre melhor que Nasr em Sakhir (Beto Issa)

Na sofrência, Sauber pode acabar nas mãos da Alfa Romeo, como parte da volta da marca a F1. Enquanto isso, Ericsson corre melhor que Nasr em Sakhir (Beto Issa)

– Interessante ver a Manor brigando bem por posições. Pascal Wehrlein não deu trégua a Marcus Ericsson, mesmo terminando atrás do sueco, em 13º, e mostrando força e potencial do carro. Quanto a Rio Haryanto… Vai saber.

– Falando em Sauber, a Alfa Romeo deixou escapar pelos lábios rossos dos boatos a possibilidade de comprar o time suíço e regressar a F1, o que seria uma ótima. No entanto, enquanto nada se formaliza, o time sofre na pista. Ericsson até andou bem e quase pontuou. Mas Felipe Nasr mostra-se limitado e teve um fim de semana para esquecer.

A agradável prova da Manor, com Wehrlein brigando, ultrapassando e quase pontuando. Quanto a Haryanto... bem, deixa pra lá (Reprodução)

A agradável prova da Manor, com Wehrlein brigando, ultrapassando e quase pontuando. Quanto a Haryanto… bem, deixa pra lá (Reprodução)

Kevin Magnussen em 11º foi o melhor que a Renault pode conseguir na pista com um carro pífio. Pior que ela, a apagadíssima corrida da Force India, que já teve dias melhores. Uma pena para o talento de Sergio Perez.

E ainda esta semana o que de melhor aconteceu na MotoGP, em Termas do Rio Hondo, e na quarta, o review da Indy na empolgante prova no oval de Phoenix, o primeiro da temporada.

Quanto a F1, o próximo encontro é daqui há duas semanas, na longuíssima reta de Xangai, na China, no dia 17. Prepare o café pois a prova, no horário de Brasília, é de madrugada, 3h!

Até lá! Ou melhor… até breve!

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