Jornalistas de Blumenau: Pioneiros, aventureiros, companheiros

06 de agosto de 1984…

Do alto do Edifício Brasilia, uma equipe da Central de Radio-Emergência era a única comunicação em funcionamento durante mais uma grande enchente em Blumenau. Chegando ainda nos 13,70m (longe ainda dos 15,34m finais), a equipe – que tinha comando do engenheiro Carlos Alberto Moritz e a voz do inesquecível Rodolfo Sestrem – fazia a transmissão direto dos estúdios da antiga Radio União FM, em link com a então Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec), instalada na prefeitura.

Naquela escuridão que tomava a cidade, a equipe do link instalada na prefeitura ladeava o prefeito Dalto dos Reis, que enfrentava a segunda grande enchente seguida e, naquele momento da transmissão, segurava folcloricamente um isqueiro tentando enxergar alguma coisa. Ao mesmo tempo, os blumenauenses sabiam da conquista de Joaquim Cruz no atletismo (800m rasos) nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Rodolfo Sestrem, um dos maiores comunicadores que já pisou em Blumenau. Na equipe da Central de Radio-Emergência em 1984 (Reprodução)

Rodolfo Sestrem, um dos maiores comunicadores que já pisou em Blumenau. Na equipe da Central de Radio-Emergência em 1984 (Reprodução)

Costumo dizer que a enchente revela a alma do jornalista de Blumenau. A cidade tem dom de formar comunicadores e profissionais da informação da maior qualidade. Vindo da cidade pioneira no rádio, TV e jornal off-set, não é nenhuma surpresa. Ser jornalista nesta cidade não é ser imune as dificuldades que acometem a profissão no país. Descrença, desconfiança, aproveitadores, toda a sorte em contratempos, fora a rotina corrida dos dias, que chega a ser um dos poucos prazeres em alguns momentos.

Estou nesta ciranda a quatro anos, sendo apenas um graduado. Vivi tropeços, negligenciei atividades e falhei em alguns momentos. Jogue a primeira pedra quem nunca errou, ou melhor, deu aquela barrigada doida, mas são ócios da profissão que, se não queremos apenas esquecer, nos servem de norte para evitar erros. Noves fora, ao redor de nós não podemos reclamar de nos faltar companheiros, parceiros de notícia, de infortúnio e de sorrisos, que compartilham conosco pautas e conquistas.

Arrisco dizer que o jornalista blumenauense é um tipo único que espalhou-se como vírus pelas esquinas de Santa Catarina e do Brasil. No coração mora o amor pela nobre função de, a cada dia, trazer os acontecimentos que norteiam nosso pensamento e nossas ações. A responsabilidade de provocar ao público o debate  sobre assuntos, seja simples ou cabeludos. E, acima de tudo, o prazer imenso de levar a todos histórias fantásticas de gente, iniciativas e momentos que inspiram e se imortalizam na história. História essa que vira registro para as futuras gerações, seja de bons ou tristes momentos.

Jorge Bauer, nos tempos de RIC, tendo a frente o gigante Itajaí-Açu. Onde quer que seja, a presença do jornalista se renova, não só com a enchente, mas com tudo que envolve nossa região, estado, país, e que tem nos jornalistas (não importando a função) a guarda dos acontecimentos que nos movem dia a dia (Paulo Roberto Leite / RICTV)

Um cinegrafista da RICTV Blumenau, tendo a frente o gigante Itajaí-Açu. Onde quer que seja, a presença do jornalista se renova, não só com a enchente, mas com tudo que envolve nossa região, estado, país, e que tem nos jornalistas (não importando a função) a guarda dos acontecimentos que nos movem dia a dia (Paulo Roberto Leite / RICTV)

Amigos jornalistas, apesar dela ser nosso momento de teste, não é apenas a enchente, a catástrofe, que nos revela como legítimos profissionais. Podemos nos batizar de fogo com ela, mas no nosso dia a dia, o jornalista de Blumenau mostra seu valor. Dribla as sujeiras, mostra a verdade, esquece as glórias (embora muitos não a queiram esquecer) e escreve páginas e páginas de história e informação da mais alta qualidade. E se isso não o é assim, então não somos jornalistas.

Que, sempre inspirados nos espírito dos pioneiros que se revelavam nas enchentes e outros tantos momentos de nossa história, possamos honrar com gosto nosso juramento acadêmico, nossa comunidade que tanto espera o fruto de nosso trabalho, e muito além disto tudo, que possamos sempre ter ao lado o bom colega de profissão, seja na correria, seja no trabalho minucioso, seja na alegria e na confraternização.

Parafraseando José Nóbrega, não é apenas o rio, de água lodosa como o fogo, mas o dia a dia que retempera a alma destes profissionais imbatíveis: Os jornalistas blumenauenses.

Feliz dia do Jornalista aos colegas!

Deixe uma resposta