Gramming & Marbles: Rosberg faz história na empolgante salada de Xangai

Rosberg espirra champagne no compatriota Vettel. Seis vitórias seguidas, três primeiras provas vencidades por ele, 17 vitórias e o não campeão com mais conquistas, superando Striling Moss. Quem pode parar o alemão da Mercedes? (Getty Images)

Rosberg espirra champagne no compatriota Vettel. Seis vitórias seguidas, três primeiras provas vencidas por ele, 17 vitórias e o não campeão com mais conquistas, superando Striling Moss. Lider do campeonato há 37 pontos a frente de Hamilton… Quem pode parar o alemão da Mercedes? (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

De volta ao normal e misturando tudo (menos o vencedor)

Em contraste com a sonolenta prova da MotoGP no Texas, no domingo passado, a F1 teve uma prova feliz no interessante autódromo de Xangai, na China. De volta ao antigo modelo de classificação, a tomada de tempos oficial ganhou um pouquinho mais de interesse, sobretudo pelo fato da chuva ter dado um tempero na pista. Fora isso, quem resistiu acordado na madrugada dominical não teve o que reclamar. Uma prova empolgante, cheia de alternativas, saladas, toques e emoção.

A única coisa que não mudou foi o vencedor, que continua o mesmo desde o GP do México do ano passado. Outra vez, Nico Rosberg mostrou que não tem nada a perder e, no infortúnio de Lewis Hamilton, resolveu fazer história nas terras de Mao Tsé-Tung. Saiu com a terceira vitória seguida de 2016, a sexta seguida desde a prova de Hermanos Rodriguez em 2015, superou o lendário Striling Moss como o não-campeão com o maior número de vitórias (17 contra 16 de Moss) e ampliou para Hamilton a diferença de pontos no campeonato, distante 37 pontos.

Mas Nico não foi o único espetáculo. A prova teve muito de emoção e ultrapassagens, prova de uma salada de largada e pits que misturou tudo e forçou os botas a irem acima dos limites. Sem mais delongas, vamos analisar como foi essa voltinha por Xangai que acabou alemã como sempre, em carro e piloto.

Rosberg: Nada a perder

OUtra prova consistente de Nico, que mesmo largando mal reaveu a ponta para não mais perde-la em Xangai (Getty Images)

OUtra prova consistente de Nico, que mesmo largando mal reaveu a ponta para não mais perde-la em Xangai (Getty Images)

Ninguém pode elege-lo ainda um virtual campeão, mas não dá pra negar que Rosberg está vivendo um momento único desde 2015. Com seis vitórias seguidas desde o ano passado e dominando as três primeiras provas de 2016, Nico está em uma boa fase, em muitas delas favorecida pelos contratempos de Hamilton, que na China teve mais um deles com a troca de motor.

Hamilton teve um fim de semana esquecível. Saí de último, envolveu-se em carambola na largada e ainda, como prêmio de consolação, um sétimo lugar chorado sem passar Felipe Massa (Getty Images)

Hamilton teve um fim de semana esquecível. Saí de último, envolveu-se em carambola na largada e ainda, como prêmio de consolação, um sétimo lugar chorado sem passar Felipe Massa (Getty Images)

Lewis largou de último, se embolou numa manobra desastrada de Felipe Nasr na largada, mas teve força para garantir um bom sétimo lugar, colado no iço do carro de Felipe Massa. Nada que apague a chama da boa pilotagem de Nico, que outra vez venceu bem e consolidou a fama de homem a ser batido em 2016. Resta saber até quando esta boa fase vai durar, e quando Hamilton pretenderá largar as estrelas dos olhos para se recuperar.

Ferrari perde a chance (outra vez) de capitalizar

Teoricamente, era a chance de ouro para a Ferrari engrenar de vez em 2016. Carro bom, pilotos competentes mas sem a sorte que por muitos anos a acompanhava. Na largada, Sebastian Vettel foi surpreendido pela manobra arriscada (e bem sucedida) de Daniil Kvyat, que colocou a Red Bull onde ninguém podia esperar. O alemão acertou de lado o carro do companheiro, Kimi Raikkonen, e minou as chances de uma melhor prova do time de Maranello.

Vettel nas primeiras voltas. Salada na largada com Raikkonen poderia ter custado a corrida, que tratou de recuperar num estilo vaca louca de pilotar (Getty Images)

Vettel nas primeiras voltas. Salada na largada com Raikkonen poderia ter custado a corrida, que tratou de recuperar num estilo vaca louca de pilotar (Getty Images)

Raikkonen ainda salvou um bom quinto mesmo depois de parar para trocar o bico danificado na panca da largada. Já Vettel teve um dia de vaca louca, andando tresloucadamente e ultrapassando de todas as formas, tocando e chiando, para conseguir um segundo lugar muito bom. No final, o alemão ainda quis tirar satisfação com Kvyat por conta da manobra da largada (injustamente, como veremos a seguir), mas nada que evitasse o chorar do leite que a Ferrari, outra vez, deixou derramar.

Red Bull: Dia bom para o “Touro Paraguaio”

Kvyat e Vettel se entendem no pódio. Terceiro lugar do russo veio com manobra ousada ainda na largada para cima das Ferrari (Getty Images)

Kvyat e Vettel se entendem no pódio. Terceiro lugar do russo veio com manobra ousada ainda na largada para cima das Ferrari (Getty Images)

Depois de algum tempo tentando entender as bossas desse novo Red Bull – a qual Helmut Marko dizia ser o melhor chassi da temporada – podemos ver na China que o bólido austríaco tem coisa boa pra mostrar, muito embora ainda falte alguma coisa para andar na ponta com mais autoridade. Para o dia de hoje, um bom resultado mesmo com alguns contratempos. Um pódio e uma prova brava de quem é visto como futuro campeão.

Daniil Kvyat foi ousado hoje, ao tentar uma largada mais abusada pra cima das Ferrari. Levou bronca de Vettel mas deu de ombros com o merecido terceiro lugar, prova da força do recauchutado motor Renault com o codinome TAG-Heuer. A boa fase já vinha dos treinos, quando o russo conseguiu um grid melhor do que nas duas primeiras provas, vitimado por problemas no carro.

Fora isso, o companheiro é quem levou, depois de uma difícil escolha, os louros de hoje:

MENINO DE MUZAMBINHO: Daniel Riccardo (Red Bull)

Riccardo chegou a liderar três voltas. Mas nem pneu furado tirou-lhe a motivação, embora pudesse ter conseguido mais se não fosse este contratempo (Getty Images)

Riccardo chegou a liderar três voltas. Mas nem pneu furado tirou-lhe a motivação, embora pudesse ter conseguido mais se não fosse este contratempo (Getty Images)

Fazia tempo que a gente não tinha uma performance empolgante do australiano de mil dentes. Daniel Riccardo já merecia o mérito de bisar o bom segundo lugar no grid, que converteu para primeiro logo depois da largada, numa boa disparada. Infelizmente, poderia ter brigado mais pelas primeiras posições (ou uma possível vitória) se não fosse um pneu furado na traseira na terceira volta. Uma maldade.

Noves fora, Daniel chegou em quarto depois de uma suada recuperação que incluiu ultrapassar até Lewis Hamilton nesta odisseia. Faltou o pódio pela boa corrida, é verdade, mas Daniel parece está a vontade com a nova máquina austríaca, que vem demonstrando qualidades a cada prova.

Os 10 Mais – Corrida

1 – Nico Rosberg (Mercedes)
2 – Sebastian Vettel (Ferrari)
3 – Daniil Kvyat (Red Bull-TAG)
4 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
5 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
6 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
7 – Lewis Hamilton (Mercedes)
8 – Max Verstappen (Toro Rosso-Ferrari)
9 – Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso-Ferrari)
10 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
20 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

Os 6 Mais – Campeonato

1 – Nico Rosberg (75)
2 – Lewis Hamilton (39)
3 – Daniel Riccardo (36)
4 – Sebastian Vettel (33)
5 – Kimi Raikkonen (28)
6 – Felipe Massa (22)
21 – Felipe Nasr (0)

Rapidinhas:

Os 22 que você vê aqui... são os mesmos que completaram a prova. GP da China foi sem abandonos (Getty Images)

Os 22 que você vê aqui… são os mesmos que completaram a prova. GP da China foi sem abandonos (Getty Images)

– 22 largaram, 22 terminaram… Apesar do movimento, todo mundo trouxe as crianças pra casa sem problemas e em segurança.

– A Williams saiu no lucro com o sexto lugar de Massa, que partiu de 10º. Lucro pois o brasileiro deixou passar quem passasse, menos o peixe grande Lewis Hamilton, que segurou pela unha nas voltas finais. O brasileiro ainda tem alguma lenha pra queimar com o carro complicado de Grove, sem performance e perdido. Já Valtteri Bottas, ainda perturbado, sumido e sem brilho.

Massa segurou Hamilton a unha nas últimas voltas para garantir o sexto lugar. Boa posição para quem largou em décimo com um carro sem performance e perdido no desenvolvimento (Getty Images)

Massa segurou Hamilton a unha nas últimas voltas para garantir o sexto lugar. Boa posição para quem largou em décimo com um carro sem performance e perdido no desenvolvimento (Getty Images)

– Uma pena a Haas, que vinha de dois grandes GPs (dentro das limitações de estreante) ter sumido durante a corrida. Romain Grosjean teve um toque na largada com Marcus Ericsson e pouco pode fazer. Já Esteban Gutierrez foi apenas número na prova, e nada mais.

– Outros sumidos foram a dupla da Toro Rosso, que ainda pontuaram no frigir dos ovos. Carlos Sainz Jr. ainda peleou um baita pega com Bottas. Já Max Verstappen foi modesto, numa semana onde o papai Jos disparou que o filho deve estar em uma das grandes em 2017.

Não foi um bom dia da Haas. Guiterrez foi apenas número enquanto Grosjean (foto) se batia com os problemas do toque na largada (Getty Images)

Não foi um bom dia da Haas. Guiterrez foi apenas número enquanto Grosjean (foto) se batia com os problemas do toque na largada (Getty Images)

Sainz Jr. (foto) e Verstappen estiveram sumidos durante a prova em Xangai. O espanhol ainda teve um belo duelo com Bottas para garantir o nono posto (Getty Images)

Sainz Jr. (foto) e Verstappen estiveram sumidos durante a prova em Xangai. O espanhol ainda teve um belo duelo com Bottas para garantir o nono posto (Getty Images)

– Interessante prova da Manor, com Pascal Wehlein chegando a andar em quinto e mostrando força. Até Rio Haryanto aprontou, brigando com alguns peixes grandes na hora da salada.

McLaren distante. Apesar de estar no meio das brigas, Fernando Alonso (de volta depois do acidente de Melbourne) e Jenson Button sumiram da zona de pontos. O carro de Woking mostra ter consistência, mas falta desempenho e força no motor.

Force India começou aparecendo bem, mas sumiu durante a prova. Renault, nem se fala… A fase dos franceses só não está pior do que da moribunda Sauber, que anda de pirex na mão para sobreviver a 2016. Isto se não se transformar em Alfa Romeo antes da hora.

Alonso de volta depois da panca na Austrália. Apesar do esforço, McLaren ainda sofre com a falta de desempenho do motor Honda (Getty Images)

Alonso de volta depois da panca na Austrália. Apesar do esforço, McLaren ainda sofre com a falta de desempenho do motor Honda (Getty Images)

Magnussen arrasta a Renault para o box nos treinos de sexta. Fase da Renault só não é pior que a da moribunda Sauber (Getty Images)

Magnussen arrasta a Renault para o box nos treinos de sexta. Fase da Renault só não é pior que a da moribunda Sauber (Getty Images)

E era só por hoje. O próximo encontro dos bólidos nervosos da F1 será em terras frias da ex-URSS, casa de Kvyat. É o GP da Rússia, no parque olímpico de Sochi, que espera-se tão mais emocionante como fora no ano passado. É daqui a duas semanas, no dia do trabalhador (01/05).

Até lá!

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