Mabe: Cinco marcas e uma falência

Um império mexicano que ruiu no Brasil. Mabe fecha as portas e leva consigo cinco das mais conhecidas marcas de eletros do país, fora as tantas demissões a ressarcir em FGTS e Seguro-Desemprego a mais de mil famílias (Reprodução)

Um império mexicano que ruiu no Brasil. Mabe fecha as portas e leva consigo cinco das mais conhecidas marcas de eletros do país, fora as tantas demissões a ressarcir em FGTS e Seguro-Desemprego a mais de mil famílias (Reprodução)

Há algum tempo, um fato em especial tem me chamado atenção no mundo empresarial, sobretudo no campo da chamada linha branca (fogões, geladeiras e afins). Em fevereiro, a Mabe – fabricante deste segmento e detentora de cinco marcas clássicas do ramo no país – fechou as portas depois de não cumprir os planos de recuperação judicial propostos em 2013. Um baque grande a mais de mil famílias, que agora vivem a sombra do desemprego que assola o país há algum tempo.

Criada em 2004, resultante da fusão entre a General Eletric (GE) e a Dako, a Mabe tinha nas mãos, ao menos, duas das mais importantes marcas do segmento eletrodomésticos no país já há muito tempo. A Dako atravessava gerações, sendo conhecida pelos fogões de boa qualidade. A GE estava aos poucos regressando ao Brasil depois de um passado que incluía a fabricação de TVs e outros equipamentos que não eram, necessariamente, linha branca.

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O tempo passou, e a Mabe englobou mais duas marcas de renome ao catálogo: A CCE, tradicional pelos seus eletroeletrônicos (e pelo infame apelido de conserta-conserta-estraga), a Continental, reconhecida pelas geladeiras e pelos fogões mais desejados da praça, e a Bosch, que ia além das peças automotivas com equipamentos sofisticados para as cozinhas. Tudo tinha de bom para ser um grande império, mas não foi bem assim que a carruagem andou nos anos seguintes.

A Mabe tem origem mexicana, fundada em 1946 era uma das maiores exportadoras do setor para os EUA e tem nas suas posses um dos mais modernos centros de tecnologia e projetos do mundo. A vinda para a América Latina ocorreu por fim dos anos 80, estendendo-se pelos países Pacto Andino à época, Venezuela, Colômbia, Equador e Peru. Foi questão de tempo até pousar no Brasil, onde englobou cinco marcas famosas do mundo dos eletrodomésticos e ameaçar gigantes como a Electrolux, Arno e a americana Whirlpool, detentora das marcas Consul e Brastemp.

A ocupação de ex-trabalhadores da Mabe em Campinas e Hortolandia, terminada esta semana para o começo dos leilões de bens para pagamento das dívidas (Reprodução)

A ocupação de ex-trabalhadores da Mabe em Campinas e Hortolandia, terminada esta semana para o começo dos leilões de bens para pagamento das dívidas (Reprodução)

O fim foi em fevereiro, por decreto da justiça de São Paulo, que também autorizou a demissão dos funcionários e a retirada do FGTS e do Seguro-Desemprego. Antes disso, haviam sido programadas férias coletivas e um possível retorno as atividades em janeiro, o que não aconteceu. Sem as garantias do Seguro-Desemprego, centenas de ex-funcionários da empresa ocuparam a planta da Mabe em Campinas e Hortolândia, acampamento que durou até o último dia 14.

A decisão da desocupação do espaço se deu por evitar confronto com a polícia numa eventual reintegração de posse, segundo o que afirmou o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas. Os responsáveis da massa falida afirmaram ainda que era preciso a desocupação para o começo dos leilões dos bens para o pagamento das dívidas pendentes.

É apenas mais uma das tantas novelas brasileiras de desempregos e fechamento de fábricas diante da crise que acomete nossa economia, e que parece não ter fim tão cedo. Junto da Mabe, infelizmente, morreram também quatro tradicionais marcas do segmento branco, que hoje são apenas nota de rodapé nos inventários de lojas.

Estamos acompanhando.

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