Fabrício Wolff em A BOINA: A limpeza ainda não acabou

Uma sessão histórica, com todos os ingredientes do cômico, tenso, raivoso e vibrante, marcou a passagem do processo de impeachment de Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados (Nilson Bastian / Câmara dos Deputados)

Uma sessão histórica, com todos os ingredientes do cômico, tenso, raivoso e vibrante, marcou a passagem do processo de impeachment de Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados (Nilson Bastian / Câmara dos Deputados)

(Fabrício Wolff)

O Brasil ficou ligado na votação pela admissibilidade do impeachment no último domingo (17/04). Tanto os cidadãos favoráveis, contrários ou os que não tinham posição bem formada acabaram cedendo aos encantos de uma sessão plenária longa e engraçada, mas não menos importante. Ao final, 367 deputados disseram sim à possibilidade de impedimento e queda da presidente Dilma Rousseff do cargo.

Não faltaram memes nas redes sociais durante a votação. Tanto a presidente quanto o ex-presidente Lula foram os alvos preferidos. Mas a fantástica criatividade dos brasileiros não poupou grande maioria dos deputados que utilizaram os 30 segundos de fama para eternizar o momento do voto declarado ao microfone (vídeo que provavelmente será utilizado na próxima campanha).

foto montagem impeachment

Nas ruas, as várias mobilizações entre prós e contras que culminaram no resultado final, e no que pode ser o início de um processo de mudança ou de alguma coisa nova para o país (Reprodução)

Concordo com muitos amigos de Facebook que não há razões para comemorar. O brasileiro está envergonhado da situação em que se encontra, que ultrapassa o fato de termos um governo federal corrupto, mas também muitas lideranças corruptas no Congresso Nacional. Porém, o primeiro mal, o mal maior precisava ser estirpado. Ideologias à parte, o sistema de corrupção engendrado a partir da Petrobrás para financiar campanhas políticas é de uma podridão assustadora. Isto aliado às mentiras da campanha eleitoral da atual presidente trouxeram a consequência avassaladora: economia em retração, inflação e Petrobrás quebrada.

Aos petistas e simpatizantes, fica a lição. A arrogância ideológica e a sede pelo poder fazem mal ao Brasil. A ideologia não pode estar acima da ética. Seu projeto social de poder se perdeu no caminho. Muitos petistas do início, como o próprio jurista Hélio Bicudo (que subscreveu a ação de impeachment) ora em curso, envergonham-se do que se transformou este projeto – agora só de poder. Aos demais políticos ou simpatizantes partidários fica o aviso: o Brasil pode mudar a partir de instituições que não se corromperam como um todo. A população está mais atenta e se une ao combate à bandalheira.

Em tempo: aos que ainda acham que era golpe, pensando como a massa de manobra que seguiu as palavras de ordem do esquema de discurso imposto pela cúpula do PT, sugiro a leitura do artigo 85, inciso V, da Constituição Brasileira.

No fim, cansaço, revoltas, vibrações... O processo segue ao Senado, que pode dar a carta final para a petista e o desgoverno que, pela legenda, já vem a 14 anos de tropeços (Pedro Ladeira / Folhapress)

No fim, cansaço, revoltas, vibrações… O processo segue ao Senado, que pode dar a carta final para a petista e o desgoverno que, pela legenda, já vem a 14 anos de tropeços (Pedro Ladeira / Folhapress)

Ainda faltam alguns passos para que este NÃO à corrupção promovida pelo PT seja real. O processo vai para o Senado que, primeiro, confirma ou não a admissibilidade do pedido de impeachment. Para isso, será necessária tão somente a maioria simples dos votos. Depois o mesmo processo vai para uma segunda votação no próprio Senado da República, que decidirá pelo afastamento da presidente. Para isso, no entanto, serão necessários 2/3 dos votos dos senadores.

Quando todo este processo acabar, se enganam os que acreditam que o problema estará resolvido. Há muita gente corrupta em Brasília (e não só lá), especialmente (mas não só) em partidos políticos que até bem pouco tempo eram aliados do esquema e agora estão votando pelo impeachment da presidente. A varredura dos maus políticos precisa ser uma constante e, ao finalizar este processo, é preciso mirar em outros políticos sabidamente corruptos que estão sob investigação. E, depois, abrir investigação sobre todos os suspeitos que, se comprovada participação em esquemas de corrupção, também devem ser afastados, independente de sigla partidária.

Eu sei. É quase uma utopia. Mas quando a população começou a ir às ruas se manifestar, iniciou o movimento da faxina. Era preciso começar em algum momento e este momento está acontecendo. É agora! Tal qual uma faxina em casa, começa-se por um cômodo e vai se avançando para os outros até que a casa fique limpa. O trabalho não termina com a queda do PT no governo federal. Este é o cômodo mais sujo, mais ‘encracado’, mais nojento de nossa casa, mas está longe de ser o único. A limpeza está apenas começando e vai ser longa, dura, trabalhosa… e votar direito nas eleições vai ajudar a não sujar mais a casa enquanto a faxina é feita.

Façamos, cada um de nós, a nossa parte.

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