Fabrício Wolff em A BOINA – Ética em debate

Ètica na mesa. Debate da próxima terça-feira (10/05) reúne três celebrados jornalistas para discutir sobre um tema que, além das fronteiras da notícia, norteia toda nossa vida (Reprodução / IBES Sociesc)

Ètica na mesa. Debate da próxima terça-feira (10/05) reúne três celebrados jornalistas para discutir sobre um tema que, além das fronteiras da notícia, norteia toda nossa vida (Reprodução / IBES Sociesc)

(Fabrício Wolff)

O momento que o país atravessa não é o primeiro do gênero – e não será o último. Temos problemas de corrupção desde sempre, agigantados nesses últimos anos. Eles são oriundos de profundos problemas éticos que estão arraigados em boa parte dos políticos, mas também na imensa maioria da população. Aquele velha e conhecida Lei de Gérson (pobre ex-jogador de futebol, paga o pato por ter feito a propaganda de cigarro que continha uma frase que externa o “jeitinho brasileiro”), de levar vantagem em tudo, é uma realidade fatal em nosso país.

A ética precisa estar nos políticos e na política, nos governantes e no governo, nos jornalistas e nas notícias… mas principalmente nos cidadãos, nas pessoas para que se tenha uma nação ética. Porque são todas as pessoas que comporão este cenário: governantes, políticos, jornalistas, cidadãos eleitores-contribuintes que compõem uma nação. A pergunta que me faço é se aqueles que pregam ética de dedo em riste, julgando a tudo e condenando a todos, resistiriam a benefícios e facilidades que são bastante prováveis em nosso corrupto modelo de governança.

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É comum ver um cidadão criticar algum ato equivocado (ou mesmo corrupto) de uma administração pública, mas querer ajeitar uma “prioridade” de vaga para seu filho em uma creche (quiçá todas as prefeituras tivessem uma Fila Única para acabar com o “jeitinho”). Não é incomum ver um vereador vociferando contra cargos comissionados, quando ele mesmo mantém os seus ativos e operando. É muito mais fácil furar o olho do outro, do que limpar o próprio rabo. A questão é cultural e é demagogia bancar o justiceiro, a não ser que efetivamente se pratique a ética, em seus detalhes. É por isso que falar de ética e praticar a ética são coisas diferentes.

Desde os filósofos da antiga Grécia, a ética baseia-se nos costumes e na busca da felicidade individual para o bem comum. Ética não é uma virtude divina; é uma condição adquirida na construção da personalidade do ser. A educação de berço conta muito, mas é na prática das escolhas ao longo da vida que se exercita o caráter. Ser ético é fazer aquilo que é melhor para si e para todos ao mesmo tempo, mesmo que ninguém saiba o que se está fazendo. A ética não é imutável ao longo do tempo e, teoricamente falando, é a ciência que estuda e reflete sobre a moral. Também não é a mesma coisa que moral, que é um consenso comportamental social. Geralmente ética e moral andam de mãos dadas, mas é possível ser ético sem ser moral e vice e versa.

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Um convite ao debate

Ética precisa ser debatida sempre. Em momentos como o Brasil vive atualmente, mais ainda. Por isso como professor da disciplina de Ética Jornalística, propus à faculdade IBES Sociesc, onde leciono, promovermos uma mesa redonda sobre o tema. Ideia aprovada, faremos acontecer na próxima terça-feira (10/05), reunindo três colegas jornalistas bem conhecidos na cidade: Francisco Fresard (Pancho), Carlos Tonet e Alexandre Gonçalves.

Terei o prazer de mediar o bate papo que pode agregar muito não só aos acadêmicos de Jornalismo, mas também aos profissionais da área e ao público que gosta de aprofundar as discussões que mexem com a sociedade. Acredito que sairemos do evento com uma visão diferente e, na prática, mais profunda sobre o assunto.

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