Gramming & Marbles: Verstappen vence a primeira em dia de furia da Mercedes na Espanha

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Nasce um novo vencedor. A profecia já era velha e Max Verstappen fez valer a aposta da Red Bull, que o protegeu de intentonas de outras equipes pelo seu passe. Calados os criticos com a mudança e o menino holandês mostrando que pode fazer muito mais no futuro, para a alegria de Jos, o pai, e da Holanda, de um belo passado na F1 (Getty Images)

Nasce um novo vencedor. A profecia já era velha e Max Verstappen fez valer a aposta da Red Bull, que o protegeu de intentonas de outras equipes pelo seu passe. Calados os criticos com a mudança e o menino holandês mostrando que pode fazer muito mais no futuro, para a alegria de Jos, o pai, e da Holanda, de um belo passado na F1 (Getty Images)

Daqueles bons (e ótimos) domingos de corrida boa e história na F1

A semana inteira ouvimos bordoadas a Red Bull, detonando a forma como o jovem Daniil Kvyat foi exonerado da função de segundo condutor do touro paraguaio, retornando a Faenza e a piccola Toro Rosso. A troca por Max Verstappen soava como mais uma fritada do time do energético e, neste caso em especial, podia ser um divisor de águas na carreira de um promissor holandês que há tempos vem sendo profetizado como um futuro vencedor aqui no G&M.

No início do fim de semana já ouvíamos a plenos pulmões que seria uma prova monótona, tal qual como é sempre uma corrida em terras espanholas. Já não vemos emoções grandiosas lá desde 1991, no duelo épico de Ayrton Senna e Nigel Mansell, e talvez não veríamos já que a Mercedes nadava de braçada para mais um triunfo, bem provavelmente de Nico Rosberg. Muito embora que era Lewis Hamolton que mandaria na corrida.

Sabe de uma coisa? Estávamos TODOS errados! O GP da Espanha foi demais! Talvez um dos melhores da década e o melhor em Barcelona desde 1991! E tudo fica ainda melhor com a escrita da história, como foi com o jovem Verstappen. Superando o pai, Jos, em todas as estatísticas possíveis, Max fez corrida de gente grande com 18 anos e uma carreira pela frente. Tamanho foi o feito que, após a corrida, a panca entre as duas flechas prateadas na largada era apenas mais um dos fatos da prova.

Bem. É melhor começarmos a contar pra já como foi a prova. Há muito o que falar, pelo que você pode notar.

MENINHO DE MUZAMBINHO: Max Verstappen

O abraço em Helmut Marko, o general dos jovens pilotos. Escolha criticada pela imprensa e fãs da categoria em todo mundo provou ser acertada. E Verstappen fez corrida de gente grande. Bela atuação mesmo sem as Mercedes (Getty Images)

O abraço em Helmut Marko, o general dos jovens pilotos. Escolha criticada pela imprensa e fãs da categoria em todo mundo provou ser acertada. E Verstappen fez corrida de gente grande. Bela atuação mesmo sem as Mercedes (Getty Images)

Poderíamos chamar, desta vez, de Menino de Amsterdã, já que o feito de Max é histórico em todos os sentidos. Não basta ser o mais jovem a vencer uma corrida de F1 (18 anos contra 21 de Sebastian Vettel, em Monza, 2008) Verstappen também é o primeiro holandês a vencer uma prova na categoria. E para quem acha que a Holanda tem história curta na F1, engana-se. Falamos de um país que tinha uma das provas mais emocionantes do calendário nos anos 70 e 80. E ainda sentimos falta de Zandvoort, sem dúvida.

Mas Max é um talento fora da média. Veio da escola de jovens pilotos da RBR e já em 2015, precoce na idade para se estar no volante, ele já mostrava a que veio com uma pilotagem classuda, ousada e no limite. Foi o melhor do ano segundo a escolha do G&M e, mesmo com um início de ano meio apagado em 2016, foi puxado da equipe satélite para a principal, numa manobra um tanto discutível feita por Helmut Marko, consultor do time e um verdadeiro general com os botas.

Riccardo sob a sombra de Verstappen. Australiano vive, agora, a situação em que colocara Vettel alguns anos atrás dentro da casa austríaca (Getty Images)

Riccardo sob a sombra de Verstappen. Australiano vive, agora, a situação em que colocara Vettel alguns anos atrás dentro da casa austríaca (Getty Images)

Os disparos da imprensa foram para todos os lados. Mas agora, como se retratar diante de uma atuação como a de Max? Irretocável, digna de gente grande, que usou bem a estratégia confiada a ele para os pits e não deixou se abalar com um inspirado Kimi Raikkonen no iço do carro. Muitos sites e rodas de papo da F1 no Brasil e no mundo estão dando com a língua nos dentes diante da ousadia da Red Bull, que de uma jogada empresarial para evitar de ver o jovem partir da casa para uma tremenda glória, jamais vista pelos austríacos e pela F1.

Daniel Riccardo que se cuide. Passa agora a situação que Vettel vivera quando ele, Riccardo, era o moço da vez na casa de tio Mateschitz. Verstappen chegou para ficar, para a alegria da RBR, do papai Jos, da Holanda inteira e da categoria.

A biaba de Hamilton: O que será do ano da Mercedes?

Estive fora da largada no início da manhã quando o colega-irmão de espaço, Douglas Sardo, me contou o sucedido: As Mercedes sairam na faca e pela brita ficaram dando tchau para o pelopes da prova que seguiu. Procurei o replay do acidente (que me faltou durante a prova) e não tive como ter uma reação tal como as de Edgard Mello Filho nos acidentes da DTM nos anos 90. Que biaba!

Como sempre venho dizendo desde 2008, Lewis Hamilton é um grande piloto e que merece seus três canecos de campeão. No entanto, em condições adversas a ele, seja uma má largada ou uma situação de campeonato, a mente do inglês sai do carro, passando a agir mais com o impulso do que com o raciocínio. Nada explica a manobra desastrada e afobada depois de perder a ponta para Nico Rosberg. O alemão defendeu sabiamente, Hamilton foi a grama, rodou e passou o rodo no companheiro de equipe. Volto a falar, que biaba!

Duas Mercedes fora no mesmo golpe. Coisa rara? Mesmo! Desde 2012, nos EUA, a equipe prateada não fica fora por inteiro de uma corrida. Uma senhora encrenca para Hamilton, afobado na manobra para cima de Rosberg (Getty Images)

Duas Mercedes fora no mesmo golpe. Coisa rara? Mesmo! Desde 2012, nos EUA, a equipe prateada não fica fora por inteiro de uma corrida. Uma senhora encrenca para Hamilton, afobado na manobra para cima de Rosberg (Getty Images)

Correrias para o trailer da Mercedes, Toto Wolff e Niki Lauda na sala, o resultado da reunião deve ter sido explosivo e as desculpas de ambos foram apenas a equipe. Wolff botou panos quentes e não duvido que estará ainda mais temeroso nas brigas entre seus pilotos. Já a velha raposa austríaca seguiu a minha ideia. A culpa sim foi de Hamilton, totalmente afobado querendo passar onde não passava nem bicicleta. E o resultado? Outra vez… que biaaaaba!

Agora, como será o campeonato da Mercedes daqui por diante? Nem é bom saber. O clima não mais será o mesmo entre os dois e se outras biabas virão? Queria dizer que não… Mas olhando para Hamilton e Rosberg… Sei la.

Para a Ferrari, os choros de Vettel e a frustração de Raikkonen

Vettel chora, reclama... E segura a pressão firme do ex-companheiro Riccardo. Alemão tem reclamado mais do que pilotado. Faltando concentração na atual fase da Ferrari? (Xavi Bonilla / Grande Prêmio)

Vettel chora, reclama… E segura a pressão firme do ex-companheiro Riccardo. Alemão tem reclamado mais do que pilotado. Faltando concentração na atual fase da Ferrari? (Xavi Bonilla / Grande Prêmio)

Era aquela prova para dar uma virada na situação leza da casa de Maranello. Mas a Ferrari, neste fim de semana de emoções, foi apenas uma coadjuvante de luxo diante das Red Bull. Traída por uma estratégia falha de pits, mesmo calçada nos mesmos médios do touro paraguaio, faltou um pouco de incisividade para Vettel e Kimi Raikkonen. Não que o segundo e terceiro posto tenham sido pífios, mas pelas pretensões italianas, podiam ser bem mais.

Para Seb, foi mais uma corrida de choros. O alemão parece estar perdendo a paciência de andar perseguindo algo e, nas manobras do ex-team mate Riccardo nas voltas finais, disparava reclamações em cima de reclamações. Já o iceman saiu da prova desapontado. Segundo ele mesmo, tinha um bom carro e pneus melhores, mas não conseguiu superar Verstappen nas voltas finais.

Não é repetição, é Verstappen segurando Raikkonen no final. Finlandês desapontou-se consigo mesmo por não arriscar mais na busca pela ponta (Xavi Bonilla / Grande Prêmio)

Não é repetição, é Verstappen segurando Raikkonen no final. Finlandês desapontou-se consigo mesmo por não arriscar mais na busca pela ponta (Xavi Bonilla / Grande Prêmio)

Dizem as línguas que Maurizio Arrivabene já está com a mesa de trabalho mais pertinho da porta do feudo de Don Enzo pronto para ser limado por Sergio Marchione da casa. A carência de resultados e de uma verdadeira ofensiva contra a Mercedes já começam a pesar nas pretensões de Maranello e a Ferrari, sem dúvidas, é a maior decepção da temporada até agora.

Os 10 mais – Corrida

1 – Max Verstappen (Red Bull-TAG Heuer)
2 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
3 – Sebastian Vettel (Ferrari)
4 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG Heuer)
5 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
6 – Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso-Ferrari)
7 – Sergio Perez (Force India-Mercedes)
8 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
9 – Jenson Button (McLaren-Honda)
10 – Daniil Kvyat (Toro Rosso-Ferrari)
15 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Nico Rosberg (100)
2 – Kimi Raikkonen (61)
3 – Lewis Hamilton (57)
4 – Sebastian Vettel (48)
5 – Daniel Riccardo (48)
6 – Max Verstappen (38)
7 – Felipe Massa (36)
22 – Felipe Nasr (0)

Rapidinhas:

McLaren no Q3? Nos treinos, tudo bem. Na corrida, mera ilusão da vida, como sempre. Jenson Button ainda colheu três pontinhos. Já Fernando Alonso saiu apenas com o carinho da torcida catalã, com um abandono.

Button salvou três pontinhos para a McLaren. Já Alonso (atras), teve problemas com a pipoqueira e ficou apenas com o carinho da torcida (Getty Images)

Button salvou três pontinhos para a McLaren. Já Alonso (atras), teve problemas com a pipoqueira e ficou apenas com o carinho da torcida (Getty Images)

– Depois do erro da equipe nos treinos, Felipe Massa pode levar a Williams a um modesto e pé-no-chão oitavo posto ao fim da prova. Valtteri Bottas, sempre entre aos primeiros, mas apenas coadjuvando a briga de Ferrari e Red Bull. Quinto lugar para ele.

– As Renault saíram, ao menos, dos fundilhos do grid com as atualizações no carro feitas por esta semana. Joylon Palmer e Kevin Magnussen foram um tanto melhores e terminaram em 13º e 14º respectivamente.

Palmer com a Renault, saindo do fundão e chegando, ao menos, mais perto dos pontos. Já Bottas (abaixo), um modesto coadjuvante com o quinto posto. Bem melhor que Massa, vitima de erro da Williams nos treinos (Getty Images)

Palmer com a Renault, saindo do fundão e chegando, ao menos, mais perto dos pontos. Já Bottas (abaixo), um modesto coadjuvante com o quinto posto. Bem melhor que Massa, vitima de erro da Williams nos treinos (Getty Images)

Getty3

– A frente dos amarelos franceses, a caquética Sauber de Marcos Ericsson, em 12º. Enquanto Felipe Nasr fala e brada o sueco bota tempo, mesmo com uma maquina tão ultrapassada como essa.

De Angelis, 30

E seria num dia 15 de maio que a F1 perdia um de seus principais ícones dos anos 80. O veloz Elio De Angelis, num acidente durante testes em Paul Ricard (LAT)

E seria num dia 15 de maio que a F1 perdia um de seus principais ícones dos anos 80. O veloz Elio De Angelis, num acidente durante testes em Paul Ricard (LAT)

Neste domingo, fãs de F1 recordam nas rodas de conversa os 30 anos da morte de um dos mais icônicos pilotos das grelhas dos anos 80. Conhecido pela pilotagem de classe e técnica sem perder a elegância, Elio De Angelis escreveu seu nome na história da categoria apresentando belas atuações na pista e belas composições ao piano, hobby que cultivava fora das pistas.

De Angelis estreou na F1 em 1979, na Shadow, assombrando o mundo com boas atuações mesmo com um carro defasado. O bom cartaz mostrado na primeira temporada o levou a Lotus em 1980, onde ficaria por cinco anos, conquistando duas vitórias, na Áustria, em 1982, duelando lado a lado com a Williams de Keke Rosberg palmo a palmo, e em 1985, herdando de Alain Prost a conquista em San Marino.

Em 1986, sem chances de crescer ao lado de Ayrton Senna, De Angelis foi a Brabham, confiando no projeto skateboard revolucionário de Gordon Murray. Os problemas do carro eram constantes e os testes tornavam-se maratonas de trabalho. Foi num deles, em Paul Ricard, que o bom italiano perdeu a vida, despistando-se na antiga série de esses La Verriere da pista. O carro capotou e foi envolto pelas chamas. De Angelis foi retirado as pressas do carro quase sem vida e morreria dias depois dos traumas sofridos.

Esta edição do G&M é em memória de Elio De Angelis, um grande nome que jamais será esquecido pelos fãs da F1

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