Ponte Preta: A nova ponte, metamorfoses e algumas memorias

A nova Ponte Gustavo Krug - Ponte Preta - foi inaugurada no último dia 14 de maio. No entanto, muito além da nova estrutura, muitas histórias escondem-se neste trecho tímido que liga o Progresso a Ruy Barbosa (André Bonomini)

A nova Ponte Gustavo Krug – Ponte Preta – foi inaugurada no último dia 14 de maio. No entanto, muito além da nova estrutura, muitas histórias escondem-se neste trecho tímido que liga o Progresso a Ruy Barbosa (André Bonomini)

Foi quase um ano desde que A BOINA noticiou a assinatura da ordem de serviço para a reforma da Ponte Gustavo Krug – a sempre clássica Ponte Preta – na entrada da Rua Ruy Barbosa, no Progresso. O tempo passou, contratempos houveram, mas depois de uma espera que para alguns foi penosa (e para outros, compreensível), a obra foi finalmente entregue a comunidade no último sábado (14/05), numa tarde nebulosa mas que marcou o escrever de uma nova história.

O ato de inauguração teve a presença do prefeito Napoleão Bernardes, do intendente distrital Jaime Cunha, do vereador Oldemar Becker e dos presidentes das Associações de Moradores da Santa Terezinha (AMSTET), Pedro Rodrigues, e da Emílio Tallmann (AMETT), Gilmar Oeschler, e demais autoridades. Um ato simples, informal e sem formalidades exageradas, mas que serviu para marcar de nota o start oficial da história da terceira sucessora da velha ponte de madeira, que guarda histórias de outros tempos e memórias que poucos conhecem.

O prefeito Napoleão Bernardes, ladeado do presidente da AMETT, Gilmar Oeschler, da AMSTET, Pedro Rodrigues, e do intendênte do Garcia, Jaime Cunha, no ato da inauguração da nova ponte (André Bonomini)

O prefeito Napoleão Bernardes, ladeado do presidente da AMETT, Gilmar Oeschler, da AMSTET, Pedro Rodrigues, e do intendênte do Garcia, Jaime Cunha, no ato da inauguração da nova ponte (André Bonomini)

Cruzar o ribeirão: Antiga necessidade

Atravessar para o lado direito do Ribeirão Garcia era uma antiga necessidade para quem morava no que era conhecido como Krohberger, ou Krobergerbach (Ribeirão Kroberger) ou, simplesmente, Kroba. Nome este dado corriqueiramente em memória ao primeiro morador da redondeza, Heinrich Kroberger, que viera com a família para a região por volta de 1858.

A primeira ponte, na década de 20. Na cabeceira o professor Rudolfo Hollenweger e seus alunos. Com o passar do tempo o telhado desapareceu, dando lugar aos jovens que se refrescavam no trampolim que a ponte se tornava no verão (Adalberto Day)

A primeira ponte, na década de 20. Na cabeceira o professor Rudolfo Hollenweger e seus alunos. Com o passar do tempo o telhado desapareceu, dando lugar aos jovens que se refrescavam no trampolim que a ponte se tornava no verão (Adalberto Day)

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Havia desde 1904 uma pequena pinguela de madeira que fazia esta ligação, localizada onde atualmente é o final da Rua Catarina Abreu Coelho e que, até hoje, mantém a mesma passagem centenária (trocando apenas a estrutura, já derrubada em tantas enxurradas, é claro). Ela era a principal travessia, em especial, para os alunos da escolinha de Rudolfo Hollenweger, que a acessavam, vamos dizer, em busca do conhecimento do velho professor.

A primeira ponte, coberta, surgiu na década de 20 para suprir uma antiga necessidade da comunidade em busca de uma travessia maior e mais segura. O telhado bipartido com uma elegante divisão horizontal coberta no meio não era a única marca da passagem, mas a pintura em óleo para prevenir a estrutura das intempéries. A tonalidade escura foi a responsável por lhe dar o apelido que até hoje a acompanha: Ponte Preta.

O cortejo das bodas de ouro do ex-vereador Evaldo Moritz, no início de 1978. A nova ponte tinha sido recém-inaugurada, prova da faixa Obrigado Prefeito - em agradecimento ao então prefeito Renato Viana - ainda estava pendurada por ali Airton Gonçalves Ribeiro)

A carreata das bodas de ouro do ex-vereador Evaldo Moritz, no início de 1978. A nova ponte tinha sido recém-inaugurada, prova da faixa Obrigado Prefeito – em agradecimento ao então prefeito Renato Viana – ainda estava pendurada por ali (Airton Gonçalves Ribeiro)

Casamento Evaldo Moritz (1981) - Cópia

O tempo passou, o telhado também, restando apenas a estrutura de madeira cinquentenária, que servia de trampolim para a garotada – hoje de cabelos brancos – refrescar-se no ribeirão em saltos ornamentais. A idade pesou para a velha estrutura de madeira e no fim dos anos 70, uma nova ponte, de concreto, foi levantada no local. Firmada em concreto com trilhos de trem na base, ela seria inaugurada em 18 de fevereiro de 1978, no segundo ano de trabalhos do prefeito Renato Viana e festejada pela comunidade da região.

E lá estava a ponte, sempre firme na função que tinha há tantos anos de servir de passagem segura para motoristas e pedestres que saiam para o Progresso ou entravam na Ruy Barbosa, coisa corriqueira como de praxe. Mas, assim como a sucessora de madeira, o tempo começou a passar e pesar. A placa de bronze da fundação foi arrancada e a velha estrutura, além de desgastada, estrangulava a passagem do Ribeirão Garcia em tempos de chuvas fortes.

Não foi a toa que na catástrofe de 2008 a pressão das águas deterioraram ainda mais a estrutura, que há época completara 30 anos de uso, danificando as cabeceiras e impedindo por alguns dias o acesso de veículos. Coube ao Exercito montar no local uma ponte provisória para tanto, permanecendo lá um bom tempo até o reparo no buraco formado com a erosão da pressão do rio na cabeceira da Ruy Barbosa.

A ponte metálica armada pelo Exercito durante a catastrofe de 2008. Era por ela, por algum tempo, que a Ruy Barbosa se ligada ao Progresso devido ao desassoreamento da base por conta da pressão do rio André Bonomini)

A ponte metálica armada pelo Exercito durante a catástrofe de 2008. Era por ela, por algum tempo, que a Ruy Barbosa se ligada ao Progresso devido ao desassoreamento da base por conta da pressão do ribeirão revolto com as chuvas daquele período (André Bonomini)

Hora de repaginar

Mesmo reparada, a estrutura precisava de uma mudança radical. E não apenas para dar segurança a estrutura, mas principalmente para liberar passagem ao ribeirão em períodos de chuvas e cheias mais consistentes. Assim chegamos a agosto de 2015, quando a Prefeitura assinou em uma pequena solenidade na varanda da residência de Vitor Muller a ordem de serviço para a construção da nova ponte. Os recursos vinham de Brasilia (acredite, vieram recursos de Brasilia, se é que você compreende a atual fase política), do Ministério da Integração Nacional, através do PAC Drenagem. Eram da ordem de R$ 1,1 milhão.

Passaram um pouco além de sete meses, é verdade. Chuvas atrapalharam o cronograma e alguns moradores da Ruy Barbosa e arredores, mais exaltados, bradavam palavras de ordem pedindo o término da ponte, já dentro dos novos prazos regulados por conta das chuvas de outubro. Enfim, no dia 14 de maio de 2016, na mesma residência de Vitor Muller, a ponte era entregue, sem espalhafatos, apenas uma declaração formal de que tudo estava feito.

Veja como foi a metamorfose, desde a assinatura da ordem até hoje:

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A nova ponte tem um vão livre muito maior com relação a estrutura antiga. 28m de extensão e 25m de espaço entre as fundações, permitindo a vazão do Ribeirão Garcia com muito mais folga do que antes. Além disso, um acesso totalmente sinalizado dispensou o semáforo e dá mais agilidade para entrar ou sair, sem contar que a pista um pouco mais estreita, ao menos na intensão, procura dar um freio a quem vem no chute pela Rua Progresso.

E, cá pra nós, A BOINA cobrou naquele agosto a colocação de um semáforo no local, assim como outras pessoas cobravam. Mas, permitindo o luxo de mudar de opinião, o novo acesso deu outro dinamismo as conversões no local sem precisar parar o transito para tanto.

A alcunha na placa de fundação: Imortalizada para sempre (André Bonomini)

A alcunha na placa de fundação: Imortalizada para sempre (André Bonomini)

Ponte feita, a rotina segue e outra história começa a ser escrita. Na placa de fundação, o registro permanente da memória, talvez pela primeira vez desde 1978: A inscrição Ponte Preta para sempre, em aço e na mente de quem vê naquela simples ponte muito mais do que uma… simples ponte.

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