Vendas aumentam, adeptos crescem: A volta pra valer do vinil

Eles mandam na musica outra vez. Voltando pelas mãos de adeptos, artistas atrás de inovações e novas formas de ouvir o som, o vinil não é mais peça de museu, é tão atual quanto se pensa (Reprodução)

Eles mandam na musica outra vez. Voltando pelas mãos de adeptos, artistas atrás de inovações e novas formas de ouvir o som, o vinil não é mais peça de museu, é tão atual quanto se pensa (Reprodução)

Havia um tempo em que os grandes sucessos nacionais e internacionais na música rodavam em 33 ou 45 rpm. Os discos de vinil (LP, compactos, singles, o que for) foram por muitos anos a marca maior do mercado fonográfico, os que mandavam e desmandavam e que, pela força da história, tornaram-se ícones de um passado não muito distante, onde nossos pais e tios vibraram com sons de figurinhas carimbadas da canção dentro dos quartos ou nas reuniões dançantes na casa dos amigos.

Ele foi dado como morto no meio dos anos 90, quando o CD e, posteriormente, o MP3 deram novos rumos ao mercado, trazendo o que muitos falam de som limpo, de qualidade e livre de chiados. Só que quem o deu como finado nota hoje que o morto-vivo nunca morreu, apenas adormeceu para regressar mais forte do que nunca, desenterrando clássicos, fazendo novos adeptos e trazendo sorrisos no chiar da canção riscada na agulha.

Na penumbra da praça central do Neumarkt, discófilos caçam preciosidades na Feirinha do Vinil da Factory, na sétima edição. O mercado, seja para discos novos ou antigos, está quente e em bom momento (Patrick Rodrigues / RBS)

Na penumbra da praça central do Neumarkt, discófilos caçam preciosidades na Feirinha do Vinil da Factory, na sétima edição. O mercado, seja para discos novos ou antigos, está quente e em bom momento (Patrick Rodrigues / RBS)

Matéria publicada no último domingo (22/05) pelo bom amigo Leo Laps no Jornal de Santa Catarina dá bem conta disso. A Feirinha do Vinil do Factory, já tradicional, foi promovida naquele fim de semana na Praça Central do Shopping Neumarkt, reunindo um número surpreendente de adeptos, sejam eles aficionados ou DJs atrás de novos sons para novos trabalhos. A corrida atrás de discos só foi constatador de uma certeza que já se desenhava há algum tempo: O vinil, dado como falecido e sepultado, resolveu voltar e ficar pra valer.

Não é surpresa para mim. Observando em volta, a adoração pelo formato e a qualidade que tomou como relíquia o fez ser novamente uma das primeiras notas na canção. Em sites de compra pela internet, como o Mercado Livre, a mudança de perfil já é sentida e muito bem. A queda nas vendas de CDs contrasta com a subida constante da procura e compra de LPs e compactos, fora ser responsável por ter salvo a única fábrica de vinis do país, a Polysom, que estava praticamente fadada a fechar.

Fresquinho recém-saído da prensa. A Polysom é a única da América Latina na produção de bolachões e, superando uma crise e o fechamento das portas em 2007, vem crescendo impressionantemente graças a nova tendencia (Selmy Yassuda)

Fresquinho recém-saído da prensa. A Polysom é a única da América Latina na produção de bolachões e, superando uma crise e o fechamento das portas em 2007, vem crescendo impressionantemente graças a nova tendencia (Selmy Yassuda)

Em depoimento ao Gazeta do Povo, em 2013, o consultor da marca, João Augusto, foi direto ao dar os motivos pelo crescimento do formato no século XXI e o que o tem feito tão popular. Acreditamos que a necessidade que algumas pessoas sentem de ter novas experiências na audição da música, e o charme do vinil, são alguns fatores que contribuíram, disse. E não é mentira alguma o que o feliz consultor da Polysom argumenta. Segundo quem ouve, o som do CD, em contraposição ao vinil, é mais metálico e magro, contra o efeito encorpado e cheio obtido pela reprodução do LP, facilmente notado no tocar do contra-baixo e em outros instrumentos mais graves.

Acha bobagem? Comparei com um tema bastante conhecido: Mas que Nada, de Sergio Mendes & Brazil 66. É preciso ter ouvido pra sentir. Veja só:

Normal:

Vinil:

Outro ponto que faz o vinil mostrar a força que tem é a volta da produção de trabalhos inéditos de bandas e cantores utilizando o formato. Exemplos não faltam e os fãs, eternos adeptos de trabalhos palpáveis em contraposição aos arquivos digitais, não medem gastos para ter nas prateleiras uma recordação dos ídolos em bolachão. A sensação remete aos bons anos 70 e 80, quando um novo LP chegado a casa era avidamente aberto e lentamente colocado na vitrola, escutando os primeiros chiados da cópia. A mesma sensação dos adeptos atras de raridades discófilas, que chegam a ser cobradas por pequenas fortunas.

Ronnie e suas obras. Os três discos superaram recordes de devolução quando lançados (por, simplesmente, ninguém entender a inovação do Principe). Hoje, são peças de colecionador que, sendo originais, são vendidas por pequenas fortunas (Reprodução)

Ronnie Von e suas obras. Os três discos superaram recordes de devolução quando lançados (por, simplesmente, ninguém entender a inovação do Principe). Hoje, são peças de colecionador que, sendo originais, são vendidas por pequenas fortunas (Reprodução)

Um exemplo disso foi com Ronnie Von, no início da década. Ainda pouco descoberta, a obra psicodélica do Principe era resumida em A Praça e outras canções com tom de Jovem Guarda, tornando os três discos da fase mais porreta do cantor verdadeiras raridades. Mas, de elementos cult, os três LPs (1968, A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nuncamais, de 1969, e A Máquina Voadora, de 1970) entraram na lista das obras mais desejadas. Publicações europeias as deram como produções importantes do Rock Psicodélico no mundo, o que fez os três discos serem relançados para deleite dos fãs e adeptos da música em 33 rpm.

E por outra. Não apenas os discos tem voltado como também a venda em grande quantidade dos bons e velhos equipamentos de toca-discos ou vitrolas. Fora os Crosby e modelos retros e mais simples aos mais sofisticados, a Panasonic anunciou recentemente que está trabalhando, ainda sob sigilo, a volta da icônica linha Technics, lançada em 1972, interrompido em 2007 e que era o deleite dos aficionados, DJs e amantes do bom som. Pouco ainda se sabe sobre a novidade, mas as notícias dão conta de que para breve, e emendando a volta do mercado de LPs, o reverenciado Technics estará novamente zero bala girando nas casas e baladas de todo o mundo.

O icônico Technics, obra-prima do som da Panasonic que está em vias de retornar ao mercado (Reprodução)

O icônico Technics, obra-prima do som da Panasonic que está em vias de retornar ao mercado (Reprodução)

Os caminhos para a expansão deste mercado são vários e, diante de tanta festa com a volta para valer do formato, o vinil é uma certeza a frente do CD, em vias de se finar, e do mp3, que só tem a praticidade de não ocupar espaço como qualidade. Felicidade para os adeptos e alegria do mercado fonográfico, o mundo voltou a girar em 33 rotações, ouvir chiados e não se incomodar nem um pouco.

Vida longa ao vinil! Ele merece!

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