Gramming & Marbles: Hamilton chora, bate o pé, vence e abre o campeonato em Mônaco

Vitória para respirar no campeonato. Lewis Hamilton chorou nas manobras, aproveitou ordem de equipe e babas da Red Bull para vencer no principado. Sera uma volta por cima? (Getty Images)

Vitória para respirar no campeonato. Lewis Hamilton chorou nas manobras, aproveitou ordem de equipe e babas da Red Bull para vencer no principado. Sera uma volta por cima? (Getty Images)

(André Bonomini e Douglas Sardo)

Vitória do chorão na varanda úmida do príncipe

Fazia oito anos que não víamos o GP de Mônaco molhado. Este ano, quis São Pedro que o céu derramasse água e, ao menos em 35% da prova, vimos chuva no principado. Uma boa corrida, cheia de alternativas, lances polêmicos e um vencedor de sempre voltando a vencer, mesmo com uma coleção de choros. Embora vencendo, Lewis Hamilton não foi, necessariamente, o cara da prova. Venceu na bobagem da Red Bull, na ordem da equipe que pediu que Nico Rosberg desse passagem, nas leves cortações de caminho na chincane e nas fechadas a Daniel Riccardo. Isto e nada mais.

Os problemas do inglês nos treinos esquentaram o clima da prova, que mesmo com a chuva começou quente. A jogada da Mercedes em aguentar Hamilton na pista até o limite do pneu de chuva extrema não surtiria efeito forte se não fosse a trapalhada homérica da Red Bull na parada do australiano, que era o líder da prova. Foi um erro crasso, esquecer as quatro rodas num pit equivocado foi doido, o bastante para aniquilar uma vitória certa e entrega-la de lambuja no colo do britânico.

E se a coisa já estava boa no terreiro dos Grimaldi, ficou melhor ainda para Lewis, pois Rosberg ainda perdeu o sexto posto para Nico Hulkenberg na última volta, fechando a prova em sétimo. Bom para abrir o campeonato, dar disputa e provocar a distancia Nico, que vai ter que mostrar que a prova monegasca foi um outro ponto fora da curva.

O campeonato está aberto, ainda bem, e os contornos desta nova briga entre os prateados ficam para os próximos capítulos que, tomara, sejam tão legais quanto Mônaco.

Na sombra de Hamilton, a Red Bull de Riccardo. Inglês não teve vida fácil durante a prova (Getty Images)

Na sombra de Hamilton, a Red Bull de Riccardo. Inglês não teve vida fácil durante a prova (Getty Images)

Red Bull: A segunda força?

Não é de agora, a Red Bull deixou para trás o estigma de touro paraguaio e tem mostrado cacife para voltar a figurar a frente como uma das grandes forças, senão a segunda força do campeonato. Excluindo-se o tropeço astronômico nos pits, o time austríaco volta a viver o que viveu nos anos pré-tetra de Sebastian Vettel, mais exatamente em 2009, quando mesmo assistindo o domínio de Jenson Button e da Brawn, consolidava-se como um grande carro no grid.

A nova versão atualizada do motor Renault entregue – e acertada pela TAG-Heuer – mostrou vigor já na Espanha e nas curvas do principado foi mais além, permitindo Riccardo conquistar a primeira pole da carreira. Mas não se atribui apenas ao engenho estas qualidades todas de desempenho, o chassi – que chegou a ser tachado como o melhor da história do team segundo Helmut Marko – mostra pontos positivos, sobretudo quando pode virar tempo melhor que os da Mercedes e usando pneus supermacios, contra os ultramacios usados pelos alemães e estreados nas ruas de Mônaco.

Riccardo puxa a fila na largada. Australiano fez o dever de casa, mostrando o potencial do carro, em chassi e motor. Verstappen teve um fim de semana difícil e bateu (Getty Images)

Riccardo puxa a fila na largada. Australiano fez o dever de casa, mostrando o potencial do carro, em chassi e motor. Verstappen teve um fim de semana difícil e bateu quando vinha recuperando posições de forma combativa (Getty Images)

Riccardo não venceu por um erro de box, que não deve ser corriqueiro nem por decreto, mas aparece bem como um postulante a incomodar o domínio germânico. Quanto a Max Verstappen, teve um fim de semana avesso do que foi o último em Barcelona. Bateu três vezes num único fim de semana de corrida no principado, largou em último e encerrou a participação na prova – até aquele momento combativa – com uma chumbada na parede.

A dupla é boa, o carango é bom, só a Red Bull acertar o taco. O que está bem fazendo.

Ericsson e Kvyat – Os perturbados

Não é novidade que Mônaco, assim como bom circuito de rua que se preze, não permite erros, e quando os permite pune severamente com o guard-rail. No entanto, nas vielas apertadas do principado não faltou também a parcela de erros, que subiram as alturas nesse fim de semana. Dois deles merecem destaque pois, além de estarem em situações parecidas, aconteceram exatamente na mesma curva: a La Rascasse.

Kvyat leva Magnussen para o muro na La Rascasse. Ambos conseguiram voltar (Getty Images)

Kvyat leva Magnussen para o muro na La Rascasse. Ambos conseguiram voltar (Twitter)

O primeiro foi Daniil Kvyat. Perturbado e sem controle mental desde o rebaixamento para a Toro Rosso, o russo voltou a desequilibrar-se e, numa manobra tola, quase levou ele e Kevin Magnussen a ruína. Ambos pararam de frente ao muro, sobrando reclamações do lado do dinamarquês, que era a única Renault na pista (Joylon Palmer chumbou o carro na reta de largada no início da prova). Fora as reclamações, a prova de que a cabeça do russo e os azares o perseguem, sem data de dar trégua.

Já o segundo foi mais polêmico ainda. Recebendo ordens para deixar Marcos Ericsson passar, Felipe Nasr não deu trégua, seja por falta de lugar para abrir ou simplesmente por não querer ouvir. O sueco, que tem mostrado não ser nenhum exemplo de talento e perícia no volante, achou o mesmo canto que Kvyat na La Rascasse, arriscou e levou a prova da Sauber para o ralo. Apesar de parecer um simples toque, foi o suficiente para causar o abandono de ambos os carros. No fim, reunião com o tio Peter e algumas desculpas.

Ericsson tenta manobra contra Nasr e leva a difícil corrida da Sauber para o ralo numa manobra infeliz (Getty Images)

Na mesma La Rascasse, Ericsson tenta manobra contra Nasr e leva a difícil corrida da Sauber para o ralo numa manobra infeliz (TV)

Desculpas não há para a imperícia. Erros, todos cometem, mas não com tanta frequência.

Sérgio e Lito – Laurel e Hardy versão B

Sergio Maurício e Lito Cavalcanti. A dupla da Sportv (leia-se Globo) consegue se superar na arte de errar dados simples. Em Mônaco, bateram todos os recordes do tolerável (TV)

Sergio Maurício e Lito Cavalcanti. A dupla da Sportv (leia-se Globo) consegue se superar na arte de errar dados simples. Em Mônaco, bateram todos os recordes do tolerável (TV)

Diz-se que errar é humano, mas persistir no erro é burrice. Neste caso, valem as duas frases e mais um adendo que pode dizer não aceitar o erro é arrogância. Outra vez, para loucura e revolta dos aficionados da F1 (como nós dois, claro), Sérgio Maurício e Lito Cavalcanti deram mais uma prova do destempero e displicência nas transmissões de treinos e das reprises. E, desta vez, a coleção de erros foi crassa, indignante e, nas palavras de Dedé Santana, bestificante.

Durante os treinos, os dois recordaram no Tunel do Tempo a corrida no principado de 1993, que todos sabem bem que foi a sexta vitória de Ayrton Senna, aquela que lhe deu o recorde e o título de Mr. Mônaco. No entanto, não bastasse o ufanismo e forçação de barra exagerada, a dupla disparou dois tiros erráticos no ar. Vale ver em tópico:

Alain Prost abandonou a prova… Sendo que, na verdade, o francês chegou em quarto depois de cumprir punição (Prost é um monstro, abandona e chega em quarto na mesma prova? É de rir para não matar um!)

– O motor da McLaren de Senna – um Ford de segunda linha aperfeiçoado pela TAG naquele período – era o PIOR do grid. Sendo que ignora-se fragorosamente os Mugen da Footwork, o Yamaha da Tyrrell, a versão do Ford usada pela Minardi e da Ferrari usado pela Lola, o Hart da Jordan (que não era lá estas coisas). Total derrapada.

– Em momento, numa passagem de Michael Andretti, Sérgio o confundiu com Senna.

Alain Prost em Mônaco. Um fenômeno que, segundo Sérgio e Lito, conseguiu abandonar e chegar em quarto. (Sutton)

Alain Prost em Mônaco. Um fenômeno que, segundo Sérgio e Lito, conseguiu abandonar e chegar em quarto. (Sutton)

Fora estas, ambos ainda cravaram que esta era a TERCEIRA pole de Riccardo, sendo que era a primeira vez que o australiano largaria na frente na F1. As redes sociais explodiram de reclamações, que provavelmente não vão ser reparadas pela dupla assim como em erros crassos anteriores.

É a prova simples de onde anda o jornalismo de automobilismo no país, salvando-se raras exceções. Profissionais no alto da cadeira, com posturas egocêntricas e arrogantes, buscando serem entendidos quando derrapam na própria língua ou nos próprios dedos.

E, ah! A corrida de hoje foi narrada pelo Luiz Roberto, que dispensa comentários pela forçação de barra. Como diria Douglas Sardo: Patético!

E me desculpem a dupla original de O Gordo e o Magro, não mereciam comparativo tão infame.

Os 10 mais – Corrida

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
3 – Sergio Pérez (Force India-Mercedes)
4 – Sebastian Vettel (Ferrari)
5 – Fernando Alonso (McLaren-Honda)
6 – Nico Hulkenberg (Force India-Mercedes)
7 – Nico Rosberg (Mercedes)
8 – Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso-Ferrari)
9 – Jenson Button (McLaren-Honda)
10 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
ABN – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Nico Rosberg (106)
2 – Lewis Hamilton (82)
3 – Daniel Riccardo (66)
4 – Kimi Raikkonen (61)
5 – Sebastian Vettel (60)
6 – Max Verstappen (38)
7 – Felipe Massa (37)
22 – Felipe Nasr (0)

MENINO DE MUZAMBINHO: Daniel Riccardo

Grande fim de semana de Riccardo foi minado por erro crasso da equipe num pit-stop importante. No entanto, nada tira o mérito de uma grande corrida do australiano (Getty Images)

Grande fim de semana de Riccardo foi minado por erro crasso da equipe num pit-stop importante. No entanto, nada tira o mérito de uma grande corrida do australiano (Getty Images)

Vamos aqui fazer uma breve exclusão do erro de box grotesco da Red Bull. A atuação de Daniel Riccardo é muito maior do que isso, ficando devendo apenas a vitória.Daniel foi combativo, firme e até o fim buscou a vitória, tentando refazer-se do erro. Teve um fim de semana bom, com pole e mostra de que pode fazer bem mais do que o carro permite, e isto tudo depois de ter questionada sua capacidade diante de Max Verstappen.

Faltou pouco, bem dizendo a velha máxima que largar na frente em Mônaco é meia-corrida ganha, Riccardo fez o script certinho, sem dar a mínima chance a Mercedes e aproveitando o melhor equipamento. No entanto, o erro da equipe de box lhe tirou uma vitória certa. Depois da prova, sobraram lamentos e com razão por conta deste deslize. Se o futuro de Daniel não estiver na Red Bull, pode estar em qualquer lugar, mas sempre estará na F1.

Rapidinhas:

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Raikkonen e o halo no início do ano. Aparato idealizado pela Ferrari foi o escolhido pela FIA para 2017. Falta oficializar (Getty Images)

– Antes ainda de Mônaco, a FIA aprovou para 2017 o uso do halo como dispositivo de proteção para a cabeça do piloto. A ideia da Ferrari foi escolhida diante do Aeroscreen da Red Bull, que ainda precisava de aperfeiçoamentos. A Federação resolveu nem esperar e apontar a ideia de Maranello. Falta só oficializar as tiras de havaianas.

– No entanto, dos lados vermelhos nada de muito impressionante. Vettel fez o básico para faturar o quarto lugar sem brilho e reclamando muito. Kimi Raikkonen errou a mão na Loews e passou a prova desapercebido.

Perez na TV. Mexicano levou a Force India a um grande terceiro lugar, segurando Vettel com autoridade mesmo com um carro inferior (Getty Images)

Perez na TV. Mexicano levou a Force India a um grande terceiro lugar, segurando Vettel com autoridade mesmo com um carro inferior (Getty Images)

– Grande prova para a Force India. Depois de várias vacas magas, o time indiano sai do principado com os dois carros nos pontos em boas posições. Hulkenberg faturou o sexto lugar no apagar das luzes, Sergio Pérez mostrou que ainda tem estrela mesmo com a má fase do carro e galgou o terceiro posto. Bravíssimo para o mexicano.

– A McLaren mostra que, tijolinho por tijolinho, vai arrancando algo de bom do motor Honda e do chassis. Numa prova de resistência, ambos os carros chegaram nos dez primeiros e em boas colocações. Jenson Button puxou o nono posto, Fernando Alonso foi mais além e levou o bólido de Woking ao quinto lugar, segurando atrás dele a poderosa (porém, nesta corrida, anêmica) Mercedes de Rosberg.

Alonso fez das tripas coração e levou a McLaren a um fabuloso quinto posto. Já Wehrlein conquistou o posto de chincane ambulante da prova Motorsport)

Alonso fez das tripas coração e levou a McLaren a um fabuloso quinto posto. Já Wehrlein (abaixo) conquistou o posto de chincane ambulante da prova (Motorsport)

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– Dos lados da Williams, o maior destaque foram os boatos de saída dos pilotos para outras equipes, como Felipe Massa tendo papos com a Renault. Na pista, apenas o brasileiro cravou um pontinho (10º). De Valtteri Bottas, nenhuma notícia.

– E para Pascal Wehrlein o título de chincane ambulante de 2016. Não óbvio, tomou punição por não ver as bandeiras azuis. Seria daltonismo?

Cortinas fechadas, outra prova no principado ganha, é hora de cruzar o atlântico pela primeira vez rumo a América. A próxima parada da F1 é no dia 12, no romântico dia dos namorados, para a prova de Montreal, Canadá. Que contos de amor nossos pilotos contarão para ficarem para sempre com a vitória? Será que Rosberg e Hamilton vão resolver de vez as brigas de casal? Riccardo vai se entender com a amável família austríaca?

Descubram no próximo capitulo da temporada. E A BOINA estará atenta a tudo. E não perca! Dentro de instantes a Indy 500 e o grande show da centésima prova nos EUA. Vitória inesperada de Alexander Rossi.

Até la!

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