Parcão: Homenagem justa, revitalização e o bom cantinho dos cãezinhos

Renascido: Antigo espaço do Parque da Foz do Ribeirão Garcia agora é dos caninos, no novo Parque dos Animais Dra. Lucia Sevegnani, o Parcão Blumenau (André Bonomini)

Renascido: Antigo espaço do Parque da Foz do Ribeirão Garcia agora é dos caninos, no novo Parque dos Animais Dra. Lucia Sevegnani, o Parcão Blumenau (André Bonomini)

– Au au au au, au au au… au au au au au, au au, au au au, au au. Au au au, rrrrrrrr au au!

Bom, obviamente que o trecho acima é bem inventado e intraduzível. Mas talvez seria algo como um “muito obrigado” dito por um cãozinho ou cadela qualquer que na manhã de ontem esteve presente na abertura de mais um espaço para eles na cidade. Depois de tempos na penumbra, largado aos marginais e ao abandono, o antigo Parque da Foz do Ribeirão Garcia foi revitalizado e passa, agora, a ter novos frequentadores: Eis o Parque dos Animais Dra. Lúcia Sevegnani, ou no popular, o Parcão Blumenau.

Ideia alimentada desde 2010 pelos defensores dos animais e donos de cãezinhos, o Parcão fez renascer um antigo espaço outrora abandonado na região central da cidade. A abertura oficial foi neste último sábado (04/06), tendo a presença do prefeito Napoleão Bernardes, do presidente da Faema, Fernando Leite, vereadores, autoridades e entidades de proteção aos animais, como a Aprablu. Na oportunidade também foi assinado o chamado Código de Proteção e Bem Estar Animal, inovador entre muitos municípios e feito para garantir a segurança e direitos dos amiguinhos de quatro patas.

O antigo parque: De presente de aniversário a decadência

Convidativo? Antigo parque foi inaugurado nas festividades dos 150 anos da cidade, mas com o tempo o local deteriorou-se, virando ponto de viciados e vândalos (Rick Latorre / Blumenews)

Convidativo? Antigo parque foi inaugurado nas festividades dos 150 anos da cidade, mas com o tempo o local deteriorou-se, virando ponto de viciados e vândalos (Rick Latorre / Blumenews)

Voltando um pouco na história, pois é necessário. O antigo Parque Municipal da Foz do Ribeirão Garcia foi criado em 2000, por ocasião dos 150 anos da cidade. Lá estava preservado, entre as várias trilhas de corrida, o chamado Arvoredo Blumenau 150 anos, onde cada árvore do caminho da trilha representava um ano de vida da cidade. O tempo passou, e de espaço até bem vistado o parque caiu num abandono cruel. Vândalos, criminosos e viciados tomaram o lugar das famílias e as instalações foram depredadas. O amigo Rick Latorre, do portal Blumenews, relatou em outubro de 2011 o descaso e situação de abandono, que chegava a ser assustador contrastando com a realidade atual.

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Há algum tempo, a Faema tinha a intenção de revitalizar a área e lhe dar nova utilidade, tal como fora feito com o Parque São Francisco, nos fundos do Shopping Neumarkt, há algum tempo atrás e com muito sucesso. Em abril de 2015, o coletivo Vamo Siuni? esteve por aquelas cercanias, dando um tapa bem vindo na aparência do espaço. Foi limpo e renovado com pinturas e movimento. Mas ainda assim faltava mais, já que o coletivo não poderia assumir a tarefa de guardião do parque em tempo integral.

O Vamo Siuni? no parque em 2015. Apesar da iniciativa, o coletivo não pode tomar a decisão de proteger o parque 100% do tempo. E o abandono voltou a rondar o local (Leo Laps / RBS)

O Vamo Siuni? no parque em 2015. Apesar da iniciativa, o coletivo não pode tomar a decisão de proteger o parque 100% do tempo. E o abandono voltou a rondar o local (Leo Laps / RBS)

O bom exemplo do Parque São Fracisco, no Centro. Renovado e em pleno funcionamento (Reprodução)

O bom exemplo do Parque São Fracisco, no Centro. Renovado e em pleno funcionamento (Reprodução)

Depois da tempestade, a renovação 

A mão amiga, enfim, veio em boa hora. Foi quase um mês de trabalhos no local para transformar a imagem decadente em um alegre espaço para os cãezinhos. A grama foi substituída por areia-brita, uma espécie de pó contaminado, em toda a extensão. A antiga trilha do arvoredo foi fechada para evitar acesso a mata abaixo da Ponte Eng. Udo Deeke (ponte da Rua 7). Equipamentos de agility foram instalados, banheiros reformados, iluminação reforçada, arborização renovada e uma nova cerca com divisão na entrada foi colocada. Apenas R$ 80 mil foram suficientes para recolocar o velho espaço em dia e de volta a velha forma.

A inauguração na manhã do ultimo sábado mais parecia uma abertura de um parque de diversões, só que para os cãezinhos, imensamente animados, fazendo novos amiguinhos e se divertindo, talvez como nunca antes na vida. Não é o primeiro deste gênero na cidade, pois desde maio os pequeninos também contam com o chamado Pet Place, na Rua Felipe Camarão, transversal da Almirante Barroso, na Vila Nova.

O Pet Place na Felipe Camarão. Primeira inciativa de parque para os animais na cidade (Eraldo Schnaider / PMB)

O Pet Place na Felipe Camarão. Primeira inciativa de parque para os animais na cidade (Eraldo Schnaider / PMB)

O espaço funcionará aberto das 7h ás 19h, tendo um vigia da prefeitura no local durante o horário de funcionamento. Após este período, uma parceria entre a prefeitura e o Angeloni, vizinho do Parcão, permitirá a monitoração do local com câmeras de vigilância.

Cada noite será uma verdadeira prova de fogo e todo o esforço deve ser necessário para garantir a conservação do espaço e, especialmente, a distância dos vândalos, drogados e andarilhos, que infelizmente estão a espreita de qualquer brecha para tornar feia e deprimente as boas ações. Não será fácil a tarefa, mas todo o olho vivo sempre é bem vindo.

Veja imagens do dia da abertura do Parcão:

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Justa reverencia

Junto de toda esta animação também fica ratificado no nome do local a homenagem justa a uma grande mulher e grande amiga da natureza. A professora doutora Lúcia Sevegnani, marca maior da proteção das matas e do seu uso turístico responsável e fascinante, como eram as caminhadas noturnas no Parque São Francisco, organizadas por ela e mais um bom grupo de amigos. Uma moça alegre e extremamente apaixonada pelo verde, sem muito esforço para poder notar isto nela mesma.

A placa de fundação com o nome oficial do Parcão. Memória da ambientalista e apaixonada completa pelo verde é uma reverencia as lutas e trabalhos de Lucia Sevegnani na defesa e mostra de nossa natureza única (André Bonomini | FURB)

A placa de fundação com o nome oficial do Parcão. Memória da ambientalista e apaixonada completa pelo verde é uma reverencia as lutas e trabalhos de Lucia Sevegnani na defesa e mostra de nossa natureza única (André Bonomini | FURB)

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Este jornalista teve a oportunidade, por muitas vezes, de conversar com a professora durante o período de estágio no jornalismo da FURB, em 2014. As conversas sempre eram longas, cheias de risos e aprendizados. Uma das matérias feitas naqueles idos foi em comemoração aos 10 anos de criação do Parque Nacional da Serra do Itajaí, cujo ela relatara em off até ter feito um gostoso bolo de aniversário para comemorar a data. Falecida em abril de 2015, a professora Lúcia é um daqueles seres humanos que fazem uma falta tremenda, seja como amiga e, especialmente como defensora do verde de nosso verde Vale do Itajaí.

A ela, fica a homenagem e a gratidão dos pequenos de quatro patas e seus donos, que agora tem mais um local para desfrutar a amizade, a diversão e bons momentos junto do verde e da cálida calma naquela região tão corrida de Blumenau.

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