Italiani nella Valle di Itajaí: Uma crônica

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Há algum tempo atrás, creio que em abril (não recordo bem), tive um encontro feliz nos corredores do Senac. Este jornalista, como descendente italiano, não podia esconder a emoção de ouvir em plena noite de trabalhos e correrias a canção que remete aos antepassados, a aqueles que trouxeram a esta terra as tradições e costumes na qual adotaste o sangue. Era o som das canções tradicionais italianas, das mais conhecidas as mais profundas, lembradas pelos que tem no sobrenome uma história vinda da terra da bota.

Este encontro foi com o único grupo de canto tradicional italiano da cidade, conhecido pelas melodias conhecidas e ricamente executadas, sempre com alegria, sorrisos e festa, marca dos momentos de regojizo dos imigrantes que, há mais de 160 anos, dividiram a terra com os alemães, mesmo as vezes incompreendidos, mas igualmente valorizados nas heranças deixadas. Era a voz inconfundível do Grupo de Canto Fratelli del Circolo, um recorte de uma cultura tricolor tão bela e emocionante, cheia de histórias e alegria espontânea.

De perto, as vozes e sons do Grupo de Canto Fratelli de Circolo, que pior onde passam arrancam elogios e emoção de quem ouve as canções da velha Itália (Lira)

De perto, as vozes e sons do Grupo de Canto Fratelli de Circolo, que pior onde passam arrancam elogios e emoção de quem ouve as canções da velha Itália (Lira)

Conduzido pelo maestro e boa-praça Valmir Maestri, o Fratelli nasceu no mesmo ano do seu mantedor, o Lira Circolo Italiano di Blumenau, em 1989. Era, junto com a associação, o inicio de um trabalho de preservação e congregação da cultura e dos descendentes de imigrantes italianos que encontraram a guarida que há tempos lhes era necessária. São cerca de 32 componentes, juntando canto e melodia, que dão vida a velhas canções do tempo do nono e da nona, e que arrepiam a tantos quantos possíveis de várias outras origens.

O portal de entrada do Lira Circolo Italiano di Blumenau, na Vila Nova (Reprodução)

O portal de entrada do Lira Circolo Italiano di Blumenau, na Vila Nova (Reprodução)

O cultivo da tradição italiana na cidade, seja pelo Fratelli ou pelas outras atividades desenvolvidas pelo Lira (Escola de Italiano Giuseppe Garibaldi e Grupo de Dança Belli Balli) é uma espécie de justiça. Desde o tempo da colônia, os italianos se fazem presentes na região, muito embora o convivo com os imigrantes alemães nunca foi totalmente pacífico. Tachados muitas vezes de preguiçosos e desordeiros por algumas parcelas de germânicos que habitavam as redondezas, os colonos traziam no semblante as marcas da dura vida na terra-mãe, que ainda vivia o tempo pré-unificação. Espalharam-se, em grande parte, pelo Alto Vale, dando origem a cidades como Laurentino, Rodeio, Rio dos Cedros e tantas outras.

Sim, isto e um queijo gigante. Uma das grandes marcas da simpática Laurentino, no Alto Vale, nascida do trabalho de colonos italianos (Reprodução)

Sim, isto e um queijo gigante. Uma das grandes marcas da simpática Laurentino, no Alto Vale, nascida do trabalho de colonos italianos (Reprodução)

Anos se passaram, os povoados pelo Vale viraram cidades e a tradição do bom vinho, da massa, da polenta, dos jogos, da dança e da canção permaneceram entre os descendentes mais fervorosos. o Lira e as várias atividades que o integram são o pilar desta preservação cultural, e em especial em Blumenau, onde nem mesmo as rusgas do passado fizeram apagar a linda história dos italianos na região, hoje em convivência pacífica e constante troca de experiencias entre as tradições germânicas e italianas.

A cada ano, a cultura italiana encontra seu maior expoente no Vale na fabulosa Festitália, onde tradição, culinária, dança e música encontram-se na maior festa dos filhos da tricolore no estado. Maior até do que celebrações em terras mais italianas do que na cidade-jardim. E é nelas, com todos os sorrisos possíveis que o Fratelli canta as músicas do bom tempo do lavrar a terra, dos bailes no pé das serras, nas reuniões grandiosas de famílias que contam histórias de passados que apenas voltam na memória.

Neste ano, só para lembrança, a festa será de 15 à 24 de julho, como sempre no Parque Vila Germânica.

O caloroso ambiente de uma Festitalia - aqui a edição de 2015 - que não dispensa a massa, a alegria e a pura tradição italiana presente no Vale. Não é a toa que é a maior festa da tradição italiana no estado, desde 1994 (Reprodução)

O caloroso ambiente de uma Festitalia – aqui a edição de 2015 – que não dispensa a massa, a alegria e a pura tradição italiana presente no Vale. Não é a toa que é a maior festa da tradição italiana no estado, desde 1994 (Reprodução)

O encontro naquela noite no Senac bateu fundo no coração deste jornalista, descendente de italianos vindos da bela província da Lombardia por volta de 1875 e que, da pequena Botuverá, expandiram a família pelas fronteiras do Vale e do estado. A cada reunião de família, a mesma alegria de encontrar parentes distantes, os sustos de ouvir os gritos durante o jogo de truco, canções, muita comida e sorrisos, dos velhos que vem a geração nova lhes suceder, dos jovens que tem o dever de continuar a missão de manter acesa a tradição vinda da terra da bota.

Se para nossa riqueza cultural, Blumenau precisou contar com as três cores da Itália também, perdoe-nos amigos descendentes germânicos, mas nós também precisamos de vosso abrigo para hoje podermos conviver juntos por estas matas verdejantes do Vale. A herança nunca morre, seja pela voz do Fratelli ou pela palavra de num piccolo bambino que acaba de nascer.

Siamo italiani! Oggi e sempre, tutti buona gente!

(Crônica dedicada aos amigos do Lira Circolo Italiano di Blumenau, em nome do patrício Mário Tachini e do maestro do Frateli, Valmir Maestri. Salute e felicità a tutti! Viva la Itália!)

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