Gramming & Marbles: Vettel erra, Rosberg pira e Hamilton carimba a quinta conquista em Montreal

Outra vez, Hamilton. Inglês derrotou a estratégia da Ferrari e venceu a segunda seguida, diminuindo ainda mais a desvantagem para Rosberg e fazendo a alegria dos fãs canadenses (Getty Images)

Outra vez, Hamilton. Inglês derrotou a estratégia da Ferrari e venceu a segunda seguida, diminuindo ainda mais a desvantagem para Rosberg e fazendo a alegria dos fãs canadenses (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Depois de Barcelona, Lewis 2 X 0 Rosberg

É tarde de domingo, tempo frio no sul do Brasil e de temperatura agradável na provinciana Montreal, menina dos olhos dos canadenses e de tantas histórias. Historicamente, pisar naquelas terras abençoadas pelo vulto de Gilles Villeneuve é certeza de uma prova cheia de surpresas e emoções, como já vimos anos anteriores, certo?

Errado! Este ano, as coisas correram normais demais para uma prova como a canadense. Lewis Hamilton cravou a pole com uma volta precisa no sábado, levando em contra o erro do companheiro e presa rumo a liderança do campeonato, Nico Rosberg.

Largada dificil para as Mercedes em Montreal. Rosberg toma safanão de Hamilton enquanto Vettel tenta fugir (Getty Images)

Largada dificil para as Mercedes em Montreal. Rosberg toma safanão de Hamilton enquanto Vettel tenta fugir (Getty Images)

Alias, o alemão viveu um inferno astral durante todo o fim de semana. Não encaixou volta boa nos treinos, largou estabanadamente, tomando um senhor chega-pra-lá de Lewis. Batalhou inutilmente por posições como se o carro fosse o pior do grid e, para culminar, perdeu-se na chincane antes da reta, numa rodada depois de ter o ímpeto segurado de forma magistral por Max Verstappen, num belo pega (o único decente da prova).

Enquanto isso, lá na frente, Hamilton ria a valer e vencia mais uma aproveitando-se, dessa vez, do equívoco de estratégia da Ferrari de Sebastian Vettel. Os italianos pararam cedo, calçando os ultra pelos supermacios, tendo o alemão andado até bem mais forte e consistente que Hamilton. No entanto, a Mercedes apostou numa estratégia de apenas duas paradas, calçando o inglês com macios logo de cara na segunda parada. Do jeito que Lewis economizou pneus e mesmo tomando tempo de Vettel , mérito para Hamilton, que esfriou os nervos para faturar a quinta na Ilha de Notre-Dame.

Feliz é o inglês, que sem demonstrar, vai minando o psicológico do companheiro teuto, que começa a demonstrar um nervosismo que um líder de campeonato não deveria mostrar. Tomar a dianteira do campeonato é só uma questão de tempo, ao que se percebe.

Vettel, o pica-chincane

Vettel em ação na liderança nas primeiras voltas. Alemão tentou uma jogada diferente e foi derrotado por ela. Fora as passadas reto pela chincane de entrada da reta, em número de três (Getty Images / Motorsport)

Vettel em ação na liderança nas primeiras voltas. Alemão tentou uma jogada diferente e foi derrotado por ela. Fora as passadas reto pela chincane de entrada da reta, em número de três (Getty Images / Motorsport)

Fazia tempo que Sebastian Vettel não fazia algo útil neste ano tão fora da estatística prevista pela Ferrari. Largou muito bem, aproveitando uma bobagem das Mercedes e tinha grandes chances de vencer a corrida. No entanto, uma estratégia equivocada deu uma rasteira em Bastiãozinho, que outra vez teve de se conter com o segundo posto. Isto sem contar as três escapadas retas na chincane do início da reta, em momentos onde se aproximava de Hamilton.

Noves fora, a Ferrari fez, até aqui, a melhor corrida do ano. As atualizações de véspera de GP mostraram-se positivas, o que permitiram até Kimi Raikkonen andar razoavelmente bem entre os primeiros e sonhar com um pódio, ao menos. No entanto, falta muito para Maranello rever o prejuízo e a falta de resultados concretos para um time de segunda grandeza na temporada deste ano. Vettel é o mais preparado para tanto, já Kimi quer apenas se divertir, mesmo que isso queime seu filme em vezes.

Pódio para Bottas

Bottas leva a Williams ao terceiro posto, escapando das bolas divididas. Pelo status do carro, talvez o último da equipe este ano Getty Images / Motorsport)

Bottas leva a Williams ao terceiro posto, escapando das bolas divididas. Pelo status do carro, talvez o último da equipe este ano (Getty Images / Motorsport)

E entre tantas bolas divididas e momentos pouco emocionantes, a Williams aproveitou-se da ocasião e fez um tiro certo na estratégia de Valtteri Bottas. O finlandês andou bem e fez o dever de casa, sem correr muitos riscos, e emplacou um alegre terceiro posto, resultado bem-vindo nesta crise de identidade pela qual passa a equipe do velho Frank.

Mas, o resto é resto. E é resto mesmo, já que Felipe Massa teve um (outro) fim de semana esquecível na F1. Bateu nos treinos, largou mal e abandonou a primeira prova em muito tempo, com problemas no motor Mercedes. Se ainda não dá pra se dizer que Bottas é um futuro campeão, ao menos ele está encaçapando o brasileiro na disputa interna do time de Grove, o que nada mais é do que lição de casa.

Massa fora em Montreal, problemas no motor interrompem série de provas na zona dos bons pontos, como o próprio Massa diz (Getty Images / Motorsport)

Massa fora em Montreal, problemas no motor interrompem série de provas na zona dos bons pontos, como o próprio Massa diz (Getty Images / Motorsport)

Os 10 mais – Corrida

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Sebastian Vettel (Ferrari)
3 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
4 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
5 – Nico Rosberg (Mercedes)
6 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
7 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
8 – Nico Hulkenberg (Force India-Mercedes)
9 – Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso-Ferrari)
10 – Sergio Pérez (Force India-Mercedes)
18 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)
ABN – Felipe Massa (Williams-Mercedes)

O feliz pódio em Montreal Mercedes)

O feliz pódio em Montreal (Mercedes)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Nico Rosberg (116)
2 – Lewis Hamilton (107)
3 – Sebastian Vettel (78)
4 – Daniel Riccardo (72)
5 – Kimi Raikkonen (69)
6 – Max Verstappen (50)
8 – Felipe Massa (37)
20 – Felipe Nasr (0)

MENINO DE MUZAMBINHO: Max Verstappen (Red Bull)

Vettel pode ter tido destaque, mas a coragem de Verstappen diante de Rosberg foi, talvez, o momento mais emocionante da prova Getty Images / Motorsport)

Vettel pode ter tido destaque, mas a coragem de Verstappen diante de Rosberg foi, talvez, o momento mais emocionante da prova (Getty Images / Motorsport)

Outra vez, o holandês resolveu deixar os que apreciam as boas brigas de queixo caído. Depois de um fim de semana terrível em Mônaco, Max parecia condenado a um ostracismo no GP do Canadá, mesmo andando (e com autoridade) a frente de Daniel Riccardo. Isto até aparecer na sua traseira o incômodo fantasma prateado de Nico Rosberg, babando mais do que andando.

Era tendência que a flecha de prata passasse sem dar chance o touro paraguaio. Mas quando há um Max Verstappen ao volante, não pense que o desafio será fácil, como não o foi. O holandês fez o que ninguém que Rosberg ultrapassou fez e chamou o alemão pra briga. Foram três tentativas em três voltas distintas, no trecho entre a chincane antes da reta e a primeira curva de Montreal.

Verstappen incorporou Gandalf, o lendário personagem da trilogia Senhor dos Aneis, e gritou um sonoro você não vai passar! ao alemão. Na terceira tentativa, Rosberg até estava conseguindo, mas Max teve o lance de sorte para dar aquela chegadinha mais próxima da grama e induzir Nico ao erro. Resultado: Uma rodada para a Mercedes do alemão e um jovem holandês rindo a toa.

Talvez foi o melhor momento da prova. Cômico para o descabeçado Rosberg, mas competente para Verstappen. Afinal, F1 é dividir curva e esta lição o moço da Red Bull aprendeu bem.

Rapidinhas:

– Foi acertado no fim de semana que a Heineken, a sempre presente cerveja holandesa, será a patrocinadora da categoria a partir de 2017, mesmo que nesta prova do Canadá a cervejaria já usou os espaços do autódromo para celebrar a parceria, que além de uns trocados a mais promete trazer uma renovação no quesito “relação com os fãs”, coisa que a F1 anda ainda na idade das pedras, com proibições esdruxulas e atrasos nas redes sociais.

Bernie Ecclestone e Gianluca di Tondo brindam uma nova parceria. A Heineken está na F1 e promete muitas mudanças, especialmente no trato com os fãs da categoria Motorsport)

Bernie Ecclestone e Gianluca di Tondo brindam uma nova parceria. A Heineken está na F1 e promete muitas mudanças, especialmente no trato com os fãs da categoria Motorsport)

– E quem dependia apenas da venus platinada para ver a corrida nossa de cada domingo teve de se contentar com os amigos mais abonados e com TV fechada em casa para saber das novas. É que a Globo simplesmente podou a prova inteira neste fim de semana, em parte por conta da Copa América Centenário, que mudou os horários do futebol a tarde. A emissora exibiu a noite (matéria escrita as 20h de domingo) um compacto de uma hora com os melhores momentos (se é que a corrida teve tantos melhores momentos para encher 60 minutos). Ao menos, o locutor-problema Sérgio Maurício não cometeu gafes… Pelo menos, desta vez.

– A McLaren sofreu com a falta de potencia da pipoqueira japonesa neste fim de semana. Jenson Button foi pego no contra-pé e abandonou com o motor em chamas. Já Fernando Alonso, deixando claro que está na F1 para se divertir a partir de agora, segurou o que deu Checo Perez na sua traseira, mas acabou fora dos pontos, em 11º

– Fazia tempo que a Toro Rosso não figurava numa corrida. Parece que, com a saída de Verstappen para o time principal até o próprio Carlos Sainz Jr. perdeu um pouco da motivação. O espanhol foi o nono e somou alguns pontinhos. Já Daniil Kvyat segue na eterna cadeirinha do pensamento e completou num apagado 12º lugar.

Alonso até teve momentos de resistência lutando com a pipoqueira da McLaren. No fim, fora dos pontos, em 11º Getty Images)

Alonso até teve momentos de resistência lutando com a pipoqueira da McLaren. No fim, fora dos pontos, em 11º (Getty Images)

– Um barato da transmissão foi a câmera onboard de Romain Grosjean, lembrando as antigas caronas dos anos 90. Na opinião deste jornalista, a câmera mais legal que há. Apenas a atuação do francês ficou um tanto a deseja. A Haas anda sumida há alguns GPs, talvez sentindo a limitação de seu primeiro carro. Grosjean completou apenas em 13º, imediatamente a frente do juvenil companheiro Esteban Gutierrez.

E foi só por este domingo frio e sonolento. A próxima prova é estreia no calendário, e que promete pela beleza dos trechos da pista. Vamos ao Azerbaijão (ou la no raio que o parta do leste europeu, como definem os jornalistas) para o primeiro GP da Europa depois de tanto tempo. A pista de rua de Baku ferve e o que acontecerá por la, ninguém sabe.

É dia 19, com corrida as 11h da matina. Até lá!

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