Gramming & Marbles: Na estreia da apertada Baku, prova monótona e novo fôlego à Rosberg

Rosberg recebe o prêmio pelo city tour em Baku. Azerbaijão recebeu o GP da Europa, que regressou ao campeonato este ano. No entanto, prova no difícil e apertado circuito de rua foi monótona e um verdadeiro trenzinho (Getty Images)

Rosberg recebe o prêmio pelo city tour em Baku. Azerbaijão recebeu o GP da Europa, que regressou ao campeonato este ano. No entanto, prova no difícil e apertado circuito de rua foi monótona e um verdadeiro trenzinho (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Afinal, você não conhecia o Azerbaijão até hoje

9 em cada 10 que acompanharam a prova não conheciam este país bem desenvolvido e cheio de controvérsias no limiar da Europa, na porta da Ásia. Bem, este é o Azerbaijão (Reprodução)

9 em cada 10 que acompanharam a prova não conheciam este país bem desenvolvido e cheio de controvérsias no limiar da Europa, na porta da Ásia. Bem, este é o Azerbaijão (Reprodução)

Mais um país nos mapas e anais da F1. Neste domingo, a F1 foi cavocar novas terras e fãs num distinto país do mapa do leste europeu, com três cores na bandeira e que, para o mundo, ainda é um país um tanto desconhecido. Não são Hungria e Rússia, pois lá a vida da F1 vai muito bem, obrigado. Foi dia de dar boas-vindas ao Azerbaijão e sua simpática e bela capital, Baku (sem trocadilhos, por favor!).

Mas antes de falar da pista e da corrida (que foi uma monotonia sem igual), é bom falarmos um pouco do país onde tio Bernie amarrou seu bode (e que nunca vamos entender onde ele encontra estes lugares para amarrar o amado bode). O Azerbaijão é uma nação de tradições milenares, trazendo na composição étnica toques de persa e eslavo. Conquistou a independência em 1918, para perde-la dois anos depois para a recém-criada União Soviética, que a anexou ao seu território.

O presidente da Rússia, Vladmir Putin, media reunião entre , do Azerbaijão (esq) e , da Armênia. Conflitos em Nagorno-Karabakh duram mais de 20 anos e, agora, chegam a fase mais crítica entre os dois países (Reprodução)

O presidente da Rússia, Vladmir Putin, media reunião entre Ilham Aliyev, presidente do Azerbaijão (esq) e Serj Sargsyan, presidente da Armênia. Conflitos em Nagorno-Karabakh duram mais de 20 anos e, agora, chegam a fase mais crítica entre os dois países (Reprodução)

Os azeris viveram atrelados a Moscou até agosto de 1991, quando os problemas da URSS permitiram vários movimentos de independência, como bem sabemos. Apesar dos primeiros anos difíceis pós-separação, o Azerbaijão cresceu avassaladoramente no leste europeu, tornando-se uma potência do Cáucaso. Tem o Mar Cáspio como vizinho que adorna a costa e faz fronteiras com a Rússia (norte), a Geórgia (noroeste), o Irã (sul) e a mal amada vizinha Armênia (oeste).

Mal-amada que se diz é pelo fato de azeris e armênios não se aguentarem muito desde meados dos anos 90. Tudo isto por conta das disputas pela região (Oblast) do Nagorno-Karabakh, auto-proclamada independente e parte da Armênia e revindicada sob as armas pelo Azerbaijão. Fora isto, o crescimento econômico e os baixos índices de analfabetismo e desemprego não escondem a corrupção endêmica no serviço público (me lembra um país em especial) e os problemas com o sistema de partido único do país, aprovado em 2009 e sem limite de tempo para o fim do governo de Ilham Aliyev.

Soa problemático, não? Pois para a F1 o que é mais um país envolto em controvérsias para se correr? Bernie Ecclestone bateu os ombros e perguntou sobre os direitos humanos. Fez as malas e foi para Baku. Da corrida, vamos saber agora.

A subida do Castelo, no centro de Baku. O trecho mais estreito da F1, com aproximadamente seis centímetros de largura. Este e o pouco grip da pista eram alguns dos desafios da prova deste último domingo (Reprodução)

A subida do Castelo, no centro de Baku. O trecho mais estreito da F1, com aproximadamente seis centímetros de largura. Este e o pouco grip da pista eram alguns dos desafios da prova deste último domingo (Reprodução)

Rosberg passeia, Hamilton se perde nos botões

A largada: Rosberg toma tranquilo a ponta. Cuidao dos pilotos também é destalhe, alguns toques foram inevitáveis (Getty Images)

A largada: Rosberg toma tranquilo a ponta. Cuidado dos pilotos também é detalhe, alguns toques foram inevitáveis (Getty Images)

O circuito de Baku tinha duas características que podiam ser o facilitador de acidentes e erros: O asfalto novo que não permitia tanta aderência e trechos estreitíssimos, como o da já batizada subida do castelo, com cerca de seis centímetros de largura, quase um pit-lane. Não havia vantagem para nenhum piloto, mas Nico Rosberg, que precisava mostrar serviço, fez o dever de casa como ninguém. Pole fácil, corrida fácil e vitória com city tour de brinde.

Foi uma prova sossegada do alemão, que simplesmente seguiu o plano e fez o preciso quando o carro acusou problemas. A vitória deu-lhe certa gordura e força para voltar a ampliar a frente para Lewis Hamilton. O inglês teve um daqueles infernos astrais que o acometia num fim de semana como os do início do ano. Bateu nos treinos, largou em 10º e passou parte da prova se atrapalhando com os botões do Mercedes, tentando resolver um problema no carro.

Hamilton não conseguiu se refazer rapidamente de um problema no carro que, facilmente, Rosberg resolveu em uma única volta. Certo desespero e despreparo pegaram o inglês no contrapé e a corrida de recuperação não foi além do quinto lugar (Getty Images)

Hamilton não conseguiu se refazer rapidamente de um problema no carro que, facilmente, Rosberg resolveu em uma única volta. Certo desespero e despreparo pegaram o inglês no contrapé e a corrida de recuperação não foi além do quinto lugar (Getty Images)

Evidentemente desesperado, Hamilton e o engenheiro discutiam no rádio. O inglês pedia informação, o engenheiro pedia sigilo e a confusão seguia com Lewis caindo de desempenho e a equipe pedindo uma solução. Ele a encontraria, simplesmente, apertando botões aleatórios (crê-se). No fim das contas, o tricampeão da categoria precisa seguir a instrução dada por Flávio Gomes no seu comentário pós-corrida: Sair menos a noite e estudar o manual do carro. E não só, também aprender que disparar contra a FIA por sua própria falha é, no mínimo, infantil.

Enquanto Lewis se perde nos botões… Rosberg passeia. E ser campeão não é, apenas vencer. É ser um profundo conhecedor da coisa. Entendeu, Lewis?

Red Bull – Tatica errada, corrida perdida (Vettel que o diga)

Riccardo herdou o segundo posto de Pérez no grid, mas tática errada e pneus errados comprometeram o desempenho dele e de Verstappen na prova (Getty Images)

Riccardo herdou o segundo posto de Pérez no grid, mas tática errada e pneus errados comprometeram o desempenho dele e de Verstappen na prova (Getty Images)

Depois de tanto se esperar na passagem por Mônaco e Canadá, a Red Bull sumiu em Baku. Mesmo com Daniel Riccardo em segundo e com boas perspectivas, o touro paraguaio perdeu rendimento assustadoramente, apostando em uma estratégia equivocada de paradas. No fim, Riccardo e Max Verstappen acabaram, rigorosamente, um atrás do outro respectivamente, em sétimo e oitavo.

Quem comprovou na pele que a estratégia de parar cedo estava errada foi um ex-Red Bull. Sebastian Vettel questionou e peitou a Ferrari contra a estratégia de parar cedo que Kimi Raikkonen seguiu e que era igual a da Red Bull. No fim, Vettel fez o dever de casa em outro ângulo e subiu ao pódio num bom segundo lugar, enquanto o finlandês terminou a prova tentando poupar a borracha que lhe sobrava e perdendo o terceiro lugar para o surpreendente Sergio Pérez.

Vettel foi ao segundo lugar ao peitar a equipe pela estratégia. Já Raikkonen (foto) seguiu o plano - idêntico ao da Red Bull - e chegou em quarto quase sem pneus (Getty Images)

Vettel foi ao segundo lugar ao peitar a equipe pela estratégia. Já Raikkonen (foto) seguiu o plano – idêntico ao da Red Bull – e chegou em quarto quase sem pneus (Getty Images)

Os 10 mais – Corrida

1 – Nico Rosberg (Mercedes)
2 – Sebastian Vettel (Ferrari)
3 – Sergio Pérez (Force Índia-Mercedes)
4 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
5 – Lewis Hamilton (Mercedes)
6 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
7 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
8 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
9 – Nico Hulkenberg (Force India-Mercedes)
10 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
12 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Nico Rosberg (141)
2 – Lewis Hamilton (117)
3 – Sebastian Vettel (96)
4 – Kimi Raikkonen (81)
5 – Daniel Riccardo (78)
6 – Max Verstappen (54)
9 – Felipe Massa (38)
21 – Felipe Nasr (0)

MENINO DE MUZAMBINHO – Sergio Pérez (Force India)

Sem dúvida, o que mais trabalhou em Baku. Checo Pérez largaria em segundo, perdeu posições por conta de uma punição, foi combativo e meticuloso e chegou no pódio pela segunda vez em três corridas (Getty Images)

Sem dúvida, o que mais trabalhou em Baku. Checo Pérez largaria em segundo, perdeu posições por conta de uma punição, foi combativo e meticuloso e chegou no pódio pela segunda vez em três corridas (Getty Images)

Você viu acima, para completar o conteúdo deste G&M tive de apelar para uma breve radiografia do Azerbaijão. Foi uma corrida sonolenta, num verdadeiro e cauteloso trenzinho pelas estreitas vias de Baku. No entanto, entre todos os do trem, um deles se destacou: Sergio Checo Pérez, e com todos os méritos possíveis. É o segundo pódio na temporada, mas este sendo conquistado com muito mais mérito depois de um bom fim de semana.

Não fosse a punição tomada no fim do treino oficial por uma questão nos treinos livres, Checo teria, talvez, ameaçado Rosberg durante a prova. Não foi possível, mas mesmo de onde largou, o mexicano mostrou fibra e recuperou-se durante a prova. Foi cauteloso e cuidou bem dos pneus, ganhando como prêmio mais um terceiro lugar na coleção. Uma bela e medida prova que mostra que Pérez ainda tem lenha pra queimar e continua se refazendo depois das agruras com a McLaren.

Checo tem futuro, e como tem. Enquanto isso, dos lados de Hulkenberg

Rapidinhas:

Williams fraca demais em Baku, sofrendo com os mesmos problemas corriqueiros que lhe tem tirado performance nas pistas de rua. Valtteri Bottas ainda chegou em sexto, em boa forma. Já Felipe Massa, pouco se espera dele nos últimos tempos e o 10º lugar foi mais um resultado normal do brasileiro. Simples assim.

Massa foi apenas o 10º Coisa corriqueira na má fase da Williams e nas deficiencias da própria pilotagem (Getty Images)

Massa foi apenas o 10º Coisa corriqueira na má fase da Williams e nas deficiencias da própria pilotagem (Getty Images)

– A McLaren chegou a fazer uma prova interessante enquanto esteve bem na pista, com brigas e ultrapassagens em outros carros e até entre Jenson Button e Fernando Alonso. Infelizmente, no final, a pipoqueira nipônica cobrou seu preço para o espanhol, que teve de parar. Button beliscou os pontos mas não passou do 11º posto.

Le Mans: Este mundo cruel e único do automobilismo

O Porsche #2 do trio Jani/ . o vencedor de Le Mans neste ano, que não o seria se a Toyota, que tantos azares já teve em Sarthe, não tivesse sofrido outro revés (Reprodução)

O Porsche #2 do trio Jani/Lieb/Dumas, o vencedor de Le Mans neste ano, que não o seria se a Toyota, que tantos azares já teve em Sarthe, não tivesse sofrido outro revés (Reprodução)

Noves fora o passeio sonolento da F1 em Baku, o mundo do esporte a motor reagiu quase  que como uma morte trágica o acontecimento – talvez do ano – no automobilismo mundial. As 24 horas de Le Mans deste ano assistiram uma vitoria incrível da Porsche – a 18ª na história – que veio da forma mais dolorida possível: Com a quebra da Toyota, líder incontestável da prova, literalmente na ÚLTIMA VOLTA em Sarthe.

O trio Kazuki Nakajima / Sébastien Buemi / Anthony Davidson estava praticamente pronto para levar a marca japonesa a sagração que somente a Mazda tinha alcançado até hoje. Na entrada da reta Mulsanne, ainda na metade da penúltima volta e com larguíssima vantagem para a Porsche de Neel Jani / Marc Lieb / Romain Dumas, veio o golpe. O câmbio entregou-se, não havia mais força no motor e o protótipo não passava de 200 por hora.

Nakajima amparado por um mecânico. Estava na mão dele o carro quando do problema a uma volta e meia para o fim. Trágica sina da Toyota que repercutiu em todo o mundo do automobilismo (Reprodução)

Nakajima amparado por um mecânico. Estava na mão dele o carro quando do problema a uma volta e meia para o fim. Trágica sina da Toyota que repercutiu em todo o mundo do automobilismo (Reprodução)

Ao chegar a reta, o dolorido: O Toyota, nas mãos de Nakajima, para, abrindo a brecha para Neel Jani sentar a bota e levar os alemães ao 18º tento na mítica pista francesa. Doloroso de um lado, surpreendente do outro, uma prova que ficará para a história, seja pela emoção, seja pela perda. Tamanha que é impossível não ver o vídeo mil vezes e se impressionar com o que acontece.

Veja por si só:

http://mais.uol.com.br/static/uolplayer/?mediaId=15900978

Destaque para o super brasileiro Lucas Di Grassi, que correndo com Loïc Duval e Oliver Jarvis, chegou na boa terceira posição final.

A história segue. E na F1, a próxima prova vai ao tirol para mais um fim de semana em Zeltweg, no GP da Áustria. Será dia 03 de julho, as 9h.

Até la.

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