Bocha – Uma tarde de festa e emoção na S.R.D. Centenário

Os campeões da 10ª Copa Garcia: Donos da casa, a SRD Centenário recebeu uma festiva tarde de diversão, esporte e emoção. Daquelas coisas que só tem mesmo numa animada partida de bocha, esporte que é uma das marcas do tempo dos colonos (André Bonomini)

Os campeões da 10ª Copa Garcia: Donos da casa, a SRD Centenário recebeu uma festiva tarde de diversão, esporte e emoção. Daquelas coisas que só tem mesmo numa animada partida de bocha, esporte que é uma das marcas do tempo dos colonos (André Bonomini)

O que motiva a galera a sair de casa num dia de chuva e frio? Para uma pergunta sempre há um sem-número de respostas que podem ser aplicadas. Se for futebol, saiba que os patoteiros não perdem um dia de jogo com os amigos. Se for festa de qualquer espécie, a desculpa é se esquentar com o clima. Se for feijoada, costelada, pastelada, para comer não há o que segure o cidadão em casa.

Mas, e se for para acompanhar uma emocionante partida de…Bocha? Você iria?

Se você se retorceu no sofá imaginando a cena, é exatamente o contrário de tudo que você pensou. Em Blumenau, este velho esporte praticado primeiramente no império romano é uma via de regra em bares, botecos e, claro, nas sociedades desportivas e de caça-e-tiro. Trazido pelos italianos ao nosso país no tempo da imigração, a bocha reúne idosos e jovens sempre dispostos a bolarem os melhores pontos, a chegarem mais próximos ao bolim e a proporcionarem tardes emocionantes de partidas e partidas.

E foi uma destas tarde longas de disputa que reuniu adeptos ao esporte, parentes e amigos e a comunidade em torno das canchas da tradicional Sociedade Recreativa e Desportiva Centenário, no Valparaíso, para uma emocionante partida de bocha. E não era qualquer partida, mas sim uma final, a da 10ª edição da Copa Garcia de Bocha, que no olhar deste jornalista merece – e muito – ser contada de uma forma um tanto romântica pelo clima pitoresco de um esporte disputado em Blumenau com todos os elementos que o tornam único no Brasil.

O esporte que não é só de boteco

Originado desde os antigos romanos, a bocha veio para o Brasil na mão dos italianos, no tempo da imigração. Hoje, o esporte é uma das unanimidades entre os frequentadores de botecos e desportistas das sociedades de caça-e-tiro e outras, que fazem do esporte quase uma profissão (Bela Vista)

Originado desde os antigos romanos, a bocha veio para o Brasil na mão dos italianos, no tempo da imigração. Hoje, o esporte é uma das unanimidades entre os frequentadores de botecos e desportistas das sociedades de caça-e-tiro e outras, que fazem do esporte quase uma profissão (Bela Vista)

A bocha não é unanimidade de Blumenau e do sul do pais. Todos os rincões do Brasil possuem canchas de bocha e jogadores prontos ao combate. A partida é fácil e simples, o objetivo é alcançar com a bola – feita de madeira ou resina sintética quase igual a uma pedra – o pequeno bolim, objetivando assim marcar dois pontos por bola próxima. Os jogadores podem tentar chegar perto do bolim ou, na necessidade, tentar tirar a bola do adversário de perto do bolim, em jogadas calculadas minunciosamente.

José Mazzer, o Zé do Salto, intitulado pelos amigos e outros jogadores como o Pelé da Bocha (Reprodução)

José Mazzer, o Zé do Salto, intitulado pelos amigos e outros jogadores como o Pelé da Bocha (Reprodução)

Uma partida de bocha é uma verdadeira mistura de precisão, nervos e uma certa sacanagem em momentos de torneio. Nos bares, a bocha revela “talentos” e reúne os amigos em torno de uma disputa saudável e que, raramente, acaba em briga, como tanta coisa no país.

No Brasil, a bocha tem tamanha popularidade que elegeu até seu Pelé no esporte. É José Mazzer, o Zé do Salto. Um exímio artista da bola pesada que tem no currículo cinco títulos de Jogos Abertos do Interior e 10 campeonatos brasileiros.

De volta a Blumenau, a gritaria e a festa no Centenário

Foto antiga da sede da SRD Centenário. Fundada em 1950, localiza-se na rua homônima e tem na bocha e no bolão seus carros-chefes. Abaixo, a sede atual, prédio majestoso e histórico (Reprodução)

Foto antiga da sede da SRD Centenário (prédio de telhado maior, ao centro). Fundada em 1950, localiza-se na rua homônima e tem na bocha e no bolão seus carros-chefes. Abaixo, a sede atual, prédio majestoso e histórico (Reprodução)

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Regressando a nosso cantinho no mapa, o bairro Valparaíso em Blumenau, vamos até as canchas conhecidas da SRD Centenário para a final da 10ª Copa Garcia de Bocha. Foram várias disputas até chegar-se nas disputas do último sábado (18/06). A bocha é ponto de honra do Centenário, esta simpática agremiação fundada em janeiro de 1950 e carregando no nome um dos momentos mais importantes da história da cidade: O centenário celebrado naquele ano.

A Sociedade acumula na galeria de troféus uma coleção infindável de conquistas de bolão, futsal e, claro, as conquistas na bocha. Afinal, o Centenário não tem cancha de tiro e é nestes esportes que o clube ficou até nacionalmente conhecido, neste caso em especial no bolão.

A galeria de troféus do Centenário, próximas a cancha. Dentre tantos, várias conquistas na bocha (André Bonomini)

A galeria de troféus do Centenário, próximas a cancha. Dentre tantos, várias conquistas na bocha (André Bonomini)

A tarde não convidava ninguém a sair de casa, exceto quem aprecia uma paradinha no bar e um bom jogo de bocha. As três canchas do clube ficam bem ao lado do campo de futebol e próximas do ginásio. São três de areia batida, um dos três tipos de quadra para a bocha (sendo os outros de saibro ou piso sintético).

Andar pelos corredores exigia uma certa quantidade de com licenças, já que os jogadores e os espectadores se misturavam nas beiras das canchas assistindo cada lance, tudo acompanhado de um bolinho de carne amigo, cerveja ou alguma bebida mais sofisticada, como um Velho Barreiro ou um Cuba Libre no capricho.

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Um grande público em torno das canchas, apreciando os jogos, descontraindo com os amigos, tomando uma cerveja ou algo mais sofisticado e, claro, torcendo pelas equipes favoritas (André Bonomini)

Um grande público em torno das canchas, apreciando os jogos, descontraindo com os amigos, tomando uma cerveja ou algo mais sofisticado e, claro, torcendo pelas equipes favoritas (André Bonomini)

As disputas e a gritaria

As quatro equipes da tarde já se achavam apostas para as disputas de terceiro lugar e da finalíssima. O primeiro jogo era o terceiro/quarto lugares, entre a equipe da Associação de Moradores da Rua Santa Terezinha (AMSTET) e o Poeirão, agremiação especialista em bocha e que, segundo os jogadores do torneio, era uma das favoritas da competição. Isto até encontrar pela frente o CSRCT Garcia-Jordão, zebra do campeonato, que eliminou a turma de laranja e ia fazer a final com os donos da casa, os coloridos do Centenário.

Uma partida de nervos entre o Centenário e o CSRCT Garcia-Jordão, apesar da tensão, os donos da casa controlaram os nervos e venceram bem por 2 partidas a 1 (André Bonomini)

Uma partida de nervos entre o Centenário e o CSRCT Garcia-Jordão, apesar da tensão, os donos da casa controlaram os nervos e venceram bem por 2 partidas a 1 (André Bonomini)

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A cada jogada, os gritos aumentavam. No primeiro jogo ate rolou uma certa calmaria, até pelo fato do Poeirão ter dominado bem o jogo e vencido com folga a disputa. Ao mesmo tempo, estava começando na outra cancha a grande final, o jogo que mobilizou todas as atenções. Uma tipica competição de bairro que tinha todos os ingredientes folclóricos para aquela tarde fria.

O Centenário não estava sozinho na cancha, a barulhenta torcida fazia pressão conta o Garcia-Jordão e não deixava em paz os jogadores de laranja que buscavam ser de vez a maior zebra do ano. Cada bola lançada era um tiro certo no alvo ou não, celebrada ou não com gritos, palavras de ordem e a saudável brincadeira. Palavrões? Acredite, se ouvi um foi muito.

A partida correu, ao todo, até as 22h, e disputada bola a bola, grito a grito. Tinha quem preferia se esquentar na TV acompanhando os jogos da Eurocopa ou a Copa América Centenário, nem tão interessantes naquele momento. Na cancha, o Centenário vencia a primeira partida e parecia que ia levar fácil, isto até o Garcia-Jordão revidar e empatar a disputa em 1 a 1 depois de um domínio vigoroso na segunda rodada. Vinha a terceira rodada e os nervos subiam ao alto, assim como o cheiro de churrasco e linguicinha que tomava conta do ar.

Para alegria da torcida da casa, que não se segurava de alegria, a vitória veio com folga e uma rodada perfeita, emplacando de quatro a seis pontos por jogada. Fim de papo, por 24 a 10 na última partida o Centenário fechava os trabalhos e se sagrava pela terceira vez em quatro anos campeão da Copa Garcia. A torcida, os parentes, até o assador da carne invadiu a cancha para comemorar junto do clube amado. E no lado de fora, os apertos de mão entre jogadores das duas equipes, numa bela demonstração de desportividade.

Veja fotos da festa:

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Após, a entrega dos troféus, acompanhada de gritos, agradecimentos, algumas palavras e muito sorriso. O velho Centenário mostrava por que era a grande potência na bocha. A festa ia mais longe, com carne e cerveja a vontade para a turma (e refrigerante para a criançada, claaaaro!). Terminava com o mesmo frio e garoa uma animada tarde nas canchas do Centenário, em mais uma alegre confraternização de amigos típica do Garcia.

Assim me despedi do Centenário, de tantas histórias e fatos folclóricos. A noite era longa para os festeiros que não esqueceriam este dia nos próximos dias, e para mim apenas mais um motivo para contar a vocês, amigos, como é jogar bocha em Blumenau, e, especialmente, aqui no Garcia.

2 comentários sobre “Bocha – Uma tarde de festa e emoção na S.R.D. Centenário

  1. André,
    Bela postagem sobre nosso querido Clube Centenário e que leva este nome por ter sido fundado na rua Amazonas, no prédio do João Iten no ano do centenário de Blumenau. Dancei muito ali, assim como em outros locais.
    Cresceu e muito o clube e a Bocha se tornou importante para todos aficcionados.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau

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  2. Freqüentei muito, qdo sócio. Saudades dos grandiosos Bailes Sociais, na década de 70-80. Apesar de admirador da bocha, o Centenário, nos áureos tempos tinha um excelente time de Bolão e uma excelente pista, onde assisti vários jogos citadinos. Meu pai e tio foram grandes bolonistas.

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