Gramming & Marbles (MotoGP): Oi, eu sou o circuito de Assen, e isso é JACKASS!!!!

O cara e o momento de glória. Jack Miller tirou a Austrália de uma fila de cinco anos sem triunfos na MotoGP, numa prova daquelas para se guardar nos livros de história, tais quais as tantas em Assen (Getty Images)

O cara e o momento de glória. Jack Miller tirou a Austrália de uma fila de cinco anos sem triunfos na MotoGP, numa prova daquelas para se guardar nos livros de história, tais quais as tantas em Assen (Getty Images)

(Douglas Sardo)

(Entram acordes conhecidos do Jackass)

Uma semana após o desfecho memorável das 24 horas de Le Mans, a MotoGP entrega uma corrida épica na Holanda, daquelas para ficar na memória e no coração dos fãs da velocidade. Sempre que a MotoGP vai correr no lendário circuito de Assen a expectativa é grande, a pista é o templo sagrado da categoria, é o circuito que está há mais tempo no calendário e tem um cartel invejável de grandes provas nesses anos todos.

E a corrida desse ano fez juz à belíssima tradição da catedral da MotoGP. Desde o tombo de Valentino Rossi em Mugello, muito se falou sobre o papel de franco-atirador dele na briga contra Marc Márquez e Jorge Lorenzo pelo título. Em sua vitória na Catalunha, Rossi já havia mostrado uma nova postura, arriscando mais, partindo com tudo para tentar a vitória. Quando a chuva apareceu em Assen já no treino classificatório, as coisas pareciam se encaminhar para que o Doutor desse mais um passo em sua remontada. Mas ao final da prova no domingo, Rossi não tinha motivos para sorrir…

Nem Rossi, nem Dovizioso, nem Márquez... Quem deu show na hora da chuva foi o modesto Yonny Hernandez, que liderou com autoridade até cair num erro até considerável pela inexperiência. Um grande feito do venezuelano da Aspar (Getty Images)

Nem Rossi, nem Dovizioso, nem Márquez… Quem deu show na hora da chuva foi o modesto Yonny Hernandez, e sua antiga Ducati azul-e-branco, que liderou com autoridade até cair num erro até considerável pela inexperiência. Um grande feito do venezuelano da diminuta Aspar (Getty Images)

Já na pole tivemos a primeira surpresa do fim de semana: Andrea Dovizioso mostrou toda a excelente performance da Ducati na chuva para garantir o lugar de honra do grid. Rossi foi relegado ao segundo posto, seguido por Scott Redding, também de Ducati. Márquez aparecia em quarto, defendendo a liderança do campeonato. Enquanto isso… Lorenzo teria de partir de um medíocre décimo lugar, ele que sempre se atrapalha com pista molhada.

No domingo, a chuva apareceu novamente e deixou tudo em aberto. Scott Redding surpreendeu arrancando para a liderança, apenas para errar a curva 1 e ceder a ponta para Rossi. Lorenzo parecia disposto a recuperar tudo, e chegou a estar em sexto lugar, mas logo sumiu, caindo para o fundo do pelotão em uma prova miserável.

A liderança do Doutor também não durou muito, pois Yonny Hernández, simplesmente o último colocado na tabela de classificação, partindo do sexto lugar, assumiu a ponta com uma Ducati de 2014 da equipe Aspar! Se já era bom demais para ser verdade, ele ainda tratou de abrir excelente vantagem, e dominou a primeira parte da prova. Porém, esse conto de fadas acabou quando a chuva voltou com mais força e Yonny foi ao chão. Deu pena do colombiano…

Dovizioso a frente de Rossi, num momento de liderança da prova. Grande corrida das Ducati, sejam elas da equipe oficial ou da Pramac, com grandes atuações de Redding e Petrucci (Getty Images)

Dovizioso a frente de Rossi e Márquez. Grande corrida das Ducati, sejam elas da equipe oficial ou da Pramac, com grandes atuações de Redding e Petrucci (Getty Images)

A liderança agora era de Dovizioso, após superar um Rossi que via o desempenho de sua Yamaha diminuir bastante com o piorar das condições. As Ducati voavam baixo, e Danilo Petrucci também deixou Valentino para trás, e tratou de ir a caça de Dovi, realizando a ultrapassagem na volta 14, mas não valeu. A prova foi interrompida, pois as condições se tornaram muito perigosas, e a classificação válida era a da volta anterior, com Dovizioso na ponta.

Muito se falou na transmissão da SporTV sobre a possibilidade de se dar a corrida por encerrada, mas os organizadores decidiram por uma relargada (ainda bem!), já que o número mínimo de voltas não havia sido cumprido. Uma decisão que seria bastante questionada na transmissão da TV por assinatura (ridículo!). Na relargada, com Dovizioso e Petrucci nas primeiras posições, foi Rossi quem assumiu a ponta e passou a dominar a prova. O Doutor agora parecia em uma classe à parte, enquanto Petrucci sofria um tombo e se desesperava, traído pela bandeira vermelha que interrompeu a corrida justamente quando ele havia assumido a liderança.

Petrucci liderava antes da bandeira vermelha. Na relargada, foi ao chão e ao desespero (Getty Images)

Petrucci liderava antes da bandeira vermelha. Na relargada, foi ao chão e ao desespero (Getty Images)

O baque: Rossi vai ao chão, e com a queda vai-se também as chances de revidar no campeonato em 2016 (TV)

O baque: Rossi vai ao chão, e com a queda vai-se também as chances de revidar no campeonato em 2016 (TV)

Dovizioso também não demorou muito para achar a brita de Assen, em mais um triste fim para os sonhos de vitória da Ducati. A prova ganhava contornos perigosos com tantas quedas, mas os fãs de Valentino Rossi já estavam agradecendo aos céus pela relargada, quando o próprio Doutor foi ao chão… Desesperado, Rossi tentou de tudo para retornar à prova, pedindo ajuda dos fiscais. As câmeras on-board flagraram a expressão do eneacampeão sentindo as chances de título irem embora. Uma imagem impressionante.

Agora era Márquez quem liderava, mas atrás dele havia um fantástico Jack Miller, que largou de 18º para levar sua Honda da equipe de Marc van der Straten a ponta! La Hormiga só tinha a perder com um duelo à essa altura, e foi cauteloso em sua defesa de posição. Dali por diante foi só Jack controlar os nervos – e as derrapadas de sua moto – até a quadriculada histórica.

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Em dois lances, na passagem e na condução a frente, lá ia Jack Miller domando sua Honda azulada diante do feliz Marc Márquez, que nem deve ter sentido falta da vitória. Australiano foi perfeito e aproveitou bem a chance do dia (Getty Images)

Ainda bem – e os fãs agradecem de joelhos – que a Dorma e a FIM não ouviram os comentários cegos da turma da SporTV. Vimos a história ser escrita em uma feliz vitória de Jack Miller… Ou Jackass, como brincaram os colegas de equipe, em referencia ao cômico programa de Johnny Knoxville, Bam Margera e outros malucos que abria risadas na MTV dos anos 2000.

Um momento simplesmente épico! A primeira vitória de uma equipe satélite desde a vitória de Toni Elías em Estoril, 2006. Também é a primeira vitória de um piloto que não se chama Valentino Rossi, Jorge Lorenzo, Marc Márquez, Dani Pedrosa ou Casey Stoner desde a vitória de Ben Spies na mesma pista de Assen em 2011!

Festa para Miller, a primeira vitória de um time independente depois de 10 anos, e a primeira de um australiano desde 2011. Para Márquez (abaixo), campeonato na cabeça e todas as chances para fazer bonito e ressurgir de 2015 (Getty Images)

Festa para Miller, a primeira vitória de um time independente depois de 10 anos, e a primeira de um australiano desde 2011. No fim, aquela lembrança dos loucos do Jackass. O menino da Honda azul mereceu  (Getty Images)

 

Márquez comemorou muito seu segundo lugar, pois o resultado lhe coloca em excelente posição na liderança do campeonato, enquanto Rossi não marcou nada, e Lorenzo chegou apenas em décimo (muito graças aos vários abandonos) numa performance patética, digna dos melhores momentos de Alain Prost na chuva. Scott Redding salvou a honra da Ducati com uma recuperação que o levou ao último lugar do pódio.

Os 10 mais (Corrida)

1 – Jack Miller (Marc VDS Honda)
2 – Marc Márquez (Honda)
3 – Scott Redding (Pramac Ducati)
4 – Pol Espargaró (Tech 3 Yamaha)
5 – Andrea Iannone (Ducati)
6 – Hector Barberá (Avintia Ducati)
7 – Eugene Laverty (Aspar Ducati)
8 – Stefan Bradl (Aprilia Gresini)
9 – Maverick Viñales (Suzuki)
10 – Jorge Lorenzo (Yamaha)

Ninguém soube e ninguém viu de Jorge Lorenzo. Espanhol fez prova apagadíssima e não foi além do décimo lugar. Problemas de relacionamento com a chuva? (Yamaha)

Ninguém soube e ninguém viu de Jorge Lorenzo. Espanhol fez prova apagadíssima e não foi além do décimo lugar. Problemas de relacionamento com a chuva? (Yamaha)

Os 6 mais (Campeonato)

1 – Marc Márquez (145)
2 – Jorge Lorenzo (121)
3 – Valentino Rossi (103)
4 – Dani Pedrosa (86)
5 – Maverick Viñales (79)
6 – Pol Espargaró (72)

Enfim Iannone não caiu…não, pera

Ianonne passa Petrucci. O louco da Desmosedici (Ducati)

Ianonne passa Petrucci. O louco da Desmosedici completou em um bom quinto sem cair… Ou quase, se não fosse a vermelha que o livrou da desgraça (Ducati)

Andrea Iannone cumpriu sua punição após o infame acidente com Lorenzo na Catalunha, e largou da última posição do grid na Holanda. E não é que o trapalhão da Ducati fez uma baita corrida, fechando a prova em quinto lugar?

Até que enfim ele não caiu…quer dizer, na verdade ele caiu, mas na hora certa. Iannone sofreu um tombo justamente na volta em que a prova foi interrompida, podendo relargar da posição que ocupava na volta anterior, portanto.

Márquez na ponta e na cabeça

Para Márquez (abaixo), campeonato na cabeça e todas as chances para fazer bonito e ressurgir de 2015. (Honda)

Para Márquez, campeonato na cabeça e todas as chances para fazer bonito e ressurgir de 2015. (Honda)

A temporada passada foi recheada de abandonos para Marc Márquez, muitos deles por erros do piloto, que se arriscava demais em duelos por posições. No certame de 2016, porém, a história é diferente.

Márquez vem usando a cabeça, e sua atitude diante do ascendente Jack Miller em Assen foi mais uma demonstração de um amadurecimento que tem rendido muitos frutos: após oito provas, Márquez só não foi ao pódio em Le Mans, e tem uma vantagem de 24 pontos sobre Jorge Lorenzo na tabela.

Pensa que a gente esqueceu? Naaaaaão! Nossa amada Minardi da MotoGP esteve fazendo bonito em Assen. Bautista teve um tombo infeliz quando estava entre os seis primeiros e na última volta. Já Bradl (atrás) salvou um oitavo para a Aprilia (Aprilia)

Pensa que a gente esqueceu? Naaaaaão! A multicolorida Aprilia esteve fazendo bonito em Assen. Bautista teve um tombo infeliz quando estava entre os seis primeiros e na última volta. Já Bradl (atrás) salvou um oitavo para a Minardi da MotoGP (Aprilia)

A MotoGP se reúne novamente daqui há três semanas, no dia 17 de Julho, para o GP da Alemanha em Sachsenring.

Até lá e um grande abraço!

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