Gramming & Marbles (F1): Hamilton bate o martelo na última volta em fim insano na Áustria

Hamilton soca o carro no final. Vitória podia ter vindo com uma mão nas costas na Áustria, mas veio chorada no final, numa prova típica de Spielberg (Beto Issa)

Hamilton soca o carro no final. Vitória podia ter vindo com uma mão nas costas na Áustria, mas veio chorada no final, numa prova típica de Spielberg (Beto Issa)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Costumo pensar sempre que a Áustria é a terra do improvável na F1, e a história da prova no tirol nunca deixou mentir isto. Vencedores inéditos, provas malucas, acidentes e relargadas aos borbotões, ordens de equipe malucas. Parece que a categoria encontra no traçado de Spielberg o lugar ideal para ser louca uma vez ao ano.

E não foi diferente desta vez, confirmando a lógica do improvável na casa de Niki Lauda, Jochen Rindt e Gerhard Berger, a F1 viu um final maluco numa das melhores provas dos últimos três anos, com Lewis Hamilton enfiando a faca nos dentes depois de estratégias erradas de pneus e num último golpe contra o companheiro Nico Rosberg, que sentiu a golpeada e acabou em quarto depois de um GP fantástico.

Largada no Red Bull Ring. Hamilton parte bem sem ameaças de Hulkenberg e Button, mas sofreria com dois equivocos na troca de pneus (Beto Issa)

Largada no Red Bull Ring. Hamilton parte bem sem ameaças de Hulkenberg e Button, mas sofreria com dois equivocos na troca de pneus (Beto Issa)

Para a Mercedes, foi uma prova de equívocos nas estratégias e (enfim!) briga na pista, que era o que muitos esperavam há tempos. Hamilton partiu na pole, Rosberg em sétimo por conta dos problemas do treino. No momento em que o inglês esperava a chuva vir para acertar a estratégia proposta, Nico foi mais inteligente e parou antes, ainda sendo beneficiado pelo safety-car causado por Sebastian Vettel, em outra prova complicada.

O alemão poupou os pneus e se safou por hora, voltaria mais tarde com os supermacios em contraposição a Hamilton, de macios depois da ultima parada e parecia ter a prova na mão com o pneu mais veloz. Só parecia, os faixa vermelha do alemão gastaram demais, Hamilton soube poupar um pouco a borracha mesmo sem entender como o pneu que o inglês julgava ser o mais veloz parou no carro do colega.

O golpe: Rosberg viu-se sem pneus e desempenho, Hamilton armou, Rosberg fechou e ficou sem asa (abaixo), uma schumacada fatal para o alemão, que viu até seu lugar no pódio perdido (TV/Getty Images)

O golpe: Rosberg viu-se sem pneus e desempenho, Hamilton armou, Rosberg fechou e ficou sem asa (abaixo), uma schumacada fatal para o alemão, que viu até seu lugar no pódio perdido (TV/Getty Images)

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Nem precisou muito, bastou a Lewis andar rápido e desferir um único golpe. Pronto, a última volta de Rosberg e a vitória eminente viraram fagulhas da asa danificada numa tentativa furada de segurar a posição. Melhor para o inglês e para quem vinha atrás, Max Verstappen, no seu segundo pódio e com autoridade, e Kimi Raikkonen, seguro pelo touro paraguaio.

No fim, Rosberg deve estar devendo explicações pela manobra, uma tremenda schumacada pra cima do companheiro a lá Laffite e Streiff na Austrália, 1985. Se esse golpe vai fazer falta lá na frente na tabela do campeonato, só descobriremos daqui por diante. Por hora, temos um campeonato, e mesmo com os panos quentes de Toto Wolff, temos uma rivalidade. E que seja assim para o bem da F1.

Ferrari no pódio… com Raikkonen

Raikkonen feliz com o terceiro lugar. Quer fazer por merecer estar em Maranello (Beto Issa)

A costumeira expressão feliz de Raikkonen com o terceiro lugar. Quer fazer por merecer estar em Maranello (Beto Issa)

Numa semana onde a casa de Maranello disse que só renova com Raikkonen se ele fizer por merecer, o bom e velho iceman fez o que Vettel não fez: Chegou no pódio com méritos. Correu calmo, sem se enfiar em bolas divididas e garantiu um terceiro lugar de gaiato, beneficiado com o golpe de Rosberg. Se era merecido ou não, o finlandês não assume riscos desnecessários e parece estar se divertindo no volante da Ferrari, ao menos por hora.

A Vettel, coube o cheiro da borracha queimada em mais uma atuação desastrosa no quesito estratégia. Insistiu demais nos supermacios quando era o líder da prova e viu o traseiro esquerdo pedir demissão no meio da reta, numa rodada pavorosa e espetacular. Erro de estratégia? Insistência de uma das partes? Não se sabe ao certo, mas vale dizer que Maurizio Arrivabene não é Ross Brawn nem de longe. E o jejum de vitórias segue intocável.

Verstappen, tirolês honorário, faz sorrir os austríacos com segundo lugar

Verstappen incorporou o tirolês na corrida caseira da Red Bull e fez bonito na prova. Outra vez, mostrou ser bom de braço, brigou bem com as Mercedes e segurou Raikkonen para subir em segundo (Beto Issa)

Verstappen incorporou o tirolês na corrida caseira da Red Bull e fez bonito na prova. Outra vez, mostrou ser bom de braço, brigou bem com as Mercedes e segurou Raikkonen para subir em segundo (Beto Issa)

Um bom dia no frigir dos ovos da Red Bull na corrida caseira. Trajados elegantemente e comicamente de simpáticos tiroleses, o time do touro paraguaio fez bonito, especialmente no seu mais jovem pupilo: Max Verstappen, que subiu ao pódio com autoridade num irretocável segundo lugar. E como sempre, o holandês mostra porque surpreende não importando como, brigou bem com as Mercedes mesmo limitado e mostrou habilidade para domar Raikkonen com pneus melhores.

Daniel Riccardo fez o bom dever de casa e faturou o quinto posto, garantindo pontos e, outra vez, a sombra do companheiro, que exibiu no pódio o cômico traje tirolês do time. Se a Red Bull não ganha na pista hoje, no quesito moda-pastelão ganhou de lavada.

Button quer se divertir

Button sorri. Grid em terceiro, completou em sexto, bom fim de semana para o inglês da McLaren que busca casa nova (McLaren)

Button sorri. Grid em terceiro, completou em sexto, bom fim de semana para o inglês da McLaren que busca casa nova (McLaren)

Um fim de semana atípico para a McLaren foi este na Áustria. Jenson Button largou em terceiro depois das confusões do treino e garantiu, duelando bem, um ótimo sexto lugar. Baita resultado.

Mas peraí, soa atípico? Na atual conjuntura da turma de Woking soa muito. A surpresa do treino não fora, exatamente, Nico Hulkenberg, que diga-se de passagem fez uma prova medíocre (como tem sido tantas dele atualmente) com a Force India. Ver uma McLaren entre os três primeiros foi, de fato, A Surpresa! Nada que se esperava embora as condições dos treinos com tantos acidentes fizeram Button chegar onde chegou. Até duelou com personalidade durante a prova, mas o McLaren ainda é um bólido complicado. Restou um bom sexto.

E aviso aos navegantes. Jenson está procurando casa nova e propostas para mudar de time não faltam. Enquanto isso, Fernando Alonso segue se divertindo. Poderia ter somado um ponto também e arrebatado a McLaren aos pontos com os dois carros pela primeira vez em muito tempo, mas problemas adiaram o sonho. O asturiano abandonou a disputa perto do fim.

Os 10 mais – Resultado

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
3 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
4 – Nico Rosberg (Mercedes)
5 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
6 – Jenson Button (McLaren-Honda)
7 – Romain Grosjean (Haas-Ferrari)
8 – Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso-Ferrari)
9 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
10 – Pascal Wehrlein (Manor-Mercedes)
13 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)
ABN – Felipe Massa (Williams-Mercedes)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Nico Rosberg (153)
2 – Lewis Hamilton (142)
3 – Kimi Raikkonen (96)
4 – Sebastian Vettel (96)
5 – Daniel Riccardo (88)
6 – Max Verstappen (72)
9 – Felipe Massa (38)
21 – Felipe Nasr (0)

MENINO DE MUZAMBINHO: Lewis Hamilton (Mercedes)

Ele fez por merecer. Entre Verstappen tirolês e Raikkonen alegre, Hamilton reverteu duas situações desfavoraveis e carimbou mais uma no livreto de vitórias (Beto Issa)

Ele fez por merecer. Entre Verstappen tirolês e Raikkonen alegre, Hamilton reverteu duas situações desfavoraveis e carimbou mais uma no livreto de vitórias (Beto Issa)

Torcemos o nariz, mas desta vez ele fez por merecer o galardão máximo de nosso espaço. Lewis Hamilton foi oportunista dentre as confusões do treino e poderia ter levado a corrida no bolso tranquilamente. Mas não foi assim, o inglês ficou preso na pista, esperando uma chuva que não vinha, e os pneus foram pro espaço. Teve de recuperar a corrida no braço e na cabeça e ainda engoliu o fato de ficar com o pneu dito inferior para o trecho final da prova.

No fim, o pneu inferior valeu a pena em cima de Rosberg e Hamilton engoliu o companheiro, saindo limpo do golpe final. Valeu o fim de semana recuperar-se de dois equívocos e mostrar frieza no último lance. Ponto para Hamilton, mas não foi fácil, as atuações de Rosberg, Verstappen e até de Button tornaram a disputa difícil, mas o inglês abocanhou.

Brasileiros: Massa abandona, Nasr faz o melhor GP do ano

Nasr, o melhor brasileiro na prova. Economizando pneus chegou a mais de 50 voltas com a mesma borracha. Quase deu ponto, mas chegou em 13º com o caquético Sauber (Getty Images)

Nasr, o melhor brasileiro na prova. Economizando pneus chegou a mais de 50 voltas com a mesma borracha. Quase deu ponto, mas chegou em 13º com o caquético Sauber (Getty Images)

A maré de azar para os brasileiros segue mais alta, impossível. Felipe Massa segue a sina de problemas com a Williams, cada vez mais distante de bons resultados, e acabou abandonando quando corria apagadamente em 14º. Isto depois de ter largado em último por trocar a asa dianteira danificada nos treinos. Ele é mais um dos que devem estar indo para uma casa nova, mesmo com o amor declarado pela equipe de Grove ao brasileiro.

No entanto, para o outro Felipe – o Nasr – o fim de semana foi até positivo. Mesmo terminando em 13º no frigir dos ovos, o brasileiro da Sauber fez milagre em momento da prova com pneus macios. Mais de 50 voltas sem parar o renderam, em dado momento, o sétimo posto. Mas o Sauber não é carro de milagre e nem mesmo Nasr é piloto de tanto talento. A posição final pode ser considerada um belo lucro.

Um ponto para a Manor, mais alguns para a Haas

Quem diria, depois de tantas saladas nas trocas de pneus, Wehrlein fez o milagre do ponto e conquistou um tento para a Manor (Getty Images)

Quem diria, depois de tantas saladas nas trocas de pneus, Wehrlein fez o milagre do ponto e conquistou um tento para a Manor (Getty Images)

E com tanta emoção no fim da prova um fato passou bem batido pelos holofotes: Eis que, na salada de trocas de pneus, a Manor levou o bólido azul-e-laranja a um ponto! Sim senhor! Pascal Wehrlein foi o autor da glória numa estratégia ousadíssima de uma unica parada. Ainda como Marússia, o time não festava um tento desde (pasmem) Jules Bianchi, no GP de Mônaco em 2014.

Outra que voltou a figurar nos pontos foi a Haas, que algum tempo andou apagada dos grids depois das ótimas atuações de Romain Grosjean no início do ano. O francês foi o responsável pela volta aos pontos com um bom sétimo lugar. Isto depois da Haas assumir que está, agora, focada no desenvolvimento do bólido de 2017, que será construído de acordo com o novo regulamento.

Grosjean voltou aos pontos com o sétimo lugar. A Haas já trabalha no modelo de 2017, mas o deste ano ainda tem suas bossas, embora já superado (F1)

Grosjean voltou aos pontos com o sétimo lugar. A Haas já trabalha no modelo de 2017, mas o deste ano ainda tem suas bossas, embora já superado (F1)

Feito isso, a F1 arruma malas e segue para a casa espiritual, onde no próximo fim de semana (10/07) ancora para mais uma corrida. É o tradicionalíssimo GP da Inglaterra, no sempre bem quisto autódromo de Silverstone.

Até a próxima, amigos!

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