Gramming & Marbles (F1): Dia bem britânico, com corrida, emoções e vitória inglesa de Hamilton

O dono do dia nos braços do povo. Lewis Hamilton fez o necessário para vencer e ver Rosberg ainda mais perto na disputa pelo título. De brinde, uma festinha junto do apaixonado torcedor britânico (Getty Images)

O dono do dia nos braços do povo. Lewis Hamilton fez o necessário para vencer e ver Rosberg ainda mais perto na disputa pelo título. De brinde, uma festinha junto do apaixonado torcedor britânico (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Hamilton nos braços do povo, e um ponto atrás

Se no Brasil, domingo é dia de futebol, na Grã-Bretanha os domingos são dia de reunir a família e procurar um dos tantos autódromos que há no país para assistir um evento automobilístico, seja uma corrida, uma exposição ou um raid de carros antigos. Diferente dos brasileiros, que torcem para quem ganha e não para o esporte em si (e por este e outros motivos a F1 anda neste tamanho descrédito por aqui), o britânico torce pela corrida na pista, que seja aquela que vale o ingresso e que faz ser assunto durante toda a semana.

E se é assim quando há corrida no Reino Unido, especialmente na casa-mãe Inglaterra, imagine a alegria do povão ao ver a F1 parar por aqui, e soma-se ainda o fato de ter um britânico badalado mandando ver já há duas corridas. Foi neste clima sempre festivo de casa da mamma e família que a categoria encontrou-se com o local do primeiro GP da história, e onde Lewis Hamilton triunfou pela terceira vez seguida, a terceira dentro da humilde residencia, entregou-se aos caros torcedores e, agora, vê Nico Rosberg sem binóculos.

Nas primeiras voltas, Mercedes e Red Bull andaram próximas. Lewis fez o necessário, enquanto Rosberg brigava ferozmente contra o inspirado Vertappen, que chegou a mais um pódio, pulando ainda de terceiro para segundo por conta de uma punição por instruções irregulares via rádio ao alemão. (Getty Images)

Nas primeiras voltas, Mercedes e Red Bull andaram próximas. Lewis (abaixo) fez o necessário, enquanto Rosberg brigava ferozmente contra o inspirado Vertappen, que chegou a mais um pódio, pulando ainda de terceiro para segundo por conta de uma punição por instruções irregulares via rádio ao alemão. (Getty Images)

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O inglês da Mercedes teve um susto no treino, errando e tomando punição por ter excedido os limites da pista. Fez a pole no fio da navalha e tinha tudo para correr tranquilo em pista seca. Isto até, de repente, um chuvão encharcar tudo, inclusive todas as estratégias das equipes. A estratégia que foi crucial para determinar os rumos da prova, e dos problemas e bolas divididas era que Hamilton precisava andar longe. Foi o que fez para garantir a vitória e a festa da british people em Silverstone.

Foi uma prova onde tudo deu certo para Hamilton, e nada para Rosberg outra vez. Em segundo, poderia ter apostado em alguma diferença na estratégia de trocas ou ousado um pouco, pois voava na pista. No fim, acabou muitas voltas preso atrás do endiabrado Max Verstappen e tomou uma punição de +10 segundos por trocas de informações ilegais entre equipe e piloto, coisa que a TV pegou bem no momento que o alemão passava por problemas na sétima marcha.

Rosberg toma vaia no pódio. Verdade que estava mais rápido, mas perdeu tempo brigando com Verstappen e agora está sentindo na nuca o companheiro de frecha (Getty Images)

Rosberg toma vaia no pódio. Verdade que estava mais rápido, mas perdeu tempo brigando com Verstappen e agora está sentindo na nuca o companheiro de flecha (Getty Images)

Com a punição empurrando Rosberg para terceiro no resultado final da prova, Hamilton vai dormir esta noite separado apenas por um ponto do alemão. No entanto, passando a Hungria, a próxima prova do mundial será na terra de Nico: A doce Alemanha, que regressa ao calendário. E tudo pode acontecer por la, até mesmo Rosberg devolver as vaias recebidas na terra da rainha. Enquanto isso, espera-se de tudo no traçado travado da pista de Budapeste.

MENINO DE MUZAMBINHO: Max Verstappen (Red Bull)

Mais uma vez, ele! Max Verstappen fez bonito e duelou de igual para igual contra Rosberg. terminou na mesma posição que largou, mas valeu. (Getty Images)

Mais uma vez, ele! Max Verstappen fez bonito e duelou de igual para igual contra Rosberg. terminou na mesma posição que largou, mas valeu. (Getty Images)

Não dá, tive de antecipar o galardão ao melhor da corrida já, pois grande parte da história da prova girou sobre o menino holandês e seu bólido maravilhoso. Foi outra prova primorosa de Max Verstappen, que só não faz mais por falta de um equipamento a altura das flechas prateadas. Largando em terceiro, pela primeira vez a frente de Daniel Riccardo, Verstappen chegou a estar em segundo na prova, andando rápido, e segurou firme por muitas voltas as investidas de Rosberg, com autoridade de gente experiente e com lances limpos.

Verstappen a frente de Rosberg. Não resistiria quando a pista secou, mas podia ter voltado ao segundo posto depois que o alemão da Mercedes teve um problema na sétima marcha do câmbio (Getty Images)

Verstappen a frente de Rosberg. Não resistiria quando a pista secou, mas podia ter voltado ao segundo posto depois que o alemão da Mercedes teve um problema na sétima marcha do câmbio (Getty Images)

Terminou em terceiro, onde largou é verdade. Mas terminou com autoridade, com o braço de quem sabe o que faz na pista e que não treme diante do rival mais forte. O ponto também vai para a Red Bull, depois de ter trocado o impetuoso e descontrolado Daniil Kvyat – mesmo de forma polêmica – pelo garoto da terra das tulipas. Enquanto isso, Riccardo tem que começar a trabalhar se quiser continuar sendo considerado uma promessa. Por enquanto, é do jovem Max este crédito dentro do time do touro paraguaio.

Ferrari coadjuvante, Williams desaparecida

Raikkonen foi a melhor Ferrari, com um quinto lugar depois de duelar com Perez. Vettel voltou a errar e terminou sumido apenas em nono (Getty Images)

Raikkonen foi a melhor Ferrari, com um quinto lugar depois de duelar com Perez. Vettel voltou a errar e terminou sumido apenas em nono. Nada que amenize a má fase do time de Maranello em 2016 (Getty Images)

Duas grandes decepções foram marcantes durante a prova, justamente as duas equipes que poderiam, em tese, ameaçar a Mercedes nos últimos tempos, revelando os problemas da temporada para ambas. A Ferrari, cotada sempre como a mais próxima dos alemães prateados, foi simplesmente uma nota de rodapé na prova de hoje. Já uma das donas da casa, a Williams, deu mais uma demonstração de dificuldades em pilotos e carro.

Dos lados de Maranello, Kimi Raikkonen ainda fez algo com o quinto posto, depois de brigar ferozmente contra Sergio Pérez, em outra atuação fabulosa pela Force India. O finlandês correu a prova de hoje com o contrato renovado para 2017 permanecer o feudo, mas ainda é um peso para si próprio e para a Ferrari, além de ser uma porta a menos para um talento promissor, como o próprio Checo. Já Sebastian Vettel teve outra atuação medíocre, que nem faz lembrar a de um tetracampeão. Errou várias vezes, sendo uma delas uma rodada, e terminou longe de tudo e de todos, num distante nono lugar.

Bottas escapando na pista ainda úmida. Um dos poucos momentos em que o finlandês apareceu. Massa viu todo o otimismo ir água abaixo, terminaria apenas em 12º, a frente do companheiro. Williams bem longe do que, teóricamente, seria um bom desempenho (Getty Images)

Bottas escapando na pista ainda úmida. Um dos poucos momentos em que o finlandês apareceu. Massa viu todo o otimismo ir água abaixo, terminaria apenas em 12º, a frente do companheiro. Williams bem longe do que, teoricamente, seria um bom desempenho com o pacote que tem (Getty Images)

Já na grama verde de Grove, somam-se provas da falta de desempenho do bólido da Williams, que nem fez cócegas na corrida caseira que em tempos passados lhe rendera tanta glória. Valtteri Bottas mal apareceu nas câmeras de TV e terminou em 14º apenas, Já Felipe Massa, em busca ainda de um rumo para o próximo ano que pode ser, naturalmente, a própria Williams, fez alguma coisa durante a prova e terminou a frente de Bottas, mas sem pontos. De recordação, uma briga que chega perto do ponto humilhante diante de Fernando Alonso, com uma boa McLaren.

Tanto otimismo de Massa já está me soando promessa furada de político mequetrefe. Coisas da velhice atrás do volante.

Os 10 mais – Corrida

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
3 – Nico Rosberg (Mercedes)
4 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
5 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
6 – Sergio Pérez (Force India-Mercedes)
7 – Nico Hulkenberg (Force India-Mercedes)
8 – Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso-Ferrari)
9 – Sebastian Vettel (Ferrari)
10 – Daniil Kvyat (Toro Rosso-Ferrari)
11 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
15 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Nico Rosberg (168)
2 – Lewis Hamilton (167)
3 – Kimi Raikkonen (106)
4 – Daniel Riccardo (100)
5 – Sebastian Vettel (100)
6 – Max Verstappen (90)
9 – Felipe Massa (38)
22 – Felipe Nasr (0)

Rapidinhas:

– Outra narração aberrante da F1 feita pela Globo. Aquela insana demonstração de emoção de Luiz Roberto, visivelmente não feito para narrar automobilismo, intervenções inoportunas de Reginaldo Leme – cada vez mais displicente – e uma Mariana Becker que de útil apenas o aviso ao diretor que iria aos sanitários. Patético!

Sainz Jr. escapa. Escapadas foram coisas corriqueiras na prova britânica. Só mesmo na Copse, a curva de saída da prova, praticamente todos os pilotos não escaparam de dar uma balançada em cima da água retida (Getty Images)

Sainz Jr. escapa. Escapadas foram coisas corriqueiras na prova britânica. Só mesmo na Copse, a curva de saída da prova, praticamente todos os pilotos não escaparam de dar uma balançada em cima da água retida (Getty Images)

– Ver tantos botas errando na Copse, a curva de saída da reta de largada, fez-me lembrar vagamente do GP de 1975, aquele da última vitória de Emerson Fittipaldi. Poucos pilotos (ou ninguém) escapou de dar uma rebolada naquele canto, onde grande parte da água restante da chuva do início da prova ficou concentrada. Ao menos, diferente de 1975, onde o pau foi na antiga curva Stowe, ninguém bateu feio. No pior, apenas rodadas e motores apagados.

Lembranças a Carl Haas

Junto do inseparável charuto, Carl Haas era um personagem único fora das pistas da Indy. Recheado de vitórias e histórias, mítico chefe de equipe faleceu no último dia 29 de junho, aos 86 anos Reprodução / IndyCar)

Junto do inseparável charuto, Carl Haas era um personagem único fora das pistas da Indy. Recheado de vitórias e histórias, mítico chefe de equipe faleceu no último dia 29 de junho, aos 86 anos (Reprodução / IndyCar)

E foi com tristeza que o mundo da velocidade despediu-se no último dia 29 de junho (notícia divulgada na última semana) de um dos nomes mais importantes que o integravam: O vulto de Carl Haas, um dos mais carismáticos e icônicos chefes de equipe do universo americano da velocidade. Ele tinha 86 anos e, há algum tempo, já sofria os males consequentes do Alzheimer que sofria.

Circulando pelos corredores, com um charuto a boca e, nos anos áureos da Indy, tendo ao lado o ex-ator e amante da velocidade Paul Newmann, Haas escreveu seu nome com letras douradas em várias vitórias com pilotos marcantes – cita-se Mario e Michael Andretti, Nigel Mansell, Cristiano da Matta e outros – no seu time adornado quase sempre com as cores do óleo Havoline e dos supermercados Kmart. Lembranças que o grande cronista-contador Douglas Sardo nos trará mais logo logo junto dos relatos da prova da Indy em Iowa.

Haas junto da cúpula e de Alan Jones no carro) na apresentação do carro de 1986. Apesar da estrutura invejavel, faltava potência ao Ford turbo e, no fim do ano, o patrocínio da Beatrice, que se foi numa troca de diretoria da empresa alimentícia. Apenas seis pontos em 1986 Reprodução)

Haas junto da cúpula e de Alan Jones no carro) na apresentação do carro de 1986. Apesar da estrutura invejavel, faltava potência ao Ford turbo e, no fim do ano, o patrocínio da Beatrice, que se foi numa troca de diretoria da empresa alimentícia. Apenas seis pontos em 1986 (Reprodução)

No entanto, o mundo de Haas não se restringiu nos EUA. Na F1 o velho chefe também apareceu, numa proposta grandiosa junto dos ex-McLaren Teddy Mayer e Tyler Alexander que acabou numa grande furada. A FORCE (sigla de Formula One Racing Car Engineering) apareceu na pista ainda em 1985, indo as pistas com motor Hart a espera do Ford turbo que impulsionaria a equipe. Na lataria vermelha-e-azul, o patrocino da marca alimentícia yankee Beatrice, que desapareceria ao fim temporada de 1986 começar por conta de uma rescisão de contrato inesperada.

O que tinha como ser uma aventura bem sucedida, contando com o aporte da Ford num projeto inédito de motor turbo, virou uma canoa furada. Pouquíssimos resultados, apenas seis pontos somados na temporada de 1986, tendo Alan Jones e Patrick Tambay (mais Eddie Cheever no GP de Detroit) como pilotos. A tentativa acabou no fim daquela temporada, mas nada que arranhasse a imagem de Haas no automobilismo.

Patrick Tambay na Belgica, Equipe estreou no fim de 1985, usando motores Hart turbo, e penou aguardando os propulsores da Ford. No fim, cada um foi para seu lado. A Ford seguiu para a Benetton, Jones e Tambay se retiraram, a Lola, apoiadora da ideia, se juntou a Gerrard Larrousse em 1987 e Haas voltou aos tentos nos EUA Reprodução)

Patrick Tambay na Bélgica, em 1986. Equipe estreou no fim de 1985, usando motores Hart turbo, e penou aguardando os propulsores da Ford. No fim, cada um foi para seu lado. A Ford seguiu para a Benetton, Jones e Tambay se retiraram, a Lola, apoiadora da ideia, se juntou a Gerrard Larrousse em 1987 e Haas voltou aos tentos nos EUA (Reprodução)

Bem, panos cobertos, carros guardados, hora de esperar o próximo capitulo da novela F1, que tecerá-ce-á no sempre travado Hungaroring, completando 30 anos de calendário. É o GP da Hungria, no próximo dia 24,

Até la!

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