Fabrício Wolff em A BOINA: A tocha da discórdia

O momento histórico e suas balanças. Acerca de todos os bons momentos trazidos com a vinda da tocha das Olimpíadas Rio 2016 as inevitáveis misturas dos reclamadores entre a política, esporte e as informações desencontradas. Nesta maré, provocar esta salada de afirmações é , em algumas partes, um esforço de egoísmo e busca pela atenção (Reprodução)

O momento histórico e suas balanças. Acerca de todos os bons momentos trazidos com a vinda da tocha das Olimpíadas Rio 2016 as inevitáveis misturas dos reclamadores entre a política, esporte e as informações desencontradas. Nesta maré, provocar esta salada de afirmações é , em algumas partes, um esforço de egoísmo e busca pela atenção (Reprodução)

(Fabrício Wolff)

Desde sempre o brasileiro misturou governo e país, nação e partidos políticos, posições políticas com esportivas. Desta vez, com as Olimpíadas (Rio 2016), não foi diferente. A passagem da tocha olímpica pelos municípios fez das redes sociais o espelho desta dificuldade de muita gente entender que política é uma coisa, esporte é outra.

A olimpíada é um evento esportivo – o maior do esporte amador no planeta. O governo brasileiro e as mazelas de corrupção engendradas nos salões de Brasília é outra realidade. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como se diz no jargão popular. Misturar as duas, é falácia.

A tocha diante da fachada do Carlos Gomes, para um revezamento único na história da cidade (Reprodução)

A tocha diante da fachada do Carlos Gomes, para um revezamento único na história da cidade (Reprodução)

Considerar inadequada a realização de uma olimpíada no atual momento que o país atravessa, é bem sensato. Particularmente, penso que nem deveria ser aqui, agora. Assim como na Copa de 2014, o Brasil não conseguiu ver o legado físico desses grandes eventos esportivos mundiais. Muito, é claro, por nossa própria incompetência. Estádios construídos em lugares que mal tem time de futebol, obras de infraestrutura que não acabaram e muitas que nem começaram e outras patuscadas mensuráveis próprias de um país como o nosso. A culpa é dos eventos? Não. Eles seriam uma oportunidade. Nossos governantes (eleitos por nós) não souberam aproveitar.

Por outro lado, quem tem bom senso vislumbra que há legados difíceis de mensurar. As obras que foram em frente empregaram milhares de brasileiros por um bom tempo. Os eventos em si, enquanto duraram, renderam até para pipoqueiro em porta de estádio. Não ver esses benefícios econômicos às pessoas é, no mínimo, um estratosférico esforço de egoísmo.

As construções do parque olímpico do Rio. Como será aproveitado o legado que ele deixará após os jogos? Deseja-se que não seja o mesmo destino das obras (ou quase-obras) da copa, isto se a falta de visão dos políticos deixar. (Reprodução)

As construções do parque olímpico do Rio. Como será aproveitado o legado que ele deixará após os jogos? Deseja-se que não seja o mesmo destino das obras (ou quase-obras) da copa, isto se a falta de visão dos políticos deixar. (Reprodução)

E essa talvez seja uma das marcas dos reclamantes de plantão das redes sociais: Se o acontecimento não beneficiar a ele, é contra. Porque não há como negar que, no meio esportivo, uma olimpíada no Brasil não só motiva os atletas de alta performance a treinar mais, melhorar muito para tentar chegar à olimpíada, como também ajuda a criar uma cultura de esporte amador nas crianças ainda em idade escolar.

Reforço: Penso que não era a hora de ter o evento por aqui, mas não consigo ver só coisa ruim nas Olimpíadas (e Paraolimpíadas). Vejo que quem é do contra, só é do contra. Não propõe nada. Não quer ao menos tentar enxergar algo de bom, ainda que o legado fique bem aquém do desejável.

A mesma linha de pensamento serve para aqueles que criticam a passagem da tocha por uma cidade. Em primeiro lugar, porque as redes sociais foram espaço de mentiras de gente dizendo que um município paga R$ 180 mil para que a tocha venha à cidade. É mentira! Coisa de quem não pesquisa, não busca informações, mas… quer ser do contra. Um levantamento prévio aponta que Blumenau pagou um equipamento de som, um ônibus da Secretaria de Educação para transportar fanfarra, ambulância e grades de proteção deslocadas para a Rua XV… vamos falar sério: se chegou a R$ 18 mil, é muito.

A chegada de Ana Moser no Parque Vila Germânica, em um momento para a história da cidade. Que esta e tantas lições sejam as lembradas nos livros e nas boas coisas que o símbolo olímpico provocará em nosso meio (Reprodução)

A chegada de Ana Moser no Parque Vila Germânica, em um momento para a história da cidade. Que esta e tantas lições sejam as lembradas nos livros e nas boas coisas que o símbolo olímpico provocará em nosso meio. Se há discordâncias ou concordâncias com o clima, é opinião de cada um. Mas exageros podem ser, simplesmente, uma miopia (Reprodução)

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Em troca, quase 400 pessoas de fora da cidade (que trabalham para o Comitê Olímpico Brasileiro e patrocinadores das Olimpíadas) ocuparam hotéis, restaurantes, compraram souvenires. A Vila Germânica lotou em plena terça-feira à noite. A cidade foi notícia em redes da mídia nacional. Tudo isto gerou recursos para comerciantes da área turística que mantém empregos na cidade. Gerou impostos para o município em plena crise econômica nacional. Gerou exposição positiva de Blumenau para o país, o que serve como propaganda turística gratuita. Dá para afirmar: Blumenau ganhou com a passagem da tocha.

Enfim, ser a favor ou contra a olimpíada é questão da opinião de cada um, assim como ser contra ou a favor do governo. Misturar as duas coisas e esquecer que o esporte movimenta saúde, educação, cidadania, economia e sonhos… é ser extremamente egoísta.

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